115) ERGONOMIA DO TRABALHO EM UMA OBRAS DE CONTENÇÃO

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115) ERGONOMIA DO TRABALHO EM UMA OBRAS DE CONTENÇÃO

Autores:
Luiz Antonio Naresi Junior
Rogéria Gonçalves - Técnica de Segurança do Trabalho

AVALIAÇÃO ERGONÔMICA DE POSTOS DE TRABALHO EM UMA OBRA GEOTÉCNICA

Resumo:

Nas obras de geotecnia as empresas devem se preocupar cada vez mais com a saúde de seus colaboradores, para que estes produzam mais e melhor.

Nesse cenário a ergonomia se enquadra como participante do processo, ao adequar o trabalho geotécnico ao ser humano através de diversos métodos, como os de análise postural nas suas atividades visando oferecer melhores condições de trabalho, a ergonomia reduz a fadiga e o “stress” e consequentemente promove o aumento do bem-estar e da produtividade dos colaboradores diante de suas atividades no seu dia a dia.

Um método ergonômico de registro e análise postural foi aplicado no setor de geotecnia  uma obra de contenção de encosta, onde são desenvolvidas atividades de perfuração e contenção ao longo da ferrovia, com objetivo de promover a contenção da malha ferroviária visando garantia da manutenção do corpo da ferrovia garantindo a passagem da locomotiva sem queda de barreiras.

Durante uma jornada de trabalho, os operadores das perfuratrizes podem assumir inúmeras posturas diferentes e demandar esforços musculares que, no
futuro, podem causar doenças ocupacionais. No decorrer do presente estudo, foi feita uma coleta de dados, para identificar e registrar as más posturas no trabalho. Foi entregue um questionário aos funcionários a fim de que fossem avaliadas as condições do posto de trabalho de cada um.

Foram observados os tempos de permanência de diferentes combinações das posições do dorso, braços e pernas. 

No final foram propostas medidas de correção postural e de adequação do posto de trabalho aos operadores e aos demais funcionários cada qual nas suas principais funções conforme quadro abaixo:




Histórico do Trabalho:

1) Preocupação com a relação entre as atividades laborativas e as doenças;

1.1) nações mais industrializadas e desenvolvidas estão na relação dos trabalhos como as mais comprometidas com a saúde do trabalhador e pouco eficaz de forma positiva

1.2) Na maioria das atividades os problemas estão presentes nos esforços repetitivos, trabalho estático, ritmos intensos e posturas inadequadas.

1.3) Estudar os aspectos humanos e técnicos ligados ao trabalho e a ergonomia é a avaliar as tarefas e a sua variabilidade, conhecendo as exigências do trabalho, e as atividades realizadas pelo trabalhador e os elementos de cada situação que poderão ocorrer para se obter o conforto para um trabalhador em cada atividade especifica.

1.4) A ergonomia estuda as posturas e movimentos corporais bem como fatores ambientes que interferem nas condições de trabalho e congrega vários conhecimentos relevantes de diversas áreas da atividade da obra e do ser humano.

1.5) O estudo da ergonomia é aplicado de princípios científicos e tecnológicos embasados nas diferentes áreas contribuintes como a psicologia, fisiologia, anatomia, aspectos sociais, biomecânicos e antropometria, tendo por finalidade o desenvolvimento de estudos e sistemas antropocêntricos. Desse modo, tendo o homem como o centro de tudo, volta-se mais para a humanização do trabalho, objetivando a viabilidade de projetos de ambiente que proporcionam maior segurança, saúde, prevenção de erros e conforto do trabalhador, buscando integrar o comportamento do ser humano e as suas relações com os equipamentos e o ambiente em que está inserido, na tentativa de melhorar cada vez mais a qualidade de vida e satisfação na realização do trabalho. Isso ira assegurar um ambiente de trabalho ergonomicamente correto e adequado à biomecânica corporal e a uma conscientização de hábitos posturais que levem a adequada realização das tarefas laborais, evitando dores e possível desenvolvimento de doenças.

A ergonomia é definida como o estudo da adaptação do trabalho ao ser humano, entendendo o trabalho como uma concepção mais ampla, a qual engloba o
estudo de toda a situação em que ocorre o relacionamento entre o ser humano e o trabalho.

A ergonomia pode ser compreendida como a ciência que procura configurar, planejar, adaptar o trabalho ao homem, respondendo
questões levantadas em condições de trabalho insatisfatórias.

A ergonomia não é apenas um estudo físico do ambiente de trabalho do homem, mas também um estudo psicológico que estuda aspectos como o cansaço
ou perturbações mentais e as insatisfações que a rotina pode gerar no trabalhador.

biomecânica, a fisiologia e a anatomia permitem, por exemplo, conceber assentos e horários mais adaptados aos trabalhadores. E a segunda considera a ergonomia como o estudo especifico do trabalho humano com a finalidade de melhorá-lo, preocupando-se mais com a situação laboral do trabalhador procurando melhorar as maquinas a rotina das atividades do homem.

A ergonomia tem uma legislação especifica no Brasil através da portaria 3.751 de 23/11/90 do Ministério do Trabalho que implementou a Norma Regulamentadora NR – 17 – Ergonomia. Ela estabelece parâmetros que permitem a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, o que proporciona o máximo conforto, segurança e desempenho eficiente dos mesmos. As condições de trabalho incluem aspectos relacionados ao mobiliário, equipamentos e condições ambientais dos postos de trabalho e ao levantamento, transporte e descarga de materiais.

A análise ergonômica dos problemas dos postos de trabalho leva a conclusão que estes ocorrem devido ao relacionamento inadequado entre trabalhador e suas tarefas. Se as organizações consideram inadequadamente as capacidades e limitações humanas durante o projeto de trabalho e seu ambiente, a probabilidade de acidente e males de trabalho podem ser reduzidos. 

5) OBJETIVOS DA ERGONOMIA :

- Adequação do ambiente de trabalho as capacidades biomecânicas do homem, pela organização e estruturação do mesmo e utilização de equipamentos adequados a cada tarefa e a medida antropométrica de cada pessoa (exigência técnica);

- Aumentar a produtividade do trabalho com o tempo, pois trabalhador lesado não gera capital, e sim, prejuízo;

- Prevenção de LER/DORT e promoção da saúde;

- Diminuição da fadiga e desconforto físico e mental do trabalhador, colocando-o apto ao trabalho produtivo.

A ergonomia objetiva também solucionar problemas da relação entre homem, máquina, equipamento, ferramentas, programação de trabalho, instruções e informações, resolvendo conflitos entre o homem e a tecnologia aplicada ao seu trabalho.

6) Tipos de Ergonomia:

- Ergonomia de concepção: a intervenção é aplicada sobre a fase inicial do projeto, atuando amplamente sobre o posto de trabalho (instrumentos, máquinas,
formação do pessoal, sistema de produção e na organização do trabalho, etc.)

- Ergonomia de correção: a intervenção é feita sobre o posto de trabalho já instalado (mobiliário, instalações, trabalhadores e a atividade realizada). Atua de
forma restrita modificando elementos parciais do posto de trabalho e seu usuário;

- Ergonomia de conscientização: a intervenção age diretamente sobre os trabalhadores, através da reciclagem e treinamento pessoal dando ênfase aos meios seguros de trabalho, reconhecimento dos fatores de risco e possíveis soluções a serem tomadas pelos próprios trabalhadores para eliminação dos mesmos.

7) Aspectos Organizacionais da Ergonomia

Reduzir a monotonia, fadiga, erros operacionais, criar ambientes motivadores, políticas corporativas e processos de produção, incluindo comunicações, gerenciamento de recursos de equipes e operações com sistemas estratégicos de correções de processos identificados e falhas em disturbios na ergonomia da rotina do trabalho do dia dia.

Busca um mobiliário correto, uma forma mais eficaz de executar um serviço com recursos apropriados dar  instruções e treinamentos sobre e processos de rotinas e treinamento dos aparatos dos equipamentos e recursos das atividades especializadas e do uso correto e da manutenção dos equipamentos necessários, a adoção de posturas adequadas, bem como um relacionamento sincero e saudável entre os trabalhadores e a gerência.

Esses itens quando analisados e realizados de maneira inadequada, são fatores desencadeantes do estresse físico e psíquico do trabalhador, o que predispõe ao aparecimento ou agravamento de dores ou lesões musculoesqueléticas considera de suma importância a análise das principais fontes de insatisfação dos trabalhadores, a qual depende do tipo de trabalho, para atuar sobre as mesmas. Elas podem ser agrupadas nas seguintes categorias:

- Ambiente Físico: a ergonomia se preocupa em manter o ambiente em um estado que não agrida a integridade do organismo e proporcione conforto ambiental, buscando as melhores condições para o desempenho das atividades dos funcionários. Abrange o posto de trabalho e as condições físicas (iluminação, temperatura, ruídos e vibrações). Se estes elementos estiverem fora dos padrões de normalidade, constituem-se fontes de estresse e de insatisfação no trabalho.

- Ambiente Psicossocial: a monotonia, a fadiga e a motivação são aspectos muito importantes que devem interessar a todos aqueles que realizem análise e
projetos relacionados ao trabalho humano. Compreende também, aspectos relacionados ao sentimento de segurança e auto-estima, crescimento profissional,
relacionamento social com os colegas e os benefícios que o trabalhador recebe da empresa.

- Remuneração: sempre foi considerada questão de critica importância para a eficácia organizacional. As queixas salariais aparecem com maior freqüência quando há insatisfação em outras áreas do ambiente físico ou psicossocial. Esta não é a maior motivação para o trabalho, embora todos trabalhem para ganhar dinheiro.

- Jornada de Trabalho: geralmente é regulamentada por leis trabalhistas, mas alem da jornada norma de trabalho, muitas empresas recorrem ao trabalho em horas extras. Sob análise da Ergonomia, as jornadas superiores a oito ou nove horas diárias de trabalho são improdutivas. Os trabalhadores que são obrigados a cumprir horas extras costumam reduzir seu ritmo durante a jornada normal, para acumular reservas de energia para suportá-las.

- Organização: devem-se buscar novas formas de organização de trabalho, em que não seja necessário exercer controles rígidos sobre cada atividade, mas abra espaço para que cada um possa exercer suas habilidades, com sentimento de auto realização. A organização do trabalho considera diversas medidas para
melhorar a postura e aliviar a carga de trabalho. Estas medidas estariam relacionadas à mudança de método (variedade de tarefas, enriquecimento de
trabalho, o que diminui o grau de fadiga, promovendo uma maior motivação, além de reduzir o absenteísmo e a rotatividade), rigidez organizacional (com a imposição de ritmo artificial, o trabalho se torna automático, o que reduz sua vida mental, tornando o trabalhador mais susceptível a doenças) e participação dos trabalhadores na busca das melhores soluções, contribuindo para aceitação de novas propostas
reduzindo as resistências.

Através disso, nota-se que a ergonomia organizacional é muito importante no processo, pois se preocupa com a organização de trabalho e com as condições
adequadas para o ser humano possa realizar suas atividades de maneira segura, confortável e produtiva.

8) Aspectos Biomecânicos Relacionados ao Trabalho.

A biomecânica ocupacional pode ser definida como sendo o estudo das interações entre o trabalho e o home sob o ponto de vista dos movimentos músculo
esquelético envolvidos e as suas conseqüências durante a realização da atividade.

Ele analisa basicamente a questão das posturas corporais no trabalho e a aplicação de forças. Além disso, faz referencia ao manuseio de produtos e instalações físicas, que se forem inadequadas e realizadas biomecanicamente incorretas, podem ser motivo para o surgimento de tensões
musculares, dores e fadiga.

A biomecânica é a aplicação dos princípios da mecânica e da física ao corpo humano, abordando noções de força, peso e tensões a que os grupos musculares
são mantidos durante uma determinada postura ou um movimento que podem desenvolver sobrecargas e aumento do gasto energético, com conseqüente
produção de tensões nos músculos, ligamentos e articulações resultando em dores no corpo e articulações.

Ela prioriza a interação física do trabalhador com suas ferramentas, máquinas e materiais, objetivando a melhora da sua performance e minimização dos riscos de distúrbios físicos mentais e esqueléticos.

O trabalhador realiza no decorrer do cumprimento da sua atividade, alguns procedimentos operacionais que exigem dele atividade física e mental, e para que
possa garantir o sucesso nesta realização é necessária a adoção de determinadas posturas e movimentos necessária a conclusão de suas atividades para cumprir as metas e procedimentos previstos e planejados pela empresas durante suas atividades de trabalho.


9) Ergonômica da Demanda: 

Compreender a natureza e a dimensão dos problemas apresentados pela obra que irá se executar e assim poder elaborar um plano de intervenção para procurar eliminar ou resolver as soluções de ergonomia informando os prazos e custos necessários para as soluções.

Essa demanda pode partir da direção geral, serviço médico, segurança no trabalho e até mesmo das obras e de seus representantes, órgãos ou
instituições fiscalizadoras, podendo ser distinguida grupos contendo  recomendações ergonômicas para implantação de um sistema de gestão contendo :

  •  resolução de problemas ergonômicos em postos de trabalho já implantados e/ou funcionamento
  •  identificação de condicionantes ergonômicas introduzidas pela implantação de novas tecnologias.
  • distribuição das ações tomadas e melhorias pelos canais de comunicação da empresa

A análise da demanda permite a verificação das condições do ambiente de trabalho, e possibilita uma reformulação das melhorias dos processos e procedimentos implantadas nas obras e nos equipamentos permitindo as melhorias nos procedimentos ergonômicos juntos aos nossos funcionários.

10 ) Análise Ergonômica da Tarefa

As tarefas executadas nas atividades da obra de serviços de geotecnia correspondem não só as condições técnicas de trabalho especificas de cada atividade, mas também as condições ambientais de entorno que envolvem, geralmente sempre em taludes ou encostas e estruturas organizacionais do trabalho.

É considerado o trabalho prescrito definido como meta a ser cumprida em determinado espaço de tempo definido em um cronograma a ser cumprido durante uma jornada de trabalho, bem como as condições de trabalho que lhes são colocadas para o cumprimento das mesmas com todo aparato de segurança do trabalho que a legislação vigente exige independente do instrumento contratual do próprio cliente que chega a ser mais exigente que a própria lei.

A realização da tarefa é o objetivo de produção e/ou qualidade que o trabalhador tem a atingir, trata-se da meta e também dos procedimentos e métodos de
trabalho, observações detalhadas em projeto executivo detalhado, analise preliminar de atividades com as pessoas envolvidas (direção,
gerentes, engenheiros, supervisores e trabalhadores), normas, projetos, restrições de tempo, de prazos, dos meios de trabalho colocados à disposição do trabalhador bem como: tipo de materiais, ferramentas,  máquinas, equipamentos, ferramentas, perfuratrizes, equipamentos de injeção, documentos, procedimentos técnicos, todas as características do ambiente físico e de entorno das organizacionais de trabalho e dos objetivos globais para alcançar os objetivos e metas estabelecidas para o comprimento e finalização da obra dentro do que esta sendo solicitado em contrato.


11) Análise Ergonômica da Atividade

A atividade de trabalho é a mobilização total do individuo, em termos de comportamento, para realizar uma tarefa que é prescrita, ou seja temos de ter concentração, capacidade, inteligencia, calma e discernimento para elaborar aquilo que fora planejado, e estar bem disposto e bem de saúde e fisicamente para que tudo sai de acordo e não tenhamos nenhum problema inclusive relacionado a ergonomia.

Trata-se então, da mobilização das funções fisiológicas e psicológicas de um determinado individuo, em um determinado momento.

A parte observável da atividade (sensório-motora) pode ser evidenciada pelo conjunto de ações de trabalho que caracteriza os modos operativos. Já a parte não
observável (mental) pode ser caracterizada pelos processos cognitivos: sensação, percepção, memorização, tratamento de informação e tomada de decisões. 

Ao realizar o levantamento dos comportamentos do individuo no trabalho são consideradas principalmente as atividades que podem ser levantadas por métodos aplicáveis na situação de trabalho.

A análise do trabalho real constitui o objeto principal da análise ergonômica do trabalho (AET), que visa estudar a atividade real do trabalhador que, em muitos
casos, é muito diferente da tarefa prescrita pela organização.

12) Aspectos Fisiológicos da Coluna Vertebral: 

A coluna vertebral é uma longa estrutura óssea, resistente e flexível. Situa-se na parte mediana posterior do tronco, para baixo da cabeça que segue até a pelve
que a suporta. Embainha a medula espinhal e cincunscreve o canal raquidiano.

A coluna vertebral consiste em uma superposição sinuosa de 34 vértebras, separadas estruturalmente em cinco regiões. De cima para baixo, existem 7
vértebras cervicais, 12 vértebras torácicas, 5 vértebras lombares, 5 vértebras sacrais fundidas e 5 pequenas vértebras coccígeas fundidas. Pode existir uma vértebra a mais ou a menos, particularmente na região lombar.

As curvas normais da coluna consistem em uma curvatura convexa para frente no pescoço (lordose cervical), convexa para trás na coluna superior (cifose
torácica) e convexa para frente na coluna inferior (lordose lombar).

Na extremidade da coluna vertebral estão o cóccix e o sacro. O sacro é uma fusão de cinco vértebras que une a coluna vertebral à pelve; o ponto de inserção (aparte da pelve chamada de ílio) é a articulação sacroilíaca. O cóccix é a fusão de três a cinco pequenas vértebras muito pequenas da base da coluna vertebral.

As vértebras são pequenos ossos com orifício central, que alinhados uns sobre os outros compõem a coluna vertebral. Elas são fundamentais para a sustentação corporal, para a proteção da medula, das raízes nervosas e para a absorção de impactos compressivos. Resistem tanto às pressões
verticais quanto a pressões laterais, causadas pela ação de músculos e ligamentos.

Entre as vértebras estão os discos intervertebrais, que são estruturas clastiformes, que servem para absorver o impacto entre elas. Os discos são
levemente menores do que o corpo da vértebra e possuem espessura variáveis.

Cada disco é constituído por um anel fibroso e um núcleo pulposo. Demonstrado a seguir pela figura 1.


13) Postura Corporal: 

Geralmente, postura refere-se à posição do corpo no espaço, não apenas na posição ereta, mas também quando caminha, corre, senta-se, agacha-se, ajoelha-se
ou se deita.

A postura corporal não é uma situação estática, mas sim dinâmica, pois as partes do corpo adaptam-se, constantemente, em resposta aos estímulos recebidos,
refletindo corporalmente as experiências momentâneas. 

A postura pode ser definida de varias formas, tais como: 

integração de vários reflexos (miotático, labiríntico, visual e epitelial), sendo acrescentados ainda os fatores psicológicos, as influências dos sistema endócrino e autônomo da ação muscular; uma atitude mental sobre o corpo, promovendo assim o equilíbrio, podendo ser definida como hábito de posição do corpo, no espaço, após uma atitude ou descanso e também, a imagem que a pessoa tem de si mesma, assim, é fundamental desenvolver a consciência do movimento do tronco, pois a imagem corporal é formada por meio da consciência corporal e o desenvolvimento desse aspecto leva a melhoria dos fatores emocionais.

Na postura corporal convergem todos os elementos que caracterizam o movimento. A postura não é somente a expressão mecânica do equilíbrio corpóreo,
mas é também a expressão somática da personalidade. É necessário que o indivíduo desenvolva uma consciência da postura, através de uma vivencia global da
mesma, respeitando as possibilidades biomecânicas.

É a posição que o corpo assume no espaço em função do equilíbrio de quatro constituintes anatômicos, sendo eles: as vértebras,
discos, articulações e músculos.

A postura é o principal elemento da atividade do ser humano, ou seja, não se trata apenas de manter-se em pé ou sentado, mas de “agir” dando um suporte à
tomada de informações e à ação motora no meio do trabalho. Vista dessa forma, a postura é um meio para localizar as informações exteriores e preparar os segmentos corporais e os músculos a fim de agir no ambiente. Trata-se, assim, de organizar o espaço em referência ao seu corpo para localizar-se, deslocar-se e agir numa perspectiva dinâmica.


14) Postura Ideal: 

A postura pode ser considerada boa, se o individuo na postura estática, não ficar cansado, apresentar uma aparência aceitável e requerer o equilibrio entre o
suporte ligamentar e o tônus muscular mínimo, correspondendo às necessidades biomecânicas, que permitem a sustentação da posição vertical com o minimo gasto de energia.

Todos os tipos de boa postura caracterizam-se principalmente por um aspecto essencial: o alinhamento correto da coluna vertebral que se relaciona com a
passagem da linha da gravidade entre a apófise mastóide, extremidade do ombro, quadro e a linha anterior do tornozelo.

As necessidades mínimas de uma postura adequada são:

  •  um grau razoável de força, resistência e flexibilidade dos músculos, tendões e ligamentos, especialmente os das costas, que significa uma quantidade mínima de esforço e sobrecarga, conduzindo a eficiência máxima do corpo. Isso garante que é possível manter a coluna vertebral corretamente alinhada durante todo o dia.
A postura saudável seria o estado de equilíbrio muscular e esquelético no qual os músculos funcionam mais eficientemente e posições ideais são proporcionadas para acomodar os órgãos torácicos e abdominais. Determinadas posturas devem ser evitadas pelo risco que elas podem trazer para o equilíbrio do corpo.

Uma boa postura deve ser aquela em que, todas as atividades do corpo possam ser realizadas com um mínimo de esforço e a partir da qual os sistemas do
corpo (respiratório, circulatório, digestivo) possam funcionar normalmente.

15 ) Postura Inadequada – Má Postura

De outro modo, a má postura é um mau hábito e, infelizmente, é de incidência mais alta. Ela está associada à contração muscular excessiva, a qual inibe a
transmissão de impulsos ao cérebro, que desse modo, não pode perceber o grau de deformidade corporal. A contração excessiva dos músculos e um esforço ligamentar prolongado produzem estímulos dolorosos, levando as pessoas as posturas antálgicas e inadequadas.

Os defeitos posturais têm sua origem no mau uso das capacidades proporcionadas, não na estrutura e função do corpo normal, e os que persistirem
podem dar origem a desconforto, dor ou incapacidade. A amplitude de efeitos desde o desconforto até o problema incapacitante relaciona-se com a gravidade e persistência dos defeitos.

A alta incidência de alterações posturais em adultos relaciona-se com a tendência para um padrão de atividade especializado ou repetitivo. A correção das
condições existentes depende da compreensão das atividades a fundo e da implementação de um programa de medidas educacionais positivas e preventivas.
Ambas requerem uma compreensão da mecânica do corpo e sua resposta às sobrecargas e tensões impostas a ele.

A postura adequada é natural em algumas pessoas. Para outras, inclusive as com deformidades da coluna vertebral (como escoliose), pode ser difícil ou até
mesmo impossível adotar uma boa postura. Outras, ainda, poderão precisar de equipamentos corretivos, inclusive calçados, suportes, cadeiras, cadeiras ou
colchões especializados, para adotá-la.

16 ) Principais Motivos dos afastamentos do trabalho

1. Dor nas costas
As dores nas costas, que incluem problemas na coluna, configura entre as principais causas de afastamento do trabalho. O motivo, normalmente, são problemas relacionados à ergonomia — seja para trabalhos realizados em escritório (que envolve postura), seja para trabalhos no processo produtivo (carregando peso de forma inadequada, por exemplo).

2. Lesões no joelho
As causas podem estar relacionadas a sedentarismo, doenças genéticas, trabalhos em escritórios (em que se passa muito tempo sentado), obesidade e carregamento de peso de forma inadequada. Em casos mais graves, pode ser necessário fazer cirurgia e acompanhamento com fisioterapia, o que aumenta o período de afastamento.

3. Hérnia inguinal
Acomete mais homens do que mulheres e não necessariamente está ligada a problemas no ambiente de trabalho — o que faz com que o empregador não tenha meios de elaborar planos de prevenção. Porém, ainda assim, esse problema possui um índice alto de afastamento do trabalho.

4. Depressão e estresse
Cobranças excessivas por resultados satisfatórios, frustração profissional, problemas familiares e condições de trabalho inadequadas, por exemplo, são alguns dos motivos que causam estresse e depressão.

Em alguns casos os sintomas podem ser físicos, apresentando dores de cabeça, dor nas costas, fadiga, insônia e gastrite — o que pode causar confusão e fazer com que as pessoas acreditem ter outros problemas. O tratamento requer acompanhamento médico e o afastamento pode chegar a meses, dependendo do quadro clínico que o colaborador apresenta.

5. Mioma
É bem comum e acomete cerca de 80% das mulheres em idade fértil. Porém, os casos que levam a afastamentos são aqueles em que os sintomas atrapalham a rotina e aqueles em que a colaboradora precisa de cirurgia para remoção.

Porém, ainda assim, não são todos os casos que precisam ser tratados (os médicos recomendam apenas situações em que os sintomas já se manifestaram). O acompanhamento anual com um ginecologista, incluindo consulta e exames, é essencial para identificar e monitorar esse problema.

6. Varizes
É um problema que acomete mais mulheres do que homens e pode ter diversas causas. No ambiente de trabalho, o uso frequente de salto alto, longos períodos sentada e a compressão causada pela utilização de calças justas pode provocar ou mesmo agravar os casos de varizes.

7. Doenças do coração
Problemas do coração podem estar ligados a condições genéticas, má alimentação e sedentarismo. O estresse no ambiente de trabalho pode ser um agravante, que, inclusive, também pode provocar hipertensão.

8. Hemorragia no início da gravidez
Nem sempre o sangramento no início da gestação indica algum problema com o feto. Porém, o médico pode diagnosticar como sendo o início de um aborto, gravidez ectópica ou alguma patologia do útero. Quando se trata de algum problema do tipo, o afastamento pode ocorrer, principalmente, para que a gestante faça repouso ou como parte do tratamento, evitando maiores complicações.

9. Câncer de mama
Essa doença também está na lista de enfermidades que mais afastam trabalhadoras e pode ser causada tanto por condições genéticas, quanto por um estilo de vida inadequado. Muitas campanhas são realizadas para conscientização sobre a importância do autoexame e o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura.

10. Problemas urológicos
Problemas urológicos acometem homens e mulheres e podem estar relacionados à incontinência, infecção urinária e pedra nos rins, por exemplo. Apesar de em menor número, esse tipo de doença também causa afastamento do trabalho — no caso de inflamação da bexiga (cistite) e da pedra nos rins, por exemplo, o funcionário pode mesmo ter que passar por cirurgia, o que aumenta o tempo de afastamento.

Apesar da ideia (errônea) de que urologia é uma especialidade masculina — assim como o ginecologista atende mulheres —, o médico atende ambos os sexos. A diferença é que no caso dos homens ele trata tanto os órgãos do trato urinário, quantos os genitais, enquanto nas mulheres o tratamento é somente para os órgãos urinários.

Qual é o papel do profissional de saúde ocupacional na prevenção dessas doenças?
A empresa pode — e deve — exercer um papel ativo na prevenção de doenças decorrentes das funções e do ambiente de trabalho dos colaboradores. Nesse sentido, algumas ações podem ser tomadas, como:

Realização de ginástica laboral diariamente, ensinando exercícios de alongamento que, além de ajudar a iniciar o trabalho de maneira mais disposta, servem para incentivar os movimentos nos intervalos, evitando longos períodos sentados ou lesões em decorrência da atividade realizada;
Treinamentos de ergonomia, orientando sobre a postura adequada, a forma correta de abaixar e carregar pesos, entre outras coisas;
Fornecimento das ferramentas e equipamentos adequados para a realização das atividades;
Palestras para conscientização a respeito de alimentação correta, hábitos saudáveis e a importância de realizar check-ups com o médico periodicamente;
Acompanhar e monitorar os afastamentos do trabalho, avaliando quais são as principais causas e qual a frequência em que eles ocorrem.
Qual a importância do acompanhamento e monitoramento dessas ocorrências?
O acompanhamento dos afastamentos, bem como a identificação das suas causas permite que a equipe de saúde ocupacional possa avaliar quais medidas podem ser tomadas para melhorar os processos e o ambiente de trabalho, na tentativa de reduzir as ocorrências de doenças e as ausências que elas causam.

Nesse sentido, é possível contar com softwares voltados para esse tipo de trabalho, otimizando o processo auxiliando no controle e análises dos problemas e nos programas criados para auxiliar os colaboradores.

Oferecer boas condições e ferramentas adequadas para os colaboradores, além de promover um ambiente mais agradável e seguro, ajuda a reduzir os índices de afastamento do trabalho. Porém, por mais que a empresa realize campanhas e promova a conscientização, as mudanças também devem ocorrer individualmente, com as pessoas adotando hábitos saudáveis e cuidando da saúde.

17 ) METODOLOGIA

O método utilizado baseou-se em fotografias, entrevistas e observações diretas na obra sob o ponto de vista ergonômico e a comparação dos dados
obtidos com o que propõe as normas regulamentadoras para os trabalhadores da construção civil em obras de geotecnia.

17.1. Caracterização das atividades

Ajudante (Servente de Pedreiro): Executar tarefas auxiliares no canteiro de obras: escavar valas, transportar e/ou misturar materiais, arrumar e limpar obras e
montar e desmontar armações, e observando as ordens, para auxiliar a construção de cortinas atirantada de concreto armado. Pode auxiliar o pedreiro, carpinteiro, armadores, eletricistas, na montagem e desmontagem da obra.
Manter as instalações do canteiro limpas. Prepara mistura para argamassa, concreto, transportar carrinhos com essas misturas de massa. Escavar valas utilizando escavadeiras.

Pedreiro: Constrói e repara fundações e paredes das obras, canais de drenagem, utilizando tijolos, blocos; reveste as paredes das cortinas com argamassa de
estuque e chapisco. Assenta tijolos nas drenagens, aplica cimento e areia nas estruturas, obedecendo ao prumo e nivelamento das mesmas.

Operador de Betoneira: Prepara mistura para argamassas e concretos, utilizando misturador mecânico, tanto com alimentação elétrica ou a combustão.
Cuida da manutenção preventiva do equipamento e suas condições de trabalho e segurança.

17.2. Caracterização da Obra

Trata-se da obra de uma obra de contenção de encosta de uma ferrovia localizada no km 595 no ramal de Paraopeba onde esta previsto o projeto de contenção e drenagem para recuperação e execução das obras da ferrovia da garantindo a passagem do da locomotiva.

18. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A seguir, serão apresentados os resultados das análises ergonômicas dos postos de trabalho da construtora.

18.1. Pedreiro

O posto analisado foi o de pedreiro. Nas situações expostas nas figuras 02 e 03 apresentadas abaixo, o profissional está chapando argamassa de reboco na parede, pegando a massa diretamente de um carrinho de mão, que se encontra muito baixo em relação à altura do profissional, na altura dos joelhos,
aproximadamente. Além de estar sem as luvas de látex, o profissional fica muito tempo com a coluna em uma posição desconfortável, principalmente enquanto projeta a argamassa na parte inferior da parede.


Figura 02: Profissional pedreiro atuando de forma errada.
Fonte: O próprio autor



Figura 03: Profissional pedreiro atuando de forma errada.
Fonte: O próprio autor

Nas situações apresentadas a seguir, apresentou-se a forma de melhorar a posição do trabalhador seguindo os conceitos da ergonomia e ainda traçar uma
análise ergonômica sob os pontos de vista da ergonomia física, cognitiva e organizacional.


Figura 04: Profissional pedreiro atuando de forma correta.
Fonte: O próprio autor


Os exemplos acima demonstram a forma correta do trabalhador, no caso o pedreiro, exerça sua função da melhor forma possível. Sob o ponto de vista da
ergonomia física, e na última fotografia o mesmo executa a flexão de joelhos a fim de minimizar, mais uma vez, a flexão de tronco, já que nessa atividade o profissional executa movimentos de flexão e rotação de tronco com frequência. Dessa forma a adaptação deste posto de trabalho irá evitar que o trabalhador permaneça na posição com o tronco flexionado por um período de tempo prolongado. Esta modificação do ambiente físico de trabalho pode minimizar as dores na coluna sentidas após a jornada de trabalho e ainda diminuir a probabilidade de doenças na coluna lombar, tais como lombalgias e ciatalgias. Já na visão da ergonomia cognitiva, uma forma de melhorar as condições de trabalho do posto citado acima, seria a implementação de técnicas mais modernas e equipamentos que auxiliem o trabalhador na execução da sua tarefa. Estimulando assim as capacidades mentais do mesmo.

Seriam hoje em dia as técnicas modernas das projetoras de argamassas que reduzem o esforço no preparo e no esforço repetitivo na aplicação das mesmas.

Em se tratando de ergonomia organizacional, a adaptação deste posto de trabalho se dá no sentido de organização do ambiente, do estabelecimento de metas
a serem cumpridas a médio e em longo prazo para que obtenha um funcionamento operacional satisfatório. Também deve-se neste contexto, investir na formação, capacitação e treinamento para a execução das atividades profissionais.

18.2. Operador de Betoneira

Nas situações apresentadas abaixo as figuras 05, 06 e 07 demonstram que o profissional operador de betoneira está levantando a padiola do chão de maneira
incorreta e a despejam no misturador também de maneira incorreta.


Figura 05: Profissional operador de betoneira atuando de forma errada.
Fonte: O próprio autor

O movimento executado pelo profissional operador de betoneira pode ser melhorado quando os dois funcionários realizam o movimento de flexão dos joelhos
para levantar a padiola. Realizando este movimento eles diminuem a sobrecarga da coluna lombar, musculatura esta tão exigida durante a jornada de trabalho, por isso importante preservá-la.


Figura 06: Profissional operador de betoneira atuando de forma correta.
Fonte: O próprio autor


Figura 07: Profissional operador de betoneira atuando de forma correta.
Funcionário levanta com a coluna ereta utilizando somente o esforço concentrado nos joelhos e não arqueando a coluna
Fonte: O próprio autor


Figura 08: Profissional está com uma pá com cabo de tamanho adequado, no entanto, ele está utilizando está pá de forma errada, com a postura inadequada, realizando por um período prolongado a flexão e rotação de tronco.
Fonte: O próprio autor


Figura 09: Profissional trabalhando com a pá com a postura correta
Fonte: O próprio autor

A seguir, as situações apresentarão as melhorias no posto de trabalho do operador de betoneira e ainda as análises ergonômicas.

Ambas as situações demonstram as mudanças realizadas no aspecto da ergonomia física, ou seja, mudando o espaço físico pode-se melhorar e promover a
qualidade de vida do trabalhador no ambiente laboral.

Na ótica da ergonomia cognitiva pode-se inserir nesse quadro do profissional operador de betoneira a modernização de algum equipamento utilizado pelos
mesmos. Assim, após treinamento recebido por profissionais capacitados, os operadores de betoneira poderiam executar a função até hoje realizada de forma
rudimentar, de forma mais moderna. Dessa forma, as atividades mentais do trabalhador seriam estimuladas e uma capacitação a mais lhe seria concedida. Em
termos de capacitação, enquadra-se neste contexto também a ergonomia organizacional, treinamento e capacitação dos funcionários da construção civil. Por
ser um dos trabalhos mais pesados encontrados nesse tipo de obra, a melhor solução encontrada pela empresa, para a melhora da qualidade do trabalho, tanto da produção quanto do bem estar do trabalhador, foi a compra de uma betoneira autocarregável,

Outra solução possível, mais viável financeiramente e imediata, seria a colocação de uma base de suporte em frente ao misturador (betoneira), para apoiar a padiola antes de sua elevação e despejo. Dessa forma evita-se a sobrecarga articular na transição
entre os momentos de levantamento e despejo da padiola no interior do misturador ou ate mesmo utiliza a bomba de concreto projetado.

18.3. Operador de Perfuratriz

As fotografias representam o operador de perfuratriz que é o posto de trabalho do profissional. 

Apresenta-se de forma imprópria, pois além do risco mecânico de acidente existe o risco ergonômico devido a postura e esforço excessivo. A posição para visualizar o ponto de parada da perfuração fica dificultada é bastante desfavorável. Por conta disso, a esposição do espaço reduzido coloca os colaboradores em perigo, uma vez que os mesmos podem ser atingidos por alguma material que seja projetado da perfuração e caia nos funcionários.



Figura 10: Fotografia representativa do posto de trabalho  - incorreto.
Fonte: O próprio autor

Figura 11: Fotografia representativa do posto de trabalho  - correto.
Fonte: O próprio autor

Uma forma de melhorar este posto de trabalho sob os conceitos da ergonomia física seria a mudança representada nas fotografia 11
demonstradas acima, a qual representa apenas o posto de trabalho, com suporte  resistente para o equipamento sem a presença do operador durante a execução da atividade, garantindo assim a segurança dos colaboradores e transferindo o sistema de operação a distancia sendo seu comando sendo transferido para um agregado hidráulico distante da maquina evitando acidente de trabalho e esforço fisico bem como falta de postura inadequada. . O posto do operador fica a uma distância confortável para visualizar as paradas da perfuratriz.

18.4. Ajudante

O último posto a ser analisado foi o posto do ajudante (servente de pedreiro).

As fotos mostram um ajudante varrendo a obra com uma vassoura comum, sem adaptação do cabo à sua altura, mantendo as costas curvadas durante todo o
período de trabalho.


Figura 12: Fotografia do ajudante realizando sua atividade de forma incorreta
Fonte: O próprio autor


Figura 13: Fotografia do ajudante realizando sua atividade de forma incorreta
Fonte: O próprio autor

Um grande problema nas obras de construção civil em geral e principalmente nas de pequeno porte, é o transporte de carga manual. A figura 12 nos mostra o ajudante levantando 1 saco de cimento de 50 kg, colocando todo o peso desse levantamento nas costas, exacerbando mais uma vez a flexão de tronco, sobrecarregando as estruturas da coluna lombar, predispondo o trabalhador à incidência de lesões.

A fotografia 13 demonstra igualmente a sobrecarga da coluna lombar quando o ajudante retirou um saco de cimento com 50 kg da pilha sozinho, carregando o saco. Neste caso, concentra a maior parte do esforço na musculatura das costas e na coluna.

De forma simples, pode-se resolver essa situação fazendo com que os ajudantes dividam o peso do saco de cimento, mantendo a postura ereta. Após o
saco de cimento ser retirado da pilha, por dois ajudantes, garantindo a postura correta durante este trajeto,



Figura 14: Fotografia do ajudante realizando sua atividade de forma correta
Fonte: O próprio autor




Figura 34: Fotografia do ajudante realizando sua atividade de forma incorreta arqueando a coluna para pegar o carrinho
Fonte: O próprio autor


Pode-se perceber que em todas as situações, ações simples resolveram as situações sob o aspecto da ergonomia física, favoreceram a atividade laboral,
preservando a postura, melhorando a qualidade de vida do trabalhador. Já nos aspectos da ergonomia cognitiva e organizacional, como citado nos outros postos analisados, incentivar as atividades mentais dos trabalhadores através da introdução de tecnologia nas suas atividades, capacitar, treinar, organizar as atividades seriam propostas para atingir os objetivos da ergonomia sob os três aspectos analisados
nos postos de trabalho.

5. CONCLUSÃO

Visando avaliar a carga postural dos colaboradores da construção civil de um canteiro de obras, verificou-se que os mesmos estão expostos a elevadas cargas
posturais, as quais tornam a jornada de trabalho extenuante, por isso, devem-se buscar condições seguras e saudáveis, que sejam ergonomicamente corretas no ambiente de trabalho, e assim, contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores.

Com relação à postura, em ambos os setores analisados, verificou-se que na maioria dos casos, os trabalhados desenvolvidos ocorrem em locais abertos, onde
novas metodologias de trabalho são difíceis de serem implementadas, sendo nestes casos necessárias medidas que visem as modificações para que os funcionários não permaneçam muito tempo na mesma posição e que façam pausas regulares para a
recuperação física.

Para estes trabalhos desenvolvidos em locais abertos, com maiores possibilidades de movimentos, são simples as medidas que podem ser adotadas e
que geram benefícios a saúde do trabalhador, dentre elas pode-se destacar a implantação de plataformas para deposito de materiais, a fim de evitar inclinações da coluna durante o trabalho em pé, posicionar os materiais em frente ao trabalhador a fim de evitar torções da coluna, utilização de banquetas, quando possível, para que o trabalhador possa executar suas funções de modo sentado.

Vale ressaltar a importância de introduzir no ambiente de trabalho a conscientização corporal dos funcionários, ou seja, orienta-los e ensina-los sobre a
postura correta a ser adotada e corrigi-los constantemente, dessa forma a consciência corporal poderá ser modificada e a postura correta já não será mais
difícil de ser mantida.

A qualidade e a produtividade da construção civil estão intimamente relacionadas com a qualidade da mão de obra disponível, e assim sendo, esta
influencia diretamente na qualidade do produto acabado.

Portanto, a ergonomia assume cada vez mais um papel importante dentro das empresas. Seu campo de aplicação e crescimento é amplo, pois a evolução técnica do trabalho tem sido um fator decisivo no desenvolvimento desta ciência.
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