O Rei David


7 lições sobre a segunda parte da vida de David. Completo com versículos para decorar.

1

David Se Esconde do Rei Saul

I Samuel 21:24

 

Versículo: Salmo 12:6  “As palavras do Senhor são palavras puras, como prata refinada numa fornalha de barro, purificada sete vezes.”

 

     O rei Saul percebera que David era a escolha de Deus para sucedê-lo no trono de Israel, mas ele não aceitava a idéia e reagiu. Portanto, ficou loucamente ciumento de David, sabendo que, enquanto David vivesse, ninguém da própria família de Saul seria rei. Saul resolveu matar a David, de sorte que David teve de fugir e esconder-se para a sua própria segurança.

     Depois que Jónatas avisou David de que sua vida corria grrande perigo, David fugiu para Nobe, onde estava o Tabernáculo.

 

Aimeleque dá a David o pão sagrado e a espada de Golias

 

     Quando Aimeleque, o sumo sacerdote, viu a David, alarmou-se. Tremendo, perguntou-lhe: “Por que estás sozinho, desacompanhado?”

     David não queria que ninguém soubesse que ele estava a fugir do rei Saul, para não correr o risco de que o rei fosse informado de seu paradeiro. Por isso ele disse que estava em cumprimento de missão secreta sobre a qual nada podia dizer. E pediu ao sumo sacerdote Aimeleque que lhe desse pão.

     Aimeleque disse que só havia o pão sagrado para a mesa do pão dapropiciação no Tabernáculo. Como estava com muita fome, David disse: “Dá-me esses pães da proposição.”

     O sacerdote respondeu: “Tendo em vista que não temos pão comum e considerando que estãs em missão especial, acho que posso te dar desse pão sagrado.”

     David tinha outro pedido a fazer, pelo que perguntou a Aimeleque: “Tens uma lança ou uma espada que eu possa usar? O negócio do rei é tão urgente e saí com tanta pressa que não trouxe arma alguma!”

     “Bem,” respondeu o sacerdote, “Tenho a espada de Golias, o gigante que tu mataste. Leva-a se queres, pois é só o que tenho.” David pegou a espada de Golias e se sentiu encorajado ao se lembrar de como o Senhor estivera com ele e o ajudara a matar o gigante Golias.

     Aconteceu naquele dia que uma pessoa viu e ouviu essa conversa, era o pastor-chefe de Saul, de nome Doegue. Veremos mais tarde que ele não só tinha visto David e ouvido a conversa como iria contar a Saul o facto.

     David deixou Aimeleque e o Tabernáculo. Sem saber onde esconder-se, foi para o país dos filisteus, achando que com certeza Saul não o procuraria no território do inimigo. Foi para Gate, onde Aquis governava, mas logo descobriu que não estaria seguro naquela cidade. Finalmente David escapou e regressou a Israel. Sempre havia o perigo de que o rei Saul o encontrasse, de modo que David tinha de continuar a achar outros lugares onde pudesse se esconder do rei.

  

 

Os que estavam em apuro vêm a David

 

Depois que saiu de Gate, David se dirigiu para um deserto seco, isolado, cheio de cavernas profundas e escuras. Uma dessas cavernas, a de  Adulam, se tornou o esconderijo de David. Quando se espalhou a notícia em Israel que David se escondia naquelas paragens muitos homens que estavam com problemas por causa de dívidas e outros aperreios vieram juntar-se a ele. De facto, seus próprios irmãos vieram ter com ele, porque sabiam que o rei Saul poderia atentar contra a vida deles também. O número foi aumentando até que finalmente chegou a uns seiscentos homens que formaram um pequeno exército capitaneado por David. Era um grupo de homens rudes, duros de roer, como se diz. Mas David falou-lhes do Deus vivo e muitas vezes cantava para eles cânticos sobre o cuidado e o amor de Deus. Respeitavam a David e de boa vontade seguiam sua liderança.

     Depois de certo tempo o rei Saul trouxe seus soldados e começou a fazer buscas na área atrás de David. Era quase como uma brincadeira de esconde-esconde, com David e seus homens se escondendo de Saul e seu exército.

     Um dia o profeta Gade disse a David para deixar a caverna de Adulam e voltar para a terra de Judá.

 

Doegue conta a Saul o encontro de David com Aimeleque

 

     Não demorou e o rei Saul ficou sabendo do paradeiro de David. O rei estava em Gibeá nessa ocasião, sentado sob um carvalho, com a lança na mão, cercado por seus servos. Saul disse a eles: “Escutem aqui, homens de Benjamin! Por que nenhum de vocês me contou sobre os esconderijos de David? O que ele pode fazer por vocês? Será que ele pode dar-lhes terras e vinhedos, e fazê-los capitães de seu exército? É por isso que vocês estão contra mim? Nenhum de vocês me disse que meu próprio filho Jónatas está do lado de David! Meu próprio filho encorajando o povo a apoiar meu inimigo David.”

     Então Doegue, o pastor, que escutava, deu ousadamente um passo à frente e disse ao rei: “Quando eu estava na cidade de Nobe, vi David no Tabernáculo falando com o sumo sacerdote Aimeleque, que lhe deu comida e também a espada de Golias, o filisteu.”

     Saul ficou furioso quando ouviu isso. Zangou-se porque Aimeleque, o sumo sacerdote, tinha ajudado a David, por pequena que fosse a ajuda. Portanto, Saul mandou buscar no Tabernáculo o sumo sacerdote, sua família, bem como todos os sacerdotes que moravam em Nobe, ordenando-lhes que viessem ter com ele imediatamente.

 

Saul acusa Aimeleque

 

     Quando Aimeleque, trajado com as vestes de sumo sacerdote, compareceu ao chamado, o rei Saul fez com que Doegue testemunhasse contra ele, acusando-o e a todo o povo de conspirarem contra ele, o rei. “Tu, filho de Aitube, por que tu e David conspiraste contra mim? Por que deste a David comida e uma espada? Tu o ajudaste a conspirar contra mim!”

     O sumo sacerdote Aimeleque ficou surpreso com a ira do rei. Não tinha a menor idéia de que havia problema entre o rei Saul e David, um herói nacional de Israel. “Ó rei, quem de todos os teus servos é mais leal do que David? Ele é teu genro e capitão de tua guarda pessoal. Quem na tua corte goza de tanto respeito? Por favor, não acuses o teu servo ou qualquer família do teu servo, porque ignoramos que haja qualquer desentendimento entre ti e David.”

     Saul, irado, não quis escutar os argumentos do sumo sacerdote. O despeito em seu coração de tal modo o enfurecera que ele não podia raciocinar com clareza. Ele gritou: “Tu morrerás, Aimeleque, juntamente com toda a tua família!” A Saul não importou que os sacerdotes fossem os servos escolhidos de Deus. Ordenou aos soldados: “Matem esses sacerdotes porque são conspiradores juntamente com David; sabiam que David fugira de mim, mas não me informaram que ele passou aqui!”

     Os soldados presentes hesitaram, dizendo: “Não podemos matar os sacerdotes do Senhor.”

     Então Saul virou-se para seu pastor-chefe, que não era israelita mas um edomita, e disse: “Tu, mata-os!”

     Então Doegue sacou sua adaga e atacando os 85 sacerdotes, matou-os todinhos. Em seguida Doegue partiu para Nobe para matar também a família dos sacerdotes que acabara de matar por ordem de Saul. Somente Abiatar, um dos filhos de Aimeleque, pode escapar da adaga de Doegue, fugindo ao encontro de David.

 

Abiatar conta a David as novidades

 

     Quando Abiatar contou a David que Saul mandou matar o sumo sacerdote e sua família, David ficou horrorizado. David sabia que essa tragédia atroz foi resultado do orgulho egoísta de Saul. Com pesar, comentou: “No dia em que vi Doegue no Tabernáculo, soube que ele iria contar a Saul. Sinto-me como se estivesse causado a morte de toda a família de teu pai e sinto isso profundamente. Se ficares aqui comigo, vou proteger-te com minha própria vida.” Anos mais tarde Abiatar se tornaria o sumo sacerdote e seria fiel a David por toda a sua vida.

     O rei Saul continuou a caçar a David, dia após dia, no deserto para matá-lo. Seguiam-lhe as pegadas constantemente, tornando a vida muito difícil para David e seus homens, que se escondiam nas florestas, nas montanhas e nas cavernas do deserto. Sem dúvida David, enquanto se mantinha em fuga e es escondendo, deve ter pensado consigo mesmo: “Até quando esse jogo de esconde-esconde vai continuar?”

 

2

David Poupa a Vida de Saul

  

Versículo: Salmo 57:1 “Compadece-te de mim, ó Deus, compadece-te de mim, pois em ti se refugia a minha alma; à sombra das tuas asas me refugiarei, até que passem as calamidades.”

 

David ora a Deus

      David tinha o hábito da oração e agora que vivia se escondendo nas cavernas, dia após dia, continuava a buscar a Deus diariamente para obter auxílio. Embora estivesse cansado de tanto fugir e esconder-se como um animal perseguido, a confiança de David no Senhor nunca foi abalada. Alguns de seus mais lindos cânticos foram escritos enquanto Saul o perseguia. Na grande e escura caverna de Adulam, cercado de homens, David clamou a Deus: “Tem misericórdia de mim, ó Deus, ...porque minha alma confia em Ti: sim, na sombra de tuas asas farei o meu refúgio, até que passem essas calamidades... ele enviará desde os céus e me salvará do opróbrio daquele que me quer devorar... Eu Te louvarei, ó Senhor, entre os povos; eu Te louvarei entre as nações” (Salmo 57).

     David aprendera a levar as suas preocupações e necessidades ao Senhor em oração. Quando não sabia o que fazer ou para onde ir – se devia mudar-se de um esconderijo para outro – ele aprendera a pedir a orientação de Deus e o Senhor o guiava.

     Repetidamente Deus protegia a David. Numa cidade de nome Queila, os filisteus atacaram e roubaram os cereais dos seus habitantes. David e seus homens souberam que os filisteus estavam roubando os celeiros daquela gente, e orou a Deus pedindo orientação sobre o que fazer a respeito. Deus então lhe disse que ajudasse o povo de Queila, mas os homens de David acharam que era perigoso demais para eles atacarem o exército filisteu. Por isso David orou de novo e Deus deu aos homens de David coragem para acompanhá-lo. Eles derrotaram os filisteus e assim salvaram o povo de Queila do desastre.

     Entretanto, Saul ficou sabendo que David estava dentro dos muros da cidade de Queila e pensou: “É agora a minha oportunidade de capturar David, pois ele está numa armadilha.”

     Quando David soube que Saul estava a vir, ele perguntou ao Senhor se não havia perigo se ele e seus homens ficassem na cidade de Queila. Deus respondeu: “Os homens de Queila te entregarão a Saul.” Com esse aviso do Senhor, David e seus soldados deixaram Queila imediatamente e se esconderam num bosque espesso.

 

David e Jónatas no deserto de Zife

      Um dia, quando se achava no meio do deserto, Deus deu a David grande encorajamento. Jónatas, seu melhor amigo, embora correndo grande perigo, veio vê-lo. Esse encontro foi maravilhoso! Quanto tinham para conversar! Jónatas o confortou dizendo: “Não temas, pois meu pai nunca te encontrará! Eu sei que serás o próximo rei de Israel e eu serei contigo o segundo. Meu pai também sabe disso.” Foi bom para David saber que Jónatas também tinha percebido que era a vontade de Deus que David fosse o próximo rei de Israel. Jónatas era leal a Deus e a seu amigo David. David e Jónatas renovaram a sua promessa de amizade e se despediram. Seria esta a última vez que se veriam.

 

Saul fica sabendo onde fica o esconderijo de David

      Saul continuou a perseguir David sem tréguas. Gente das proximidades do local de esconderijo de David queria ganhar a simpatia do rei, de sorte que alguns foram a Saul e lhe disseram exactamente onde David e seus homens se escondiam, oferecendo-se inclusive, para levar Saul ao próprio local. Satisfeitíssimo, Saul lhes disse: “Ide novamente e verificai o local do seu esconderijo; volta então e dai-me um relatório definitivo. Eu o acharei nem que isso me custe a vida!”

     Mas as notícias de que Saul estava a caminho do esconderijo de David espalharam e David, sabedor dos passos de Saul, pegou seus homens e se aprofundaram mais no deserto. Saul o perseguiu com mais ímpeto. Saul e seus homens estavam de um lado da montanha e David e seus homens se encontravam do lado oposto da mesma montanha. Parecia que Saul estava para surpreender a David e pegá-lo quando chegou um mensageiro a Saul com a notícia de que os filisteus tinham invadido Israel outra vez.

 

David se esconde numa caverna

      David, mais uma vez em segurança por uns tempos, foi morar nas cavernas de Engedi. Quando terminou com os filisteus, Saul se pôs outra vez a perseguir David com três mil homens de seu exército. David e seus homens entraram numa grande caverna e foram para o fundo dela, no mais escuro. Lá eles se esconderam.

 

David poupa a vida de Saul

      Saul estava tão cansado da longa marcha que entrou na caverna para deitar-se e repousar, sem saber que a caverna era suficientemente grande para esconder David e todos os seus 600 homens e que, muito menos, que David se encontrava exactamente dentro dela com seu pessoal. Com a mudança da claridade para o escuro, Saul ficou sem ver nada dentro da caverna. Estava totalmente ignorante do facto de que David e seu bando estavam nas profundezas da caverna, colados nas paredes com as espadas desembainhadas, prontos para lutarem até a morte. Os homens de David podiam ver claramente a Saul porque este estava entre eles e a luz da entrada da caverna. Os homens observaram em silêncio quando Saul entrou na caverna e se deitou. Embora Saul não os pudesse ver, eles podiam ver bem a Saul. Saul não demorou a cair em sono profundo. Os homens de David sabiam que agora Saul estava à mercê de David.

     Alguns homens de David sussurraram-lhe: “Agora é sua oportunidade: mate-o! Veja, Deus o trouxe directamente às suas mãos. Se você não o matar ele o matará.” Os homens de David sabiam muito bem que Saul havia falhado a deus, pois não era o tipo de rei que deveria ser.

     Mas David lhes disse: “Não é ele o ungido do Senhor?”

     Embora os homens de David quisessem matar a Saul, David não permitiu que o tocassem sequer.

     Entretanto, David rastejou de mansinho rumo a Saul enquanto ele dormia perto da entrada da caverna. Então,  David, devagar e calmamente, cortou um pedaço do manto de Saul e o levou a seus homens. Com esse pedaço de manto David poderia provar a Saul que não lhe queria nenhum mal.

     Depois de algum tempo Saul começou a se mexer e acordou. Sentou-se, levantou-se e caminhou para o lado de fora da caverna para juntar-se a seus homens, sem ter a menor ideia de que acabara de estar cercado por David e seus homens, sem sequer notar que um pedaço de seu manto fora cortado.

 

David fala ao rei Saul

      David deu tempo a Saul de descer um tanto morro abaixo. Então David veio para a entrada da caverna e seguiu Saul, bradando: “Rei, meu senhor!”

     Assustado, Saul virou-se e viu David de pé na entrada da caverna. Então Saul compreendeu que David estivera se escondendo na própria caverna onde ele dormira e que David poderia facilmente tê-lo matado, mas não o fez. Então David inclinou-se com a cabeça em direcção à terra, cumprimentando Saul humildemente, dizendo: “Por que escutas os que dizem que te quero fazer mal? Viste hoje que isto não é verdade. Eu poderia ter-te matado facilmente enquanto dormias na caverna – e alguns dos homens queriam que eu fizesse exactamente isso – mas poupei tua vida. Não pude fazer-te dano porque és o rei escolhido do Senhor. Vê, aqui está um pedaço do teu manto que cortei, mas não te matei! Isto não te convence de que não estou a tentar te causar mal algum e que não pequei contra ti, embora venhas me perseguindo para matar-me? O Senhor decidirá entre mim e ti. Ele será o juiz sobre quem de nós está com a razão. Ele punirá o culpado.”

     O rei ficou tão comovido com as palavras de David e com o que acabara de acontecer que começou a chorar. Lembrou-se de quanto amara a David outrora. Finalmente o rei Saul disse: “És um homem melhor que eu, porque agiste bem para comigo enquanto eu procurava matar-te. Hoje deste prova de tua lealdade – caí em tuas mãos e me poupaste a vida. Que o Senhor te recompense pela bondade que demonstraste para comigo hoje. Agora compreendo que certamente irás ser rei, e governarás a Israel.”

     Após esse incidente, Saul levou seu exército de volta para casa e parou de procurar matar a David. David e seus homens acharam outro local para se esconder, pois não sabiam se a bondade de Saul iria durar ou não.

     Sabia David que Deus dissera que ele seria rei um dia. Mas David demonstrou auto-controle ao não tomar o processo em suas próprias mãos, matando o rei Saul quando a oportunidade se lhe apresentou. Ao revés, David estava de acordo em esperar que Deus cumprisse sua vontade e executasse Seu plano no tempo determinado por Ele. Esta é uma lição muito valiosa para nós aprendermos a deixar que Deus resolva as dificuldades de nossa vida.

     Se algumas pessoas não gostarem de nós ou quiserem nos fazer mal, podemos entregar o problema a Deus e deixar que Ele resolva as coisas ao invés de tentar ajustar as contas com elas ou atingi-las de alguma forma. David exemplifica a pessoa que esperava em Deus e por isso tinha auto-controle em sua vida, deixando que Deus a guiasse. Saul, por outro lado, exemplifica alguém que não tinha auto-controle e que tentava dirigir a sua vida sem a ajuda de Deus.

     Precisamos pedir a Deus que nos ajude a não retribuir o mal que nos fazem e a deixar que Ele dirija nossas vidas. 

3

David e Abigail

I Samuel 25-26

 

Versículo: “Não vos vingueis, mas dai lugar à ira: porque está escrito, a Vingança é minha; Eu recompensarei, diz o Senhor (Romanos 12:19).

 

Os homens de David pedem comida a Nabal

      Nabal era um rico fazendeiro que possuía 3,000 ovelhas e 3,000 cabras. Os homens de David protegiam os pastores dos rebanhos de Nabal dos ataques dos filisteus e amalequitas que com frequência os atacavam perto da fronteira de Israel para roubar animais. Vemos que enquanto erravam pelos campos se escondendo de Saul, David e seus homens não ficam sem fazer nada. Em reconhecimento a essa protecção era costume dos fazendeiros ricos fornecerem provisões e comida a seus protectores.

     David e seus homens deram protecção aos pastores de Nabal durante o inverno inteiro. Agora era época da tosquia e se preparava muita comida para os que ajudavam nessa tarefa de cortar a lã das ovelhas. David sabia que era uma boa ocasião de pedir a Nabal, o rico fazendeiro, provisões para seus 600 homens que durante todo o inverno protegeram os rebanhos de Nabal e seus pastores.

     Foi assim que David mandou 10 de seus homens pedir comida a Nabal. Após saudarem Nabal em nome de David e lhe desejarem felicidade, eles disseram: “Sabemos que tens muitas ovelhas para tosquiar. Protegemos teus pastores durante todo o inverno enquanto eles estavam no Carmelo, de sorte que nenhum deles foi atacado e nenhuma de tuas ovelhas foi roubada. Fomos um muro forte de protecção para teus pastores e teus rebanhos durante o inverno inteiro. Podes perguntar a eles que eles confirmarão a verdade. Agora, neste dia, quando tens tanta comida preparada, nós te pedimos que divida por favor um pouco de tua comida com David e seus homens em retribuição à protecção que dispensaram a teus pastores e teus rebanhos.

     Este tipo de pedido era muito comum e a maioria dos fazendeiros tinha muito prazer em atendê-lo. Mas Nabal era um tipo de homem mal-humorado e egoísta e esta foi sua resposta: “Quem é Davi? Há muitos servos que fogem de seus donos hoje em dia. Por que deveria eu pegar meu pão, minha água, minha carne que preparei para meus tosquiadores e dá-los a alguém que nem conheço?” Desta maneira ele exibiu asperamente seu desagrado à solicitação de David, recusando dar o que quer que fosse de comida aos mensageiros.

 

David planeja matar Nabal

      Quando os dez homens voltaram a David e lhe disseram o que esse homem rabugento e ingrato, esse fazendeiro Nabal, havia dito, comparando David a um escravo fugitivo ao invés de reconhecê-lo como líder dos homens que foram bondosos para com os pastores e os rebanhos do mesmo Nabal, David ficou muito zangado. Ele decidiu que seus homens mereciam alguma forma de pagamento pela protecção que dispensaram e que iria obtê-la.

     “Cinjam suas espadas,” David ordenou a seus homens. “Depois de tudo que fizemos para proteger os rebanhos desse homem durante o inverno para que não perdesse nenhuma ovelha, ele nos paga com grosseria? Ele morrerá pelo desaforo!” David pegou a sua espada e com quatrocentos homens armados de suas espadas também, marchou para a fazenda de Nabal. Os outros duzentos homens de David ficaram cuidando do acampamento.

     Embora o rei Saul tivesse feito muito pior a David, David, contudo, recusou-se causar-lhe qualquer mal, deixando tudo nas mãos de Deus. Mas em relação a Nabal, David achou que era diferente. Assim David não esperou por Deus mas decidiu que castigaria rapidamente esse fazendeiro de ovelhas rico, egoísta, insultante e ingrato.

 

Abigail fica sabendo das notícias

     Na fazenda de Nabal estava havendo outra conversa. Um dos jovens pastores ouvira o que Nabal dissera aos mensageiros de David e sabia que possivelmente toda a casa de Nabal estava correndo agora sério perigo. Ele contou fielmente o que ouvira à esposa de Nabal, Abigail, que era uma mulher muito sensata.

     O pastor explicou a Abigail como os homens de David verdadeiramente haviam protegido os pastores de Nabal lá nos campos durante os meses de inverno. Ele disse: “Eles foram como uma muralha nos protegendo noite e dia enquanto nós pastoreávamos as ovelhas. Estou certo que o mal se abaterá sobre a cabeça de seu marido e toda a sua casa por causa da maneira com que ele falou aos homens de David. A senhora sabe que nenhum de nós pode falar com seu marido, porque ele é um tão grande filho de Belial que ninguém pode conversar com ele.”

     Abigail vivia com o cruel e egoísta Nabal há tantos anos que ela sabia muito bem como ele reagiria. Sabia também que não poderia argumentar com seu marido porque ele estava bebendo e estava agora embriagado, de sorte que de nada adiantaria falar com ele. Ela deveria agir com rapidez porque todos naquela casa agora corriam perigo.

     Abigail achou que ela poderia argumentar com David. Portanto, agindo rapidamente, ela ajuntou duzentos pães, dois odres de vinho e cinco carneiros abatidos prontos para serem assados. Além disso, pegou cem cachos de uva e duzentos bolos de figo, seus servos sob suas ordens, carregaram todas essas provisões em jumentos. Ela os mandou ao encontro de David, enquanto ela própria os seguia montada no seu próprio jumento.

 

Abigail homenageia a David

      Quando Abigail encontrou David e seus homens descendo a montanha em direcção a ela, ela desmontou e inclinou-se profundamente perante David.

     “Que recaia sobre mim a culpa de tudo isso, e permita-me falar-te desse homem de Belial, ou seja, Nabal. Sou Abigail, esposa dele. Peço-te por favor que não leves em consideração as palavras descorteses de meu marido”, ela implorou. “O nome dele é Nabal, que significa tolice, e o nome combina muito com ele. Por favor, perdoa-lhe seus actos e aceita meu presente de comida. Meus pastores me disseram que tu e teus homens de facto foram uma muralha de defesa para eles e os nossos rebanhos, pelo que estamos muito gratos a todos. Sem dúvida devemos a ti uma recompensa por tua bondosa protecção. Aceita por favor estas provisões como pagamento por tua protecção.”

     Ela continuou: “Sei que um dia serás rei de Israel. Então ficarás contente por não teres vingado derramando o sangue de meu marido Nabal e o de sua família.”

     Tudo isto espantou e surpreendeu a David. As palavras graciosas e sábias de Abigail ajudaram David a pensar correctamente. David compreendeu que fora Deus que mandara Abigail para impedi-lo de matar Nabal. David também entendeu que sua ira para com Nabal o fizera agir insensatamente. David disse a Abigail: “Bendito seja o Senhor de Israel, que te enviou a meu encontro deste dia, e bendito seja o teu conselho. Agradeço-te porque me impediste hoje de derramar sangue, fazendo justiça com minhas próprias mãos.” Abigail impediu David de cometer um erro muito sério que ele lamentaria pelo resto de sua vida. David e seus homens alegremente aceitaram as provisões de boca que Abigail e seus servos haviam trazido, e desistiram de ir à fazenda de Nabal.

 

Nabal sofre paralisia e morre

      O tempo provou que David não precisava vingar-se de Nabal, porque Deus cuidou de Nabal à Sua maneira e no tempo determinado por Ele. De facto, não demorou muito, pois quando Nabal ficou bom da bebedeira Abigail lhe contou que David e seus homens tinham vindo para matá-lo e a todos de sua casa, mas que ela fora ao encontro para interceder por eles e salvar-lhes a vida. Quando Nabal soube do grande perigo pelo qual passara com sua casa e do qual escapara por um fio, seu coração desfaleceu. Teve um derrame e morreu dez dias depois.

 

David se casa com Abigail

      Mais tarde, quando David soube que Nabal morrera, ele mandou pedir a mão da viúva Abigail em casamento. Abibail aceitou o pedido com alegria. David estava agora muito contente pelo facto de essa mulher afável e prudente ter protegido a casa dela ao mesmo passo em que evitara que ele, David, agisse tão tolamente na sua raiva.

     A bíblia diz: “Não vos vingueis, mas dai lugar à ira: porque está escrito, a Vingança é minha; Eu recompensarei, diz o Senhor (Romanos 12:19). Deus nos diz que não devemos nos vingar das pessoas que nos maltratam. Devemos deixar que Deus cuide delas do Seu modo e no Seu tempo.

 

4

David Poupa o Rei Saul Novamente

 

Versículo: 2Th 3:13  Vós, porém, irmãos, não vos canseis de fazer o bem.

 

Saul continua a perseguir David

      Nesse ínterim, o rei Saul ainda estava no encalço de David pelos montes. Então os zifeus, provavelmente desejosos de ganhar prestígio com o rei, mandaram-lhe uma mensagem informando-o do local onde David e seus homens se escondiam.

     Saul convocou 3,000 soldados e veio com eles para o deserto de Zife, procurando David. Naquela noite a tropa de Saul acampou, planejando, sem dúvida, capturar David na manhã seguinte, logo ao raiar do dia.

 

David faz um reconhecimento no acampamento de Saul

      E naquela mesma noite David mandou batedores localizar o acampamento de Saul. Então ele próprio saiu ao luar para inspeccioná-lo de um penhasco próximo. De seu ponto de observação David podia ver o guarda-costas de Saul, Abner, e os soldados dormindo em círculo ao redor do rei Saul.

     De repente David teve uma ideia e perguntou aos homens que o acompanhavam: “Quem topa ir comigo ao acampamento de Saul?” Seria uma missão ousada e perigosa. David conseguiria um voluntário?

     Abisai mais do que depressa respondeu: “Irei contigo.” Assim, tarde naquela noite, com a lua brilhando no céu, David e Abisai silenciosamente se insinuaram no acampamento de Saul. Deveria haver soldados de guarda, protegendo o acampamento e, especialmente, protegendo o rei Saul, mas a verdade é que todos estavam dormindo profundamente.

 

David e Abisai visitam o acampamento adormecido

      Sem fazer barulho, David e Abisai penetraram no meio dos soldados adormecidos, chegando finalmente à trincheira onde Saul dormia. Lá eles viram a lança de Saul enfiada no chão perto de sua cabeça e junto da lança estava o seu cantil. Esta era a ocasião perfeita para David matara Saul de uma vez por todas. Abisai sussurrou muito excitado: “Deus te entregou teu inimigo na tua mão, David. Permita-me que o mate com a própria faça dele. Uma só estocada será suficiente.”

     Mas David, contendo Abisai, sussurrou: “Não, não o mate. Não o destrua porque ele é o ungido do Senhor. Não cabe a mim tirar-lhe a vida. Não posso estender a mão contra ele. Deus fará com que ele morra no tempo designado pelo próprio Deus, numa batalha ou de outro jeito qualquer. Mas vamos levar a lança e o cantil dele, e vamos dar o fora daqui!”

     Assim, David e Abisai saíram de mansinho do acampamento adormecido de Saul, levando a lança e o cantil do rei. Nenhum soldado os viu ou se acordou, porque Deus lhes causara um sono profundo. Deus estava colaborando com David.

     David só demonstrou essa coragem fora do comum porque sabia que Deus estava com ele. Sabia que Deus poderia protegê-lo mesmo que estivesse na presença de seu inimigo. A fé que David tinha em Deus era forte, e Deus honrou essa fé protegendo a David e a Abisai. Eles saíram do acampamento de Saul tão silenciosamente como tinham entrado.

 

David grita lá em cima para um acampamento muito surpreso lá em baixo

      Quando David finalmente voltou ao monte acima do acampamento de Saul, ele bradou em alta voz para o exército de Saul: “Por que vocês não protegem seu rei? Abner, guarda-costas de Saul, por que não proteges teu rei? Abner, por que não respondes?”

     Os soldados de Saul começaram a se acordar e graças ao luar podiam inclusive ver o morro lá em cima. Nem podiam acreditar no que viam! Lá estava o próprio David que vieram capturar e ele se mostrava a todos ousadamente.

     “Por que não proteges o teu rei?” David gritou novamente para Abner, o guarda-costas de Saul, e aos demais soldados. “Alguém penetrou no acampamento de vocês e poderia ter matado o rei Saul. Procurem e vejam se acham a lança e o cantil do rei.” Naturalmente, David segurava alto, para que todos os vissem, a lança e o cantil de Saul.

     Abner e os atónitos soldados de Saul olharam ao redor, compreendendo que a lança e o cantil de Saul haviam desaparecido, de facto. Compreenderam então que David estivera perto do rei o suficiente para levar sua lança e seu cantil de água enquanto eles dormiam. Puderam ver também claramente que David poderia facilmente ter matado o rei Saul, mas que preferira não fazê-lo.

     “Abner, por que não guardaste o senhor teu rei? Mereces a morte, porque não protegeste teu senhor. Olha agora onde estão a lança e o cantil d’água que se achavam à sua cabeceira.”

     Saul imediatamente reconheceu a voz de David. “É tua voz, meu filho David?” Foi a resposta de Saul.

     David replicou: “É minha voz, ó rei, meu senhor! Por que me persegues? Que fiz eu a ti? Que mal fiz? Foi Deus quem te incitou contra mim, ou foram homens maus que fizeram com que eu fosse expulso de minha casa para viver como fugitivo? Por que me queres matar? Não sabes que perseguir a mim é como caçar uma pulga ou uma perdiz nos montes?” David estava a tentar argumentar com o rei Saul. Então o monarca orgulhoso e ciumento, se humilhou diante da bondade de David. “Eu pequei,” confessou Saul finalmente, acrescentando: “Não tornarei mais te causar dano, porque minha vida foi preciosa a teus olhos hoje. Tenho sido um grande tolo e errado excessivamente.”

     Ao agir correctamente e com humildade, David também inspirou Saul a ser correcto. Acontece comummente que, quando agimos direito e com justiça nós inspiramos outros a fazerem o mesmo.

     David então disse: “Manda alguém subir aqui a fim de pegar a tua lança e teu cantil d’água. Lembra-te de que dei valor à tua vida hoje e não te matei quando poderia tê-lo feito sem qualquer problema. Peço a Deus que o Senhor valorize minha vida também e me livre de toda tribulação.”

     Saul respondeu: “Bendito sejas, meu filho David. Sei que farás grandes coisas e triunfarás.” Saul sabia no fundo de seu coração que na verdade era a vontade de Deus que David um dia o substituísse no trono de Israel. Saul sabia também que estava a fazer o máximo para impedir que a vontade de Deus se cumprisse. Mas agora, movido pela bondade de David, Saul admitiu abertamente que David com certeza triunfaria no final.

     David se alegrou pelo facto do rei Saul mostrar arrependimento por persegui-lo, mas sabia também que não seria prudente confiar nele por muito tempo.

     Depois disso, Saul e seus soldados deixaram de perseguir a David e voltaram-se para outras tarefas. E pelo menos no momento Saul abandonou a ideia de matar David. David e seus homens seguiram seu caminho, felizes de não terem de esconder-se de Saul e seus soldados.

     Embora David fosse “um homem segundo o coração de Deus,” ele tinha muitas tribulações. Mas o Senhor o livrou de todas elas. Deus permite que soframos tribulações também para fazer com que nos apoiemos Nele. Mas Deus nos livrará também de nossas tribulações se confiarmos Nele.

     Podemos confiar em Deus como David confiou. Vamos pedir a Ele agora que nos ajude a confiar Nele.

 

5

Falha a Fé de David

I Samuel 27-30

 

Versículo: Mat 6:33  "Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas."

 

David duvida de Deus

      Embora David fosse “um homem segundo o coração de Deus,” ele experimentava as mesmas tentações pelas quais todos nós passamos e, como nós, algumas vezes ele sucumbiu a elas. Talvez você já passou por ocasiões em sua vida quando sua fé em Deus esteve fraca ou quando a fé simplesmente falhou: você não confiou em Deus em determinado assunto. Muito bem, David teve um período em sua vida quando ele falhou em sua fé em Deus, e esta é nossa lição hoje.

     David tinha razões para duvidar da promessa do rei Saul de que não o perseguiria, mas sem razão David falhou na sua fé de que Deus podia continuar a protegê-lo do rei Saul. David estava cansado de ser fugitivo, de dormir no mato e nas cavernas, sempre perseguido por Saul e seus homens. E os homens de David, com suas respectivas esposas e filhos, também estavam cansados dessa vida errante. David disse em seu coração: “Um dia desses Saul me encontrará e me matará.” Quando a dúvida começou a infiltrar-se no coração de David, ele se esqueceu das inúmeras vezes em que Deus já o livrara de Saul. Também se esqueceu da promessa de Deus de um dia fazê-lo rei de Israel. Foi assim que, num momento de dúvida e se esquecendo do poder de Deus e de Suas promessas, David tomou uma decisão insensata: fugir e escapar com seus homens  e as suas famílias para a terra dos filisteus. Os filisteus eram um povo pagão, idólatra, que tinha sido o inimigo do povo de Deus por muitos anos. Em sua descrença, David deixou de buscar a vontade de Deus e Sua direcção na vida dele.

     Como David, nós, às vezes, nos esquecemos do que Deus tem feito por nós. E quando nos esquecemos do auxílio que Deus nos deu no passado, nossa fé se enfraquece e somos também tentados a agir tolamente por causa de nossa falta de fé. Quando a fé sucumbe, o temor penetra em nosso coração, de sorte que o medo que David teve do rei Saul fez com que ele saísse da esfera da vontade de Deus para sua vida.

 

David foge de Saul indo para Gate

      David e seus homens se foram para Gate no país dos filisteus onde o rei filisteu Aquis o recebeu com alegria. Aquis sabia que David tinha sido o maior guerreiro de Israel e sabia que o rei Saul tentara matá-lo diversas vezes. Aquis ficou também muito impressionado com o pequeno exército de 600 homens de David. Sabia que uma força dessa composta de bons soldados poderia ser-lhe de grande utilidade nas suas conquistas das tribos vizinhas. Foi assim que, convencido de que David havia se separado completamente de Isreal, Aquis achou que, com certeza, David e seus homens seriam seus servos para sempre.

     Como é triste ver que David agora estava fora da esfera da vontade de Deus para sua vida e que ele e seus homens buscaram refúgio num país pagão onde o povo adorava ídolos e praticava coisas muito perversas.

 

David mora em Ziclague

     Aquis deu a David e seus homens uma cidade filistéia de nome Ziclague para nela eles viverem. A vida deles se tornou mais confortável quando se estabeleceram na cidade e tiveram assim um lugar permanente para viver. Mas a despeito do aumento de conforto, David não estava feliz em Ziclague. Ele escolhera seu próprio caminho ao invés do caminho de Deus, e essa divergência lhe trouxe uma inquietação. Fazer a nossa vontade nunca nos traz felicidade.

     A fim de poderem viver na terra dos filisteus David e seus homens tinham de provar continuamente que eram servos leais do rei Aquis. Para experimentá-los, Aquis ordenava-lhes que fizessem incursões em Israel para roubar os mantimentos dos israelitas. Aquis acreditava que David e seus homens estavam pilhando os israelitas, mas na verdade eles estavam pilhando tribos aliadas a Aquis. Para impedir que Aquis soubesse o que eles estavam a fazer de facto aos aliados dos filisteus, David mentia a Aquis e fazia crer que ele estava a atacar as cidades fronteiriças de Israel. Para impedir que a verdade viesse a lume, fosse conhecida, David executava todas as pessoas da tribo pilhada, de sorte que ninguém escapava para contar nada ao rei Aquis sobre os acontecimentos verdadeiros.

     David começou a compreender que um pecado leva a outro visto que, para encobrir uma mentira, era necessário contar outra, e assim por diante. Que verdadeira teia de pecado David estava urdindo para si próprio! E tudo isso estava a acontecer porque ele saíra da esfera da vontade de Deus para sua vida, de sorte que as coisas estavam a ficar cada vez piores! Ele estava enredado numa armadilha de mentiras e enganos.

     Finalmente chegou o dia que David tanto temia: os filisteus iam fazer uma guerra em grande escala a Israel. Aquis acreditava que David teria satisfação em juntar-se a ele nessa guerra a fim de lutar contra Saul. Não fora Saul quem forçara David a ser um fugitivo? Sem dúvida David estaria ansioso por ajudar os filisteus a destruírem Saul e seu povo, pensou Aquis.

 

David marcha rumo a Israel

      O coração de David perdeu todo o ânimo quando Aquis lhe pediu para juntar-se a ele na batalha contra Israel e para ser o comandante de sua guarda. O que David poderia fazer? Não podia lutar contra seu próprio povo, Israel, e contra Saul, o ungido de Deus, nem contra seu amigo Jónatas. Nem podia trair Aquis, que o aceitara e tanto confiava nele. David se viu enredado numa tremenda armadilha!

     Quando fez os planos para a batalha contra Israel, Aquis disse a David que o poria com seus homens na retaguarda come ele. David ficou em grande agitação. Só Deus poderia livrar David do dilema a que sua falta de fé o levou.

     Com o coração pesado, David se preparou para iniciar com seus homens a marcha rumo a Israel. Marcharam por vários dias antes que os príncipes dos filisteus percebessem a presença de David no seu exército. Mas quando souberam que David e seus homens iam lutar contra Israel, os príncipes ficaram nervosos e irritados.

 

David é obrigado a voltar

      Enfrentando Aquis, eles interrogaram: “Que negócio é esse de permitir que esse homem David e seu exército se juntem a nós na batalha contra Israel? Eles são israelitas e este é o campeão deles, sobre o qual cantavam dizendo: “Saul matou seus milhares, mas David matou dezenas de milhares.” Por certo ele nos trairá para voltar às boas com seu antigo Senhor.”

     Aquis protestou dizendo que David era completamente leal a ele e que estava certo de que David e seus homens os ajudariam na batalha contra Israel, mas os comandantes dos filisteus não quiseram acreditar em Aquis. “Manda esse sujeito de volta,” eles exigiram. Aquis teve de acatar a opinião dos comandantes. Ele disse a David: “Tenho plena confiança em você, mas os comandantes do meu exército insistem que você e seus homens devem voltar; que não podem ir à batalha connosco.

     Pela manhã você deve voltar. “Provavelmente David deu um grande suspiro de alívio quando ouviu essas palavras de Aquis. Voltar era exactamente o que ele queria. Fora salvo desse dilema – ou lutar contra Israel ou trair Aquis. Agora não tinha que fazer nenhuma das duas coisas. Como se sentia aliviado ao liderar seus homens na marcha de volta a Ziclague, onde viviam! Deus, certamente, tinha operado a favor de David e ele estava muitíssimo grato. David e seus homens teriam muito prazer em voltar para suas esposas e filhos.

 

6

Ziclague é Incendiada

I Samuel 27-30

 

Versículo: Psa 145:3  Grande é o Senhor, e mui digno de ser louvado; e a sua grandeza é insondável.”

 

Ziclague é incendiada

      Mas ao terceiro dia, quando David e seus homens se aproximavam de Ziclague, eles perceberam que nem tudo estava bem, porque o perfil da cidade de Ziclague no horizonte parecia fora do comum. Por outro lado, ninguém viera ao encontro deles. Aos poucos começaram a ter certeza de que algo de anormal acontecera na ausência deles. Apertando a marcha, descobriram, para sua consternação, que saqueadores tinham queimado Ziclague e sequestrado suas esposas e filhos. Nenhum de seus entes queridos ficou para saudá-los na chegada, ou para explicar o que acontecera.

     David e seus homens, embora fossem soldados curtidos, ficaram tão angustiados ao ver a cidade de Ziclague queimada e suas famílias desaparecidas que começaram a chorar. Pensem vocês como se sentiriam se achassem suas casas queimadas e as famílias ausentes.

     Os homens de David não somente começaram a chorar, como também a botar a culpa em David pelo seu infortúnio. De sorte que David ficou duplamente aflito. Não só tinha perdido sua família, mas seus homens também estavam zangados com ele. Ficaram muito irados ao botarem em David a culpa pelo acontecido. David sempre pudera controlá-los antes, mas desta vez a coisa ficou preta, pois ameaçavam apedrejá-lo, ele que era o líder deles!

 

David Ora

      Pobre David! Sua estada na terra dos filisteus ia de mal a pior. Sua própria vida estava agora ameaçada! Só havia um caminho a buscar e esse caminho era Deus. As Escrituras dizem; “Ele se fortaleceu no Senhor.” Agora Deus era sua única esperança. David clamou a Deus por auxílio. Bom que David decidiu levar seus problemas ao Senhor. Pediria a deus perdão por sua falta de fé ao não confiar em Deus e também por sua desobediência ao fugir para terra dos filisteus, os inimigos de Israel. David sabia agora que sua própria vida estava em perigo e que somente Deus poderia protegê-lo da ira de seus homens. Ele cria que Deus poderia protegê-lo de seus próprios soldados do mesmo modo como Deus o protegera de Saul tantas vezes antes. De sorte que David encorajou seu coração à medida que David começou a confiar nEle outra vez.

     Vocês já aprenderam a recorrer ao Senhor em busca de auxílio em tempo de tribulação, como fez David?

     David orou a Deus pedindo orientação, perguntando ao Senhor se deveria perseguir os invasores que tinham queimado sua cidade de Ziclague e sequestrado as suas famílias. Deus respondeu: “Sim, persegue-os.”

      David então perguntou a Deus se conseguiriam recobrar as suas famílias e seus bens, e Deus respondeu: “Sim”.

     Como é maravilhoso receber a orientação de Deus! Nos dias actuais a Palavra de Deus é nosso guia, de modo que se estudarmos e obedecermos Sua palavra, Deus também nos orientará e guiará através de Sua Palavra.

     David relatou a seus homens o que Deus lhe dissera e diante da mensagem de Deus os homens de David deixaram de falar em apedrejá-lo. Ansiosamente os homens de David o seguiram na perseguição aos saqueadores.

     Depois de marchar vários dias, os homens de David estavam extremamente cansados. 200 deles se achavam tão exaustos que não tinham mais condições de dar um passo quando chegaram ao ribeiro de Besor. Por isso David deixou duzentos de seus homens cuidando das provisões junto do ribeiro de Besor, enquanto ele e os outros 400 homens continuaram a perseguir os saqueadores.

 

David faz um servo dos amalequitas recobrar a consciência

      Ao procurarem os saqueadores que queimaram Ziclague os homens de David acharam um egípcio semi-morto no campo.

     Trouxeram o doente a David que ordenou que lhe dessem alimento e água. Verificaram que esse egípcio estava sem água e sem comida há três dias. Depois que se reanimou e pode falar, o egípcio disse: “Meu dono, um amalequita, me abandonou há três dias quando caí doente.”

     Esse jovem prosseguiu explicando que seu dono e outros amalequitas tinham estado pilhando as cidades da fronteira de Judá e que tinham queimado Ziclague. David então lhe pediu que o guiasse até os saqueadores. “Podes me levar até esse bando de amalequitas?” Perguntou-lhe David.

     “Prometa-me então que não me matará nem me devolverá a meu dono,” o egípcio lhe respondeu, “e eu o levarei a eles.” David fez-lhe a promessa pedida. Sem dúvida foi em resposta às orações de David, que Deus os levara a encontrar este homem semi-morto.

 

Deus recupera o que fora perdido

      Guiados pelo jovem egípcio, David e seus homens deram com os amalequitas que tinham queimado Ziclague e roubado as suas famílias. Quando David e seus homens caíram sobre os amalequitas eles estavam a festejar com bebidas, e danças, e comilanças o sucesso da conquista.

     Surpresos e despreparados, os amalequitas não puderam resistir a David e seus homens. Deus ajudou David e seus homens a destruírem esse bando perverso, de modo que só quatrocentos jovens amalequitas escaparam montados em camelos. O mais importante de tudo é que David e seus homens acharam as suas famílias em segurança, sem terem sofrido danos. Ficaram emocionados ao se encontrarem com suas famílias. Que momento feliz para os cativos e seus salvadores!

     Além das famílias, recobraram tudo que haviam roubado e mais algumas riquezas que os amalequitas haviam tomado de outros, o que incluía ovelhas e gado.

     David na companhia dessa procissão feliz encetou a viagem de volta a Ziclague. Quando chegaram ao ribeiro de Beor encontraram os duzentos soldados cansados guardando as provisões. Agora estavam de alma nova, graças ao descanso que tiveram.

     Alguns dos soldados de David acharam que esses duzentos homens só mereciam pegar as respectivas famílias de volta, mas sem participação do espólio deixado pelos amalequitas. Mas, David não concordou, insistindo: “Os que ficaram com as provisões receberão igual recompensa aos que foram para a batalha.” Assim foi um dia feliz quando David e todos os seus homens com as suas famílias voltaram a Ziclague.

     Mas que lição David aprendera! Sua falta de fé o levara de um pecado a outro e de um problema a outro. E somente quando voltou a confiar em Deus, o Senhor pegou o grande problema e o transformou para o bem de David.

     Vocês, como David, poderão enfrentar uma época de suas vidas quando serão tentados a não confiar em Deus, como ele fez. Mas se lembrem de que, como David, podem clamar a Deus pedindo auxílio. Deus não nos abandona quando cometemos erros, ou quando pecamos. Ele está sempre pronto a nos trazer de volta à comunhão com Ele novamente. Nunca é tarde para pedir Seu perdão e Sua ajuda.

 

7

A Derrota De Saul

I Samuel 28; II Samuel 1

 

Versículo: Psa 148:13 “ Louvem eles o nome do Senhor, pois só o seu nome é excelso; a sua glória é acima da terra e do céu.”

 

Saul precisa de conselho

      Logo que o rei Saul se tornou rei de Israel, ele obedeceu as ordens de Deus para banir feiticeiros e adivinhos de toda a terra de Israel, decretando também que era ilegal consultar essa gente. Deus advertira o povo muitos anos antes através da lei de Moisés sobre os perigos de se envolverem com feiticeiros e médiuns espíritas. Ele lhes dissera que essa gente era instrumento de Satanás parra levar o povo a cometer toda a sorte de maldades. E Deus ordenou a Seu povo a morte de todos os feiticeiros na Sua terra (Lev. 20:27). Ainda hoje em dia é a vontade de deus que os crentes nada tenham a ver com feiticeiros, astrologia, horóscopos e mesas Ouija, ou qualquer outra coisa que tenha ver com espíritos maus. Essas coisas são do Diabo e não de Deus.

     Mas Saul se afastara de Deus já fazia muitos anos, de modo que, quando soube que o exército filisteu estava em marcha para guerrear Israel, ficou terrivelmente aflito, especialmente quando soube do tamanho do exército filisteu. Sabia que falando do ponto de vista humano as forças israelitas não tinham a menor chance de ganhar a batalha contra um exército tão grande.

     Pobre Saul! Precisava desesperadamente da ajuda de Deus. Mas estava sem falar com Deus há muito tempo. Vinha trilhando seus próprios caminhos, desobedecendo os mandamentos de Deus e lutando contra a vontade de Deus em sua vida. Tendo em vista que o profeta Samuel morrera, Saul sabia que não poderia consultá-lo para obter conselho e sabia também que os sacerdotes não poderiam socorrê-lo. Só havia um jeito de Saul descobrir o que deveria fazer. Não precisava de orar porque Deus já não respondia as suas orações.

     O exército filisteu penetrava na terra de Israel e se espalhara no vale, pronto para a luta, enquanto os soldados israelitas se acamparam no monte Gilboa, ao sul de Suném. Saul precisava de saber logo o que fazer – se deveria lutar ou se deveria render-se sem luta. Enquanto pensava no assunto, Saul achou que talvez um médium pudesse trazer de volta o profeta Samuel do reino dos mortos para que ele o aconselhasse.

     A que extremos chegara o poderoso rei Saul! Ele pediu que encontrasse um médium a quem ele pudesse consultar. Seus servos tomaram informações e descobriram que na vila de Endor vivia uma feiticeira que se supunha capaz de invocar os mortos e falar com eles. Saul achou que se pudesse dar uma palavrinha com o profeta Samuel, já falecido, ele poderia instruí-lo como proceder, de sorte que Saul estaria pronto para a luta com o exército filisteu. Foi assim que, disfarçando-se para que ninguém soubesse que ele era o rei, Saul levou dois de seus homens de confiança e partiu para Endor na escuridão da noite para achar essa médium.

     Era uma viagem perigosa essa que eles estavam empregando, pois que o acampamento do exército filisteu se achava justamente no caminho para Endor. Eles precisavam contornar o acampamento do exército filisteu secretamente a fim de chegarem ao destino. Desesperado para obter ajuda como estava, Saul assumiu o risco. Confiando na escuridão para ocultá-lo do inimigo, fizeram a jornada, chegando finalmente á casa da médium.

 

A médium de Endor

      A feiticeira ficou surpresa com os visitantes no meio da noite. Surpresa e assustada também, porque o rei Saul há muito tempo havia ordenado que todas as feiticeiras e médiuns fossem banidas ou executadas. Portanto, ela praticava sua feitiçaria muito em segrego, escondendo a sua prática de todos que pudesse. Temia que alguém a traísse e informasse seu endereço às autoridades, de sorte que ela fosse executada de acordo com a lei.

     Por isso ela perguntou aos visitantes nocturnos se ela seria denunciada e punida. Saul então lhe prometeu que ela não seria punida. Disse-lhe que queria falar com o profeta Samuel, sabendo que o profeta estava morto há algum tempo. Os médiuns alegam que podem fazer com que o espírito dos mortos se comuniquem com os espíritos vivos, mas na verdade as feiticeiras se comunicam com os espíritos maus que imitam a voz das pessoas mortas que pretendem invocar.

 

Samuel aparece

      Quando a médium viu a forma de Samuel ela gritou de pavor. Então ela compreendeu que o homem que viera, era de facto o rei Saul em pessoa. “Por que me enganaste?” ela se lamentou. “Tu és o rei Saul!”

     “Não temas,” disse-lhe o rei Saul. “O que viste?” “Eu vi vultos ascendendo da terra. Era a forma de um ancião coberto com um manto,” respondeu a médium, tremendo.

     Samuel disse a Saul: “por que me molestaste fazendo-me voltar?”

     “Estou angustiado,” respondeu-lhe Saul, “porque os filisteus estão me guerreando, e Deus me abandonou e não me responde mais. Chamei-te para saber o que devo fazer.”

     “Por que me consultas,” perguntou-lhe Samuel, “visto que o Senhor te abandonou e se tornou teu inimigo? O Senhor arrancou o reino de tua mão para dá-o a David como eu te disse, porque és desobediente. O Senhor vai permitir que os filisteus ganhem a batalha. Tu e teus filhos estarão comigo amanhã.”

     Foi trágica essa mensagem que Saul ouviu! O medo que se apossou dele foi arrasador, demolindo-o. Despencou no chão, apavoradíssimo. Como se encontrava fisicamente fraco por falta de comida e por causa da viagem extenuante durante a noite, todas as suas energias o abandonaram quando ele ouviu essa terrível notícia, de sorte que ele ficou prostrado no chão.

     A médium de Endor e os dois servos de Saul tentaram ajudá-lo, convencendo-o a comer alguma coisa. Rapidamente ela preparou uma refeição. De início Saul recusou a comida, mas finalmente a aceitou. Saul e seus dois servos fortaleceram para empreender a perigosa viagem de regresso a seu acampamento naquela noite.

 

 Saul e seus dois filhos são mortos

      No dia seguinte os filisteus travaram a batalha contra Israel. Foi uma luta terrível. Soldados armados de arco e flecha feriram gravemente o rei Saul e o querido amigo de David, Jónatas, com seus dois irmãos foram mortos.

     Saul gritou para seu escudeiro: “Pega tua espada e me mata depressa antes que esses pagãos o façam!” Mas o escudeiro de Saul ficou com medo de matá-lo. Por isso o rei Saul, temeroso de que os inimigos o capturassem e o torturassem, pegou de sua espada e caiu sobre ela, cometendo suicídio. Quando o escudeiro viu que Saul se matara, ele também pegou sua espada e cometeu suicídio.

     Naquele dia Saul e seus três filhos morreram na batalha, exactamente como o profeta Samuel predisse. A batalha saiu tão mal para Israel naquele dia que os soldados de Israel fugiram do exército filisteu e o povo israelita teve de abandonar as suas cidades, fugindo enquanto os filisteus as ocupavam.

     Quando os soldados filisteus vieram despojar os cadáveres no campo de batalha encontraram os corpos do rei Saul e de seus três filhos espalhados no meio do exército israelita. Decapitaram Saul e trouxeram a cabeça com a sua armadura para casa do deus Astarote, na terra deles. Então pegaram o corpo de Saul e os corpos de seus filhos e os pregaram no muro de Bete-Seã, onde todos os filisteus pudessem vê-los e regozijarem-se com a vitória sobre Israel. Foi o grand troféu para seu ídolo, para provar que seus ídolos eram mais fortes que o Deus de Israel.

     Um grupo de israelitas valentes, de Jabes-Gileade, soube disso e saiu à noite, com grande risco para as suas vidas, a fim de recolher o corpo do rei Saul e os de seus três filhos do templo do deus Astarote dos filisteus. Tendo logrado atingir seu objectivo, eles enterraram os corpos, respeitosamente, na terra de Israel.

 

David ouve as notícias

     No terceiro dia, um jovem amalequita, com as roupas rasgadas e com terra na cabeça, veio correndo ofegante e entrou em Ziclague onde David aguardava ansiosamente as notícias da batalha. David sentia muita preocupação pelo povo de Israel, querendo saber como Israel se saíra na luta, e o que acontecera ao rei Saul e a seu bom amigo Jónatas.

     Era óbvio que esse amalequita trazia notícias trágicas.

     “De onde vens?” David interrogou-lhe. “Escapei do acampamento de Israel,” respondeu-lhe o jovem amalequita.

     “Como foi a batalha?” David perguntou ansiosamente. “Conta-me depressa.”

     “O povo de Israel fugiu diante dos filisteus,” ele respondeu. “E muitos do povo de Israel estão mortos. O Rei Saul e seu filho Jónatas também estão mortos.”

     “Como sabes que eles estão mortos?” Interrogou-lhe David.

     O jovem, esperando obter uma recompensa de David, explicou: “Cheguei por acaso ao Monte de Gilboa e vi Saul sendo perseguido por cavalos e carros. Estava ferido e angustiado. Quando me viu, pediu-me para matá-lo e eu o atendi, porque sabia que ele não poderia escapar. Trouxe a coroa e o bracelete dele.” O amalequita entregou a David a coroa e o bracelete do rei Saul, e David os reconheceu como propriedade do rei. Então era verdade, o rei Saul e seu filho Jónatas tinham sido mortos na batalha.

     David rasgou as suas vestes para mostrar seu pesar. Seus homens fizeram o mesmo, e todos juntos lamentaram e choraram o acontecimento. Ficaram o dia inteiro sem comer até a noite por causa da grande derrota que israel e seus líderes sofreram.

     O jovem amalequita que trouxera a notícia ficou preso até o anoitecer, quando David mandou buscá-lo. “Como é que não tiveste temor de estender a mão contra o ungido do Senhor?” David lhe perguntou.

     O amalequita que alegara ter matado Saul esperava ganhar uma recompensa pelo seu feito, mas emm vez disso foi executado. Ele mentira, é óbvio. Saul morreu lançando-se contra sua própria espada para não cair nas mãos dos filisteus, pois estava ferido gravemente. O amalequita morreu por sua mentira.

 

David lamenta a morte de Saul e Jónatas

      Ao invés de regozijar-se com a morte de seu grande inimigo, David chorou por Saul e pelos líderes de Israel que tombaram. Isto mostra que David era verdadeiramente um homem segundo o coração de Deus. David cantou um Salmo de louvor sobre as realizações de Saul e Jónatas. David se esqueceu da traição de Saul e ele lembrou-se apenas dos grandes feitos de Saul quando ele era um jovem rei, antes de que o ódio e o ciúme o consumissem. David cantou: “A beleza de Israel foi morta sobre os teus altos: como caíram os valentes! Saul e Jónatas, belos e agradáveis em vida, na sua morte não se separaram.”

     David cantou um lamento especial para Jónatas, que fora para el um amigo tão fiel. Como David ficou triste com a perda de tão bom amigo!

     David recusou-se a ferir o rei Saul mesmo quando teve oportunidade de matá-lo, porque David escolhera deixar com deus a vingança, sabendo que era errado tomar a justiça em suas próprias mãos, ferindo o rei ungido do Senhor. No tempo e no modo determinado por Deus, Saul foi removido do caminho de David. Também no tempo determinado por Deus, Ele faria de David rei de Israel, como prometera.

     Quando estudamos a vida de David, vemos o quanto é importante confiar em Deus e deixar que Ele opere a nossa favor. Quando David se esqueceu de confiar em Deus e tomou as rédeas dos acontecimentos em suas próprias mãos, ele se meteu em toda sorte de problemas. O mesmo nos acontecerá se tentarmos administrar as coisas a nosso modo. Devemos deixar que Deus cuide de qualquer inimigo que possamos ter. Não devemos procurar atingi-los. E da mesma maneira como cuidou dos assuntos de David quando ele confiou, Deus cuidará de nós quando confiarmos nEle. Vamos pedir a Deus que nos ajude a confiar nEle cada dia e em tudo.

 

 

Lição 1   “As palavras do Senhor são palavras puras, como prata refinada numa fornalha de barro, purificada sete vezes.”

Salmo 12:6  

 

 Lição 2

 

Compadece-te de mim, ó Deus, compadece-te de mim, pois em ti se refugia a minha alma; à sombra das tuas asas me refugiarei, até que passem as calamidades.”

Salmo 57:1

 

 Lição 3

“Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira de Deus, porque está escrito: Minha é a vingança, eu retribuirei, diz o Senhor.”

 Rom. 12:19   

  Lição 4

Vós, porém, irmãos, não vos canseis de fazer o bem. 2Th 3:13

 

 Lição 5

Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

Mat 6:33

 Lição 6

Grande é o Senhor, e mui digno de ser louvado; e a sua grandeza é insondável.

 Psa 145:3 

 Lição 7

 

Louvem eles o nome do Senhor, pois só o seu nome é excelso; a sua glória é acima da terra e do céu.

Psa 148:13