Trai, larai, lai, lai...
 
O episódio passou-se com o meu pai... Quem o contava era o meu tio... O meu pai ficava furioso dizia que não tinha sido assim, mas...

Como era hábito na sua mocidade começou a trabalhar aos 10 anos de idade. A sua função na fábrica de curtumes do Ti Jaquim era tratar da burra. Levantava-se ainda o dia era noite e deitava-se já a lua ia alta... O sono andava atrasado e dormitava quando não devia. Certo dia os olhos teimaram em fechar-se e a burra ficou à solta dentro da fábrica. Caiu dentro de um dos tanques e... afogou-se!
A meio da noite acordou estremunhado. Ouviu as vozes da rapaziada, que fez noitada, a pôr o tambor a rebolar rua abaixo cheio de pedras e troncos, para assustar a Ti Marquitas ( que no outro dia dizia:
- Andaram por aqui os espíritos toda a noite... ( e isso deixava a malta extasiada...), ... juntou-se ao grupo. Como era seu hábito troteava uma canção:
- Trai larai larai, larai, lai, lai, lai - e, de repente lembrou-se. Deitou as mãos à cabeça... - Ai a burra do ti Jaquim da Catrina...
Correu em direcção à fábrica. A bicha tinha caído dentro de um tanque cheio de água. Começou a puxar o animal pelo rabo. Os outros chegaram de seguida para ajudar?... Só depois de bem rir, tá claro. Ver o outro a puxar pelo rabo à burra...
Não conseguíram!... era tudo rapaziada franzina. No outro dia o patrão:
- Então ó Jaquim Vecente cá dê a burra. Tu prendes-te a burra ontem à nôte depois de a deixar pastar.
- Prendi sim Senhor...
- Então como é que o animal 'tá morto?
- Soltou-se...!
... os outros... - TRAI, lARAI, LAI, LAI, AI A BURRA DO TI JAQUIM DA CATRINA.
E sempre que havia dissabores na vida, lá vinha a cantilena...!