A Vida de José


7 lições sobre a vida de José

1

Os Sonhos de José

Génesis 37:11

 

Versículo: Provérbios 3:5

 

Introdução

      Jacob tinha uma grande família! Deus lhe dera doze filhos e uma filha. Seus dois filhos mais novos, José e Benjamin, eram especialmente queridos porque o faziam lembrar da mãe deles, Raquel, que morrera ao nascer Benjamin, no mesmo dia. Os outros dez filhos eram todos homens a esta altura, e viviam vidas perversas, causando muita tristeza ao coração de seu pai.

      Jacob amava mais a José do que a qualquer de seus outros filhos, porque Jacob já era velho quando lhe nasceu José, por isso, ficava mais tempo na companhia do pai. Além disso, José era um garoto profundamente interessado nas coisas divinas.

      José gostava de ouvir seu pai Jacob lhe contar as promessas que Deus fizera ao bisavô de Jacob, seu pai. Assim, José aprendeu a confiar em Deus de todo o coração, e queria sempre obedecê-Lo.

      O trabalho de José era ajudar os seus dez meio-irmãos mais velhos a cuidar do rebanho de ovelhas de seu pai Jacob. José era um bom auxiliar, que sempre procurava um jeito de facilitar a vida e o trabalho de seus irmãos. Entretanto, as coisas más que seus irmãos diziam e faziam entristeciam a José, que tinha que dividir suas preocupações com alguém, de sorte que comentava esses problemas com seu pai. O pecado de seus filhos mais velhos trazia muita tristeza a Jacob. Os irmãos odiavam a José porque ele não participava de suas maldades. Por isso, os irmãos zombavam dele e de sua vida de “bonzinho”. Muitas vezes, quando assumimos uma posição firme de crentes em Cristo, e tentamos viver para Ele e agradá-Lo, e não acompanhamos e nem fazemos coro com a multidão, fazendo as coisas erradas como as pessoas que não temem a Deus fazem, riem de nós. Mas, no fim, sempre compensa fazer as coisas certas.

 

A Túnica multicolorida de José

 

      Um dia Jacob deu a José um presente especial – uma túnica linda, de muitas cores vivas. Quando os irmãos mais velhos viram essa bela túnica multicolorida, o ódio mortal em seus corações aumentou mais do que nunca. Eles acusaram a José, cheios de raiva: “Você é o preferido do papai; ele nunca nos deu nenhuma túnica bonita como essa! Você fica bajulando o velho, o tempo todo, para que ele deixe para você seu dinheiro, os campos, o gado e as ovelhas. E é bem possível que você queira também que ele lhe deixe o direito de primogenitura! Espere só, seu novo rico oportunista! Vamos dar um jeito em você!” Os irmãos mais velhos de José estavam furiosos, espumando de raiva.

      José respondeu: “Nem pensem assim, meus irmãos! Papai me ama tanto porque eu confio no seu Deus e procuro servi-Lo. Nós temos os mesmos gostos e apreciamos conversar sobre as coisas. Esse nosso diálogo nos ajuda a entender um ao outro, a saber o que cada um pensa.”

 

Os Dois sonhos de José

 

      Quando tinha a idade de aproximadamente 17 anos, José teve dois sonhos. Ficou muito intrigado, matutando no que eles significavam. Será que Deus estava a tentar lhe dizer algo? Naqueles tempos, vejam vocês, quando não havia ainda a Bíblia, Deus falava às pessoas por meio de sonhos, visões, mensageiros celestiais, e de outras maneiras. Estão a lembrar de que Jacob, o pai de José, tivera uma visão maravilhosa de anjos subindo e descendo uma escada que alcançava do céu à terra.

      No primeiro sonho, José e seus irmãos estavam fora no campo fazendo feixes de trigo recém-cortado, que também chamamos de molhos de trigo. De repente, algo estranho aconteceu: o feixe de trigo de José ficou de pé, erecto, e os feixes que seus irmãos haviam feito rodearam o feixe de José e se inclinaram perante ele.

      O segundo sonho foi mais estranho ainda. Neste sonho, o sol, a lua e onze estrelas, todos se inclinaram diante de José.

 

José Conta os Sonhos a Seus Irmãos

 

      José não podia deixar de contar a alguém esses estranhos sonhos. Ainda sentia carinho pelos irmãos, embora eles o odiassem. Depois que teve o sonho dos feixes de trigo, José reuniu os irmãos e lhes contou seu sonho.

      “O que?” Gritaram os irmãos com raiva. “Você acha que vai nos governar, que vai mandar em nós?” E o odiaram mais ainda por causa de sonho.

      José contou aos irmãos também o sonho seguinte. “No meu segundo sonho,” disse, “o sol, a lua e onze estrelas se inclinavam diante de mim.”

      Seus irmãos ficaram uns feros. “Você acha mesmo que nos governará e será nosso rei?”

      E quando ele contou também o sonho a seu pai, este o repreendeu. “Que é isto?” Perguntou Jacob. “Acaso viremos eu, tua mãe e teus irmãos a inclinar-nos perante ti?”

      Os irmãos de José estavam loucos de ciúme dele, mas o pai ficou pensando no significado dos sonhos. Talvez Deus fosse usar José em Seus planos, matutou Jacob. Se assim fosse, Jacob sabia que José era a espécie de rapaz que Deus poderia usar. José amava a Deus profundamente, era obediente a seu pai, e embora jovem ainda, sempre fazia o possível para ajudar. Você também é uma pessoa assim? Você está se preparando agora para um trabalho importante que Deus terá para você quando estiver grande? Peça a Deus agora para ser o tipo de menino ou menina que Ele possa usar no futuro.

 

 

2

José é Vendido

Génesis 37:12-36

 

Versículo: Provérbios 3:6

 

Introdução

 

      Certo dia os dez irmãos mais velhos de José levaram o rebanho de ovelhas para bem distante de casa, em busca de pastos e aguada. José ficou em casa ajudando o pai. Quando vários dias se passaram sem que Jacob recebesse notícias dos filhos, ele chamou José, que se apressou em atender e disse: “Eis-me aqui. O que desejas, meu pai?” Disse Jacob: “Sabes que teus irmãos estão longe, apascentando os rebanhos. Vai ter com eles, encontra-os e vê como estão passando, e se as ovelhas estão bem, e traz-me notícias deles.” Então José partiu imediatamente para atender o pedido de seu pai.

      José andou mais de cem quilómetros por montes e vales, e através de florestas. Finalmente chegou a Seiquém, onde deveriam estar seus irmãos. José os procurou por toda a parte mas não os achou em lugar algum. Um homem que morava lá o viu errando pelos campos e perguntou: “O que é que procura, rapaz?”

      “Meus irmãos,” José respondeu. “O senhor viu os dez filhos de Jacob?” “Como não!” Disse o homem. “Eles foram para Dotã, cerca de 30 quilómetros daqui, pela estrada.” Então José foi para Dotã.

 

 

José Encontra Seus Irmãos

 

            Finalmente, ele viu ao longe as ovelhas pastando. Os irmãos de José também o viram, reconhecendo-o logo pela linda túnica que usava. “Agora é nossa oportunidade,” disseram eles. “Podemos nos livrar desse sonhador de uma vez para sempre!” E assim começaram a urdir uma trama para matar a José. Mas Rúben, o irmão mais velho, era mais bondoso do que os outros, e tentou poupar a vida de José. “Não o matemos,” disse Rúben. “Se nós o matarmos, Deus poderá matar a nós.” “Muito bem, então, o que vamos fazer com ele?” Perguntaram os outros.

            Rúben disse: “Vamos jogá-lo vivo neste buraco fundo e escuro. Ele nunca conseguirá sair de lá. Morrerá de fome, ou algum animal selvagem o fará em pedaços. Assim ele morrerá sem que nós o toquemos.” Todos concordaram. Rúben planejava tirar José secretamente do buraco, devolvendo-o a seu pai.

            Quando José chegou perto, foi gritando: “Hei, pessoal! Onde andavam? Papai está preocupado com vocês.” Os irmãos não disseram nada, só ficaram olhando-o de sobrancelha cerrada e cara amarrada, de um jeito horrível. Então o agarraram e gritaram, “Nós te prevenimos, seu mandão! Vamos te jogar neste poço fundo e escuro e lá vais morrer!”

            “Que é isso! Vamos lá!” Disse José. “Não fiz nada a vocês e por favor não me tirem a túnica.” Mas eles não atenderam a seus rogos e protestos.

 

Os Irmãos de José o Jogam no Poço

 

            Os irmãos pegaram José, arrancaram-lhe a linda túnica multicolorida e o jogaram dentro do poço lodento. “Socorro! Socorro! Tirem-me daqui! Não me deixem aqui p’ra morrer!” Gritava José, que não via jeito possível de sair do buraco. Mas seus irmãos ficaram indiferentes aos seus apelos e gritos de socorro, de causar dó.

            Pobre José! Estava agora sozinho no buraco escuro, de meter medo em qualquer um. Ou será que ele estava só mesmo? Quando a Bíblia nos fala de José, repete sempre: “E o Senhor estava com José.” José não estava sozinho, afinal de contas! E nós temos a mesma promessa, na qual podemos confiar: “Não temas, porque Eu estou contigo.” Não importa onde estejamos nem os tempos difíceis que enfrentamos, receberemos ajuda e força ao saber que o Senhor está connosco. Vamos acreditar nesta verdade, Deus guardará a José.

 

Os Irmãos Vêem Uma Caravana

 

            Os irmãos se sentaram para almoçar, enquanto Rúben foi trabalhar em outro lugar do campo. Quando levantaram a cabeça, viram uma caravana marchando na direcção deles. Era um grupo de mercadores ismaelitas em viagem para o Egipto com uma caravana de camelos para vender as suas ricas especiarias, bálsamo e mirra de cheiro doce. Um dos irmãos teve uma ideia:

            “Olhem lá!” Judá disse aos outros. “Aquilo é uma caravana de mercadores ismaelitas em viagem para o Egipto.” Fizeram a caravana parar e começaram a discutir o negócio. “Queremos vender um rapaz escravo, muito trabalhador, só por vinte peças de prata,” disseram eles.

            “Muito bem, nós o compramos,” os mercadores disseram. “Onde está ele?”

 

José é Vendido Aos Mercadores

 

            Os irmãos puxaram José para fora do poço. “Vocês vão me deixar ir para casa com meu pai agora?” perguntou José.

            “Pode apostar que não, meu jovem. Você foi vendido a estes mercadores e será levado para tão longe que pode perder a esperança de voltar a ver o papai, sua casa ou seu país de novo.”

            Amarraram os braços e as pernas de José e o jogaram nas costas de um camelo, e lá foi ele embora para a terra do Egipto. José compreendeu que seria escravo de estrangeiros e seus rogos e pedidos não comoveram o coração de seus irmãos cruéis e perversos, que avidamente dividiram o dinheiro da venda entre eles, alegres por terem se livrado de José para sempre. José tinha somente cerca de dezassete anos quando foi vendido como escravo.

            Depois que a caravana dos ismaelitas já sumira de vista e os irmãos haviam saído do local para cuidar das ovelhas, Rúben voltou às pressas para o poço. Curvando-se para dentro do poço, ele chamou: “José, José!” Mas não obteve nenhuma resposta do buraco escuro. Chamou mais alto, mas mesmo assim ninguém respondeu. Rúben ficou em pânico, porque compreendeu que José não estava mais no poço. Procurou os irmãos e lhes indagou alarmado: “Onde está o rapaz? Vocês o mataram?” Ele achava insuportável a ideia de ter que encarar o pai sem José. Iria matar seu velho pai do coração.

            “Não, ele não está morto, mas está longe agora.” Em seguida contaram a Rúben o que tinham feito.

            “O que é que vão dizer a nosso pai?” Rúben perguntou. Então um deles deu uma ideia: “Vamos rasgar a túnica de José, e depois matamos um cabrito e molhamos a túnica no sangue dele. Depois levamos essa túnica rasgada e ensanguentada para nosso pai. Ele pensará que algum animal selvagem despedaçou José.” Então puseram-se de acordo a respeito desse plano de contar ao velho Jacob essa mentira cabeluda para encobrir o terrível mal que haviam praticado.

Os Irmãos Mostram a Jacob a Túnica Manchada de Sangue

 

            Os irmãos de José foram para casa e levaram com eles a túnica manchada de sangue. “Veja aqui o que achamos nos campos, pai! O senhor acha que possa ser a túnica de José?” Disseram eles.

            Jacob reconheceu a túnica imediatamente. “Oh, com certeza!” ele soluçou. É a túnica de meu filho. Algum animal selvagem o fez em pedaços e o comeu.” Então Jacob chorou e lamentou a perda de seu filho durante muitas semanas. A família tentou confortá-lo, mas não adiantou. “Vou morrer de tristeza por meu filho,” ele respondia, e caía no choro de novo. Que peça suja e cruel aqueles homens haviam pregado no seu velho pai!

            É triste pensar sobre o quanto o pobre Jacob estava infeliz por José que, de facto, não estava morto. E é triste pensar também em José, longe de casa, numa terra desconhecida. Mas é maravilhoso saber que Deus guardará José e não permitirá que nada lhe aconteça, a menos que o próprio deus o permita. A Bíblia nos diz que “O Senhor estava com José” em todos os seus períodos de crise.

            Poderá haver ocasiões em que você enfrente problemas que não compreende. Você poderá sofrer crueldades. Mas lembre-se de que Deus sabe, e, se você estiver agindo certo, Deus o conduzirá através do túnel até que saia do outro lado. Somente confie nEle.

            De muitas maneiras José tipifica, ou representa, Jesus. É uma figura de Cristo. José era o filho amado de seu pai, como Jesus era o bem-amado e Unigénito Filho de nosso Pai Celestial. José foi odiado por seus irmãos; Jesus foi odiado por muitos judeus: José foi vendido por vinte moedas de prata; Jesus foi vendido por trinta moedas de prata. À medida que vocês aprenderem as coisas que aconteceram a José, verão outros paralelos entre Jesus e ele.

            José teria maravilhosa experiência em aprender a confiar em Deus em tudo. Seus irmãos quiseram fazer-lhe mal, mas Deus mudaria as coisas e o mal se transformaria em bem. Nosso Deus ainda pode transformar em bem todo o mal que nos acontece.

 

 

3

José, o Escravo

Génesis 39-40

 

Versículo: Provérbios 3:7

 

Introdução

   Pobre José! Triste, fatigado e com saudades de casa, viajava no lombo de um camelo em meio à poeira, rumo ao distante Egipto, na caravana dos ismaelitas. Por que seus irmãos foram tão cruéis com ele? Pensou. Por que permitiram que esses estrangeiros o levassem embora desse jeito? Por que ninguém viera em seu socorro?

   Finalmente, a caravana chegou ao Egipto. José estava agora no meio de um povo estranho, que falava uma língua diferente da sua. Viu grandes cidades e templos enormes, usados para adoração de ídolos, e o grande Rio Nilo. Estava de olhos arregalados de surpresa.

 

José é Vendido a Potifar

 

   Os ismaelitas a quem os irmãos de José o venderam estavam ansiosos para ter um bom lucro com seu escravo. Portanto, puseram-no à venda no mercado egípcio de escravos. José era um jovem forte e sadio, afoito ao trabalho, e os que vinham a esse mercado de escravos procuravam justamente jovens assim para ajudá-los. Não demorou e um importante oficial egípcio, o Capitão Potifar, apareceu, viu e comprou José. Potifar era um homem muito rico, que tinha muitos escravos.

   Potifar encarregou José de muitas tarefas. José tinha enormes saudades da sua família – seu velho pai, seu irmãozinho Benjamin, e todas as coisas de sua infância, a que tanto amava. Sua ajuda maior provinha da meditação no Deus de seu pai, o Deus que também era seu Deus e em cujas promessas Ele Confiava.

   José deve ter orado assim: “Senhor, ainda que nenhuma de minhas pessoas queridas nem meus amigos me vejam, TU me vês e observas como estou vivendo. Ajuda-me a ser diferente deste povo que não TE conhece, um povo idólatra e de vida perversa. Ajuda-me a não sentir tanta saudade de casa; ajuda-me a fazer meu trabalho do modo como TU queres; ajuda-me a ser obediente, honesto e alegre.” Como José honrava Deus, o Senhor tocou no coração de José e fortaleceu seu ânimo, lhe deu coragem. Durante todo o tempo em que esteve em Egipto, “O Senhor estava com José.”

 

Potifar Promove José

 

   O capitão Potifar prestou atenção nesse jovem fora do comum. José era diferente de todos os outros escravos de Potifar porque o Senhor estava com ele. Depois de certo tempo, o capitão chamou José e disse: “José, eu tenho observado você e gosto do seu trabalho. Vou fazer de você o capataz de todos os meus escravos, todos que servem nesta casa. Vou fazer de você o mordomo de minha casa e de meus negócios. Confio em você, porque você é honesto, puro e correcto.”

   E foi assim que todas as riquezas de Potifar passaram ao controle de José. A Bíblia diz: “O Senhor abençoou a casa do egípcio por amor a José; e a bênção do Senhor estava sobre tudo o que tinha.”

   E quando tudo ia correndo às mil maravilhas para José, Satanás, o inimigo de Deus e de todos os que amam a Deus, pensou: “Isso não pode ser! Não posso permitir que José viva para o Senhor e seja testemunho dEle. Desse jeito, ele vai acabar desviando o povo de mim. Tenho de achar um jeito, de tentá-lo e fazer com que peque!” A esta altura dos acontecimentos, José se tornara um belo rapaz. O diabo observou e disse: “Vou usar a bela esposa do capitão Potifar para induzir José a cometer pecado.”

   Diariamente, quando José entrava e saía da casa de Potifar a serviço, a mulher do capitão, muito bonita, mas uma mulher vaidosa, que não amava a Deus, tentou seduzir José, mas ele lhe disse: “Escute aqui, madame, o Capitão Potifar me confiou toda a sua casa e todos os seus bens. Nenhuma coisa me proibiu, senão a ti, porque és sua esposa. Fazer as coisas erradas que a senhora quer que eu faça seria um grande pecado contra meu Deus!” Mas ela não desistiu, e continuou a atazaná-lo dia após dia.

   José se recusou a dar ouvidos à mulher de Potifar e se manteve longe dela tanto quanto pode. Mas ela continuava a insistir. Então, num dia em que Potifar estava ausente de viagem, José entrou na casa para fazer seu trabalho. Não havia ninguém, só a mulher de Potifar estava em casa, sozinha como o diabo gosta. Ela se aproveitou, agarrou-o pela manga da roupa e exigiu: “Agora você vai fazer o que eu quero.”

 

José Foge da Mulher de Potifar

 

   De um safanão, José escapou, mas, ao fazê-lo, suas vestes ficaram nas mãos da mulher de Potifar. Era uma espécie de robe que ele vestia sobre a outra roupa, conforme o costume da época, e foi esse robe que se soltou e ficou nas mãos dela, enquanto José, prudentemente, correu da casa. (Quando você for tentado, a melhor coisa a fazer é correr, o mais rápido que puder!)

   Quando a mulher de Potifar viu que tinha nas mãos o robe de José, ela começou a gritar. Os homens em torno da mansão vieram correndo e a encontraram chorando histericamente. Ela então mentiu aos homens e lhes disse que José tentara agarrá-la. Quando Potifar voltou, ela lhe contou a mesma mentira: “O escravo hebreu que julgou tão bom, fazendo dele nosso mordomo, esteve aqui diariamente tentando seduzir-me. Quando gritei, ele correu e deixou o robe! Aqui está ele! Guardei-o só para lhe mostrar como esse José é mau.”

   O Capitão Potifar ficou furioso. Acreditou na mentira que sua mulher lhe contou, e fez com que José fosse jogado na prisão de Faraó, uma masmorra escura e bolorenta. José sabia que estava inocente, mas estava feliz por ter assumido uma atitude firme, ficando do lado de Deus, não caíndo na cilada do diabo, mesmo que isso tenha significado ir para a prisão.

   Vocês acham que José ficou na sua cela a dizer: “Bem, eu estava a procurar agir certo e viver para o Senhor, sendo Seu testemunho. E vejam só o que Ele deixou que me acontecesse!” Não, José não era desse tipo de gente. Ele não ficou a reclamar, a se queixar, a se maldizer, nem ressentido e mal-humorado, ou a culpar Deus pelo acontecido. Em vez disso, ele pensou: “Acho que Deus tem uma missão para mim nesta cadeia. Falarei aos outros prisioneiros sobre o Verdadeiro Deus Vivo.” José era um espírito brilhante e alegre, e se esqueceu de si próprio, enquanto se mantinha ocupado, cuidando e encorajando os outros. E certamente é verdade que “O Senhor estava com José.”

   José não compreendia porque Deus lhe permitira experimentar todas essas dificuldades; porque seus irmãos o jogaram num poço e o venderam como escravo; e porque fora jogado tão injustamente naquela prisão. Mas ele confiava em Deus, embora não pudesse ver nem compreender os desígnios do Senhor. Deus quer que dependamos dEle, e que confiemos nEle, e que tenhamos a certeza de que sempre faz o que é melhor para nós, porque Ele nos ama e nos quer fazer à semelhança do Senhor Jesus. Se tudo fosse fácil, sem provas e sem dificuldades, nunca cresceríamos espiritualmente, nem nos tornaríamos crentes fortes. Nossas vidas nunca teriam valor diante de Deus.

   O carcereiro, ou guarda da prisão, gostava muito de José porque ele era uma pessoa cooperadora. Não demorou e José se tornou o encarregado de todos os outros prisioneiros. Imaginem isso! José ganhou promoção até na cadeia! O carcereiro não se preocupou mais em administrar a cadeia depois disso, porque confiava em José completamente.

 

José na Prisão com o Mordomo e o Padeiro

 

   Depois de algum tempo que José estava na prisão, dois novos prisioneiros chegaram. Eram eles o copeiro-chefe e o padeiro de Faraó, como era chamado o rei do Egipto. José, sempre bondoso para com os necessitados e aflitos, tornou-se amigo dos dois. Certa manhã, notou que ambos estavam preocupados e tristes. José se importava muito com seus amigos e logo notou que estavam tristes. “Por que vocês parecem tão desencorajados hoje?” Perguntou-lhes. Então eles lhe contaram que ambos tiveram sonhos estranhos e não lhes entendiam o significado. “A interpretação dos sonhos pertence a Deus.” José replicou. “Eu creio no Deus dos céus, e sou Seu servo. Contem-me o que vocês sonharam.”

 

O Sonho do Copeiro-Chefe e do Padeiro

 

   O copeiro-chefe, que servia Faraó às refeições, contou com todo o cuidado seu sonho, em primeiro lugar. “Vi uma videira com três ramos,” ele relatou. “Ao brotar a videira, havia flores e produziam uvas maduras. E o copo de Faraó estava em minha mão; e eu peguei as uvas e as espremi no copo de Faraó, e o entreguei nas mãos dele.”

   José ouviu com atenção até o copeiro-mor terminar de falar. “Deus me mostrou o significado do seu sonho,” disse-lhe José. “No prazo de três dias, Faraó vai tirar você da prisão e lhe restituirá o emprego.” O copeiro-mor ficou mortinho de alegria. Então José acrescentou: “Quando voltar a servir o rei, dê uma palavra a meu favor. Fui metido nesta prisão injustamente. Eu nada fiz de errado, peça a Faraó que me liberte daqui.”

   “Sem dúvida eu farei isso, José,” prometeu-lhe o copeiro-mor. “Como poderei esquecer você, ou agradecer-lhe o bastante?”

   Em seguida José ouviu o padeiro contar seu sonho. Disse o padeiro: “No meu sonho, eu tinha três cestas na minha cabeça. Na cesta de cima, a mais alta, eu carregava toda espécie de pão e rocamboles para Faraó, mas os pássaros vieram e os comeram.

   José ouviu com atenção e tristeza o relato do sonho do padeiro-chefe. O significado de tal sonho era muito triste, mas José prometera interpretá-lo e por isso disse ao padeiro: “Você vai sair da cadeia para ser executado.” Pobre padeiro-chefe! Porém tenho a certeza de que José disse-lhe palavras de conforto sobre a morte e lhe explicou como deveria preparar-se para encontrar-se com Deus.

 

O Copeiro-Mor Volta a Seu Velho Emprego, Mas Esquece de José

 

   As coisas aconteceram exactamente como Deus revelara a José. Dentro de três dias, o copeiro-mor ganhou seu velho emprego de volta, e o padeiro-chefe também foi levado da cadeia, mas para ser enforcado. José ficou a matutar, querendo saber se o copeiro-mor dissera alguma coisa a seu favor a Faraó, para que o rei o libertasse. Os meses foram passando, mas nenhuma palavra, nenhuma notícia do palácio. O copeiro-mor servia o rei diariamente, mas se esquecera de José completamente! O copeiro-mor havia agradecido a José a interpretação do sonho com os lábios, mas não agiu como uma pessoa agradecida.

   Com que frequência nós agimos do mesmo jeito que o copeiro-mor! Dizemos “muito obrigado” mas não temos o coração cheio de gratidão, a gratidão que faz com que façamos algo em favor dos outros. Dizemos também “desculpe”, mas em seguida continuamos a fazer as mesmas coisas pelas quais pedimos desculpas. Será que isso aconteceu a você hoje mesmo? Por que não pede a Deus que o ajude a ser sincero quando diz ter bons propósitos? Peça a Deus que o ajude a manter as promessas que faz, e Lhe agradeça, diga muito obrigado, porque Ele sempre mantém as promessas que faz a você.

            Coitado do José! Potifar pensou mal dele, o copeiro-mor o esquecera, e o Faraó possivelmente nunca ouvira falar nele. As coisas pareciam piorar cada vez mais. Mas José não esquecia de que Deus estava com ele e esse pensamento encorajava o seu coração e fazia com que ele ficasse na expectativa do que Deus faria em seguida, sem desanimar.

 

 

4

José no Palácio de Faraó

Génesis 41

 

Versículo: Provérbios 3:9

 

Faraó Tem Um Sonho e o Copeiro-Mor Lembra de José

 

      O copeiro-mor, que voltara a seu velho emprego e servia o rei diariamente, se esquecera de José por completo. Havia tantas coisas excitantes a acontecer no Palácio, que o copeiro-mor não tinha nem pensado em José. O copeiro-mor já estava a servir o rei há dois anos depois que saíra da prisão, enquanto José aguardava no cárcere, já tendo agora feito trinta anos de idade.

      Aconteceu então que uma noite o Faraó teve dois sonhos. Na manhã seguinte, quando pensou nos sonhos, o Faraó se perturbou grandemente. Ficou cogitando o que os sonhos poderiam significar. Convocou todos os sábios e magos do Egipto mas nenhum deles tinha a menor ideia do significado das visões oníricas, isto é, dos sonhos, de Faraó. Foi então que o copeiro-mor falou: “Hoje me lembro de minha falha! Há dois anos, quando estava na prisão, tive um sonho. Um jovem hebreu, companheiro de cadeia, me disse exactamente o significado do meu sonho, e tudo se passou fielmente como ele disse.” O Faraó então mandou chamar José com urgência.

      Foi assim que, quando José estava a fazer o seu trabalho de rotina na prisão, chegou um mensageiro às pressas do palácio do Faraó. “O Faraó quer vê-lo imediatamente, José,” disse ele.

      “Eu! P’ra quê?” Perguntou José, cheio de animação. Foi levado às pressas da prisão, e depois de tomar um banho rápido e mudar de roupa, foi conduzido à presença de Faraó.

     

José Foi Trazido da Prisão para Apresentar-se Diante de Faraó

 

      Na sua frente estava o rei da maior nação da terra, sentado num trono de ouro, cercado de oficiais e outros servidores elegantemente vestidos. A visão foi ofuscante para José, após tantos anos em uma prisão imunda! José aguardou com respeito para descobrir o porque de o terem chamado ao palácio real.

      “Tive dois sonhos,” o Faraó lhe disse, “que me preocupam muitíssimo. Nenhum dos sábios do Egipto é capaz de dizer-me seu significado. Por isso, mandei buscá-lo porque me disseram que você sabe interpretar o verdadeiro significado dos sonhos.”

      José replicou: “A sabedoria não provém de mim, Majestade, ela vem de Deus a Quem eu sirvo. Conte-me seus sonhos e Ele dará a sua interpretação.”

      Sabemos que Deus com certeza honra a José em tudo que lhe aconteça, porque ele humildemente dá-LHE glória em todas as coisas.

 

Os Sonhos de Faraó

 

      E o Faraó respondeu: “No meu primeiro sonho, eu estava de pé às margens do Nilo e vi sete vacas gordas saírem do rio. Após estas, vi sete vacas muito magras e feias saírem também do rio e comerem as sete vacas gordas. E mesmo depois de as terem devorado, as sete vacas guenzas continuaram tão magras quanto antes! Foi então que me acordei. Em seguida dormi e sonhei de novo, e vi sete espigas de milho nascerem no mesmo pé. Eram espigas boas e cheias. Mas enquanto eu as olhava, ainda no mesmo pé nasceram sete espigas murchas e mirradas que comeram as espigas gordas! Mais uma vez me acordei.”

      “Os sonhos de Vossa Majestade são de facto maravilhosos,” disse José ao rei, “e ambos têm o mesmo significado. Deus estava lhe dizendo o que fará aqui na terra do Egipto. As sete vacas gordas e as sete espigas boas e cheias significam que haverá sete anos de abundância em toda a terra do Egipto. Suas hortas florescerão, suas árvores frutíferas produzirão frutos, e haverá maravilhosas colheitas de grãos de outros alimentos. As sete vacas magras e as sete espigas murchas e mirradas mostram que depois dos sete anos de abundância haverá sete anos de fome e o povo ficará sem comida, morrendo à mingua de alimentos. A fome será a pior que o Egipto jamais viu. Deus lhe deu esses dois sonhos para lhe mostrar que tais coisas acontecerão muito em breve. Ele está avisando-o, Majestade, para que se prepare para o tempo de escassez e fome, para que todos os seres viventes no seu reino não venham a morrer.” Quando Faraó ouviu a explicação de José, logo concordou com a interpretação de seus dois sonhos. José continuou: “Permita-me fazer uma sugestão a Vossa Majestade: procure o homem mais sábio do Egipto e o encarregue do abastecimento de alimentos. Durante esses sete anos de abundância, ele deve construir celeiros, silos, e armazéns em toda a terra do Egipto, poupando parte da colheita de cada ano de abundância para consumo do povo nos sete anos de fome, de sorte que todos tenham o bastante naqueles anos difíceis que certamente virão.”

      O Faraó e seus assistentes gostaram muito da sugestão de José. E quando discutiram o nome de quem deveria ser nomeado para tarefa tão grande e de tanta responsabilidade, o Faraó disse: “Quem é melhor do que José para esse cargo? Ele é um homem cheio do Espírito de Deus.”

 

Faraó Faz de José Governador do Egipto

 

      E foi assim que o Faraó fez de José governador de toda a terra do Egipto. Ele ficou encarregado de todo o projecto. Não era mais escravo. Era agora a segunda pessoa depois do Faraó na hierarquia e no poder. O Faraó lhe colocou no dedo seu anel de sinete como símbolo da autoridade de José. Deu-lhe para vestir lindas vestes reais e lhe pôs ao pescoço uma corrente de ouro. O Faraó também deu a José a carruagem de segundo homem na hierarquia do poder egípcio e aonde quer que José fosse o povo se inclinava e aclamava: “Viva o governador!...”

      Lembrem-se de que antes os irmãos de José o haviam vendido como escravo por inveja, esperando humilhá-lo e insultá-lo. E agora aqui estava ele, como a segunda pessoa mais importante do Egipto, onde todo o povo lhe rendia homenagem e se inclinava á sua passagem! É assim que Deus faz com os que o amam e nEle confiam, fazendo com que “todas as coisas operem conjuntamente para o bem dos que o amam.” Deus nos ensina coisas maravilhosas através da vida de José.

      O Faraó também deu a José um palácio para residir e uma bela esposa, de sorte que José ficou famoso em toda a terra do Egipto. Mas nem toda essa prosperidade e fama mudaram o coração de José. Ele continuou bondoso e justo para com todos e o povo do Egipto o amava.

 

José Armazena Comida Durante os Sete Anos de Fartura

 

      Sem falhar um dia, José andava por toda a terra do Egipto e armazenava a safra agrícola que era abundante por toda a parte. O que sobrava das necessidades imediatas ele armazenava em silos enormes para as necessidades futuras, até que finalmente conseguiu separar uma enorme quantidade de grãos para os anos de fome, os anos das vacas magras, como dizemos hoje em dia, em alusão a essa história de José. Quando há fartura, dizemos também que é o tempo das vacas gordas.

      Nesse período Deus abençoou José e sua esposa com dois filhos, Manassés e Efraim. O nome de Manassés significa “esquecimento”. Quando lhe nasceu Manassés, José disse: “Deus me fez esquecer de todos meus duros anos de trabalho.” A seu segundo filho José chamou de “próspero” porque, disse ele, “Deus me fez próspero na terra de minha aflição.”

      Finalmente, os sete anos de abundância e fartura chegaram ao fim. Começaram, então, os sete anos das “vacas magras,” isto é, os sete anos de fome, exactamente como José predissera. Todos os campos e as colheitas secaram e o povo começou a sentir a fome chegar. Não havia alimento nos países vizinhos tampouco, como em Canaã, na Síria e na Arábia. Mas no Egipto havia abundância de grãos nos silos e armazéns. O povo, de perto ou de longe, clamou a Faraó por pão, e Faraó mandava que todos fossem falar com José. “Façam tudo o que José lhes mandar,” era a orientação de Faraó.” Agora, pois, que a fome grassava, José abriu os celeiros do Egipto ao povo do país e também aos povos de outras terras que vinham de longe ao Egipto comprar trigo.

      José honrou a Deus e Deus honrou a José. Onde quer que estivesse – no poço, na casa de Potifar, ou na prisão, ou no palácio do Faraó, como a segunda pessoa do rei, Deus estava com José porque José amava e obedecia a Deus.

 

5

Os Irmãos de José Visitam o Egipto

Génesis 42-45

 

Versículo: Provérbios 3:1

 

Revisão

 

   Vocês estão a lembrar de que quando José era menino na terra de Canaã, Deus lhe revelou que um dia seus próprios irmãos se curvariam diante dele? Sem dúvida, o conhecimento de que Deus tinha um plano para a sua vida fez com que José se mantivesse forte na fé e perto do Senhor durante os longos anos de dificuldades. Mantinha os olhos sempre fitos no alto, ao invés de fitá-los no chão, porque sabia que Deus estava com ele.

   Quando os irmãos de José o venderam como escravo aos mercadores que viajavam para o Egipto, pensaram que jamais o veriam de novo; e quando seu pai Jacob pôs os olhos na túnica manchada de sangue, teve a certeza de que seu amado filho José fora devorado por animais selvagens.

   Como vocês sabem, a vida de José teve muitos altos e baixos na terra do Egipto. Foi vendido a Potifar, que o promoveu por causa de suas qualidades de servo leal e trabalhador, mas em seguida foi metido na cadeia por agir correctamente quando a mulher de Potifar queria que ele pecasse. Mas o Senhor estava com José, e ele foi promovido até na prisão. Depois de muito tempo na masmorra, finalmente foi chamado à presença de Faraó, que fez dele a sua segunda pessoa em toda a terra do Egipto. Durante sete anos José supervisionou os egípcios na tarefa de armazenar alimentos para os anos de fome. Quando a fome chegou, como José havia predito, gente de todo canto, de perto e de longe, vinha a José á procura de trigo.

            Lá na terra de Canaã havia escassez de alimentos. Jacob, o pai de José, ouvira dizer que havia trigo no Egipto à venda. Ele disse aos filhos: “Ouvi dizer que há cereais no Egipto. Descei até lá e comprai-nos um suprimento antes que morramos de fome.” E foi assim que os dez irmãos mais velhos de José desceram ao Egipto a fim de comprar cereais. Contudo, Jacob não deixou ir seu filho mais novo, Benjamin, por temer que algum mal lhe sobreviesse, como aconteceu a José, irmão de Benjamin.

            Ao chegar ao Egipto, os irmãos indagaram do lugar onde poderiam comprar cereais. Foram então informados de que precisavam de autorização do governador para adquirir os produtos, visto que ele estava encarregado da venda de cereais.

 

Os Irmãos de José se Curvam Diante Dele

 

            Foi assim que eles foram à presença do governador encarregado dos cereais, e se inclinaram diante dele, sem sequer sonhar, na sua mais louca imaginação, que esse homem importante, vestido elegantemente como um governante egípcio e falando a língua egípcia, fosse seu próprio irmão José, a quem venderam como escravo, anos antes! Não tiveram a menor ideia de que, ao se curvarem perante este príncipe egípcio, estavam cumprindo o sonho pelo qual haviam perseguido seu irmão 15 ou 20 anos antes.

            José reconheceu os seus irmãos imediatamente, mas não deixou que eles percebessem. Queria saber se o coração deles mudara durante esses longos anos e se estavam vivendo de modo diferente agora. Decidiu falar com eles asperamente, perguntando-lhes, com voz dura, através de um intérprete: “De que país são vocês?”

Eles responderam: “Da terra de Canaã; viemos comprar cereais.” José lhes respondeu rispidamente: “Sois espiões, e vieste para ver o quanto a fome tornou pobre e nua a nossa terra.”

            “Não, não!” eles exclamaram. “Nós somos doze irmãos, senhor, e somos gente honesta. Nosso velho pai está na terra de Canaã, e o nosso irmão caçula está lá com ele. U de nossos irmãos está morto.”

            José ouviu com atenção a resposta deles e desejou muito ver de novo seu irmão mais novo, Benjamin. José pensou num plano ali mesmo. “Vou correr o risco e acreditar que sois gente decente, homens honrados,” disse-lhe ele. “Um de vós ficará preso aqui e o resto pode ir com os cereais para as suas famílias. Trazei vosso irmão mais novo a mim e então saberei que falais a verdade.” Eles concordaram em atender a exigência de José.

            Conversando entre si, os irmãos disseram: “Isto nos está a acontecer por causa do que fizemos a José há muito tempo. Fizemos ouvido de mercador quando ele rogou e implorou que não o vendêssemos como escravo. Agora Deus nos está a punir por nossa crueldade.” Embora não soubessem, José compreendeu cada palavra do que eles disseram. Desejou muito abraçá-los ali mesmo, mas ainda não tinha terminado o plano que imaginara. Ele escolheu Simeão para ser algemado e posto na cadeia. Os outros ficaram olhando a cena, tremendo de medo. Finalmente, José os despachou e eles ficaram livres para carregar os jumentos e partir de volta a casa.

 

Os Irmãos Encontram o Dinheiro nos Sacos

 

            Quando pararam para o pernoite e abriram os sacos para dar de comer aos jumentos, o que vocês acham que eles encontraram? O dinheiro que cada um trouxera de Canaã e pagara a José como preço do cereal estava lá dentro de cada saco, bem em cima! Não podiam compreender como o dinheiro fora parar lá, de sorte que ficaram com mais medo do que antes de voltar ao Egipto. Não sabiam que José, por amá-los muito, tinha dado ordens secretas no sentido de que o dinheiro da venda fosse posto dentro de cada saco, bem em cima!

            Quando chegaram a casa em Canaã, contaram a Jacob tudo que acontecera, inclusive como foram tratados rispidamente pelo governador do Egipto, acrescentando que não poderiam comprar mais cereais a menos que levassem o irmão caçula com eles na próxima viagem. “Ele está nos pondo à prova para saber se somos homens honestos ou espiões,” explicaram ao pai. “Simeão ficou lá preso na cadeia até que levemos Benjamin de volta connosco.”

            “Benjamin!” exclamou Jacob. “Nunca! José nunca mais voltou, Simeão está na cadeia, e agora quereis levar Benjamin também! Tudo está contra mim!”

 

Jacob Concorda em Deixar Benjamin ir ao Egipto

 

            Repetidamente, Jacob recusou permitir que Benjamin fosse ao Egipto. Mas, finalmente, quando a comida se acabou, Rúben disse a seu pai: “Eu fico responsável por Benjamin. Mata meus dois filhos se eu não o trouxer de volta para casa!”

            Judá disse: “Manda o rapaz comigo e se eu não o trouxer de volta, levarei a culpa para sempre. Se não formos, todos pereceremos, morreremos de fome.” Não havia outra solução, de sorte que Jacob teve de concordar.

            Foi assim que eles saíram de viagem outra vez, levando uma quantia dobrada de dinheiro, além de presentes que consistiam em mel, bálsamo, nozes, arômates e mirra. E Benjamin também. Quando José os viu, deu ordens para que fossem levados à sua casa. Eles ficaram mortos de medo! “É por causa do dinheiro que estava em nossos sacos,” disseram os irmãos entre si. “Agora ele nos vai punir e fazer de nós escravos.”

            Quando chegaram à casa de José, foram ao mordomo e explicaram: “Houve um terrível engano, senhor. Pagamos o nosso cereal da última vez, mas alguém pôs o dinheiro de volta em nossos sacos.” Mas o mordomo respondeu com muita amabilidade, dizendo-lhes que tudo estava bem. Trouxe Simeão de volta da cadeia para junto dos irmãos e disse: “Meu senhor deseja que vocês venham almoçar com ele hoje ao meio-dia.” Eles se assustaram com essa notícia e ficaram com medo.

            Quando José voltou para casa, seus irmãos lhes entregaram, timidamente, os presentes que haviam trazido de Canaã, e se inclinaram profundamente diante deles. Para grande surpresa deles, José lhes dirigiu a palavra amavelmente e lhes perguntou como passaram. “E como está vosso pai o ancião de quem me falaste? Ainda vive?”

            “Sim,” responderam eles. “Ele está vivo e passa bem.” Outra vez se curvaram diante de José. Pondo os olhos em Benjamin, José perguntou: “É este vosso irmão caçula, aquele de quem me falaste?” o coração de José estava tão cheio de amor por seu irmão, que ele, não aguentando mais, retirou-se às pressas da sala e foi chorar no seu quarto. Quando voltou á sala de jantar, deu ordens para que servissem a comida.

 

 

6

José dá um almoço a Seus Irmãos

Génesis 42-45

 

Versículo: Salmo 10:4

 

José dá um almoço a Seus Irmãos

 

            Os irmãos estavam surpresos novamente, porque foram convidados a se sentarem à mesa por ordem cronológica de idade, do mais velho ao mais novo. Era óbvio que o governador egípcio sabia a idade de cada um deles! Quando a comida foi servida, Benjamin foi servido cinco vezes mais do que os outros irmãos. José observava seus irmãos atentamente. Será que eles ficariam com ciúmes e diriam que não era justo dar a Benjamin uma porção cinco vezes maior e em consequência o tratariam como fizeram a José muitos anos antes? Não! Pareceram nem notar que a Benjamin fora servido mais comida. Verdadeiramente esses homens haviam mudado! Banquetearam-se juntos, regozijaram-se na companhia mútua e se maravilharam com a comida deliciosa, e a hospitalidade do anfitrião.

            Quando os irmãos estavam prontos para partir para Canaã novamente, José disse a si próprio que precisava de submetê-los a mais uma prova. Foi então que deu ordens para que quando os sacos fossem enchidos de cereais desta vez, pusessem seu lindo copo de prata na boca do saco de Benjamin.

            Os irmãos se aprontaram cedo e partiram de viagem com seus jumentos e camelos carregados. Mas quando estavam ainda à distância de poucos quilómetros da cidade, ouviram o tropel de cavalos a galope. E com pavor viram que era o mordomo de José, acompanhado de um guarda-costas, que vinha para prendê-los!

            “O que pretendeste ao furtar o copo de prata do governador, que é de alta estimação?” Interrogou-os o mordomo.

            “De que o senhor está falando?” Responderam os irmãos. “Por que furtaríamos prata ou ouro da casa do seu senhor? Se esse copo for encontrado com qualquer de nós, aquele com quem for achado será escravo de governador pelo resto de seus dias?! Falaram assim porque tinham certeza de que nenhum deles furtara o copo de prata.

 

O Copo é Encontrado no Saco de Benjamin

 

            Deram uma busca nos sacos e, naturalmente, o copo foi encontrado no saco de Benjamin. “Não furtei o copo! Não furtei o copo! Não sei como foi parar em meu saco,” Benjamin protestou. Estavam todos agora cheios de medo e mais uma vez voltaram para o palácio do governador. Rúben e Judá haviam emprenhado a palavra perante seu pai de que nada aconteceria a Benjamin.

 

Os Irmãos Diante de José Uma Vez Mais

 

            Estavam todos abalados quando mais uma vez se prostraram em terra diante de José. Judá falou: “Oh, senhor, que podemos lhe dizer? Como posso apresentar nossa defesa? Como posso provar nossa inocência? Deus nos está a punir por nossos pecados. Quando dissemos a nosso velho pai que deveríamos trazer Benjamin connosco ou Vossa Excelência não nos venderia mais cereais, ele disse. ‘NUNCA! Um de meus filhos foi embora e nunca mais voltou – possivelmente foi despedaçado por algum animal selvagem, e eu nunca mais o vi. Se me levarem o irmão dele e algum mal lhe acontecer, morrerei de pesar, de tristeza!’ “Senhor, prometi a meu pai que eu cuidaria do rapaz se ele o deixasse vir connosco. Por favor permita que ele regresse com seus irmãos e eu ficarei aqui como escravo no lugar dele. Como é que poderei encarar meu pai de novo se não levar o rapaz comigo? Não posso suportar a visão do que isso faria a meu pai.”

            Essa argumentação foi bastante para José. Viu que seus irmãos haviam mudado e realmente amavam o pai e ao jovem irmão. Eles verdadeiramente se preocupavam com o que lhes viesse a acontecer. José, então, não se podendo conter mais, mandou que todos saíssem da sala, ficando só com os irmãos.

 

José se Revela aos Irmãos

 

            Então, voltando-se para os irmãos, José lhes disse que se aproximassem. Ele chorou e soluçou, e lhes disse na língua deles, o hebreu: “Sou José, vosso irmão, que julgáveis morto!”

            Então eles ficaram apavorados! José! Será que era José? No começo não puderam dizer uma palavra, de tão surpresos que ficaram. Então bradaram: “Oh, José, não nos mate por favor. Estamos arrependidos de nosso pecado. Lamentamos o tratamento terrível que lhe demos no passado. Deus mudou os nossos corações.”

            Com o coração transbordante de amor, José beijou-os todos – até os que o tinham lançado no poço e o vendido como escravo. Que amor! “Que conversa é essa, rapazes! Não vou matá-los. Não tenham medo! Foi Deus quem me mandou para esta terra, não vocês! E Deus fez de mim um conselheiro de Faraó, e governador de toda a terra do Egipto. Eu não somente os perdoo como já esqueci todas as coisas tristes do passado. Vocês as fizeram para me causar mal, mas Deus permitiu que acontecessem para nosso bem.”

            Durante todos os períodos de dificuldades e provas, Deus tinha um propósito para a vida de José. Onde quer que estivesse – no poço, na cadeia, ou no palácio – o Senhor estava com ele, guardando e guiando seus caminhos. Deus dera a José um coração magnânimo, capaz de perdoar sempre, e fez com que todas as coisas conjuntamente contribuíssem para o bem dele, José. Você já perguntou a Deus qual o propósito especial que Ele tem para a sua vida? Você já LHE agradeceu hoje pela promessa de que nunca o deixará e que fará com que todas as coisas na sua vida resultem no seu bem? Há alguém a quem você precisa de perdoar hoje? Por que não leva o assunto a Deus agora mesmo?

 

 

7

A Família de José

Génesis 45-50

 

Versículo: Sl 118:8 

 

Revisão

 

         Que belo encontro José teve com seus irmãos quando finalmente se deu a conhecer a eles! “Não fiquem tristes nem irritados com vocês próprios por me terem mandado para o Egipto,” disse-lhes José. “De facto, foi Deus Quem me mandou aqui, não vocês. Foi plano de Deus me mandar para esta terra para ajudar os povos durante os sete anos de fome. Ele planejou que eu deveria evitar que vocês, meus irmãos, morressem de fome na terra de Canaã, porque Ele tem um plano para nós e nossos descendentes, um plano que trará bênçãos para o mundo inteiro.”

            José chorou de alegria outra vez ao abraçar Benjamin, seu irmão mais novo. Benjamin começou a chorar também. Quando José pode readquirir o controlo, ele disse. “Contem-me de meu pai.”

         Quando terminaram de contar, José disse aos irmãos: “Apressem-se e voltem para casa e digam ao nosso pai que seu filho José vive e é governador sobre toda a terra do Egipto. Diga-lhe que seu filho lhe manda dizer que ele venha para cá imediatamente! Vocês irão morar numa região do Egipto chamada de terra de Gósen. Vocês ficarão perto de mim com todos os filhos de vocês, seus rebanhos, seu gado, e tudo o que possuem. Lá eu cuidarei de vocês. Ainda teremos cinco anos de fome, e eu quero ter a certeza de que terão toda a comida de que precisarem.”

         José despachou os irmãos na viagem rumo a casa pela segunda vez. Levaram com eles carroças egípcias carregadas de alimentos, bem como maravilhosos presentes para seu pai, roupas novas e muita prata e ouro. As carroças e boa parte das mercadorias eram presentes de Faraó, que generosamente convidou Jacob e toda a sua família para virem morar no Egipto.

         Quando os irmãos chegaram em casa, foram correndo para a tenda de seu pai, gritando: “José está vivo! José está vivo! E é governador de toda a terra do Egipto!”

         Jacob não conseguia acreditar neles. Não era possível! Mas quando lhe transmitiram a mensagem de José e quando viu as carroças de alimento que José lhe mandara, Jacob disse: “Deve ser verdade! José, meu filho, está vivo! Irei vê-lo antes de morrer.”

 

Jacob e Sua Família se Mudam para o Egipto

 

         Mais do que depressa eles aprontaram tudo para a viagem. Jacob deixou Canaã e seus filhos o trouxeram para o Egipto com toda a família, os rebanhos e todos os pertences que haviam acumulado. Homens, mulheres, crianças, jumentos, camelos, bois, ovelhas e cabras, tudo e todos vieram para o Egipto. Nada ficou para trás em Canaã. A caminho, Jacob consultou a Deus, que lhe disse: “Não temas ir para o Egipto. Lá farei de ti uma grande nação, e estarei contigo no Egipto.”

 

O Encontro de José e Jacob

 

         Na fronteira do Egipto, José veio no seu carro real encontrar-se com seu pai e os parentes. Que encontro alegre e feliz! José abraçou seu pai e ambos choraram de alegria. Jacob disse: “Agora posso morrer porque já te vi outra vez e sei que estás vivo.”

José Apresenta Jacob a Faraó

 

         Então o feliz José trouxe seu pai para conhecer o Faraó do Egipto. O Faraó ficou muito contente de conhecer o pai do homem que salvara o Egipto da morte pela fome. “Que idade o senhor tem?” O Faraó perguntou a Jacob. “Os dias dos anos de minhas peregrinações são cento e trinta,” Jacob respondeu. “Tenho 130 anos de idade.” Então Jacob abençoou a Faraó e este deu a Jacob e a sua família a melhor terra do Egipto, a terra de Gósen, como possessão. Havia bastantes pastagens e aguadas para todos os seus rebanhos e gado.

         José cuidou de seus familiares e os alimentou durante todo o resto dos anos de fome e pelo resto de suas vidas também. Era especialmente carinhoso com seu velho pai. A Bíblia nos diz que devemos honrar a nossos pais, e, mesmo quando ficamos adultos e nossos pais se tornam velhos, devemos cultivar um carinho especial por eles. Embora José fosse o segundo homem mais importante no Egipto, ele achava tempo para dar atenção especial a seu velho pai.

 

José Leva Efraim e Manassés a Jacob

 

         Que alegria foi para José poder levar os seus dois filhos, Efraim e Manassés, para conhecer o avô deles. Os dois meninos devem ter significado uma bênção especial para o avô quando este conversou com eles e pensou no bem que poderia fazer aos netos.

         Anos mais tarde, depois que Jacob já estivera no Egipto há 17 anos, José recebeu notícias de que seu pai estava muito doente. Então, mandou chamar imediatamente seus dois filhos e os levou ao lado do leito de Jacob. Jacob beijou e abençoou seus netos. Então Jacob pôs as suas mãos velhas e cansadas na cabeça dos meninos e lhes transmitiu uma bênção especial de Deus.

         Mais tarde, Jacob chamou a todos seus filhos, que se prostraram ao redor de sua cama. Ele disse a cada um o que lhe aconteceria e que tipo de gente seus descendentes seriam. As promessas que Deus fizera a Abraão, Isaque e Jacob foram transmitidas nessa ocasião aos filhos de Jacob e aos dois filhos de José também. Os irmãos de José e os dois filhos deste seriam as cabeças das tribos de Israel – o povo escolhido de Deus, os judeus.

         Um dos irmãos, Judá, recebeu uma promessa muito especial, de magna importância para todos os homens em todos os lugares. “O ceptro não deixará Judá, nem lhe faltará um legislador entre os pés,” Jacob profetizou, “até que Siló, o Messias, venha.” A descendência de Jacob se tornou uma grande nação, os filhos de Israel, e cerca de 1700 anos depois da morte do patriarca, o Senhor Jesus Cristo, o Salvador do Mundo, nasceu da Tribo de Judá, cumprindo-se assim, a profecia de Jacob.

         José, com seu coração sempre pronto a perdoar, e sua bondade para com a família, trouxe grandes bênçãos para com a família, trouxe grandes bênçãos para o mundo inteiro. Depois que Jacob morreu, os irmãos de José vieram a ele novamente e lhe disseram que estavam muito arrependidos do que haviam feito com ele no passado. José respondeu-lhes: “Por favor, não se sintam culpados. Maquinaram o mal contra mim mas Deus o transformou em bem, para salvar muita gente.”

José é uma maravilhosa representação de Jesus! Ao ponderar sobre esta história emocionante, notou que a figura de José nos faz lembrar Jesus? Vejam seu coração amoroso! Perdoou os irmãos que lhe causaram tantos problemas e tristezas. Esse comportamento não é igual ao de Jesus? E que tal o seu cuidado e providência para com Seu povo? Jesus é nosso bom pastor, e cuida maravilhosamente de Seu rebanho.

         Este relato também ilustra maravilhosamente a verdade de que Deus tem um plano e um padrão para as nossas vidas. Se insistirmos em seguir nossos próprios caminhos e desprezarmos Sua vontade para connosco, que tragédia! Ele nos diz que nos ama tanto que, se LHE entregarmos nossas vidas, ele cumprirá todos Seus propósitos para connosco. Vamos confiar nEle.

 

 

Versículos Para Decorar

 

 

Lição 1

 

Confia no SENHOR de todo o teu coração,

 e não te estribes no teu próprio entendimento.

Provérbios 3:5

 

 

Lição 2

 

Reconhece-o em todos os teus caminhos,

e ele endireitará as tuas veredas.

Provérbios 3:6

 

 

Lição 3

 

Não sejas sábio a teus próprios olhos;

teme ao SENHOR e aparta-te do mal.

Provérbios 3:7

 

 

Lição 4

 

Honra ao SENHOR com os teus bens, e com a primeira parte de todos os teus ganhos;

Provérbios 3:9

 

 

Lição 5

 

Filho meu, não te esqueças da minha lei,

e o teu coração guarde os meus mandamentos.

Provérbios 3:1

 

 

Lição 6

 

Pela altivez do seu rosto o ímpio não busca a Deus; todas as suas cogitações são que não há Deus.

Salmo 10:4

 

 

Lição 7

 

“É melhor confiar no Senhor do que confiar no homem.

Salmo 118:8