Feira de Março em Torres Novas
 

Há uns anos atrás a vida era difícil (no tempo das grandes guerras). Vivia-se do que a terra dava. Se o ano não corria de feição a fome era certa, para o homem e para os animais.
Foi o que se passou naquele ano. A seara foi pobre e a ração diária para o burro teve que ser reduzida. Para mais o animal adoeceu. Não resistiu!
Era a força de trabalho da família. Ajudava na lavra, carregava os fardos para o moinho, ia à feira... O dono estava desolado! Tinha que arranjar dinheiro para comprar outro bicho.
Pois bem... todos sabemos que a necessidade aguça o engenho...
A mulher perguntava para o marido:
- À home que vai ser de nós?
- Deixa tar mulher qu' a feira de Março tá aí. Tudo s' há-de resolver!
Era coisa grande a Feira de Março vinha gente de todas as capelinhas.
O nosso homem montou uma tenda. Apregoava...
"Venha ver a obra imprima
dê dez réis corra a cortina"
As pessoas davam os 10 réis a cortina abria-se e... Riam-se!
Durante uma semana inteira (tempo que decorria a feira) havia, à entrada da tenda, uma fila interminável de gentes curiosas para ver o que ali se passava. Os que entravam saiam a rir. Os outros cá fora perguntavam:
- Então é bonito aquilo lá dentro?
- É muito bonito!!!... - e riam-se.
Pois bem na realidade o nosso homem tinha ali pendurado a cabeça de um burro que abanava de um lado para o outro. Sentindo-se enganados os que ali iam riam-se de si mesmos, da sua curiosidade, e não revelavam o segredo.