Biografia

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Viagens fiz pela vida afora. Venho de longe, de terras frias. Nasci em Bucarest, 1946. Fugimos em 49 rumo à Terra Prometida recém inaugurada e sempre em guerra.
Alemanha 1950/54, Wolfratzhausen. A Floresta Negra me embalou, sonhei, brinquei e chorei muito ao partir. Rumo ao sol brasileiro. Américas! Aportamos em pleno Reveillon. Ainda tontos e trôpegos com a terra nova, ainda mudos na lingua da terra, recebemos o golpe da morte prematura de mamãe. Ela tinha só 42 anos e eu, 7.

Cresci, estudei, namorei, protestei e aos 17 chorei a morte de papai. Aos 18 casei. Aqui tive meus dois filhos.

Em 1969 partimos para tentar a vida comunitária num Kibutz em Israel, menos por ideologia e mais para por “o pé na estrada”. Assim realizamos o sonho “hippie”. Desembarcamos no Kibutz Bror Hayl, Neguev. Cinco anos plenos vivemos lá, aprendendo e vivenciando.

Um dia apareceu por lá, Toshio Shimada. Mestre ceramista, colocou a arte e Arita do Tokaidê, Japão, na minha vida.

Com Toshio aprendi que a energia para criar as peças se derrama como kundalini, sobe pela espinha e vaza pelos dedos...

Com ele aprendi a respirar em compasso de argila e a entrar em transe ao toque da terra. Com ele aprendi a ousar.

1973/74 Delft, Holanda decifrando o mistério de guirlandas azuis e policromáticas.

Vallauris, sul da França, Museu Picasso de cerâmicas, aprendi a me soltar e sentir formas e cores psicodélicas.

Participei do Les artistes du Feu. Le Castelet, expondo peças no festival Art des Ruelles.

Então, de repente, a volta ao lar. Brasil, São Paulo, a família e os amigos. Trabalho e um pouco de fim de festa apesar da saudade...
Fiz exposições com sucesso na Galeria Bella Center, Galeria Detalhe de André Labatte e na Galeria Oca.

Veio então o vendaval, a separação, a solidão, a luta pela sobrevivência e o início da minha carreira de quase 30 anos na H. Stern. O adeus à arte...

Outras artes aprendi e viví. Foi um tempo pródigo, a vida como ela é. Uma carreira! Dedicação total! O leão nosso diário...

Quase 30 anos depois, a maturidade! É chegada a hora de saltar de um trem e retomar o caminho do sonho.

Hoje, ao olhar para as minhas peças, questiono como pude ficar longe por tanto tempo...

Chegou o meu tempo de descobrir que tudo o que quero na vida é amar os meus e fazer cerâmica!