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Floresta Estadual Uaimii

postado em 2 de jun de 2010 12:22 por Associação Montanhas do Espinhaço Espinhaço   [ 10 de jul de 2010 03:34 atualizado‎(s)‎ ]
A Floresta Estadual Uaimii (FLOE Uaimii), criada em 21 de outubro de 2003, através do decreto s/no.[1], está localizada no município de Ouro Preto, precisamente no distrito de São Bartolomeu. A Unidade possui 4.398,16 hectares e é a segunda desta categoria de manejo no Estado de Minas Gerais.

Floresta Estadual é uma Unidade de Conservação de uso sustentável sendo de posse e domínio públicos. Caracteriza-se por uma área com cobertura florestal de espécies predominantemente nativas e tem como objetivo básico o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais e a pesquisa científica, com ênfase em métodos para exploração sustentável de florestas nativas.

Por se tratar de uma Unidade de Uso Sustentável, permite a exploração do ambiente de maneira a garantir a perenidade dos recursos ambientais renováveis e dos processos ecológicos, mantendo a biodiversidade e os demais atributos ecológicos, de forma socialmente justa e economicamente viável. Dessa forma, é um modelo de Unidade de Conservação que permite o Uso Público, ou seja, permite a visitação pública condicionada às normas estabelecidas para o manejo da Unidade.

A FLOE Uaimii está localizada no município de Ouro Preto, Patrimônio Cultural da Humanidade, reconhecida mundialmente por seu patrimônio histórico e cultural e pela importância econômica no passado. A cidade possui o mais importante conjunto arquitetônico barroco do Brasil.  Os aspectos de ocupação da região e a característica da economia local, fizeram com que, desde o século XVII, Ouro Preto e arredores explorassem seus recursos naturais ora em busca do ouro, ora em busca de outros minérios como, por exemplo, o ferro. Com o ferro surgiu a necessidade também de alimentar siderúrgicas com fornos de carvão e, para estes, foi grande parte da vegetação nativa da região, formada por matas exuberantes, de porte arbóreo bastante expressivo.

Com o ‘achado’ do ouro na última década do século XVII nos córregos Tripuí e Passa Dez, nas encostas do Pico
do Itacolomi e a vinda de milhares de pessoas para Ouro Preto em busca da tão sonhada riqueza, alguns
povoados, como São Bartolomeu, ficaram encarregados de abastecer com gêneros alimentícios a então Vila Rica. No século XVIII São Bartolomeu era um importante centro comercial, com a rua central tomada por comércios e depósitos de mercadorias. Muitas fazendas da região se especializaram na agricultura. Dos pomares saiam as frutas que, em pouco tempo, fizeram o lugar famoso por sua marmelada.

No século XX, com a instalação de empresas mineradoras na região, as matas de São Bartolomeu deram lugar aos fornos de carvão. Boa parte da população com mais de 40 anos lembra com detalhes das tropas de mula que chegavam aos montes em São Bartolomeu trazendo frutas para os doces, levando madeira para os fornos. Com o passar do tempo as mulas já não eram suficientes e estradas levavam ao interior da mata caminhões para diariamente transportar o carvão que alimentava siderúrgicas como a VDL em Itabirito.

Na atualidade, percebe-se uma São Bartolomeu completamente diferente dos relatos de seus antigos moradores. A cidade que vive da agricultura, da produção caseira de doces e ainda timidamente do turismo, não conta com serviços básicos como telefonia celular, agência bancária, posto policial, agência dos correios, entre outros. A população não pode contar nem mesmo com comércios, padarias, mercados que possam suprir algumas necessidades. Em geral a referência de abastecimento é Cachoeira do Campo e, às vezes a sede Ouro Preto. Existe transporte regular em dois horários diariamente (exceto nos domingos). O acesso é feito principalmente a partir de Cachoeira do Campo em estrada asfaltada inicialmente (que leva ao distrito de Glaura) e, em seguida por estrada não pavimentada de boa qualidade no período seco do ano. Outro acesso também utilizado é a partir de Ouro Preto pela estrada que atravessa a Serra do Chafariz. Este acesso todo em estrada não pavimentada é menos utilizado que o primeiro.

São Bartolomeu, mesmo muito próxima da sede do município de Ouro Preto, guarda um ar bucólico de cidade pequena do interior. Às margens do Rio das Velhas, a cidade reflete em seu casario colonial, na imponência de sua igreja matriz de São Bartolomeu e nos incontáveis muros de pedras de construções dos séculos XVIII e XIX, um cenário de inércia, desconectado e diferente de outros distritos de Ouro Preto e de outros municípios da região que crescem assustadoramente a cada ano.

São Bartolomeu é lentamente descoberta pelos visitantes. Atualmente conta com 02 pousadas, sendo uma na área central da cidade, de boa qualidade, charmosa e com capacidade de atendimento para poucos hóspedes, e outra mais afastada, mas às margens da estrada de acesso ao povoado, que é maior, com maior número de leitos e espaço para pequenos eventos. O visitante tradicional em busca do patrimônio cultural e natural se restringe a alguns fins de semana do ano e feriados. Os visitantes mais freqüentes acabam se tornando amigos dos moradores e, normalmente, enquanto fazem um passeio, encomendam um almoço ou tira-gosto em um dos bares para, ao final do dia, promoverem sua confraternização.

Neste contexto se insere a Floresta Estadual Uaimii, Unidade de Conservação com características diferenciadas das áreas protegidas mais restritivas como Parques, Monumentos Naturais e Reservas Particulares do Patrimônio Natural, pois permite o manejo sustentável dos recursos, principalmente os florestais. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, as florestas brasileiras desempenham, por meio da oferta de uma variedade de bens e serviços no âmbito nacional e mundial, importantes funções sociais, econômicas e ambientais. Ocupam cerca de 61,5% do território brasileiro e estão distribuídas por biomas com características particulares. Proporcionam, desse modo, abrigo para a fauna, conservação dos recursos hídricos, produtos florestais madeireiros e não madeireiros, conservação da biodiversidade e do solo, estabilidade do clima e uma gama de valores culturais.

Além do contínuo de florestas a FLOE Uaimii, é responsável pela proteção e conservação de centenas de nascentes que abastecem pequenos afluentes, que se jogam pelas vertentes declivosas em forma de belas cachoeiras, se encontram em córregos e chegam a rios importantes como o Velhas, por exemplo. Salta aos olhos a dinâmica das águas no interior da Unidade. A paisagem é conformada em torno de meandros que serpenteiam vales encaixados e planícies, as águas ora comportadas se mantém em seus leitos, ora inquietas avançam sobre estradas, levam o que encontram pela frente, intensificam processos erosivos. Ao longo do ano a água faz com que a natureza propicie aos mais privilegiados cenários de rara beleza.

Junto às florestas estão os campos. Nas variações do cerrado encontra-se o campo sujo, o campo limpo, os campos rupestres e os campos de altitude. O campo de altitude soberano observa a oeste da Serra do
Espinhaço uma mancha consistente de matas e a leste a degradação causada pela mineração. Os campos se tornam ainda mais especiais por estarem nesta região envolvidos em canga laterítica, ampliando ainda mais sua importância e o volume de endemismos.

Outra característica biofísica importante da FLOE Uaimii é a variação altimétrica. São aproximadamente 900 metros de desnível entre o ponto mais alto (1854 metros na Serra do Batatal) e 950 metros (Córrego D’Ajuda). Esta característica por si só já favorece uma variação expressiva de ambientes. Faz também da FLOE Uaimii um local com grande potencial cenográfico. A possibilidade de acesso às cristas da Serra do Espinhaço em um dos trechos de maior altitude em toda a sua extensão (que vai até o Norte da Bahia) é algo de extrema relevância.
[1] De acordo com informações do Instituto Estadual de Florestas – IEF MG
 
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Floresta Estadual Uaimii

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