TERRENO VAGO JUNTO Á CASA DA MÚSICA


 

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Junto à Praça Mouzinho de Albuquerque (Rotunda da Boavista), ladeado pela Casa da Música e Estação do Metro situa-se um amplo lote de características dramaticamente diferentes das estruturas vizinhas.
Toda esta zona, sobretudo desde os anos 80, foi concebida e desenhada para centrar em si grande carga simbólica e referencial tornando-se um importante marco numa identidade colectiva da cidade. No centro desta mesma zona, a Boavista, uma grande porção de espaço urbano apresenta-se intrigante pelo grande contraste de características.


Longe de formas planeadas para mediatização, o lote apresenta um resto de ruínas de uma antiga estação de caminho-de-ferro há vários anos abandonada. Parece estar entregue a um processo especulativo, lento, de renovação que a reintegre no sistema urbano convencional.
 

Hoje, à margem de qualquer acção visível privada ou pública (julga-se que não por muito mais tempo, tendo em conta o alto valor de solo), parece também alvo de um outro processo marginalizador – o esquecimento e desatenção daqueles que percorrem a cidade. Umas vezes murada, outra francamente aberta parece ter criado nos seus limites um abismo, uma categoria imposta de “não-cidade” e de outros tantos conceitos ao qual o prefixo “não” se lhes junta, consentindo e favorecendo a sua omissão. 

Para além das formas desmanteladas, as superfícies revelam expressões de pobreza e revolta e abrigam uma realidade também ela marginalizada e omitida. Os edifícios ainda existentes acolhem um conjunto de indivíduos, na maioria migrantes, também eles sujeitos a uma categoria imposta que os aliena e esquece. Improvisam aí o abrigo quotidiano alimentado pelo esquecimento, paredes-meias com o reboliço da cidade e a espectacularização. 

Terreno Vago Casa da Música (PDF)