Os processos de produção de conteúdos noticiosos na RTP

Os Processos de Produção de Conteúdos Noticiosos Diários da RTP

na Era da Convergência Jornalística

Carlos Canelas (Unidade de Investigação para o Desenvolvimento do Interior

do Instituto Politécnico da Guarda / FCT)

carlos.canelas@ipg.pt

 

Abstract

In this era of journalism convergence, News Media are going trough times of change because this merge is bringing deep implications in the media organizations.  In this sense, this new implications are changing productions processes and distribution of journalism messages and in the reception of those messages by the audiences.

With this in mind, this communication has the main objective to present and to understand the several processes of production and distribution of informative messages in the daily news services on Portuguese Public Television [RTP].

Portuguese investigations about television journalism do not usually study the production processes of the news. Therefore, we think this communication can bring some contribution to this field.

 

Keywords

Journalistic convergence, portuguese public television, television journalism.

 

1. Contexto

Já há alguns anos a esta parte que os media noticiosos estão a passar por um processo de transformações que está a afectar as suas diversas dimensões, designadamente a tecnológica, a empresarial, a profissional, a dos conteúdos e a da relação com a audiência, sendo este processo denominado por convergência jornalística (Pavlik, 2001; Deuze, 2009; Salaverría, 2009).

Tal como fazem questão de realçar vários autores (Salaverría, 2003; 2009; Quinn, 2004, 2005; Dailey et al., 2005; Dupagne e Garrison, 2006; Silcock e Keith, 2006; Domingo et al., 2007; Deuze, 2008b; Micó et al., 2009, entre muitos outros), definir convergência noticiosa não é uma tarefa fácil de se concretizar, porque este conceito é considerado ambíguo (Salverría, 2003; 2009; Quinn, 2005), polissémico (Domingo et al., 2007; Micó et al., 2009; Salaverría, 2009), dinâmico (Dailey et al., 2005; García Avilés et al., 2009; Micó et al., 2009) e multidimensional (Dupagne e Garrison, 2006; Domingo et al., 2007).

A ambiguidade e a polissemia do conceito de convergência jornalística estão relacionadas com as inúmeras definições e interpretações provenientes tanto do campo profissional como do campo académico (Salaverría, 2003, 2009; Quinn, 2005; Dupagne e Garrison, 2006). Geralmente, para os profissionais dos media noticiosos, particularmente para os jornalistas, a palavra convergência é utilizada como sinónimo de “integração de redacções” (newsroom integration) ou “redacções integradas” (integrated newsroom). Dito por outras palavras, a convergência dos media noticiosos é entendida como a integração, concentração, fusão ou unificação de diferentes redacções jornalísticas (imprensa, rádio, televisão e web), por norma pertencentes ao mesmo grupo de media, num único espaço físico, com vista à partilha de recursos (financeiros, materiais, tecnológicos e humanos) (Dupagne e Garrison, 2006), tendo como objectivos principais o aumento da produção noticiosa, para “alimentar” as diversas plataformas de distribuição de conteúdos informativos, e a redução dos custos inerentes a esta produção (Quinn, 2005). A integração de redacções jornalísticas está a ser uma prática comum, um pouco por todo o mundo, em vários grupos de media (Huang et al., 2004, 2006; Quinn, 2004, 2005; Dailey et al., 2005; Domingo et al., 2007; Masip et al., 2007; Meier, 2007; García Avilés e Miguel Carvajal, 2008; Scolari et al., 2008; García Avilés et al., 2009; Micó et al., 2009).

No contexto académico, as definições sobre a convergência jornalística não costumam ser tão redutoras, sendo mais ricas, variadas e, por vezes, até divergentes (Singer, 2004; 2009; Jenkins, 2006; Domingo et al., 2007). Influenciada pela concepção do mundo profissional, uma parte da literatura académica define convergência informativa como a integração de redacções noticiosas. Porém, diversos autores tentaram apresentar definições que abrangessem as diversas dimensões da convergência noticiosa (Jenkins, 2004; 2006; Singer, 2004; Dailey et al., 2005; Domingo et al., 2007; Salaverría et al., 2008; Salaverría, 2008, 2009). Por exemplo, quando Henry Jenkins (2006) usa o termo convergência, está a referir-se ao fluxo de conteúdos distribuído através das diversas plataformas mediáticas, à cooperação entre múltiplos mercados mediáticos e ao comportamento migratório dos públicos dos meios de comunicação social. Para o autor, a convergência é uma palavra que está relacionada com transformações tecnológicas, empresariais, culturais e sociais (Jenkins, 2006).

Por sua vez, um grupo de 25 investigadores, oriundos de 12 universidades espanholas, onde se destacam os nomes de David Domingo, José Alberto García Avilés, Josep Micó, Ramón Salaverría, entre outros, que, durante os anos 2006 e 2009, participaram num projecto intitulado «Convergencia digital en los medios de comunicación», apresenta a seguinte definição sobre a convergência jornalística: é um processo multidimensional que, facilitado pela implementação generalizada das tecnologias digitais da informação e da comunicação, afecta o âmbito tecnológico, empresarial, profissional e editorial dos media noticiosos, propiciando uma integração de ferramentas, espaços físicos de trabalho, métodos de trabalho e linguagens que ainda há pouco tempo estavam separadas, de tal forma que os jornalistas produzem conteúdos noticiosos que são distribuídos através de multiplataformas, mediante as especificidades de linguagem de cada media noticioso (Domingo et al., 2007; Salaverría e García Avilés, 2008; Micó et al., 2009; García Avilés et al., 2009; Salaverría, 2009). Ramón Salaverría (2009) realça que nesta definição o que sobressai em primeiro lugar é o sentido de convergência como processo, ainda que reconheça que a grande parte das transformações verificadas nos media jornalísticos estejam relacionadas directamente com as questões tecnológicas.

Não obstante, a convergência noticiosa não deve ser interpretada como um mero processo tecnológico. Nesta perspectiva, diversos autores (Jenkins, 2006; Dailey et al., 2005; García Avilés, 2006a, 2006b, 2007b; Domingo et al., 2007; Salaverría e García Avilés, 2008; Salaverría, 2009) reconhecem a importância das tecnologias digitais no que diz respeito às transformações provocadas pela convergência jornalística, mas não a consideram como o único factor. Pese embora, o factor tecnológico esteja presente em todas as dimensões da convergência informativa (Salaverría, 2003; Domingo et al., 2007), este não deve ser considerado como o factor determinante das várias mudanças verificadas no campo dos media noticiosos (Dailey et al., 2005; Domingo et al., 2007; García Avilés, 2007b). Nesta linha, a convergência jornalística não deve ser compreendida como um processo tecnológico, mas como um processo que faz uso das tecnologias digitais para alcançar os seus objectivos. Tanto mais que a adopção das tecnologias digitais, por parte das empresas de media, está dependente de estratégias empresariais e profissionais (Domingo et al., 2007; García Avilés et al., 2009). Ainda sobre esta questão, José Alberto García Avilés (2006b) lembra que os media noticiosos não são empresas de tecnologias, mas organizações que produzem e difundem conteúdos jornalísticos. Nesta óptica, a tecnologia está ao serviço dos conteúdos e não o inverso.

Por outro lado, a tecnologia por si só não garante uma melhor qualidade dos conteúdos noticiosos. De qualquer forma, como destaca Stephen Quinn (2005), a convergência noticiosa pode ser uma excelente oportunidade para se produzirem melhor informação jornalística, uma vez que os órgãos noticiosos dispõem de novas ferramentas tecnológicas que, devidamente usadas, poderão aumentar a qualidade dos conteúdos noticiosos e adaptar os conteúdos a cada plataforma.

Nesta conjuntura, a televisão, não só na sua qualidade de meio informativo, está atravessar tempos de mudança. Tal como refere Francisco Rui Cádima (2008), o sector televisivo está a passar por uma fase de profundas reconfigurações, tanto no que diz respeito às dinâmicas de mercado como no que se refere aos consumos. Na actualidade, por exemplo, os conteúdos televisivos são difundidos, para além das formas convencionais (hertziana, cabo e satélite), através de multiplataformas digitais, como sejam: a TDT (Televisão Digital Terrestre); a IPTV (Internet Protocol Television); a Web TV ou a Mobile TV. Assim, a televisão encontra-se disseminada por diversos espaços e aparelhos (televisores [televisor convencional; LCD; Plasma; LED], computadores, telemóveis, smartphones, consolas de jogos, entre outros equipamentos fixos e portáteis), podendo ser visionada, pelos telespectadores, a qualquer hora, em qualquer lugar e a partir de diversas plataformas (Jenkins, 2006; García Avilés, 2007a). Por consequência, a própria experiência televisiva está a ser modificada (Obercom, 2009).

Ainda que a televisão esteja, nos últimos tempos, a perder alguma da sua audiência para os novos media, especialmente no que concerne às faixas etárias mais jovens (Deuze, 2008b; Quico, 2008), o pequeno ecrã continua a ser o media preferido da maior parte dos cidadãos (Brandão, 2006, 2010; García Avilés, 2007a), já que ver televisão é a única actividade partilhada por todas as classes sociais e por todos os grupos etários (Wolton, 1999). Aliás, visionar televisão é uma actividade quotidiana para quase totalidade da população mundial (Abreu, 2007). Então, tal como sublinha Dominique Wolton (1994), a televisão ocupa um lugar de destaque na vida das pessoas, quer pela informação quer pelo entretenimento que proporciona, constituindo-se como a principal janela aberta sobre o mundo. Neste seguimento, na opinião de Ignacio Ramonet (1999), a caixa que teve a capacidade de mudar o mundo não é apenas o principal media de entretenimento, mas é igualmente o principal meio de informação. Perante isso, como acrescenta Pierre Bourdieu (1997: 10), a televisão assume-se como o central meio noticioso, tendo uma «espécie de monopólio sobre a formação dos cérebros de uma parte muito importante da população». Apesar de crítico, Giovanni Sartori (2000) reconhece que o mérito particularmente consensual da televisão é o de informar, entendendo o termo informar como fornecimento de notícias. Neste sentido, para Nelson Traquina (2000), existe um crescente recurso às notícias televisivas, por parte dos indivíduos, como principal fonte de informação. O mesmo autor lembra que, para muitas pessoas, as notícias veiculadas pela televisão continuam a ser a principal e, por vezes, a única fonte de informação (Traquina, 2001).

Neste campo, o da informação televisiva, a convergência está a provocar inúmeros e importantes efeitos na dinâmica dos media jornalísticos televisivos, principalmente nas dimensões tecnológica, empresarial, profissional, dos conteúdos e da relação com as suas audiências. Daí, as redacções noticiosas das televisões estarem a passar por profundas transformações, na medida em que, por exemplo, as rotinas e as ferramentas de trabalho dos profissionais da informação noticiosa estão a ser redefinidas e, por conseguinte, os processos de produção de conteúdos noticiosos estão a sofrer diversas mutações. Estas alterações manifestam-se em todas as fases do processo produtivo jornalístico televisivo, nomeadamente na pesquisa, na concepção, na difusão e, por efeito, na recepção de conteúdos informativos (Pavlik, 2001; Deuze, 2004; Jenkins, 2006; Salaverría e García Avilés, 2008).

Seguidamente, iremos tecer algumas considerações acerca dos diversos processos de produção de conteúdos noticiosos veiculados diariamente pela RTP.

 

 

2. Os Processos Produtivos de Conteúdos Jornalísticos Diários na RTP

 

2.1. Metodologias

Os resultados e as conclusões expostas nesta comunicação científica resultam da realização de uma investigação empírica no âmbito da elaboração de uma dissertação de mestrado em Comunicação e Jornalismo, intitulada «A Edição de Vídeo no Jornalismo Televisivo: os profissionais da edição de vídeo da informação jornalística diária da RTP», desenvolvida sob a orientação científica da Professora Doutora Isabel Ferin, docente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, e sob a co-orientação do Professor Doutor Jacinto Godinho, docente do Departamento de Ciências da Comunicação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, cujo trabalho académico foi apresentado na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em 2008.

Muito embora a referida investigação tivesse como objectivos principais apresentar e descrever, em termos socioprofissionais, os indivíduos que, estando sediados em Portugal Continental, editam diariamente em vídeo a informação jornalística para os programas informativos diários dos canais de sinal aberto da RTP, ou seja, para os serviços noticiosos da RTP 1 e RTP 2, com a concretização deste trabalho académico, tivemos a oportunidade de identificar e compreender os vários processos de produção de conteúdos noticiosos da RTP. Deste modo, no que respeita aos métodos de recolha de dados, nesta investigação empírica usámos o inquérito por questionário, a entrevista e a observação directa. Os mencionados métodos de recolha de dados foram aplicados, pelo investigador, entre os meses de Julho e Agosto de 2007, a jornalistas, repórteres de imagem e editores de vídeo que, sediados nas redacções informativas localizadas em Portugal Continental, participam diariamente nos processos de produção de conteúdos informativos disseminados pela RTP.

Em relação às metodologias de tratamento e análise dos dados, usámos a análise estatística para os dados recolhidos através da aplicação do questionário e a análise de conteúdo para os dados obtidos pela realização das entrevistas e da observação directa.

 

 

2.2. Resultados e Conclusões

 

2.2.1. As Redacções Noticiosas da RTP sediadas em Portugal Continental

Os conteúdos noticiosos emitidos diariamente nos diversos programas informativos da RTP não são produzidos numa única redacção jornalística. Só em Portugal Continental, a RTP possui várias redacções noticiosas, dado que esta empresa pública é formada pela sede em Lisboa (RTP-Lisboa), pelo Centro de Produção do Porto (RTP-Porto) e pelas diversas delegações regionais distribuídas pelo resto do território continental, a saber: Viana do Castelo (RTP-Viana do Castelo); Bragança (RTP-Bragança); Vila Real (RTP-Vila Real); Coimbra (RTP-Coimbra); Viseu (RTP-Viseu); Guarda (RTP-Guarda); Castelo Branco (RTP-Castelo Branco); Évora (RTP-Évora) e Faro (RTP-Faro). Com esta distribuição, a RTP, na sua qualidade de prestadora de serviço público, procura garantir uma cobertura noticiosa total do território continental. 

            Ainda no que se refere às delegações regionais da RTP, elas estão segmentadas em Centros Regionais Comuns (CRC), Centros de Informação Regional (CIR) e Unidades de Produção e Informação (UPI). Neste sentido, a RTP-Coimbra e a RTP-Faro estão incluídas nos CRC, a RTP-Bragança, a RTP-Castelo Branco e a RTP-Évora são consideradas CIR, e a RTP-Viana do Castelo, a RTP-Vila Real, a RTP-Viseu e a RTP-Guarda são UPI. Por norma, os CRC e os CIR dispõem, nas respectivas redacções noticiosas, de três ou quatro jornalistas e de três ou quatro repórteres de imagem. Por sua vez, as redacções jornalísticas das UPI contam apenas com dois profissionais da informação, ou seja, um jornalista e um repórter de imagem. Para além disso, as UPI estão subordinadas à RTP-Porto, ou aos CRC ou aos CIR, isto é, a RTP-Viana do Castelo depende da RTP-Porto, a RTP-Vila Real está subordinada à RTP-Bragança, a RTP-Viseu depende da RTP-Coimbra e, por último, a RTP-Guarda está subordinada à RTP-Castelo Branco. Obviamente, que a RTP-Porto e as delegações regionais da RTP estão dependentes da RTP-Lisboa.

Nestas redacções da RTP, os diversos processos de produção de conteúdos informativos são orientados por equipas compostas por diferentes profissionais. Assim, embora haja outros tipos de profissionais de informação noticiosa, como por exemplo os coordenadores das editorias e dos programas informativos, nas redacções da RTP-Lisboa e RTP-Porto, os conteúdos noticiosos são produzidos por equipas constituídas, na grande parte dos casos, por três tipos de profissionais, mais concretamente por jornalistas, repórteres de imagem e editores de vídeo, ou seja, uma equipa de reportagem é formada por um jornalista, um repórter de imagem e um editor de vídeo. Por seu turno, os conteúdos informativos elaborados nas redacções das delegações regionais da RTP são, habitualmente, concebidos por equipas compostas por dois elementos, isto é, por um jornalista e por um repórter de imagem. Isto não significa que, por vezes, as equipas que prepararam os conteúdos jornalísticos não sejam formadas por mais ou menos indivíduos. A título de exemplo, não raras vezes, um profissional de design gráfico produz elementos gráficos a serem incluídos no conteúdo noticioso.

Os jornalistas, que laboram nas redacções da RTP-Lisboa e RTP-Porto, estão distribuídos por editorias, como sejam: sociedade, política, economia, desporto, artes, internacional, entre outras. Desta forma, os jornalistas são especializados, ou pelo menos costumam trabalhar, em determinadas áreas temáticas. Pelo contrário, os jornalistas, que exercem a sua actividade profissional nas delegações regionais da RTP, são generalistas, dito por outros termos, estes indivíduos concebem conteúdos informativos de diversas áreas temáticas. Esta realidade deve-se, em muito, ao número reduzido de recursos humanos afecto às delegações regionais da RTP. Ainda sobre o papel dos jornalistas no processo de produção de conteúdos jornalísticos diários, estes são os chefes da equipa, sendo, desta maneira, os responsáveis pelos conteúdos noticiosos produzidos.

Por sua parte, o repórter de imagem é um profissional que possui como principal função/ tarefa recolher a matéria-prima, quer dizer, o material audiovisual em bruto que vai ser usado na produção dos conteúdos noticiosos. O referido profissional, para concretizar esta função/ tarefa, faz uso de uma câmara de vídeo, de um tripé e de outros equipamentos, como seja um microfone. Os repórteres de imagem da RTP-Lisboa e uma parte dos repórteres de imagem da RTP-Porto utilizam câmaras de vídeo que usam como suporte de gravação uma cassete denominada BETACAM SX. Os restantes repórteres de imagem da RTP-Porto e todos os repórteres de imagem das delegações regionais da RTP dispõem de câmaras de vídeo que registam o material audiovisual em bruto em cassetes designadas por DVCAM.

            A respeito do material audiovisual em bruto utilizado na produção de conteúdos noticiosos, importa ainda esclarecer que há conteúdos jornalísticos que são elaborados com recurso a outro tipo de material audiovisual, nomeadamente: o disponibilizado pelas agências noticiosas; o arquivo; o grafismo; a infografia; as imagens cedidas por outras estações de televisão, tanto nacionais como internacionais; as imagens resultantes de uma realização televisiva, como por exemplo o registo de um jogo de futebol ou de uma entrevista. Em casos excepcionais também é usado material audiovisual amador. Por último, uma fonte que começou ainda há muito pouco a ser utilizada é a internet, vídeo e imagens disponibilizados através deste meio. Estes recursos costumam ser mais utilizados nas redacções da RTP-Lisboa e RTP-Porto.

            Ainda nestas duas redacções, os repórteres de imagem só efectuam a recolha do material audiovisual em bruto a ser usado na produção da informação televisiva. No entanto, quando estes profissionais são destacados para efectuarem uma cobertura noticiosa no estrangeiro, algo que acontece com bastante regularidade, para além de captarem as imagens e o respectivo áudio, também efectuam, com a colaboração do jornalista, a edição de vídeo.

Por seu lado, os repórteres de imagem, que estão sediados nas delegações regionais da RTP, para além de serem os responsáveis pela captação audiovisual, também executam a função/ tarefa de editar em vídeo, cuja função/ tarefa nas redacções da RTP-Lisboa e RTP-Porto é desempenhada por outro grupo de profissionais, ou seja, pelos editores de vídeo.

A edição de vídeo, também designada por edição de imagem ou montagem, é uma das etapas mais importantes do processo de produção da informação jornalística, visto que é nesta etapa que o material audiovisual em bruto captado pelo(s) repórter(es) de imagem  e o texto elaborado (antes ou depois da selecção e ordenação das imagens) pelo jornalista, resultante do trabalho de pesquisa (ex.: consulta de fontes de informação), se conjugam e ganham sentido. Tanto mais que é através das operações técnicas e estéticas realizadas pelo responsável da edição de vídeo que os conteúdos informativos ganham a forma que os telespectadores vêem (Cabral, 2008). Por efeito, a edição de vídeo tem um impacto na informação televisiva, no sentido em que ela «(…) envolve a selecção de certos fragmentos filmados de um assunto e o seu arranjo numa ordem que aparente uma representação coerente de um acontecimento. O mesmo conjunto de imagens pode, contudo, apresentar diferentes visões coerentes, dependendo da forma como forem editadas» (Epstein, 1973: 174, apud Souto, 2002: 116).

Nas redacções da RTP-Lisboa e RTP-Porto, ainda que os jornalistas comecem a desempenhar, cada vez com maior frequência, a função/ tarefa de editar em vídeo os seus conteúdos informativos, a grande parte da informação noticiosa diária veiculada pela RTP nos seus diversos espaços noticiosos continua a ser editada pelos editores de vídeo, sendo esta classe profissional designada, na RTP, por editores de imagem.

Ainda a propósito das redacções da RTP-Lisboa e RTP-Porto, tal como já foi esclarecido, os repórteres de imagem, que estão sediados nestas duas redacções, só efectuam o registo audiovisual, mas quando são destacados, por exemplo, para o estrangeiro como enviados especiais, editam em vídeo os conteúdos noticiosos.

No caso das redacções das delegações regionais da RTP, a função/tarefa de editar em vídeo a informação jornalística é concretizada, por regra, pelos repórteres de imagem. Todavia, como excepção a esta regra, na redacção da RTP-Vila Real, é o próprio jornalista que exerce esta função/ tarefa.

No que concerne aos sistemas de edição de vídeo usados na produção de conteúdos noticiosos da RTP, verificámos que as redacções da RTP-Lisboa e RTP-Porto dispõem de sistemas de edição não-linear de vídeo e as redacções das delegações regionais da RTP contam com sistemas de edição linear de vídeo. Os sistemas de edição de vídeo podem ser lineares e não-lineares. A denominação linear resulta, por um lado, do modo como o profissional da edição de vídeo tem acesso ao material audiovisual em bruto e, por outro lado, da forma como este vai ser ordenado na versão final. Como o processo técnico de edição de vídeo passa pela selecção e ordenação de planos, o responsável pela edição necessita de visionar o material audiovisual em bruto captado pelo(s) repórter(es) de imagem  para conseguir definir quais os planos que vai utilizar e qual a ordem que estes terão no produto final. Este ponto, o do acesso ao material audiovisual, é uma das principais diferenças entre os dois sistemas de edição de vídeo. Enquanto nos sistemas de edição linear de vídeo para se visionar o plano C é obrigatório passar, primeiramente, pelos planos A e B, no caso dos sistemas de edição não-linear de vídeo, se o profissional responsável pela edição de vídeo tiver conhecimento prévio da localização do plano C, consegue localizá-lo de uma forma instantânea sem ter a necessidade de passar pelos planos que o antecedem. A edição electrónica, tendo por base a fita de vídeo, é o exemplo da edição linear de vídeo. Tal como clarifica Herbert Zettl (2006), todos os sistemas de edição que utilizam fita de vídeo são lineares, independentemente da informação estar gravada em sinal analógico ou digital. Por sua vez, o surgimento da edição não-linear de vídeo está relacionado com os recursos disponibilizados pelos computadores. Esta designação decorre da possibilidade que as imagens têm de serem processadas de modo aleatório, já que se encontram gravadas no disco duro do computador ou em discos ópticos.

Quando o jornalista e o repórter de imagem regressam às redacções da RTP-Lisboa e RTP-Porto, após a recolha do material audiovisual em bruto, o material contido na(s) cassete(s) de vídeo, quer seja em BETACAM SX ou DVCAM, é copiado para os “servers”, também denominados por servidores de vídeo, nomeados na RTP por AGS. Consequentemente, como a captação audiovisual é efectuada em fita de vídeo, a cópia do material audiovisual em bruto para os servidores de vídeo é realizada em tempo real, ou seja, se foram registados 30 minutos de material audiovisual em bruto, o processo de cópia irá demorar os 30 minutos. Na actualidade, as cassetes de vídeo utilizadas nas reportagens noticiosas já não vão paras as salas de edição das redacções da RTP-Lisboa e RTP-Porto, na medida em que os indivíduos que efectuam a edição de vídeo acedem, a partir de um computador, ao material audiovisual em bruto disponibilizado nos servidores de vídeo e a edição é executada recorrendo a um sistema de edição não-linear de vídeo, isto é, através de software. Esta prática apresenta grandes vantagens, tais como: a partir do momento em que o material audiovisual em bruto esteja alojado no servidor de vídeo, este está convertido num ficheiro digital de vídeo e, deste modo, o acesso às imagens e ao respectivo áudio pode ser feito de forma aleatória, facilitando a localização dos planos que se pretendem utilizar no conteúdo noticioso; outra grande vantagem é que vários editores de vídeo podem simultaneamente ter acesso ao(s) mesmo(s) ficheiro(s) de vídeo, ou seja, mais do que um profissional pode estar a trabalhar com o mesmo material audiovisual em bruto; como os servidores de vídeo estão ligados em rede, os editores de vídeo da RTP-Lisboa podem aceder aos servidores de vídeo da RTP-Porto e vice-versa. Também não nos devemos esquecer que os sistemas de edição não-linear de vídeo permitem ao editor realizar mais experimentações de edição sem, contudo, necessitar que este disponibilize muito mais tempo para a edição e sem esquecer que estes mesmos sistemas proporcionam ferramentas de edição que os sistemas de edição linear de vídeo não possuem, especificamente maior flexibilidade na manipulação da imagem, mais efeitos de transição de planos, maior quantidade de efeitos de vídeo, entre outros aspectos. Outra vantagem relevante diz respeito ao facto de o próprio jornalista poder visionar, a partir do seu computador, o material audiovisual que está depositado nos servidores de vídeo, e poder fazer a edição off-line, ou seja, poder anotar a indicação das entradas e saídas de planos, de forma a facilitar a edição on-line. Por último, a interligação dos servidores de vídeo de edição aos de emissão evita a maçadora operação de cópia para cassetes e respectivo transporte manual até à régie de produção, onde está a ser realizado o programa informativo, e posteriormente passagem à régie de continuidade de emissão (Henriques, 2002). 

No caso das redacções das delegações regionais da RTP, depois da recolha do material audiovisual em bruto e de o jornalista escrever o texto que irá dar origem à voz-off do conteúdo noticioso, o repórter de imagem, contando com a colaboração e participação do jornalista, edita em vídeo, usando para o efeito, tal como já foi esclarecido, um sistema de edição linear de vídeo. Assim sendo, as salas de edição possuem o seguinte equipamento audiovisual: um leitor/reprodutor de vídeo DVCAM, um gravador de vídeo DVCAM, cassetes DVCAM [a(s) cassete(s) que contem o material audiovisual em bruto e a cassete onde se vai montar a peça], um leitor/gravador BETACAM SX, caso seja necessário reproduzir ou gravar neste formato de vídeo digital. Geralmente, o material audiovisual que provém do arquivo da RTP vem gravado numa cassete BETACAM SX. E também não nos devemos esquecer que o outro suporte de gravação usado pela RTP, principalmente pelos repórteres de imagem da RTP-Lisboa e uma parte dos repórteres de imagem da RTP-Porto, é o formato de gravação digital BETACAM SX. Para além do equipamento audiovisual mencionado, fazem ainda parte: dois monitores de vídeo, um controlador de vídeo, um microfone, um conjunto de colunas de áudio, uma mesa de mistura de áudio e um leitor de CD de áudio.

Na RTP-Lisboa estão disponíveis sete salas dedicadas à edição de vídeo da informação diária e, para além disso, os computadores utilizados pelos jornalistas têm instalado um software de edição de vídeo, disponibilizando as ferramentas básicas de edição. Na RTP-Porto existem quatro salas e, tal como acontece na RTP-Lisboa, os computadores dos jornalistas possuem instalado um programa informático de edição de vídeo. No que toca às redacções das delegações regionais da RTP, apurámos que nos CRC e nos CIR há três salas ou espaços para a edição de vídeo dos conteúdos informativos e uma sala no caso das UPI.

 

2.2.2. Os Conteúdos Noticiosos Diários Produzidos na RTP

Os conteúdos noticiosos transmitidos nos programas noticiosos diários da RTP podem assumir diversas formas, ainda que a forma mais habitual seja a de peça noticiosa e/ou reportagem jornalística. Desta maneira, para além da forma mencionada, os conteúdos informativos podem possuir a forma de off, boca e falso directo.

Conforme sublinha Fernando Cascais (2001), a reportagem jornalística é o género noticioso principal do jornalismo, através do qual a equipa de reportagem, e não somente o jornalista, procura transmitir aos telespectadores a informação e a impressão que colheu em contacto com os acontecimentos que relata. Na RTP, a maioria deste tipo de conteúdo informativo possui uma duração compreendida entre um minuto e meio e os dois minutos. Tal como já foi realçado, a produção de uma peça noticiosa e/ou reportagem jornalística é, nas redacções da RTP-Lisboa e RTP-Porto, executada por uma equipa de três elementos: um jornalista, um repórter de imagem e um editor de vídeo. Isto não quer dizer que, por vezes, a equipa não seja menor ou maior. Cabe ao jornalista chefiar a equipa, ao repórter de imagem compete a recolha do material audiovisual em bruto, e o editor de vídeo, com a colaboração do jornalista, tem por função/ tarefa editar em vídeo o conteúdo noticioso.

Nas redacções das delegações regionais da RTP, este tipo de conteúdo informativo é elaborado por uma equipa de reportagem composta, normalmente, por dois elementos, isto é, um jornalista e um repórter de imagem. Para além de efectuar a captação audiovisual, compete também ao repórter de imagem a realização da edição de vídeo do conteúdo jornalístico. No caso particular da redacção da RTP-Vila Real, a equipa noticiosa é, também, constituída por dois elementos, mas a edição de vídeo é da responsabilidade do jornalista.

Outro tipo de conteúdo produzido é o off, também denominado por off 2, porque o termo off é igualmente utilizado para designar a voz-off. O off deve ser entendido como uma sequência de imagens com o respectivo som ambiente, tendo, em regra, uma duração compreendida entre os 20 e os 50 segundos, em que a narração é feita, a partir do estúdio, pelo jornalista apresentador, também chamado pivot, do programa informativo. Esta prática é muito usual nos serviços informativos diários da RTP, especialmente nos da RTP N. Este tipo de conteúdo noticioso, quer seja de caris nacional ou de caris internacional, é produzido, habitualmente, nas redacções da RTP-Lisboa e RTP-Porto, cuja edição de vídeo poderá ficar a cargo dos editores de vídeo ou, cada vez com maior incidência, dos próprios jornalistas.

Outra forma que pode assumir o conteúdo informativo diário é quando um depoimento é introduzido pelo pivot, a esta prática denomina-se por boca. Neste caso, não há desenvolvimento da notícia, o jornalista apresentador do programa noticioso faz o lançamento e termina com a referida boca, ou seja, com o depoimento. Tal como o tipo anterior, este conteúdo é, geralmente, elaborado nas redacções da RTP-Lisboa e RTP-Porto pelos editores de vídeo e, cada vez com maior frequência, pelos jornalistas.

Ainda outra situação que se pode verificar na informação televisiva diária tem a ver com uma prática que se chama de falso directo, consistindo em gravar um acontecimento como se fosse transmitido em directo, contando para o efeito com uma equipa de realização, para ser transmitido em deferido. Quando não há nenhuma equipa de realização disponível, um ou mais repórteres de imagem captam o material audiovisual que, posteriormente, será editado em vídeo, mantendo sempre a sensação de que se trata de um directo. Aquando da sua difusão, o jornalista apresentador do programa informativo introduz a reportagem como se fosse um directo. De tal forma que os telespectadores julgam que o que estão a ver está a ser emitido em directo. Esta prática é utilizada com frequência no programa informativo Portugal em Directo.

Se bem que a RTP possua diversas delegações internacionais, por consequência vários correspondentes no estrangeiro, muitos dos conteúdos noticiosos de caris internacional são produzidos nas redacções da RTP-Lisboa e RTP-Porto. Neste caso específico, o material audiovisual em bruto não é captado pelos repórteres de imagem da RTP, mas é disponibilizado por agências noticiosas internacionais, tais como a Reuters ou a Eurovisão, e é editado pelos editores de vídeo da RTP-Lisboa e RTP-Porto com a colaboração dos jornalistas. Em muitas ocasiões, este tipo de conteúdo informativo é editado em vídeo exclusivamente pelos jornalistas.

Por seu turno, nas redacções das delegações regionais da RTP raramente se produzem conteúdos informativos de caris internacional, exceptuando nas delegações que se encontram localizadas perto da fronteira com Espanha, que esporadicamente deslocam-se ao país vizinho.

 

2.2.3. A Emissão dos Conteúdos Noticiosos Produzidos nas Redacções da RTP

Na qualidade de televisão generalista de sinal aberto, os programas noticiosos diária emitidos pela RTP são constituídos, na RTP 1, pelo Bom Dia Portugal, espaço informativo com início às 6h30m e término às 10h00, pelo Jornal da Tarde, serviço noticioso com início às 13h00, terminando por volta das 14h10m, pelo Portugal Directo, programa de informação regional com uma duração aproximada de 60 minutos, começando às 18h00, e pelo Telejornal, com início às 20h00, tendo uma duração de cerca de uma hora. Na RTP 2, os conteúdos jornalísticos são veiculados diariamente no espaço noticioso denominado Jornal 2, com início às 22h00, tendo uma duração aproximada de 40 minutos. Exceptuando o programa informativo Portugal em Directo, que é difundido de segunda a sexta-feira, os restantes programas noticiosos são transmitidos diariamente, incluindo aos fins-de-semana. Relativamente ao primeiro programa informativo do dia, o Bom Dia Portugal, aos fins-de-semana, inicia-se às 8h00, terminando às 10h30.

Os programas jornalísticos Bom Dia Portugal, Portugal em Directo, Telejornal e o Jornal 2 são radiodifundidos a partir da RTP-Lisboa, enquanto o Jornal da Tarde é apresentado a partir da RTP-Porto.

Com a realização da presente investigação empírica, apurámos que a redacção da RTP-Lisboa concebe mais conteúdos noticiosos para serem emitidos no Telejornal e, logo de seguida, no Jornal 2.

Por seu lado, os conteúdos jornalísticos produzidos na redacção da RTP-Porto são difundidos com maior frequência no Jornal da Tarde e uma parte destes conteúdos são “repescados” para o Telejornal, tomando assim o segundo lugar.

No caso das redacções das delegações regionais da RTP, exceptuando as redacções da RTP-Coimbra e RTP-Viana do Castelo, cujos profissionais referiram que os seus conteúdos informativos passam com maior frequência no Jornal da Tarde e, de seguida, no Telejornal, os profissionais das restantes delegações regionais da RTP, de uma forma geral, assinalaram que os conteúdos informativos são transmitidos em maior número no programa Portugal em Directo. Para os mesmos, o Jornal da Tarde é o segundo programa noticioso diário onde os seus conteúdos são disseminados com maior frequência.

Em relação ao espaço jornalístico diário onde os conteúdos informativos produzidos nas redacções das delegações regionais da RTP são veiculados com menor frequência, todas as redacções estão de acordo, é no Jornal 2.

Para além dos espaços noticiosos abordados, os conteúdos jornalísticos produzidos nas diversas redacções jornalísticas da RTP são retransmitidos na RTP N, canal temático de caris noticioso da RTP de acesso condicionado, e noutros canais da RTP, tal como a RTP Internacional e/ou a RTP África, bem como a maioria destes conteúdos está disponível no website da RTP.

 

 

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