A Historia da Microsoft

Na década de 70, os japoneses ultrapassaram os americanos nas indústrias automobilística e eletrônica. Tinha-se a certeza de que era questão de tempo até Tóquio tornar-se a potência econômica mundial. Passadas três décadas, o império do oriente cambaleia e os Estados Unidos nunca foram tão prósperos. Tudo por causa da indústria da informática, um rolo compressor de US$ 700 bilhões cujo principal motor se chama Microsoft, a companhia mais rica e poderosa do ramo industrial mais importante atualmente.

A Microsoft foi fundada em 1975, por Bill Gates e Paul Allen. O seu primeiro produto foi uma versão de Basic para um computador Altair. Em 1980, a IBM escolheu a Microsoft para fornecedora do sistema operativo do seu IBM PC, iniciando assim uma parceria. A Microsoft chamou a este sistema operativo MS-Dos (Microsoft Disk Operating System). Foram lançados quatro versões do MS-Dos. A primeira em 1980; a segunda em 1983, a terceira em 1984 e a quarta versão em 1988. A Microsoft chegou ainda a pensar em lançar o DOS protegido como DOS 5, mas decidiram mudar o nome para OS/2. Ao mesmo tempo haviam criado o Windows 1.0 como um ambiente gráfico e de programação para rodar sobre DOS. Diferenças técnicas de opinião e o ponto de vista da IBM de que o Microsoft Windows era uma ameaça ao OS/2, provocaram um racha entre as duas companhias, e a Microsoft percebeu que não precisava mais da IBM, pois o MS-Dos já tinha um domínio enorme no mercado, o que levou à dissolução da associação.

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O primeiro IBM-PC, lançado em 1981

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Bill Gates e Paul Allen, fundadores da
Microsoft, em 1980

Em 1987, a Microsoft lançou então a versão 2.0 do Windows. Três anos depois lançou o Windows 3.0, que rodava aplicações DOS em modo virtual, portanto melhor que o OS/2 1.3. A IBM ainda lançou o OS/2 2.0, inclusive com uma interface melhorada, a WorkPlace Shell (WPS). A WPS era muito diferente do que as pessoas esperavam, a configuração inicial era muito pobre e feia. Em contraposição o Windows modo virtual tinha muitos acionadores, uma interface familiar, por isso superou o OS/2 2.0.

A partir daí, as versões posteriores do Windows (Windows 3.1- maio de 1992, Windows 3.11 - março de 1993, Windows NT 3.1 - julho de 1993, Windows 95 - 24 de agosto de 1995, Windows NT 4.0 - agosto de 1996,
Windows 98 e NT 5.0 - maio de 1998, Windows 2000 - agosto de 2000), sendo de destacar o lançamento do Windows95, confirmaram a supremacia da Microsoft no campo dos sistemas operativos, para computadores pessoais. A IBM ainda fez uma última tentativa de fazer do OS/2 o principal sistema operacional lançando o OS/2 Warp 3.0. no final de 1994. Este sistema vendeu milhões de cópias, mas não superou o sucesso do Windows.

A Microsoft foi surpreendida com a repentina explosão da Internet, na qual não apostava. Rapidamente reestruturou os seus produtos, que passaram a estar orientados para a Internet. Os produtos, de maior destaque, da Microsoft são os sistemas operativos, Windows95/98, Windows NT, as linguagens de programação Visual C++ e Visual Basic e o Office (engloba aplicações como o Access, Word, Excel e Powerpoint). Atualmente é a maior empresa fornecedora de sistemas operativos e aplicações para PC compatíveis. As ações não param de subir e a empresa está avaliada em US$ 216 bilhões. Se hoje a Microsoft é líder de mercado, deve-se ao esforço que teve com o desenvolvimento dos seus produtos. As primeiras versões dos seus produtos não eram bem aceitas, mas versões posteriores tornaram-se verdadeiros sucessos. Entre os produtos de maior sucesso destacam-se o sistemas operativos Windows (pois 90% dos computadores o possuem), as ferramentas de programação e o Office e Internet Explorer. Apesar de dominar o mercado de PCs compatíveis, a Microsoft possui produtos para o Apple Macintosh.

A Microsoft é o maior caso de sucesso empresarial da história americana. Após 27 anos, a empresa detém o monopólio virtual do mercado, com 90% dos PCs rodando seus programas. Em 1998, tinha cerca de 25,7 mil funcionários, e faturou US$ 15,5 bilhões em um ano fiscal e possuía US$ 10 bilhões no banco. O mercado acredita que tem potencial para multiplicar seu faturamento em pelo menos 15 vezes. Todo esse otimismo extraordinário a transforma na segunda empresa mais valorizada do mundo (atrás apenas dos US$ 254 bilhões da GE) e a maior da informática. A gigante Microsoft ultrapassou a Esso e a Coca-Cola e deixou a concorrente IBM a ver navios: com vendas de US$ 78,5 bilhões – ela vale US$ 101 bilhões, menos da metade do que vale a Microsoft (seu valor estimado é de US$ 216 bilhões). Como conseqüência de todo esse sucesso é que três dos quatro homens mais ricos do mundo estão ligados à Microsoft. Paul Allen, seu co-fundador, é o terceiro, com US$ 21 bilhões. Steve Ballmer, braço direito de Gates, é o quarto, com US$ 10,7 bilhões. William Henry Gates III, o Bill Gates ou simplesmente Bill, como é chamado pelos funcionários, possui um capital de aproximadamente US$ 51 bilhões.Quando questionado sobre todo esse dinheiro, a resposta de Bill Gates é sempre a mesma: “São apenas ações. No momento em que começar a vende-las, o preço despenca.”

Os funcionários da Microsoft também afirmam que o valor das ações depende das oscilações do mercado e que seu preço está alto e pode cair amanhã. Querem passar a impressão de que isso não é importante, embora milhares deles possuam sua parte do capital acionário. Afirmam que estão na Microsoft porque a empresa é dinâmica, há oportunidade para crescer e desenvolver novos projetos, que o ambiente é agradável etc. Mas, isso não é convincente, principalmente porque se sabe que seus salários estão abaixo da média de mercado. Aí está uma das tacadas de gênio de Gates. Para manter os melhores programadores, os mais brilhantes ciêntistas e os mais audaciosos marqueteiros, dá ações a cada um deles no momento da admissão. Mas o dinheiro só pode ser retirado após quatro anos e meio no emprego. Em 1986, quando a empresa abriu seu capital, 1.100 funcionários receberam opções de compra de três mil ações, no valor de US$ 150 mil. Desses funcionários, quem nunca vendeu nenhuma ação ganhou a cada ano fiscal uma nova para cada em seu poder (ou uma nova para cada duas, em 1991 e 1992). Em 1998, esse cidadão possui 216 mil ações, ou US$ 33,5 milhões. Salário? Quem precisa de salário se trabalha na Microsoft há dez anos?

As conseqüências dessa supervalorização levaram a empresa a abolir em 1990 a venda de três mil ações a cada novo funcionário. Isso porque em 1990 os empregados desde 1986 poderiam vender seu lote. A Microsoft corria o risco de sofrer uma fuga de cérebros, com milhares de pessoas pedindo as contas para se aposentar ou pior: abrir a sua própria Microsoft. A partir de 1991, cada novo empregado do império Microsoft que fosse trabalhar nas áreas de software e marketing passou a receber 1.800 ações. No ano seguinte, o total baixou para 1.100. Para cada ano de permanência na empresa, se teria direito a um novo lote, vencendo numa data diferente do anterior. Isso tornou a Microsoft a empresa de menor rotatividade de mão-de-obra de toda a indústria, mesmo pagando os menores salários. A não ser que seja demitido, ninguém sai de lá. A empresa não revela o número de funcionários que se tornaram milionários, mas são milhares.

Afirma-se que na Microsoft se trabalha sete dias por semana, que as pessoas moram no emprego, passam noites diante dos PCs. Nem tudo isso é verdade. Há três anos, para desenvolver o Windows 98, mil pessoas trabalharam numa maratona de seis meses, sete dias por semana. Isso sem falar na mão-de-obra gratuita de 400 mil programadores em todo o mundo (400 no Brasil) que se dispuseram a testar várias versões à caça de 100 mil bugs escondidos nos 21 milhões de linhas de programação.

Bill Gates afirma continuamente que o maior capital da Microsoft são seus funcionários. Para mantê-los, ele faz uso das ações, já que paga pouco e não oferece creche. Mas há regalias. A sede da Microsoft, em Redmond, um subúrbio de Seattle, é um complexo de 40 edifícios baixos cercados por parques e quadras esportivas. Parece o campus de uma universidade. Seu nome, aliás, é campus Microsoft. A qualquer hora do dia podem-se ver programadores jogando basquete, vôlei e até futebol. Os 13 mil funcionários que trabalham lá só usam terno ou tailleur em ocasiões realmente necessárias. Ficam a maior parte do tempo à vontade. Tão à vontade que em 1990 a diretoria passou uma circular proibindo os funcionários de andar descalços.

Na Microsoft, cada pessoa tem sua própria sala. Novos prédios são construídos seguidamente, pois se contratam em média 30 pessoas por semana. Cada funcionário tem direito a uma salinha de 2,5 por três metros onde cabe uma mesa com o devido PC, uma estante e uma cadeira. Só os diretores têm direito a alguns metros quadrados a mais. A sala dos vice-presidentes, por exemplo, é duas vezes maior que o padrão. E o escritório de Gates não é muito maior do que isso. Mas isso não é importante, pois, segundo o próprio Bill Gates, o objetivo da Microsoft é criar novas tecnologias de software para tornar mais fácil, mais rentável e mais agradável o uso dos computadores.

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