O Eco dos Bravos

Hoje numa de nostalgia, lembrei-me de colocar aqui alguns artigos daquele órgão de informação de que todos nós dispúnhamos em Angola. Estou a referir-me ao ECO DOS BRAVOS. 
Nesta pequena abordagem vou colocar alguns dos artigos que penso serem os mais importantes, pois tem a ver com a nossa chegada a Angola, mais concretamente ao Zemba.
Espero que gostem,pois recordar é viver.e se possível dêem o v/contributo, pois em meu poder apenas possuo o n,ºs 1 de Agosto 72, n.º 2 de Novembro 72, n.º 3 de Janeiro 73, n. 4 de Abril 73, n.º5 de Novembro 73 e um n.º 1 do ano III de Fevereiro 74. 

Penso que existem mais, mas não tenho a certeza, se algum camarada nossa possuir algum exemplar fora dos aqui mencionados, agradeço que mo envio devidamente digitalizado em PDF.
Ah, não vou voltar a transcrever, dá muito trabalho e pode ficar fora do contexto, vou antes digitalizar os que possuo e postá-los aqui.
Ora aqui vão algumas pérolas dos anos 70.

Capa do primeiro exemplar

Eco dos Bravos

n.º1, Agosto 1972, Zemba

S. Margarida, 3 de Junho de 1972. Quatro horas da tarde. C.C.S.do .do B. CAÇ.3880, atavam-se malas, aferrolhavam-se sacos ; Oficiais e Sargentos conferia m os homens.

Chegam, no entanto os autocarros que nos hão-de levar ao Aeroporto de Lisboa. Divididos por seus ligares, iniciamos a viagem para a capital da Metrópole, e uma outa capital nos espera. No terminal de Lisboa pertencente à Força Aérea e conhecido por Figo Maduro, vivia-se na azáfama da partida, panorama de multidão, hora de partida.

Chegou a hora, como tinha de chegar, pesaram-se as malas e os sacos, corria-se para junto da porta a saber alguma coisa mais.

Um altifalante se fez ouvir a chamar os primeiros dezassete. Esperamos na sala de embarque. E, assim, aos poucos, lá foram embarcando todos os homens, levando cada um a saudade como parte da sua bagagem. Ficara em terra um último adeus.

Atirados no espaço, saboreamos as delícias do voo, para muitos o baptismo aéreo. A viagem prossegue com uma refeição a bordo e, oito horas e meia depois, estávamos no Aeroporto de Luanda. Mal tinha ainda rompido o sol da manhã. Tudo estranho, tudo diferente.

Seguimos depois em carros militares para o campo de Grafanil onde ficamos alojados a pensar no passado e no futuro, quando o presente era nessa altura a quase única realidade.

(Ruivo)

 

Seriam quatro horas da manhã, naquele 8 de Junho todos abandonavam o estacionamento do Grafanil em busca de um outro mundo ainda desconhecido.

Era o primeiro contacto com a paisagem Angolana. Aqui surpreendia-nos o capim, mais adiante era uma árvore carregada de ninhos como a lembrar uma árvore de pomar com os seus frutos maduros até se encontrar um ou outro macaco saltitando por entre os ramos; as populações negras aproveitavam a ocasião para nos vender algumas bananas e os cocos a que não sabíamos ainda arrancar o suco.

Não poderei esquecer aquele moço agarrado à arma em jeito   de sobressalto – era o estilo do MAIKE – e a sinalização de uma picada : há turras: pare, escute, olhe.

Pelas cinco da tarde estávamos no aquartelamento.

(José Moreira)

A nossa chegada a Zemba foi algo de especial. Recebidos com grande alegria por parte dos “velhinhos” – era o fim de exílio e isolamento com janelas abertas sobre Luanda. À nossa chegada, havia de tudo um pouco, desde P.M., Alferes e Furriéis promovidos por si próprios até aos célebres operadores de T.V.. A Alegria não sede ficou por aqui. A noite ofereceu à “maçaricada” um grandioso espectáculo de variedades, onde se ia do folclore às canções, passando às velhas anedotas e os números de ilusionismo.

O espirito alegre do B. CAÇ. 3840, deixá-lo-emos a novos “MIKES”, que então nos hão de substituir. E teremos para eles, com a alegria do dever cumprido o refrão agoirento de “a tua tristeza é a nossa alegria” e a canção sibilina:

A Velhice de Muconde

Saúda a Maçaricada

Maçarico, ó Maçarico

Estamos fartos da picada.

(Paixão Garcia)

“NA HORA DO CORREIO”

O Avião perdera-se, ao longe, pelo ar. Pacotes e embrulhos estendiam-se na terra calcinada pelo sol de Angola.

Uma saca de pano azul há muito fugira nas mãos de um rapaz. E à volta do seu quarto de trabalho, muitos olhavam na esperança e na incerteza. Era uma seca saca de compras E era também um mar de felicidades

As cartas saiam, mostrando os nomes de uma direcção. Nada mais era preciso.

Naquela hora de correio, tudo esperava que alguém de longe se tivesse lembrado….

A carta era a prova e as letras escritas eram letras… de ALGUÊM.

(José Maria)

 

ÁFRICA – 72

Terras áridas e desertas,

DE amor e compreensão.

Deixa-me afagar

Esta doce África

Lânguida e serena

No despertar para o novo dia.

És tão querida,

Na vastidão o amanhecer.

Deitada aguardas,

O primeiro homem que desfrute,

A virgindade centenária do teu ser.

Aspirar o teu perfume,

É querer amar.

É querer que todos, sejam amados!...

(Prudêncio)


Vão dando noticias

Os próximos serão em pdf.

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