Poesias 2

O BOI.

 

Lá vem o boi

Mugindo como só ele

Será que está alegre

Ou será que a vaca está no cio

Ele se contenta com pouco

Só precisa de comida sombra e água

E se possível for uma vaca para dar prazer

Não se importa de trabalhar pesado

Não se importa de tomar sereno

Todo dia que é requisitado

Está ali

Para atender com todo préstimo

 

Mas se no final do mês

O dinheiro não é suficiente

Mugi mais forte

Para alguém colocar mais ração

Mas é apenas

Para não morrer de fome

Pois um boi que anda

Pode votar

E manter o sistema

De botar ração

Assim o boi

Não morre de fome

Mas também não sai

Do cercado onde vive

Até que um dia

Chega o dia de ir para o abate

Ele viveu apenas

O que alguém permitiu

E quando não foi mais útil

Apenas o descartaram

Pois afinal de contas

Tem mais assalariados por aí

Que passam fome

Mas não lutam pela independência

Pois não conseguem compreender

A importância que tem

De ser livre

Boi

Boi

Boi!
 
 

NÃO ACREDITO

 

Não acredito nas pessoas

Que dizem fazer boas ações

Sem nada quererem em troca

As relações humanas

Estão baseadas na troca

E toda troca

Precede-se ações

 

Não acredito na igualdade

Só poderemos ser iguais

Quando pudermos realizar

Atos comuns aos mortais

Sem para isso precisar

Descriminar qualquer um

Pelas idéias e vida social

Que todos hão de levar

 

Não acredito

Simplesmente não acredito

Qualquer diferença

Faz-se desacreditar

 

Não acredito num mundo melhor

Sem resolver as injustiças comuns

Não haverá realização

De atos nos mundos

Para dar início aos fins

De toda forma indesejável

Aos seres comuns

 

Não acredito

Na possibilidade

De com a idade

Aumentarmos a prosperidade

Sem considerar

Qualquer existência humana

Comum

Igualitária e capacitada

Para termos uma sociedade

No Acre tenho Dito!

 

 

LIBERDADE

 

Liberdade de expressão

Liberdade de idéias

Liberdade de pensamento

Liberdade política

 

Democracia sem liberdade

É ditadura

Uma democracia

Só se constrói com liberdade

 

Opinar sem medo

Criticar com responsabilidade

Agir com bom senso

Viver numa ideologia

 

É a liberdade democrática

A liberdade responsável

Liberdade

 

Poder escolher

O caminho a seguir

Poder escolher

Os rumos que iremos seguir

 

É a liberdade democrática

A liberdade responsável

Liberdade consciente

De quem ouve fala

Dialoga

 

Toda liberdade tem o seu limite

E o limite é a liberdade do próximo

Se não aprendermos a respeitar

Que liberdade teremos?

 

Liberdade democrática

Para vivermos em paz

Liberdade sem opressão

É a ideal

Liberdade!

 

 

ORGANIZANDO

 

Reunir e manifestar

Todo o sentimento interno

É chegada a hora

De lutar, embora

Sem termos a orientação

De que e do que

 

Sociedade, comunidade

É com  a idade

Que aprendemos a organizar

Propostas e debates

É na cidade

Que iremos aproveitar

As pessoas cidadãs

Que tenham visão coletiva

E pensem num bem estar

Aos cidadãos e com

Cidadãos irá se organizar

O que chamamos de comunidade

 

 

ANALFABETO

 

O analfabeto passou por aqui

Sabe ler e escrever

Mas não entende o que lê

Qual é a utilização da leitura?

Num mundo de tecnologias

Não é bastante saber manusear

Uma caneta

Se não sabe teclar

 

Convivo com analfabetos

Mas não julgam-se como tal

Se o poder de conceituar

Pertence aos alfabetizados

Então, quem são?

 

 

A ORIGEM

 

A violência está cada vez maior

Quem a produz nem sempre

É aquele que pensamos ser

Tudo começa no interior do ser humano

A falta da eliminação adequada

Da agressividade faz gerar

Tensões sociais insuportáveis

A falta de emprego

Gera falta de perspectiva de futuro

Que só agrava a eliminação da agressividade

Sem emprego ninguém vive

Mas vive sem excesso de agressividade

A concentração de rendas é um mal

Ela cria desequilíbrios sociais

Cria também os miseráveis e escravos

Só a distribuição de rendas

Vai dar condição de gerar empregos

E dar dignidade as pessoas

A violência parte das pessoas

Mas pode ser controlada

No momento em que ser humano

Não vale mais nada

Temos a explosão de violência generalizada

É dever de cada cidadão

Se manifestar perante essa situação

Só a organização social vai permitir

A distribuição de rendas

A geração de empregos

O controle da agressividade

A atuação eficaz tem de ser realizada

Na origem dos problemas

 

 

 

EM CRISTO

 

Em Cristo estou

É o caminho da verdade

Ele me conquistou

Pois mostrou ser grande na piedade

 

Foi ele o enviado

Foi ele o predestinado

Foi ele o indicado

 

O amor está em Cristo

Assim como a paz

Se os nossos corações

Estiverem elevados a Ele

Encontraremos o caminho


Não Sei

 

Não sei

Não preciso sempre saber

Crer

Ver as coisas como são

Seu cão

Danado arredio

Lírio

Mudar os rumos de uma vida

Não sei se é possível

Mudar a vida por um rumo

Não sei se será possível

Incrível

Não sei daquilo

Não sei ver aquilo

Quando tu passas

Sinto gosto de uva passas

Já passou

Não sei se vou

Não sei se estou

Não sei se gostou

Não sei!
 

MENTTIRAS

 

Mentiras são contadas

Denotadas

Espalhadas

Ninguém as seguram

Precisamos delas

Sem elas

Não suportaríamos a nossa realidade

Onde há pouca solidariedade

A fofoca vem à frente da fraternidade

Comunidades de mentiras

Artificiais

Fingem terem credo

Vão à igreja contar mentiras

Não vivem os evangelhos

Pois pensam enganar...

A quem?

A quem?

É preciso ter consciência

Vivência

A tolerância se constrói

Somente onde não há

Mentiras malditas

Hipócritas

Fétidas

As mentiras são

Sob juramento dizem falar à verdade

Nos tribunais

Os fatos revelam e constatam

Foram ditas mentiras

Mas até quando?

Por quanto?

Valem as mentiras!

A quem querem enganar!

A quem querem maltratar!

A quem querem iludir!

A quem querem persuadir!

Chega de mentiras!

 

ILUSÕES

 

Ilusões

Desilusões

Dúvidas cruéis

Dívidas impagáveis

Criadas pela dificuldade

De ver a verdade implícita

Na política

Polícia

Trabalho

Consumo exagerado

Desqualificado

Predicado

Aliás

Pecado

Fado

Fardo

Ilusões de um caminho

Onde vinho

Embebeda

A ressaca do dia

Compromete o desenvolvimento

Deste dia

Entedia

Das conseqüências

Das ilusões.

 

VENTOS

 

Ventos

Ventos

Ventos sopram a todo instante

Constante

Não páram

Parecem enfurecidos

Enlouquecidos

Talvez haja esta relação

Pode ser improvável

Desconsiderado

Os fatos mostram

Demonstram

Causam estragos

Destelham casas

Empoeiram cidades

Refrescam do calor de um dia quente

Ventos

Sem eles as chuvas seriam mortais

Ventos

Fatais

Ventos

Necessários aos velejos

Desejos

Incontroláveis

Ventos

 

 

“Tá” na hora

O cara!

Faça-se enxergar

Tolos

Medíocres

Indesejáveis oportunistas

Não é preciso ser banal!

Calem-se

Veja

E não esteja

Não seja

Mais um...

 

Desprezo

 

Um dos males do mundo

Das comunidades

Rejeitar sem ter compaixão

Humilhar

Maltratar

Na frente de onde for

Causar na vítima a culpa de sua existência

Falir

Como ser humano

Contaminar outros no mesmo sentimento

O coletivo é mais eficaz

Destrói sem dar chances

O desprezo veio para ficar

Só aceita

Quem não conhece o significado da vida

Cai Fora

 

Cai fora

Sai fora

Desta bosta

 

Corrupção maldita

Indignidade sem fim

Hipócrita culpado

Seu ladrão descarado

 

Cai fora

Estes caras não são dignos

Da tua atenção

São vagabundos incontestáveis

E dizem serem trabalhadores

 

Cai fora

Antes que seja tarde demais

Mudar o destino

E não entrar nesta fossa

Da bosta que lá está!

 

Sem dignidade não se vive

Sem honestidade não se vive

Sem lealdade não se vive

Sem piedade não se vive

Quem não percebe isto

Tem de cair fora

 

Cai fora

Sai fora

Seu corrupto

 

Cai fora

Sai fora

Seu ladrão de almas

 

Cai fora!

 

A Rua

 

Foi na rua em frente a minha casa

Vi tu passares por mim

Sem ao menos um olhar

Seja de desprezo ou de orgulho

Ao menos daria para suspirar

Relembrar os momentos de felicidade

 

E agora

Vou ter de ir embora

Pela rua deserta e arenosa

Sentindo a fricção do vento em meu rosto

Já tão arranhado por ti

E por essa areia venenosa

Areias...

 

Provoca-me

Dilacera-me

Devora-me

Já não tenho carne para sofrer

Apenas crer

Um dia tudo mudará

E cairá

Sobre a tua cabeça

A ruína construída

Destrutiva

 

Mas a rua continua lá

Nua

As folhas não caem mais ao vento

O sol não esquenta mais o caminho

Antes desejado

Cobiçado

Agora calado

Escalado

No sôo sumo

Inaudível aos seres humanos

 

A rua

Fratura

Ruptura

Compactua

As diferenças tua

 

U.

 

U

Letra do bico

Beiço

Som fechado

Encaixado

Fico

Bico fechado

Calado

Calçado

U ao contrário

Ferradura

No aviário

Não há

Do seu U

 

NA BARRANCA

 

Na barranca onde tudo escorre

Vai tudo que percorre

Até não se poder

Ir adiante

Foi na barranca que um dia

Vim com você minha cria

E passamos

Dias felizes

Mas é na barranca onde tudo escorre

Não escorre só a água

Que leva a alma

E escorre

Mas foi sim

Na barranca onde tudo escorre

Que eu vi escorregar

E não queria

A minha cria

Despencar

E hoje a barranca que tudo escorre

Que levou e não devia

Ficou a  mágoa

E uma dor

A dor que nem mesmo a barranca

Consegue levar
 
 

ATÉ QUANDO?

 

Até quando

Eu vou ter de esperar

A sua boa vontade

Que na tarde

Tarde há de chegar

 

Será que terei de tomar

Minhas providências

Será que terei de ficar

Sufocado nas evidências

De sua incompetência

 

Até quando

Ficarei sentado

Aguardando com paciência

Na ausência de ciência

A sua ciência de vida

 

Por que algumas pessoas podem

Ter dinheiro, carro, terreno

Se eu trabalho e sou trabalhador

Com a dor do meu trabalho

Não consigo ter dinheiro, carro, terreno

 

Até quando

Terei de esperar

Até quando?

 

 

EGORIA

 

Se não trabalhar

Tem desemprego

Desemprego tem

Miséria

Se não querer trabalhar

É preguiçoso

Mas se não há emprego?

Há desorganização

 

Todo emprego é uma função social

Ninguém fica sem ele

E só com ele

Podemos viver em harmonia social

 

É preciso mudar a organização

Para ter o emprego

Emprego é ter o que fazer

Com tantas terras

Não faltaria a ninguém

Ter o que fazer

 

Todo emprego é uma maneira

De distribuir as riquezas

Riquezas essas

Que permitirão vivermos

Na harmonia social

 

Desemprego gera miséria

Miséria é a destruição

Do ser humano como um todo

Distribuir gera emprego

Emprego é a fortificação

Da sociedade através do ser humano

 

 

QUERO MEU ESPAÇO

 

Preciso de espaço para viver

Um ser humano tem necessidades

Das quais precisam ser respeitadas

Espaço para morar

Espaço para estudar

Espaço para alimentar

Espaço para pensar

Espaço para divulgar

 

Mesmo quando todas as forças

Atuam no sentido contrário

Mesmo quando é inevitável a derrota

Quero meu espaço

Espaço para se agrupar

Espaço para discordar

Espaço para apresentar

Novas formas de se organizar

 

Espaço físico e mental

Espaço real e virtual

Espaço sem preconceitos

Espaço que não é sideral

Espaço

 

 

 

TERRA

 

Terra para plantar

Terra para morar

Terra para pisar

Terra aterrar

 

Toda terra está em função

De todo ser humano

Onde somente terá função

Se todo ser humano

A utilizar numa plantação

 

A comida que sai

Tem que ser plantada

A comida que se come

Tem que ser cultivada

A comida que mata

Tem que ser compartilhada

 

 

Só teremos progresso com a divisão

Seja na plantação

Seja na produção

Seja, seja, seja...

Seja como você quiser

 

Todo ato de querer parte de um ato

Ato de pensar em ato

Acho que todo ato

acho

Que se pensar em partilha

Teremos o ato do ato de progredir

 

Terra de inocentes

Terra de condenados

Terra de plantar

Terra de apanhar

Terra de progredir

Sem egoísmos

Dividimos

Produzimos

Na terra

 

 

O CORONEL

 

O coronel mandou

Mas eu não obedeci

Ninguém manda em mim

A não ser eu mesmo

 

Ficou bravo

E me ameaçou

Se eu não obedecer

Serei retaliado

 

Mas sou independente

Não preciso seguir ordens

Ainda mais de um

Coronel ultrapassado

 

Está ultrapassado

A forma de se organizar

De maneira tal

Que uma pessoa

Possa mandar e interferir

Na vida de muitas outras

 

Seja na política

Na igreja

Seja no partido

Ou no clero

Não é mais tolerável

Esse tal coronel

 

Só os medíocres aceitam

Ser comandados por ele

Pois se negam a pensar

Negam-se o direito

De poder vivenciar

Uma vida comunitária

Uma vida democrática

 

Chega de coronéis

Chega de ditadores

Chega de corruptores

Chega!

Chega!

 

 

Ao Amanhecer

 

Este dia amanheceu

Formoso e glorioso

Dia que faleceu

A esperança mantinha o gozo

Vitoriosa

Da luta vindoura e majestosa

Quem pudera lutar ao lado

Dos grandes heróis fictícios

É fato o fardo

Do fracasso não antes almejado

Desejado

Pelos malfadados

Déspotas

Neste amanhecer cinzento

Com tanto vento

Ouvi alguém dizendo

Crendo

Na volta e na revolta

Perdem-se as datas do tempo

Devendo

E vendo

Injustiças aguçadas

Disparadas

Pela arma da inveja

Almeja

Cruel e nefasta

Vida devastada

Arrastada

Quando entardecer

Depois deste amanhecer.
 

INDECÊNCIA

 

A indecência fez a decadência

Nenhum império ou fortaleza sobreviveu

Faleceram pela arrogância

Intolerância

No mundo do ódio

O ópio é o comandante

De um exército fumegante

Com futuro incerto

Decadente

No mundo da paz

O amor é o comandante

A tolerância mobiliza pessoas durante

Antes e depois do diálogo certo

Alucinante

Talvez haja tempo

Poderá haver alguma chance

O sentimento move o desejo de ser limpo

A escolha está ao alcance

De quem queira mudar a indecência

Dê o seu lance.

 

LUTAR

 

Lutar pra quê!

Lutar com quê!

Nem sempre podemos fazer

Aquilo que se passa em nossas mentes

A justiça é cega e demorada

Quando chega é tarde demais

Lutar no ar

Lutar na terra

Lutar pra quê?

Os objetivos movem as ideologias

Elas existem mas precisam de força

Almejada e alcançada

Na luta contra quem?

Contra o quê?

Lutar pra destruir é burrice

Lutar pra confundir é tolice

Lutar pra separar é desagregação social

A essência é sempre o comprometimento harmonioso

Comunitário e social

Lutar é compreensivo quando é feito

Por argumentos

Diálogos

Pra melhorar a civilização humana

Sem destruição

Sem corrupção

Lutar pela dignidade humana

Com determinação

Com empolgação

Lutar!

 

RIO

 

Rio

Calor intenso e bravio

Imagens fatídicas

De comunidades em guerra

Pela terra escondida

Coberta por concreto e asfalto

Assalto

Das vidas inocentes

Condenadas injustamente

Sem julgamento

De uma violência incontida

Sociedade dividida

Partida

Corrupção

Choro

De música a dança

Lágrimas das vidas perdidas

Cedidas

Aos vilões do tráfico

Tolerados

Cumprem necessidades de alguns

Aclamação pela paz desejada

Não alcançada

Dilacerada

Esquartejada

Imagens assistidas

Recados de uma cidade

Convulsão social

Rio

Precisa do brio

Esquecido no interior das almas

De seus cidadãos

 

Encaixar

 

Vamos encaixar o caixa dois

Não há motivo para acreditar

Quem não é transparente e somente

Na tela da tevê.

 

A televisão passa imagens

Mas o responsável é quem fala

Acreditar sem duvidar

É muita ingenuidade credulidade

 

Nas empresas na política

Onde você quiser

Dignidade e honestidade andam juntas

Então vamos lá

 

Encaixar o caixa dois

Fiscalizar o caixa um

Para termos mais impostos

Investimentos sociais

 

Fiscalizar significa ter justiça

Para quem trabalha duro e é do bem

Impedir a corrupção

Tem de ser a meta de todos

 

Encaixar, encaixar, encaixar

O caixa dois

Desprezar, desprezar, desprezar

Os safados e corruptos.

 

Dia de Protesto

 

É o dia de protesto

Manifesto

Liberdade de opinar

Criticar

Sem menosprezar

Falar o que pensa

Movido pela reflexão sem dispensa

Xingar não é considerável

Argumento é tolerável

Indispensável

Sugestão para as comunidades faz-se necessário

Pressagio

É através do protesto

Contesto

Armas não serão necessárias

Ouvir

Agir

Armas de uma sociedade democrática

Sensata

Tolerância é um estado de espírito

Do ser crítico

Protesta

Contesta

Testa as várias possibilidades

Com habilidades

Manifesta

Seus mais íntimos sentimentos

Envolvimentos

No dia de Protesto!

 

Querida

 

Tenho tanta saudade

Daquele tempo que havia liberdade

Nus nadávamos no rio

Nus agraciávamos uns aos outros

Querida

Tua voz tímida

Intimida

Quem não fosse do seu agrado

 

Querida!

Vivemos uma vida

De partilha

Intensa e viva vida

 

Gostosa era a paçoca

Da tia Doca

Deitar à tarde na beira do rio

Lançar o fio

Não pescava

Mas brincava

Assistindo ao pôr do sol

Embaixo do lençol

Quantas aventuras

Maturas

 

Mas um dia chegou ao fim

Foi naquela tempestade

Comunicou-me enfim

Estava namorando um tal de...

 

Querida

Vivemos uma vida

Querida

Sinto tristeza na partida

Querida

Vou embora com a Dada

 

PEÃO.

 

A vida de um peão

Não é fácil

Levanta logo cedo

E vai tratar a boiada

 

No amanhecer do dia

Já no pasto

Montado a cavalo

Vistoria o gado

 

Tem de olhar direito

Curar as bicheiras

Concertar cercas

Contar as cabeças

 

Vida de peão não é fácil

Mas garante a carne no prato

Nem sempre são valorizados

Mas são profissionais importantes

 

Tem de enfrentar todas as intempéries

Seja do clima

Seja do gado

Seja do patrão

 

Peão é um grande laçador

Caçador

Trabalha dia e noite

Domingos e feriados.

 

ARO PROG

 

Aro prog

Babatemo crog

Gróte taleutimos

Tefé gicuxeé

Bravratremo irtir

Bricrotru vlablatla

Aro prog

Aro prog

Mado novre

Treiuióéirte freageiupró

Tretra tritro tru

Prog aro prog

Pra pré pri pro pru

Aro prog grope

Aro prog
 
 

FALAR

 

Nem sempre falar é bom

Mas deveria ser

Falar o que pensa

Falar o que sente

Pode ser incompreendido quem fala

 

Se todo ser humano pensa

Por que não pode falar?

Falar faz parte da vida de um ser humano

Ou será que ser humano

É se reprimir?

 

Falar é necessário

É transmitir o que pensa

Falar é necessário

É integração social

Mas também pode ser

Reinar

 

Falar com responsabilidade

Sem discriminar ou reprimir

Falar com sinceridade

Permitindo o diálogo

É importante

Mas quem é que fala mais?

 

Quem torce fala

Quem teme fala

Quem reprime fala

Quem é oprimido fala

Quem ama fala

Quem dialoga fala

Mas o importante

É falar com o ser humano

Respeitando como tal

E lutando contra os preconceitos da fala

Contra as arbitrariedades da fala

Falar é importante

 

 

COMUNISTAR

 

Comunistar

Comunistar

Comunistar

 

Está na hora

De conquistar

O que temos em comum

Está na hora

De igualar

Os nossos bens comuns

Está na hora de homogeneizar

A nossa velha sociedade

Está na hora

De viver

Mais em comunismo

 

Comunistar

É a conquista do comunismo

Comunistar

É viver sem grandes riquezas

Comunistar

É viver bem para todos

 

Não é possível mais suportar

O nosso desequilíbrio social

Enquanto uns passam bem

Outros passam fome

Num país tão grande

Somente a má distribuição de rendas

É que explica esse fato

 

Comunistar

É a conquista do comunismo

Comunistar

É a conquista da sociedade

Comunistar

É a valorização da vida

Comunistar

É a distribuição de rendas

Comunistar

É onde todos podem ter vida digna

Comunistar!

 

 

MUDAR

 

Mudar

Mudar

Mal dá

Será?

 

Em tudo que fazemos

Temos uma

Mudança

Onde fazemos

E vemos vermes

Teremos uma

Mudança

Mudança pequena ou grande

Mudança grotesca ou singela

Mudança

É

Mudança

Mudança é necessário

Quando aquilo que devia ir bem vai mal

Quando não temos mais o que fazer

Para melhorar

Temos um estado de

Mudança

 

Para mudar

O presente

O presente

Mudança

Para termos o futuro

Garantido

Mudança

Mudar é pouco

É necessário algo mais

Algo mais abrangente

Mudança

Ah! Ah! Ah!

 

Mudança

Para sempre

Termos opções

Inovações

Declarações

Invenções

Sensações

Novas de um novo

Talvez

Estar social

Ah! Ah! Ah!

Mudança

Ceda

Eiros

Mudem já

Muda já!

 

 

RECUSAR

 

É preciso recusar

Toda forma de opressão

Toda oligarquia

Seja partidária

Financeira

Comunitária

Sem eira nem beira

Não há espaço para a opressão

 

Recusar ao altar

Recusar e acusar

Quem não é digno

E na sua ignorância

Padece de infância

 

Não ser submisso

E sim independente

Pensar por si só

Como o nó

Que amarra, aperta

 

Faz o que tem de fazer

Consciente

Ciente

De uma ação individual

Dentro de uma coletividade

 

Recusar ao altar

Recusar a individualidade

Recusar a indignidade

Para trabalhar com a coletividade

Sem ignorar

As falhas cometidas

 

Recusar, recusar

 

 

Na Esperança

 

Desde criança

Já pensava em ter prosperidade

Mas antes de tudo era necessário

Acreditar na esperança

 

A esperança é Cristo

Cristo é a esperança

Para quem nele crê

Para quem age como Ele

 

Amar o próximo

Tarefa difícil

Mas é um grande ensinamento

Para quem Nele crê

 

João batizou Cristo

Com a água

Era o início para a jornada

A água purifica

A água lava

E isso era o que ele queria mostrar

 

Para viver uma vida digna

Sem sofrimentos

Primeiro é preciso crer

Na palavra

Na água

No João

Para poder acreditar

Nele.