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de CABIDO a CAMPAS

CABIDO DE COIMBRA – Deriva de capitulum, nome dado, tanto ao cabido, como às assembleias de religiosos e à sala das reuniões. São comunidades de clérigos que vem desde os primeiros tempos do cristianismo e que passaram por várias etapas, contribuindo decisivamente para a sua estrutura organizativa, o concílio de Aix de 816, passando os seus membros a denominar-se canonici, derivação da regula canónica a que estavam sujeitos. Os seus membros eram clérigos seculares que tinham promessa de obediência ao superior, mas sem profissão religiosa nem votos. Segundo Monsenhor João Evangelista, "o cabido da Catedral é uma entidade canónica com responsabilidade jurídica própria criada para promover na igreja Catedral um culto mais solene e é também um órgão de administração eclesiástica diocesana" e, prossegue o pároco da Sé Velha: "Só pode ser erecto, inovado ou suprimido pela Santa Sé", sendo que, "as suas funções repartiam-se por cantar diariamente no coro, a missa e as horas canónicas, desenvolver e apoiar uma escola de ensino em vários níveis, administrar os bens capitulares, assistir ao bispo quando celebra de pontifical, dar parecer ou consentimento em muitos atos da administração diocesana, substituir o bispo quando a Sé está vaga". O nome cabido vem de um artigo da regra chamado capitulum. Este termo, no sentido de corporação de clérigos, só se generalizou nos fins do século XII, não obstante ter aparecido a partir de meados do século X. D. Paterno fundou o Cabido de Coimbra em 13 de Abril de 1086 e foi ele que o reorganizou e criou a escola episcopal, tudo isto com o auxílio de D. Sesnando. D. João Peculiar usa este termo na Constituição dada ao Cabido de Braga em 1165. Os documentos referentes ao Cabido de Coimbra indicam várias categorias de cónegos: dignidades (prior, mais tarde chamado deão, chantre, mestre-escola, tesoureiro e arcediagos), presbíteros, diáconos, subdiáconos e minoristas. O cabido da catedral era, no princípio, sustentado pelo bispo que administrava diretamente todos os bens das igrejas e provia às suas despesas A 17 de Março de 1210, o bispo de Coimbra D. Pedro Soares reorganiza o cabido, tendo por base a divisão feita em Braga, em 1145, por D. João Peculiar. A partir desta data, a mesa capitular passou a ter direito a uma terça parte das rendas da diocese, sendo a outra parte para a mesa episcopal. Até 1210, os bens pertenciam em comum ao bispado e ao cabido. No entanto, o bispo e o cabido auxiliavam-se mutuamente em situações de crise económica. Por vezes proviam a ajudas para a expansão da Igreja, mas, em 1248, apoiado pelos clérigos de Coimbra e de Braga, negou a Frei João Martins o pagamento dos subsídios das igrejas para socorro da Terra Santa, desculpando-se com a pobreza das rendas. Entretanto começa a modificar-se a vida de comunidade do Cabido. Os seus membros passam a viver em casas próprias, reunindo-se apenas para o ofício divino, para a missa, celebração de festas e outras obrigações eclesiásticas. A partir daqui os cónegos passam a dividir entre si as rendas da mesa capitular. Cada cónego tem a sua prebenda. Há contudo, despesas na catedral e outros encargos da corporação para as quais se reservam algumas prebendas. Em 1260 efetua-se em Montemor-o-Velho um instrumento pelo qual o bispo e o cabido de Coimbra aplicavam os rendimentos supérfluos da igreja de Santa Maria de Alcáçova ao mesmo bispo e cabido, excepto a terça pontifical que seria só para o bispo. Este instrumento é confirmado em 21 de Julho de 1263 pela bula "Cum a Nobis Petitus", de Urbano IV. Em 1287 o Mosteiro de Seiça, em reconhecimento de grandes benefícios que confessava dever ao cabido de Coimbra, oferece-lhe colheita na sua igreja de Tentúgal, em 1335 o cabido passou a usufruir esse direito em subsídio pecuniário. Deste modo, dignidade que estivesse em Tentúgal teria 100 soldos, cónego 50 soldos, raçoeiro 25 soldos, tudo à custa do mosteiro e uma só vez no ano. Os membros do cabido, espécie de aristocracia do clero, eram os conselheiros do bispo, ajudando-o no governo da diocese e substituindo-o na vacância da sé. O novo prelado, eleito pelo cabido, saía do seu seio ou do cabido de outra diocese. Dada a sua posição de prestígio no seio do clero, por vezes, havia nomeação de capitulares para além dos previstos nos estatutos. Eram os chamados supranumerários cuja nomeação proporcionava a criação de novas prebendas. Aparecem também novos beneficiados, que não faziam parte do cabido, mas substituíam os cónegos ausentes. São os porcionários a que se seguem outros de menor categoria conhecidos pelos nomes de coreiros, capelães, bacharéis, serventes, etc. Este facto faz diminuir as rendas. Os rendimentos do cabido já eram tão reduzidos que em 1295 o bispo D. Emérito anexou à mesa capitular as igrejas de Pedrógão, Avô, Tourais e Murtede, para acudir às maiores necessidades. No princípio do século XIV queixava-se o cabido de que andavam injustamente alienados muitos bens que lhe pertenciam, como: dízimos, foros, terras, prados, pastagens, vinhas, casas, granjas, etc. Em 5 de Agosto de 1394, D. João I autoriza a permuta que o bispo e cabido de Coimbra fizeram com Martim Vasques da Cunha dos lugares de Belmonte e seu termo e couto de S. Romão, pela vila de Arganil e seu termo. Com o aumento do número de dignidades, cónegos, beneficiados e ministros inferiores, diminuem as rendas de cada membro da corporação. Para pôr cobro a esta situação, a bula "Eclesiarum Utilitate", de João XXII dá comissão ao prior de S. Jorge para fazer a redução do número de canonicatos e prebendas no cabido de Coimbra, por serem em excesso e não davam para o sustento dos cónegos que eram muitos. Problemas de jurisdição e defesa de antigos privilégios e costumes motivaram, por vezes, litígios entre os membros do cabido, e entre o cabido e o bispado. Em 25 de Julho de 1725, carta régia acusa o cabido conimbricense de vários abusos. Devemos reter, no entanto, que o cabido da sé prestou grandes benefícios à cidade, tanto no campo religioso, como nos da cultura intelectual e artística e da assistência. De notar que, em Coimbra já havia escola episcopal nos fins do século XI, muito antes do Concílio II de Latrão (1179) tornar obrigatória em todas as sés a dignidade de mestre-escola para instruir gratuitamente os clérigos e os meninos pobres. Foram muitos os capitulares licenciados, o que explica a sua ajuda na fundação e funcionamento da nossa Universidade, mas concorreram também para a fundação de albergarias e hospitais e assistência a leigos. Actualmente o número de membros do cabido é bastante mais reduzido por falta de clero e de recursos. O cabido continua a desempenhar importante missão no governo da diocese, como conselheiro e auxiliar do bispo, sendo este obrigado a pedir o seu parecer ou consentimento para diversos actos de administração. Substituem o bispo na vacância da Sé e elegem, no prazo de oito dias, um vigário capitular para a governar, até à tomada de posse do novo bispo.
BIBLIOGRAFIA:
1. Discurso a favor do Cabido da Catedral de Coimbra contra as pretensões dos meios prebendados e tercenários da mesma, 1778.
2. Provas que o Cabido da Sé Catedral de Coimbra juntou à causa que lhe moverão os porcionários da mesma Sé, 1777.

CABIDOS DAS COLEGIADAS [Ver] COLEGIADAS DE COIMBRA

CABRA – Badalo que faz parte do sino situado a poente da Torre da Universidade. A sua função principal é fazer-se ouvir em véspera de aulas, de manhã e no fim do dia. Também se faz ouvir em conjunto com os badalos dos restantes sinos da Torre nos doutoramentos, funerais ou visitas do Presidente da República. Em 1933 o comércio da cidade fechou por grassar uma terrível epidemia de gripe, mas a cabra continuou a chamar para as aulas. Os estudantes decidiram retirá-la da sua função. No dia seguinte ao roubo, o cabrão, seu colega do sino virado a Norte, tocou isolado, quebrando as regras da praxe. Cerca de vinte anos mais tarde os estudantes fizeram um cortejo nocturno com o badalo, pelas ruas da cidade, até ao Museu Académico poucos meses antes inaugurado na sala da direcção da AAC, ao tempo no Palácio dos Grilos (Cfr. PÈCURTO, Varela – “Coimbra, Cidade Singular”, in Jornal de Coimbra de 24 de Dezembro de 2001)
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CABRÃO; TORRE DA UNIVERSIDADE.

CABRAL ANTUNES [Ver] ANTUNES, José Maria Cabral

CABRAL, Costa – Por portaria de 10 de Março de 1843, empreende uma nova reforma da instrução pública, solicitando à Universidade sugestões sobre possíveis alterações a introduzir nos estudos.

CABRÃO – Nome que os estudantes davam ao badalo de um dos sinos da torre da Universidade, destinado a chamar os estudantes para as aulas. O som fazia-se ouvir entre as sete e as sete e quinze.
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CABRA; TORRE DA UNIVERSIDADE.

CAÇÃO, Idalécio – Escritor. Em 1990 é distinguido com o prémio literário “Miguel Torga”, com a obra “Daqui ouve-se o mar”.
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PRÉMIO LITERÁRIO MIGUEL TORGA.

CADEIA DO CASTELO – Em 13 de Março de 1574 foi feita uma relação dos ferros que existiam na cadeia. Em 1592 os presos foram removidos para a nova cadeia da Portagem.

CADEIA DA PORTAGEM – Também designada por Estalagem do Lourenço depois da nomeação  de Lourenço de Mattos para seu carcereiro, no século XVII. Construída em 1591 numas casas e arco de Jorge Vaz. Em 1660 começa a construção de uma capela à entrada da Ponte para dizer missa aos presos que ficavam em frente. Teve um preso célebre que foi Brás Garcia de Mascarenhas, nascido em Avô em 1596, que em Coimbra “foi trovador folgazão, saboreando os laços de amizade e fazendo versos” (DIAS. Mário Simões – “Viriato Trágico” de Brás Garcia de Mascarenhas, 300 anos da 1.ª edição, in Diário de Coimbra de 12 de Fevereiro de 2000). Porém, feriu um adversário numa briga e foi para à cadeia da Portagem. Foi substituída pela nova cadeia de Santa Cruz, construída nos antigos celeiros do Mosteiro.

CADEIA DE SANTA CRUZ – Construída para substituir a Cadeia da Portagem. Em Agosto de 1922 os moradores da Rua Pedro Rocha reclamam contra a colocação de um mictório junto da cadeia de Santa Cruz. Em 11 de Setembro de 1932 oito presos dirigiram uma exposição ao Procurador da República contra várias irregularidades cometidas pelo carcereiro. No dia 2 de Junho de 1933 é anunciado que no edifício da Cadeia vai ser instalada a Caixa Geral de Depósitos.

CADEIRAL –
- Da Igreja de Santa Cruz – O cadeiral de estilo manuelino foi executado pelo entalhador Machim em 1512. Em 1531 o seu compatriota Francisco Loret faz obras de adaptação no cadeiral.
- Da Igreja da Sé Nova – É de finais do século XVII, fica na capela-mor e foi mandado construir pelo bispo D. João de Melo para a Sé Velha. As cadeiras são de madeira exótica com grande parte dos bronzes desaparecidos. O espaldar é de talha dourada com telas entre as consolas. Catorze dessas telas narram a Vida da Virgem, cópias de grandes mestres maneiristas e barrocos italianos. No século XVIII fez-se um acrescento com duas telas de muito fraca qualidade, de Manuel da Silva, representando evangelistas (Inventário Artístico de Portugal, Cidade de Coimbra).
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IGREJA DE SANTA CRUZ; IGREJA DA SÉ NOVA.
BIBLIOGRAFIA:
1. CORREIA, Vergílio & Nogueira Gonçalves – Inventário Artístico de Portugal, Cidade de Coimbra, II, Lisboa, Academia Nacional de Belas Artes, 1947, pp. 23.

CADERNOS DE GEOGRAFIA – Revista do Instituto de Estudos Geográficos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, criada em 1983 pelo Prof. Doutor Fernando Rebelo e outros colegas.
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FACULDADE DE LETRAS.

CADERNOS DA JUVENTUDE – Publicação com que os neo-realistas de Coimbra iniciaram o movimento neo-realista. Foram impressos na Tipografia Lousanense em 18 de Novembro de 1937 e no mesmo dia confiscados pela PVDE - Polícia de Vigilância e de Defesa do Estado. No dia 18 de Novembro de 1997 a Câmara Municipal de Coimbra publica e distribui uma edição fac-similada desta obra.

CAETANO, Inácio de S. – Em 11 de Dezembro de 1778 renuncia ao bispado de Penafiel. Foi-lhe dado então o título de biso de Tessalónica.

CAFÉ A BRASILEIRA - Café localizado na Rua Ferreira Borges. Um dos mais antigos cafés históricos de Coimbra, abre em 1921 e fecha a 31 de Julho de 1995. Em 1935 passou por importantes transformações, da autoria do arquitecto Agostinho da Fonseca. Deu lugar a uma loja de pronto-a-vestir. Café de tertúlias, foi frequentado por personalidades conhecidas, designadamente: Alberto Vilaça, António Arnaut. Augusto Nunes Pereira, Gonçalo Reis Torgal, Joaquim Namorado, Manuel Alegre, Mário Silva, Lousã Henriques, Miguel Torga, Paulo Quintela, Rui Pato, Vasco Berardo, Vitorino Nemésio e Zeca Afonso, entre outros. Ali se reunia também a tertúlia dos Rapazes dos Jornais, “representantes dos principais diários do país, tais como Camané Nobre, Albano da Rocha Pato, José Castilho, Francisco Penalva da Rocha, Adriano Peixoto, Valdemar Peixoto, José Maria dos Santos, Manuel Rodrigues dos Santos, Padre Nunes Pereira, Padre Dr. Urbano Duarte, bem como Eduardo Pinho Simões, Álvaro Perdigão e António José Lourenço da RDP - Emissor Regional de Coimbra, e Eduardo Varela Pècurto, da RTP” (Cfr. Aníbal Duarte de Almeida in Diário de Coimbra de 21 de Dezembro de 2010). Reabriu no dia 1 de Março de 2012. Faz parte da memória colectiva da cidade, sendo bastante saudada a sua reabertura. Esta segunda vida de "A Brasileira", teve a assinatura da IPOTZ Studio, gabinete de Arquitetura e design de interiores e o Gabinete Luís Flório Arquitetos. O objectivo do proprietário para esta segunda vida do Café é "recriar aquela que era para os seus habituais frequentadores uma segunda casa, um importante local de convívio e de debate" (Cfr. "A Brasileira" reabriu ontem na Baixa, in O Despertar de 2 de Março de 2012).
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CAFÉS DE COIMBRA.

CAFÉ ARCÁDIA – Inaugurado em 1948, encerra em 2000. Situado na Rua Ferreira Borges. Foi lugar de encontro, durante décadas, de Afonso Queiró, Albertino de Barros, Amorim das Neves, David Baptista, Fernando Vale, Guilherme de Oliveira, Jorge Veiga, José Pereira da Silva, Mário Braga Temido, Mário Mendes, Miguel Torga, Orlando de Carvalho e o proprietário, entre outros. Era o café da malta da académica, do "grupo dos teóricos", como eram designados. Nisto rivalizava com o café Santa Cruz, frequentado pelos adeptos do União de Coimbra. Ficaram famosas as saborosas e inigualáveis torradas com pão de forma vindo expressamente do Porto, nos primeiros anos, e depois pela Palmeira.
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CAFÉS DE COIMBRA.

CAFÉ BAR CLEPSIDRA – Conhecido na academia por “Clep”, ficava ao fundo das Escadas Monumentais. Foi um espaço de estudo e convívio de várias gerações de universitários portugueses e estrangeiros. Desapareceu cerca dos anos 80 do século XX.
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PESSANHA, Camilo.

CAFÉ INTERNACIONAL – Fechou no dia 2 de Julho de 2000, ao fim de 54 anos de vida, para dar lugar a uma loja de pronto-a-vestir, tal como aconteceu aos outros cafés históricos da baixa, Brasileira (1921-1995) e Arcádia (1947-2000). Café de encontro. Aqui se reuniam pessoas de todos os sectores profissionais: Bancários, comerciantes, delegados de informação médica, funcionários públicos, mas também estudantes e sem profissão ou pessoas vindas de qualquer ponto do país, que ali marcavam encontro. Ali, “comentavam-se livros, liam-se poemas, fazia-se política”, no dizer de Manuel Alegre. Em tempos de muito movimento, aparecia, em letras bem visíveis, um aviso proibindo o estudo. Nos anos 90 do século XX a afluência já era de outro género: utilizadores menos identificados, grupos de pessoas identificadas com outros assuntos menos claros, negociados à roda dos bilhares. A sala de jogos foi a morte do café. O Internacional, fechado a partir de Julho de 2000, “constitui um exemplo de decadência e de subversão da sua função” (Cfr. O Campeão das Províncias de 27 de Julho de 2000). O poeta Manuel Alegre, Herberto Helder, Assis Pacheco, Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Louzã Henriques, o jurista António Arnaut, Sá Carneiro quando integrava a Ala Liberal da Assembleia Nacional, Baltazar Rebelo de Sousa, os ex-presidentes do Benfica Adolfo e Maurício Vieira de Brito e Vítor Crespo que ia habitualmente estudar para lá, foram alguns dos antigos clientes do Internacional. Nas últimas décadas não mudou de mobiliário e o balcão superior onde os jovens estudavam também permaneceu na sua fisionomia.
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CAFÉS DE COIMBRA.

CAFÉ MONTANHA – Ponto de encontro de muitos conimbricenses com visitantes. Tiveram assento quase diário neste café Adriano Peixoto, António de Sousa, Jorge Peixoto, Sertório Fragoso. “Primava por fornecer música com café à sua clientela, pois tinha uma orquestra de serviço, onde o baterista Galvão pontificava, gerindo os pratos e tambores com genial mestria, combinando com a melódica harmonia dos restantes instrumentos musicais” (Cfr. Aníbal Duarte de Almeida in Diário de Coimbra de 21 de Dezembro de 2010).
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CAFÉS DE COIMBRA

CAFÉ NICOLA – Situado na Rua Ferreira Borges, abre ao público em 5 de Novembro de 1938. Mantêm a actividade de Café, Pastelaria e Restaurante. “Por ali têm passado gerações de estudantes que mesmo atingindo a formatura ou a cátedra, continuaram a marcar presença, tomando a sua bica, almoçando ou jantando ou assistindo a uma reunião de curso” (Cfr. Aníbal Duarte de Almeida in Diário de Coimbra de 21 de Dezembro de 2010).
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CAFÉS DE COIMBRA

CAFÉ PASTELARIA CENTRAL – “Era frequentado pela alta-roda da cidade com predomínio para as damas, que muito apreciavam a tomada do «Chá das cinco», à boa maneira britânica” (Cfr. Aníbal Duarte de Almeida in Diário de Coimbra de 21 de Dezembro de 2010).

CAFÉ SANTA CRUZ – Está instalado, sob regime de concessão, na antiga Igreja do Mosteiro de S. João das Donas, construída em 1530 pelo arquitecto Diogo de Castilho, mesmo ao lado da Igreja de Santa Cruz. Passou a café e restaurante em 8 de Maio de 1923 e foi, anteriormente, sede de paróquia, casa funerária, loja de mobiliário, quartel dos bombeiros, posto policial e posto de correios. É um café histórico de Coimbra, muito frequentado por tertúlias ligadas ao União de Coimbra mas que acolhe, sobretudo em fim de século, uma clientela mais diversificada que vai desde o professor universitário ao operário, passando pelo estudante, o reformado ou o turista. É um espaço de tertúlias, exposições e outras actividades culturais que dão uma dinâmica ao café e à própria Baixa. É “um espaço místico, preservando os rituais dos antigos e carismáticos cafés, onde folhear um jornal, um livro, ou conversar se tornam símbolos dessas vivências informais” (Cfr. Diário de Coimbra, última página, de 17 de Novembro de 2010). No início de Março de 2012 o Café apresenta ao público um doce a que chamou "crúzio", um produto exclusivo do Café, que existia desde os tempos em que o estabelecimento também era restaurante. O "crúzio" é feito com os ingredientes tradicionais: massa de pasteleiro, doce de ovo, amêndoa laminada e açúcar polvilhado.
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CAFÉS DE COIMBRA; CONVENTO DE S. JOÃO DAS DONAS DE SANTA CRUZ; IGREJA DE S. JOÃO DE SANTA CRUZ; PARÓQUIA DE SANTA CRUZ.

CAFÉS DE COIMBRA – No século XIX havia pouca diferença entre tabernas e cafés. Garret, citado por Paulino Mota Tavares, descreve assim o café do Cartaxo: "Será um paralelogramo pouco maior que a minha alcova; à esquerda, duas mesas de pinho; à direita, o mostrador envidraçado, onde campeiam as garrafas de licor de amêndoa, de canela, de cravo. Pendem do tecto, laboriosamente arredondados por não vulgar tesoira, os pingentes de papel, convidando a lascivo repouso a inquieta raça das moscas. Reina uma frescura admirável naquele recinto". Os espaços eram estreitos, as mesas e os bancos de madeira e muita falta de limpeza. A Arte Nova trouxe-nos grandes e agradáveis espaços, com mobiliário a condizer e um serviço impecável, onde se reuniam as várias tertúlias da época, e, já em período salazarista, os “pides” faziam as suas espreitadelas para controlar as reuniões de três ou mais pessoas. Localizados em zonas de passagem, v. g., Avenida Navarro, Rua Ferreira Borges, Largo da Portagem, Praça 8 de Maio. Tertúlias de Poetas, ensaístas, escritores, pintores, compositores, professores, conversavam sobre artes, literatura, política, literatura, teatro, reviam a cidade e os acontecimentos mais recentes. Os cafés históricos de Coimbra vão desaparecendo para dar lugar a roupas de uma marca internacional. Foi assim com a Brasileira (1921-1997), o Internacional (1946-2000) e o Arcádia (1948-2000). Diferente sorte tiveram os cafés Montanha que deu lugar a um Banco e o histórico Mandarim da Praça da República que foi vendido a uma cadeia internacional de comida rápida, neste caso a McDonalds. As tertúlias foram vencidas pelo poder económico, numa fase (sobretudo nos dois últimos decénios do século XX) em que essas tertúlias estavam em crise. A partir do 25 de Abril de 1974 a clientela foi descaracterizando, tornando-se cada vez mais diferenciada. Desapareceram as tertúlias prevalecentes como as do Café Santa Cruz, mais ligadas aos adeptos do União de Coimbra ou as do Mandarim e do Arcádia, mais próximas dos estudantes e da Académica. Vão longe os tempos em que um amigo de Lisboa, do Porto ou de outro pondo do país telefonava ao seu amigo de Coimbra a combinar encontro no Montanha a determinada hora. O mesmo sucedia com outros cafés históricos. Os cafés históricos foram desaparecendo na medida em que se foram atenuando as tertúlias, substituídas por clientes desligados de interesses económicos, sociais e culturais comuns.
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CAFÉ A BRASILEIRA; CAFÉ ARCÁDIA; CAFÉ INTERNACIONAL; CAFÉ MONTANHA; CAFÉ NICOLA; CAFÉ SANTA CRUZ.
BIBLIOGRAFIA:
1. TAVARES, Paulino Mota – "Quebra-costas", in Independente de Cantanhede de 12 de Dezembro de 1995.

CAGANETA – Figura característica da Alta, baixo e refilão.

CAIS DAS AMEIAS - Freguesia de S. Bartolomeu. Perto da estação Nova e Av. Emídio Navarro- Restaurado entre 1837 e 1858.

CAIXEIRO, Madalena – Natural de Coimbra. Licenciada em Filologia e professora do Instituto Superior Vasco da Gama. Conquista por duas vezes o Prémio Miguel Torga: em 1986 com a obra “Sementes de só, raízes de mim” e em 1998 com “O Declive”. Em 11 de Fevereiro de 1989 lança o seu terceiro livro “Pausa”. Venceu por três vezes o Prémio Vitorino Nemésio, em 1988, em 1990 e em 2001 com os romances “Os Limites”, “Os Novelos” e “Cadeira de Braços”. Em 2005 é distinguida com o Prémio Nacional Trindade Coelho, atribuído pela Câmara Municipal de Mogadouro. A sua melhor obra é “Cadeira de Braços”, romance que, seguindo a sua habitual tendência literária, retrata o universo feminino. É a história de uma mulher de idade que está junto de seu marido, inválido, a ver televisão e vai recordando experiências vividas. Madalena Caixeiro começou a ler e a escrever aos quatro anos pois seu avô, professor reformado, entretinha-se a ensiná-la. Os seus primeiros contos foram publicados aos 14 anos. Ainda bastante jovem, ganhou vários prémios em jogos florais e concursos literários da Queima das Fitas. Foi colaboradora activa da “Via Latina”, com contos, poemas e desenhos. Teve uma paragem na escrita a partir do casamento e enquanto esteve em Moçambique. As mulheres são sempre as personagens principais das suas histórias. “Fui sempre” – diz Madalena Caixeiro – “uma guerreira pelas mulheres e acho que ainda hoje são mal consideradas, apesar de perante a lei serem iguais”.
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CALDEIRA, Afonso – Representou o concelho de Coimbra nas Cortes de Guimarães de 1401.

CALMEIRÃO – Sapateiro e mandador das fogueiras tradicionais de Coimbra. Viveu muitos anos na Rua das Covas, hoje, Borges Carneiro.

CALVÃO, D. João – Bispo de Coimbra. Foi-lhe concedida a dignidade de Conde de Arganil por D. Afonso V, por se ter distinguido, junto do rei, nas suas campanhas no Norte de África; título este que abrangeria todos os bispos de Coimbra seus sucessores.

CAMALEÃO – ASSOCIAÇÃO CULTURAL -

CÂMARA DE COMÉRCIO E INDÚSTRIA DA REGIÃO CENTRO –

CÂMARA, José Manuel da – Porcionista do Colégio de S. Pedro e 2º. Patriarca de Lisboa em 1754.

CÂMARA MUNICIPAL – Até meados do século XVI esteve no Terreiro fronteiro à Sé, passando daí para a Torre de Almedina que foi construída nos fins do século XIII, princípios do século XIV, sobre o Arco de Almedina, para aí funcionar a casa da Câmara, o que se verificou em 1541, segundo uma inscrição gravada na porta da segunda sala, alterando-se a parte terminal e a disposição de torre de fortificação. Na Torre de Almedina as sessões ordinárias da Câmara realizavam-se no segundo pavimento às quartas-feiras e aos sábados, sendo o primeiro destinado às audiências do juiz de fora e do corregedor (Cfr. Eduardo Mamede - “Arcos de Almedina”, in Diário de Coimbra de 6 de Agosto de 1999). Em 1 de Novembro de 1755 a Câmara aplica o edifício da Calçada para Paços do Concelho, passando a efectuar as suas sessões nesta casa. A 10 de Outubro de 1821 passa a reunir-se nas antigas casas da Inquisição. Em 1933 realizou-se no salão da Câmara, pela primeira e única vez, o Baile de Gala das Faculdades. A 14 de Outubro de 1998 toma posse do primeiro Conselho Social da Universidade de Coimbra.

CAMARRO – Escultor galego. Tem uma escultura dedicada a Inês de Castro no Nó das Lajes.

CAMELA, Maria [Ver] TABERNA DAS TIAS CAMELAS.

CAMELO, João – Prior do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. É considerado como sendo o primeiro cronista do Reino. É autor do Sumário das Famílias e Primeiros Conquistadores Destes Reinos, obra continuada por Pedro Alfarde. Julga-se que D. Afonso Henriques lhe teria encomendado um nobiliário dos cavaleiros que se distinguiram nas suas empresas militares (Dicionário de História de Portugal dirigido por Joel Serrão).

CAMINHOS-DE-FERRO – Os caminhos-de-ferro entram em funcionamento, em Coimbra, em Abril de 1864, com a abertura ao tráfego do troço da linha do norte entre Taveiro e Vila Nova de Gaia. Coimbra liga-se à cidade do Porto por um novo meio de transporte que vai substituindo as vagarosas carruagens a cavalo da mala-posta. A ligação a Lisboa faz-se em Julho de 1864. As vias de ferro, em especial a ligação com Espanha concluída em 1863 e a linha do Norte em 1864, tiveram consequências profundas no problema das comunicações e transportes para e de Coimbra. Foram também grandes as consequências culturais e mentais para a cidade de Coimbra. A geração de Antero e de Eça de Queirós e as que se lhe seguiram deveram boa parte da sua formação cultural à rapidez com que o comboio transportava do estrangeiro as novidades literárias, filosóficas e políticas. A linha do Norte, que fazia uma ligação de poucas horas a Lisboa, permitiu v. g. a difusão nacional fácil da Questão Coimbrã e foi sustentada pela chegada às mãos dos jovens universitários de Coimbra dos livros que vinham de França por via-férrea. Esta via de comunicação foi rejeitada por várias vilas e cidades do país. Em Coimbra não houve rejeição mas houve contestação por parte da Câmara e de algumas figuras ilustres que temiam o impacto dos caminhos-de-ferro. Por este motivo a estação foi instalada bem longe do centro da cidade, no arrabalde, junto ao Loreto. Cedo se apercebem os conimbricenses que foi um erro construir a estação tão longe do centro e passados 10 anos a companhia Rail Road Conimbricense começa a explorar uma linha de veículos que circulavam sobre carris mas com tracção animal, entre a estação e o Arco da Barbacã. Mais tarde esta linha foi prolongada para o Largo da Portagem, rua das Ameias, rua das Solas e Praça do Comércio (ao tempo praça de S. Bartolomeu). A então Companhia Real dos Caminhos-de-ferro sente a necessidade de uma nova estação e solicita à Câmara a construção de um ramal entre Coimbra B (entenda-se aqui B como inicial de bifurcação) e o Largo das Ameias. Em 3 de Agosto de 1982 começam a circular os comboios eléctricos entre Coimbra e Figueira da Foz.
RAMAL DA LOUSÃ - Em 1888 é outorgada a concessão de uma via de caminho de ferro à Companhia do Caminho-de-ferro do Mondego, entre Coimbra, Ceira, Miranda do Corvo, Serpins, Várzea, Góis e Arganil. Esta linha foi inaugurada só em 16 de Dezembro de 1905, apenas entre Coimbra e Lousã. Em 1890, já com a obra bastante adiantada, rebentou uma crise económica que viria a conduzir a Companhia à falência, o que motivou o abandono da construção até Arganil. Em 1911 a Câmara promoveu uma reunião com vários representantes para se tentar a conclusão da linha até Arganil e prolongamento até à Covilhã. A Lei 1327 de 25 de Agosto de 1922 determina, nos termos da Carta de Lei de 1 de Julho de 1903, a conclusão do Caminho-de-ferro até Arganil. Portaria datada de 8 de Março de 1923, nomeia comissão para propor, com urgência, as medidas tidas como as mais convenientes para a conclusão do ramal. Em Agosto de 1924 começa a construção do troço a partir da Lousã. O troço entre Lousã e Serpins foi inaugurado no dia 9 de Agosto de 1930. No dia 31 de Dezembro de 1946 cessa a atividade da Companhia do Caminho-de-ferro do Mondego, por força da Lei nº. 2008, que unificou a rede ferroviária nacional. Em Agosto de 1947 uma portaria dá conta da nomeação de uma comissão destinada a proceder ao estudo da revisão das instalações ferroviárias de Coimbra. No ano de 1948 são entregues novas automotoras para o percurso de Coimbra a Lisboa e de Coimbra à Lousã.
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AERÓDROMO BISSAYA BARRETO; BARCA SERRANA; CAMINHOS DE FERRO; COMPANHIA DE Caminhos-de-ferro DE COIMBRA; CORREIOS E POSTAS; ESTAÇÃO NOVA; ESTAÇÃO VELHA; ESTRADAS; MALA-POSTA; METRO MONDEGO, SA; MONDEGO, RIO; SERVIÇOS MUNICIPALIZADOS DOS TRANSPORTES URBANOS DE COIMBRA (SMTUC); TRANSPORTES; TROLLEICARROS.
BIBLIOGRAFIA:
1. ABRAGÃO, Eng.º. Frederico de Quadros – Caminhos-de-ferro Portugueses – Esboço da sua História, Lisboa, 1956.
2. ABRAGÃO, Eng.º. Frederico de Quadros – Cem Anos de Caminhos-de-ferro na Literatura Portuguesa, Lisboa, 1956.

CAMÕES, Bento de – Faleceu em 1547. Foi Prior Mor do Mosteiro de Santa Cruz e Cancelário da Universidade de Coimbra. Era tio de Luís de Camões.

CAMÕES, Dionísia – Nasceu em Sátão a 7 de Janeiro de 1896 e faleceu em Coimbra a 9 de Junho de 1984. Estudou no Colégio Coração de Maria em Viseu, onde concluiu o Magistério Primário. Veio para Coimbra habilitar-se ao Magistério Primário Superior e foi professora primária no Colégio Rainha Santa Isabel. Matriculou-se em Histórico-Geográficas na Faculdade de Letras e posteriormente em Direito, tendo concluído os dois cursos. Em 1924 habilita-se ao Magistério Liceal, com a apresentação de uma dissertação sobre “António Ferreira e as ideias políticas da Renascença”, apresentada à Escola Normal Superior de Coimbra. Em Janeiro de 1920 funda, com outras três colegas, a primeira residência universitária feminina em Coimbra, nos Palácios Confusos. Fundou ainda uma outra residência onde esteve de 1925 a 1928. Concluído o curso de Histórico-Geográficas, vai para o Liceu Infanta D. Maria onde, em 1937, é Reitora. Permanece neste cargo até 1966. Revela-se como pessoa extremamente rigorosa, exigindo a máxima correcção no cumprimento das funções dos professores e no comportamento dos alunos. Foi admiradora de Salazar e do Estado Novo e uma das fundadoras do Centro Académico Feminino Católico. Participou em outros movimentos católicos, designadamente na União Noelista. Em 7 de Janeiro de 2003 a Comissão de Toponímia atribuiu-lhe o nome a uma rua que parte da Rua Luís da Cunha para nordeste. A decisão da Comissão foi ratificada pelo executivo municipal em 3 de Fevereiro de 2003. Aquando da colocação da placa toponímica, em 6 de Dezembro de 2003, afirmou-se que Dionísia Camões foi um “importante vulto do século XX, na cultura e educação liceal de Coimbra”. Foram ainda destacadas “as qualidades pedagógicas e humanas da homenageada... que marcaram a vivência académica dos alunos que passaram pelo liceu Infanta D. Maria”.
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DIONÍSIA CAMÕES, Rua de.

CAMÕES - Lopo Luiz de - 

CAMÕES, Luís de – Viveu e estudou em Coimbra? É possível que sim. O pai e o avô de Camões teriam vivido no palácio de sobre-ribas, havendo quem pense que Camões aqui nasceu. A sua formação humanística indica que teria estudado em Coimbra, ou, com menos probabilidade em Lisboa, já que nos seus versos se percebe ter vivido em Coimbra. Em 8 de Maio de 1881 Coimbra ergueu-lhe um monumento na Alameda da Rua Larga, a poucos metros da Porta Férrea, onde hoje se encontra a Faculdade de Letras. Coimbra associava-se assim, de uma forma solene, às comemorações do centenário da morte do autor de Os Lusíadas, por iniciativa da academia. Foi um acto “imponentíssimo”, segundo O Conimbricense que juntou uma grande multidão, “tornando-se impossível o trânsito nas proximidades da alameda, além da imensa gente que se aglomerou no Pátio da Universidade” (cit. do Jornal de Coimbra de 19 de Agosto de 1998). O projecto foi da autoria de António Augusto Gonçalves e era composto por um pedestal de mármore rematado por uma coroa de louros e um leão de bronze na base. Aí permaneceu até Julho de 1948, quando caiu sobre o monumento uma grua em utilização na construção da Faculdade de Letras. Em Outubro de 1948 o monumento foi completamente demolido, tendo posteriormente passado pelo Pátio da Inquisição, Palácio dos Grilos, jardins da Associação Académica e Biblioteca Municipal. No dia 19 de Julho de 1983 é reinstalado na Rua do Arco da Traição, numa cerimónia integrada nas comemorações do Dia do Antigo Estudante. Desde então várias têm sido as vozes discordantes quanto ao local escolhido. O monumento encontrava-se “atirado para um canto”, junto à parede nascente do Instituto Justiça e Paz, sem qualquer enquadramento que o dignificasse, até que, no dia 14 de Setembro de 2005 foi transferido para a Avenida Sá da Bandeira O desenho do monumento pertence a António Augusto Gonçalves. A simbologia é composta por um leão (realeza) e por uma coroa de louros (glória), ambos moldados em bronze. Completa-o uma coluna e um pedestal em pedra. Camões tem também estátua no Portugal dos Pequenitos.

CAMPAINHA DA BURRA – Tradição de culto e devoção aos santos mártires de Marrocos que remonta ao século XV. Uma burra, na qual se colocava um baú a simbolizar os restos mortais dos santos mártires, percorria a povoação levando uma campainha que era introduzida em cada casa e colocada pelo chefe de família em cima da cabeça de cada morador, dizendo: “em nome dos santos mártires de Marrocos, para que te dêem juizinho até à hora da morte”. Esta tradição, que remonta ao século XV, recorda a chegada a Coimbra, numa cavalgadura, dos santos mártires de Marrocos, anualmente reposta pelos frades de Santa Cruz. Os conimbricenses adoptaram esta manifestação de fé nos mártires de Marrocos, que veio a ter um cariz mais popular em Fala, onde ainda hoje se celebra, todos os anos em 15 de Janeiro, reposta pelo Grupo Regional de Danças e Cantares do Mondego (Cfr. Diário de Coimbra de 18 de Janeiro de 2003).

CAMPAS – Foram apenas referenciadas as campas em que foi possível indicar o nome do ocupante.
- De Afonso Martins na parte externa junto ao contraforte do ângulo NE dos claustros da Igreja da Sé Velha. Porcionário da Igreja de S. Pedro falecido a 23 de Outubro de 1288. A lápide está mutilada.
- De Álvaro Gil Cabral na Igreja da Sé Velha – Alcaide. Fica no primeiro tramo da nave esquerda junto à parede. A legenda está muito apagada.
- De Álvaro de S. Boaventura na Igreja da Sé Velha - Fica no cruzeiro da Igreja. Bispo de Coimbra e da Guarda.
- De André Anes na Igreja da Sé Velha – Chantre da Sé falecido a 3 de Setembro de 1345. De pedra negra e outrora incrustada de bronze, fica junto à porta ocidental. A lápide encontra-se no Museu Nacional de Machado de Castro.
- De António de Vasconcelos e Sousa na Igreja da Sé Velha - Fica na mesma campa do bispo D. João Mendes de Távora onde, por cima do letreiro referente a Vasconcelos e Sousa, esculpiram o sem brasão. A inscrição da campa está reproduzida no Inventário Artístico de Coimbra.
- De Duarte de Mello na Igreja da Sé Velha - Mestre-escola da Sé. Não se percebe a data do seu falecimento. Fica no primeiro tramo da nave direita.
- De Emanuel de Mello na Igreja da Sé Velha - Fica no primeiro tramo da nave direita, junto à campa de Duarte de Mello, mas junto à parede. É uma campa da Renascença com uma tarja ornamentada de motivos em S. O brasão, colocado ao centro, no meio de uma circular decorada com uma coroa leve de frutos e folhagens. A descrição do brasão e a inscrição estão reproduzidas no Inventário Artístico de Coimbra.
- De Francisco Pinto Pereira na Igreja da Sé Velha - Inquisidor e Deão da Sé falecido a 27 de Fevereiro de 1625. Fica no último tramo esquerdo em campa com um escudo esquartelado dentro de uma oval.
- De Gaspar Dias Velez na Igreja do Salvador - Talvez falecido a 29 de Março de 1540. A inscrição da campa está reproduzida no Inventário. Fica entre o degrau do altar e a entrada da capela Tem também uma inscrição de consagração fúnebre feita pelo filho António Velez. (CORREIA, Vergílio & Nogueira Gonçalves – Inventário Artístico de Portugal, Cidade de Coimbra, II, Lisboa, Academia Nacional de Belas Artes, 1947, pág. 29).
- De João Mendes de Távora na Igreja da Sé Velha – Esta campa fica ao centro do quadrado do cruzeiro da igreja.
- De João Soares na Igreja da Sé Velha - Fica em frente da capela do Sacramento. A pedra sepulcral, já bastante gasta, é de grandes dimensões. Da inscrição restam meia dúzia de letras.
- De Jorge de Almeida na Igreja da Sé Velha – A campa é de mármore branco e fica na capela de S. Pedro. Tem um grande brasão de armas, esquartelado de Almeidas e Silvas com chapéu e quatro filas de borlas em cada lado. A inscrição da campa está reproduzida no Inventário Artístico de Coimbra.
- De Maria Anes no quarto tramo da ala norte dos claustros da Igreja da Sé Velha – A lápide está fragmentada, não se conseguindo tirar mais informações além da data da sua morte ocorrida num dia 7 de Agosto.
- De Maria Pais no último tramo da ala norte dos claustros da Sé Velha, junto à escada interrompida – Apenas uma lápide da favorita do rei D. Sancho I na Corte de Coimbra, falecida em 17 de Setembro de 1194.
- De Martinho Gonçalves na Igreja da Sé Velha – Bispo de Coimbra falecido a 9 de Setembro de 1191. Fica no topo do braço Sul do transepto. A inscrição da campa está reproduzida no Inventário Artístico de Coimbra.
- De Martinho Martins no claustro da Igreja da Sé Velha – Falecido a 22 de Março de 1222. Fica na primeira capela da nave esquerda que outrora abrigava a escada de ligação com a igreja.
- De Pascásio Nunes na Igreja da Sé Velha – Arcedíago de Seia falecido em 2 de Outubro de 1290. Fica a seguir à porta de entrada do lado direito e tem uma grande inscrição reproduzida no Inventário Artístico de Coimbra.
- De Soeiro Pires no quinto tramo da ala norte dos claustros da Igreja da Sé Velha – Apenas uma lápide em que se consegue perceber o mês e dia do seu falecimento, ocorrido em 31 de Julho.
- De Vasco Domingues sobre um arco tumular do quarto tramo da ala norte dos claustros da Igreja da Sé Velha - Falecido a 7 de Janeiro de 1299.
- Dos viscondes de Vila Nova de Cerveira? – As armas da campa parecem ser dos viscondes de Vila Nova da Cerveira. Fica no fim do primeiro tramo da nave esquerda da Sé Velha, debaixo do arco divisório das naves. Não tem letreiro mas tem brasão de armas
(CORREIA, Vergílio & Nogueira Gonçalves – Inventário Artístico de Portugal, Cidade de Coimbra, II, Lisboa, Academia Nacional de Belas Artes, 1947, pág. 16).
ARTIGOS RELACIONADOS:
ALMEIDA, Jorge de; BOAVENTURA, Álvaro de S.; BRANCO, Afonso de Castelo; IGREJA DA SÉ VELHA; PAIS, Maria; SOARES, João; SOUSA, António de Vasconcelos; TÁVORA, João Mendes de; TÚMULOS.
BIBLIOGRAFIA:
1. CORREIA, Vergílio & Nogueira Gonçalves – Inventário Artístico de Portugal, Cidade de Coimbra, II, Lisboa, Academia Nacional de Belas Artes, 1947, pág. 16-20.

CAMPO DE SANTA CRUZ - Do lado norte, com entrada pela Av. Lourenço de Almeida Azevedo, fica o Campo de Santa Cruz. Desde a sua inauguração, em 23 de Fevereiro de 1918, até 6 de Fevereiro de 1949, data do último jogo realizado para provas oficiais, o recinto foi palco de tardes inesquecíveis da
Académica. Também o basquetebol teve, neste campo, tardes de glórea.