A Vida de Jacob


6 lições sobre a vida de Jacob

Lição 1

Gémeos – Porém Diferentes

Gen. 25:19-27; 40; Hebreus 12:16-17

 

Versículo:  Provérbios 1:10

 

A.        Vendido por um prato de lentilhas

   Os anos passaram e, finalmente, Abraão morreu numa idade bem avançada – 175 anos!

   Isaque, seu filho, casou-se com Rebeca aos 40 anos de idade e tiveram que esperar muitos anos antes de terem filhos. Eles sabiam que iriam ter filhos porque Deus prometeu que, através da família de Isaque Ele enviaria o Salvador.

 

Os gémeos

   Deus deixou que Rebeca e Isaque orassem e aguardassem durante 20 anos depois que se casaram, antes de ouvir-lhes as orações. Então, quando Isaque estava com 60 anos, Deus mandou uma bênção dobrada – gémeos! Eles os chamaram Esaú e Jacob. Embora os dois bebés fossem gémeos, eles não se pareciam. O que nasceu primeiro era ruivo e cabeludo. Seu nome, Esaú, significava “vermelho”. Jacob, o mais novo, tinha uma aparência mais comum.

   Antes dos gémeos nascerem, Deus fez uma importante promessa a Rebeca: “o mais velho (Esaú) servirá ao mais moço (Jacob).” Estou certo de que Rebeca transmitiu esta mensagem a seu marido, Isaque, fielmente, e, assim, ambos sabiam que era a vontade de Deus para Jacob que este recebesse o direito de primogenitura e as bênçãos decorrentes desse direito, embora Esaú fosse o primogénito, por ter nascido em primeiro lugar. Logo depois que nasceu, Jacob estendeu sua mãozinha e arrancou a fita vermelha que estava amarrada no punho de Esaú, mostrando, antes de completar um minuto de vida, que ele iria tomar o lugar de primogénito que era de Esaú.

   Na verdade, era uma trabalheira danada a chegada de dois bebés de uma só vez, mas Isaque estava cheio de saúde e havia muitos servos para ajudarem.

 

Um retrato de família

 

   Esaú cresceu e tornou-se um homem grande e musculoso, rude, cabeludo e ruivo. Ele tinha a pele toda coberta de pêlos. Jacob era exactamente o oposto. Ele era pequeno e não tinha pêlos. Sua pele era lisa e delicada.

   Enquanto os rapazes cresciam, mostravam-se diferentes também em suas naturezas e inclinações. Esaú amava o campo, o ar livre. Ele era um jovem impaciente que gostava de levar uma vida rude, dias sem fim pelos campos caçando de arco e flecha. Ele era um caçador esperto e um bom atirador. Jacob, por outro lado, era um jovem calmo, pacífico e gentil. Estava sempre em casa cuidando e consertando coisas. Sua mãe ensinou-o a cozinhar e ele podia “preparar” todo o tipo de comida gostosa para comer. Ele gostava da solidão, também, enquanto apascentava e cuidava dos rebanhos.

   Isaque e Rebeca ensinaram seus filhos a adorar e amar o Deus Verdadeiro. Eles contaram, repetidas vezes, a seus filhos, acerca das promessas de Deus a seu avô e a seu próprio pai, Isaque, a respeito da Vinda do Salvador. Esaú não estava absolutamente interessado nas promessas de Deus, mas Jacob tinha um coração inclinado para Deus e desejava obter tudo que o Senhor havia prometido para ele.

   Esaú era o filho predilecto de seu pai Isaque. Ele o amava mais porque gostava da caça ou da carne de veado que seu filho trazia de suas caçadas e que preparava para ele comer. 

   Rebeca amava mais a Jacob. Ele ficava mais em casa e a ajudava com as tarefas caseiras. Contudo, eles cresceram muito ligados e tinham longas conversas juntos. Não era bom que os pais tivessem cada um seu favorito e esse procedimento traria, mais tarde, muitos problemas para a família.

   Nos tempos bíblicos, havia um costume entre o povo – o filho mais velho recebia uma herança muito especial que era chamada “direito de primogenitura”. Isto incluía dois tipos de bênçãos: matérias (aquelas coisas visíveis aos olhos) e espirituais (aquelas coisas invisíveis aos olhos). O primeiro filho deveria receber, todas as propriedades, bens de seu pai, porção dobrada – dinheiro, campos, colheitas, terras, fontes, nascentes de água, gado e rebanho. O pai deveria dar ao primogénito duas vezes mais do que desse a qualquer outro filho. O primogénito também seria o líder da família ou tribo. Isto significava que ele possuía o privilégio ou honra de oferecer o sacrifício no altar quando a família adorava a Deus, e de explicar a todos que estivessem presentes – família, hóspedes e servos – o significado do sacrifício. Além disso, ele deveria ensiná-los sobre todas as bênçãos prometidas por Deus. Mas, o mais importante de tudo, ele deveria ser o líder espiritual de seu povo. Na família de Isaque, o primogénito teria o altíssimo privilégio de ser ancestral de Jesus Cristo, o Messias. Quando Deus disse a Rebeca que Jacob deveria ter o “direito de primogenitura”, Ele quis dizer, entre outras coisas, que Jacob seria o ancestral de Cristo, o Salvador.

   Jacob não entendia tudo que significava possuir o “direito de primogenitura”, mas ele desejava as coisas espirituais com todas as suas forças. Ele meditava muito sobre as promessas feitas por Deus a seu pai e avô e aquela outra feita à sua mão antes de ele nascer de que “o maior servirá ao menor”. Esaú pouco se preocupava sobre o direito de primogenitura que pertencia ao primogénito pela tradição da época. Tudo que ele pensava era sobre o “aqui e agora” e em divertir-se nos campos, na caça com arco e flecha. Ele também tinha pouco interesse em Deus, Suas promessas ou no futuro. Pobre Esaú – sua alma era murcha!

 

Esaú vende o direito de primogenitura

 

   Um dia Esaú chegou da caça – calorento, exausto, morto de fome. Quando ele chegou à tenda, não havia nada que ele desejasse mais no mundo do que alguma coisa para comer. E, o que era aquilo cozinhando no quintal? Era Jacob preparando dum jantar. Esaú deitou na grama para descansar. Ele podia cheirar o aroma delicioso. Cheirava muito bem!

   ”Rapaz, estou morto de fome!” disse Esaú. “Que tal um prato dessa sopa vermelha, Jacob? Estou com tanta fome que poderia morrer! Penso que vou desmaiar!”

   Jacob, cujo nome significa “enganador” ou “suplantador”, começou a fazer jus ao seu nome. Ele pensou consigo mesmo: “Chegou a minha oportunidade de adquirir o direito de primogenitura! Talvez eu consiga fazer uma troca”.

   “Muito bem,” Jacob respondeu, “vou fazer um negócio consigo.”

   “Negócio? Que negócio?” Esaú perguntou surpreso.

   “Seu direito de primogenitura”, respondeu Jacob.

          “É uma pechincha. De que serve um velho direito de primogenitura para alguém que está a morrer de fome! Eu nunca liguei nem um pouco para o tal direito de primogenitura!” disse Esaú com descaso sobre o assunto.

   Para assegurar o negócio, Jacob disse: “Você precisa de fazer um voto com Deus que isto é uma torça e que o direito de primogenitura é meu.” Assim, Esaú fez o voto e vendeu seu direito de irmão mais velho para seu irmão menor. Então, Jacob deu a Esaú sopa e pão que ele devorou rapidamente. Então ele foi tratar de sua vida sem se importar nem um pouco por ter atirado fora seus direitos, honrarias e privilégios. Que preço por um prato de lentilhas! Ele vendeu as suas bênçãos espirituais por um prato de comida!

   Todos nós precisamos de tomar muito cuidado para não cometer o mesmo erro. Nós também, temos um direito de primogenitura, ou de nascimento – as promessas e bênçãos de Deus. Pode imaginar alguns dos preciosos e valiosos tesouros que nos pertencem por direito de nascimento? Lembre que são coisas que não podemos ver. A maioria das pessoas valoriza somente coisas que podem ver. Que acha das muitas e maravilhosas promessas de Deus para nós, contidas em Sua Palavra? Não podemos vê-la contudo são verdadeiras e reais. Deus diz que estará connosco, que nunca nos deixará nem desamparará, que Ele vai guardar-nos do medo e preocupações, fortalecendo-nos quando somos tentados, confortando-nos quando estamos tristes e ajudando-nos em todas as nossas necessidades.

   Vou eu jogar tudo fora para ler um livro velho sem valor ou para olhar coisas erradas, vulgares? Isto é vender meu direito de primogenitura. Deus nos promete vida eterna e um lar no céu, com Ele para sempre. Mas, muitas pessoas não podem VER essas coisas e elas dizem: Ah! É tudo ainda para o futuro. Eu quero coisas boas, que me façam sentir bem, imediatamente.” Isto foi exactamente o que disse Esaú – ele desistiu de tudo aquilo que Deus tinha para ele por alguma coisa que ele podia ver e que desejava imediatamente: satisfazer sua fome e sentir-se bem! Ele estava mais interessado em comida do que em Deus.

   Um dos privilégios de nosso direito de primogenitura é a liberdade de irmos à casa de Deus para adorá-Lo e estudar a Bíblia com outros cristãos. Mas, tantas pessoas dizem: “Não dispomos de muito tempo para nós mesmos, por isso vamos viajar do fim-de-semana, ou fazer uma visita, ou ir pescar ou caçar.” Assim, essa parte de seu direito de primogenitura é vendida. Eles simplesmente não estão interessados nas coisas invisíveis que são as eternas!

   E agora, que acha de Jacob e de sua barganha? Ele deve ser elogiado por desejar o direito de primogenitura e por apreciar a alta honraria que é possuí-lo? Contudo, Deus havia prometido a ele dar-lhe esse direito, antes mesmo de seu nascimento e ele poderia tê-lo recebido no tempo oportuno e do jeito de Deus, se estivesse esperado. Ele não precisaria ter negociado por alguma coisa que já era sua, bastava ter sido paciente. Ele desejava uma coisa boa, mas obteve-a da maneira errada!

   Algumas vezes podemos ser tentados a fazer a mesma coisa. Vamos imaginar um rapaz que não possua uma Bíblia e deseje uma com todo o seu coração. Suponha que, num sábado, enquanto ele caminha pelo centro comercial, ele veja uma bonita, ao preço de 20€ - mas que ele possua somente 10€  no bolso. Por essa razão, olhando em volta rapidamente e, não vendo ninguém por perto, ele pegue a Bíblia e a esconda rapidamente sob sua jaqueta e saia rapidamente da loja! Seria isto correcto? Ele desejava uma coisa boa, mas adquiriu-a da forma errada – ele a roubou! Imaginemos, ainda, uma moça tão estudiosa que obtenha sempre conceito “óptimo” no seu boletim escolar. Isto é uma coisa boa para se desejar. Contudo, vamos supor que, em um exame, ela não consiga responder as duas questões e, com isto, ela sabe, que seu conceito cairia de “óptimo”. Assim, se ela olhasse sobre os ombros da garota à sua frente e copiasse as respostas? Ela “colou”, não foi? Ela ambicionava uma boa coisa, mas obteve-a da forma errada. Deus diz-nos que receberemos Suas bênçãos de “fé e paciência”. Vamos orar para que possamos esperar o tempo de Deus e para que obtenhamos as coisas à maneira Dele.

 

Lição 2    

Bênção de qualquer maneira

 

Versículo: Tiago 4:17

 

Isaque decide abençoar Esaú

 

      Os anos passaram e Deus abençoou muito a Isaque. Seus bens e riquezas aumentaram muito e ele tornou-se um homem poderoso. Ele mudou-se para Berseba juntamente com sua família e bens e morou lá até que ele e Rebeca ficaram bem velhos. Isaque estava doente, fraco e quase cego; ele mal podia ver alguma coisa. Ele pensou que logo poderia morrer. Antes de morrer ele queria dar a Esaú, seu filho mais velho e favorito o “direito de primogenitura”.

      Mas isto não era o que Deus desejava, porque antes do nascimento dos gémeos, Deus anunciou a Sua Vontade acerca do direito de primogenitura e da bênção. Quando Ele disse “o maior servirá o menor”, Ele quis dizer que Jacob, não Esaú, tornar-se-ia herdeiro de Suas promessas – que o Salvador viria através dos descendentes de Jacob, que eles tomariam posse da terra de Canaã e tornar-se-iam uma grande e poderosa nação.

      Isaque não tinha o direito de conferir a Esaú a bênção do direito de primogenitura, uma vez que Deus disse que Jacob deveria recebê-la. Mas, Isaque estava determinado a dar a bênção a Esaú, como se ele tivesse o direito de dá-la a quem quisesse, como se a bênção fosse propriedade sua. Assim, ele chamou Esaú à sua tenda, sem saber que Rebeca encontrava-se presente, do outro lado da tenda, ouvindo tudo atentamente. “Meu filho,” ele falou, “você pode bem ver que eu sou agora um homem muito velho e espero morrer qualquer dia. Tome seu arco e flecha, vá ao campo e traga-me uma caça e prepare-me uma refeição bem saborosa do jeito que eu gosto e eu vou abençoá-lo com a bênção que lhe pertence como primogénito, antes que eu morra.”

 

O plano de Rebeca

 

      Rebeca ouviu toda a conversa. Muito errado, da parte dela, ficar ouvindo sem ser vista, e que ideia ruim está tramando em sua cabeça! Quando Esaú saiu para a floresta para caçar uma caça, Rebeca chamou seu filho Jacob, seu favorito, e disse-lhe o que Isaque falou a Esaú. Veja, Rebeca desejava que seu filho favorito, Jacob, obtivesse a bênção que incluía a promessa do Salvador e, também, que ele recebesse a herança das grandes riquezas e bens de Isaque. Ela também lembrava que Deus falou que Jacob deveria ter o direito de primogenitura. Mas, ao invés de esperar em deus ou de pedir-Lhe para intervir, ela rapidamente idealizou um plano para fazer a coisa à maneira dela e a fim de obter a maior bênção para Jacob e para “ajudar” Deus a executar Seu plano. Como se Deus necessitasse de ajuda!

      Rebeca “cochichou” seu plano maligno para Jacob e disse-lhe firmemente: “Faça exactamente o que eu lhe disser. Seu pai está praticamente cego e não consegue distinguir nada e será fácil enganá-lo. Vá ao rebanho e traga-me dois cabritos e eu vou cozinhá-los bem, prepara um guisado, com bastante molho, o prato favorito de seu pai. Você poderá levar a refeição para seu pai e, depois que ele a tiver comido ele o abençoará, no lugar de Esaú!”

      “Mas, mamã”, Jacob respondeu “ele não será enganado assim tão facilmente. A voz de Esaú é diferente da minha. Esaú tem barba e é muito cabeludo. Mas minha pela é lisa. Você sabe que meu pai vai querer apalpar-me e descobrirá o nosso plano. Então, ficará furioso! Além disso, as roupas de Esaú têm um cheiro dos campos e florestas e da caça que ele traz para casa.

      Para acalmar os temores de Jacob, Rebeca falou: “Seja a raiva dele sobre mim, filho. Vá em frente, obedeça-me e traga-me os cabritos”.

      Assim, Jacob seguiu as instruções de sua mãe, trouxe os cabritos e tirou-lhes a pele. Rebeca preparou-os do jeito preferido por Isaque.

 

Jacob engana seu pai

 

      Então, Rebeca vestiu Jacob com as roupas de Esaú, prendeu peles de cabrito em suas mãos, pescoço e ombros, para tornar sua pele cabeluda como a de Esaú. Quando tudo ficou pronto, Rebeca entregou a Jacob a deliciosa refeição, com seu aroma delicioso e um pouco de pão fresco em andou-o levar tudo à tenda de seu pai. Que hipócrita Jacob, entrando ali com aquele prato de comida! E, ele, Jacob, deveria estar apavorado com a possibilidade de Isaque descobrir a farsa!

      Disfarçando a voz Jacob disse: “Meu pai!”

      “Sim,” Isaque respondeu. “Quem é você meu filho?”

      Jacob mentiu, tentando imitar a voz de Esaú: “Sou Esaú, seu primogénito. Fiz como o senhor pediu. Aqui está a caça deliciosa, como o senhor gosta. Sente-se e coma, para que possa abençoar-me!”

      Isaque estava atónito com rapidez com que seu filho estava de volta, com a caça já preparada para comer. Por isso ele perguntou: “Como foi possível encontrar a caça tão rapidamente?”

      Jacob mentiu novamente: “Porque o Senhor seu Deus mandou a caça ao meu encontro!” Que coisa terrível, envolver o nome de Deus em sua mentira!

      “Aproxime-se e deixe-me apalpá-lo para certificar-me de que é meu filho Esaú.” Quando Jacob aproximou-se, Isaque tocou-o e disse para si mesmo: “A voz é de Jacob, mas as mãos são de Esaú.” Ainda em dúvida, Isaque esperou um momento e disse: “É realmente meu filho Esaú?”

      Uma vez mais Jacob mentiu: “Sou!”

      Isaque estava confuso. Ele abriu mais seus olhos quase cegos, tentando desesperadamente ver o jovem ajoelhado diante dele. Mas, naquele momento, seu apetite começou a levar a melhor. “Muito bem, traga-me sua caça e eu a comerei e o abençoarei.” Ele comeu a refeição e disse: “Aproxime-se meu filho e beije-me.” Quando Jacob o beijou, Isaque sentiu o cheiro das roupas que ele estava a usar. As roupas tinham o cheiro dos campos e florestas e de caça selvagem. Isaque, finalmente, pareceu convencer-se. Assim, ele proferiu, sobre Jacob, uma bênção maravilhosa que era ao mesmo tempo uma profecia e uma oração. E, ele disse tudo para Jacob, pensando que era Esaú.

 

Esaú fica irado

 

      Assim que a bênção terminou e Jacob deixou a tenda, Esaú chegou de sua caçada Ele também preparou o prato predilecto de seu pai e o trouxe a ele. “Aqui estou, pai, com a caça. Sente-se e coma para que possa dar-me sua melhor bênção.”

      Isaque ficou pasmado quando ouviu Esaú falando com ele. “Quem é você?” ele perguntou.

      “Ora! Eu sou Esaú, claro; Esaú, seu primogénito!”

      Então tremendo dos pés a cabeça, Isaque perguntou: “Então, quem foi que acabou de sair daqui e que trouxe a caça? Eu acabei de comer e de abençoá-lo com a minha bênção e não posso tomá-la de volta!”

      Esaú estava com o coração partido porque perdeu as grandes riquezas que poderiam ser suas. Era demais. Ele começou a chorar em seu pesar “oh pai, abençoa-me, abençoa-me também!”

      Mas, que poderia Isaque fazer? Ele deu a bênção a Jacob e, de acordo com o costume daqueles dias, não poderia tomá-la de volta. Ele falou tristemente: “Seu irmão esteve aqui antes e enganou-me e roubou sua bênção. Você será uma grande nação também, mas a bênção foi para Jacob!”

      Esaú estava furioso e seu coração estava cheio de ódio por Jacob. “O trapaceiro!” ele gritou. “Ele roubou minha bênção!” Enquanto ele extravasava sua raiva, ele decidiu: “Esperem só. Vou matá-lo. Nem que seja a última coisa que eu faça! Vou destruí-lo!” Era um grito maldoso de seu coração egoísta. Que coisa terrível para ser dita! E ele pretendia mesmo fazê-lo! Oh, que coisas horríveis as trapaças de Rebeca e Jacob haviam trazido para seu lar.

      Em todo esse plano maligno, provavelmente Rebeca e Jacob estavam tentando justificar-se dizendo que ambos estavam trabalhando para realizar o plano de Deus e fazer Sua vontade. Por sua trapaça Rebeca demonstrou que não tinha fé na promessa de Deus. Porque se ela tivesse esperado, Deus teria dado a bênção e o direito de primogenitura no tempo exacto e à maneira dele. Jacob provavelmente tentou convencer-se de que ele estava só obedecendo as instruções de sua mãe. Isaque, provavelmente, estava dizendo para si mesmo: “Eu nunca deveria ter dito que daria a Esaú o direito de primogenitura uma vez que Deus falou que ele seria para Jacob. E eu lembro bem que Esaú vendeu seu direito para Jacob há muito tempo atrás.”

      Assim, todos eram culpados; era um grande problema de família que ameaçava separá-los. Como sabemos, Jacob desejava uma coisa boa, mas obteve-a da forma errada. Por que você não pede ao Senhor para ajudá-lo a lembrar que nunca é correcto fazer coisas erradas, mesmo que por uma boa causa?

 

Lição 3   

A Escada de Jacob

Gen. 27:41; 28:22

 

Versículo: Provérbios 3:5

 

   Que confusão o pecado trouxe para a família de Isaque. Esaú vendeu seu direito de primogenitura para Jacob por um prato de lentilhas; Isaque decidiu que Esaú receberia a bênção de qualquer jeito; e Rebeca decidiu “ajudar a Deus” armando um plano para Jacob enganar o seu pai. E, o fim de tudo isto foi que Esaú ficou tão enfurecido com seu irmão Jacob que planejou matá-lo. Mas, Deus que é Soberano e Juiz, pode tomar o pecado ou as coisas erradas que as pessoas praticam e transformá-las em bem, para Sua honra e glória. Vejamos como ele fez isto no caso de Jacob.

 

Novo plano de Rebeca

 

   Rebeca chamou Jacob e disse: “Teu irmão está tão furioso que está formando um plano para matar-te! Toma algumas poucas coisas e foge para teu tio Labão, em Padã Ara. Permaneça lá com ele por uns tempos, até que Esaú “esfrie” e então eu mandarei chamar-te e poderás voltar para casa.” Não podiam eles imaginar, então que Jacob permaneceria lá por 20 anos e não veria mais a sua mãe!

 

Jacob despede-se

 

   Rebeca foi à tenda de seu marido Isaque e disse: “Você sabe quanta aflição e tristeza Esaú tem-nos causado casando-se com essas mulheres idólatras (ele possuía duas esposas). Se Jacob casar-se com uma dessas moças pagãs aqui de Canaã eu acho que morrerei!” Seu motivo real para falar a Isaque sobre Jacob casar-se era para obter de Isaque a permissão para mandá-lo para longe – para evitar que Esaú o matasse.

   Isaque concordou em que alguma coisa precisava de ser feita para que Jacob se casasse com uma moça temente a Deus. Assim, ele chamou Jacob à sua tenda e disse-lhe: “Jacob, não case com uma dessas moças aqui de Canaã, que não crêem no Deus verdadeiro, Jeová. Por isso, vá imediatamente a Padã-Arã e tome uma esposa das filhas de Labão, irmão de tua mãe.” Então o pai velho e quase cego, deu a Jacob a bênção da promessa – a promessa feita primeiramente ao avô de Jacob, Abraão, depois a Isaque e, agora a Jacob. “O Deus Todo-poderoso o abençoe e dê-lhe uma grande descendência até torná-lo uma grande nação. Que Deus estenda a você e seus filhos as poderosas bênçãos prometidas a Abraão e que possua esta terra que Deus deu a Abraão.”

   Assim, Jacob foi enviado para longe. Quando ele saiu, sua mãe ficou a chorar, seu pai ficou preocupado com ele, Jacob estava sentindo-se miserável e com o coração partido. Jacob deixou a sua casa em Berseba e começou a sua viagem para Ara, muitos quilómetros além. Ele não possuía uma grande caravana de camelos, rebanhos e servos. Não, ele era apenas um jovem indo à procura de uma esposa e tentando fugir de um irmão irado. Ele caminhou solitário, com o coração pesado, sabendo que estava deixando sua família tão querida chorando os problemas e desgostos por todos os acontecimentos.

 

Uma pedra por travesseiro

 

   Jacob caminhou todo o dia, sozinho e com medo. Quando a noite caiu, ele estava em Betel, “a casa de Deus”, onde seu avô Abraão armou a sua tenda e construiu um altar a Deus, muitos anos antes. Jacob estava tão cansado e seus pés doíam tanto, que ele deitou-se no chão e arranjou uma pedra para servir-lhe de travesseiro e desejou dormir e esquecer tudo. Não sabemos quanta bagagem Jacob levava em suas costas, mas sabemos com certeza que carregava um grande peso no coração! Ele estava sozinho, fugindo, assustado e imaginando que seu irmão, furioso do jeito que estava, poderia estar escondido atrás de cada pedra ou arbusto, em cada sombra. Veria ele sua casa outra vez ainda? Ele amou tanto seu lar, mas agora era forçado a abandoná-lo. O que viria pela frente? A farsa para ganha a bênção valera a pena? Aquela bênção valeria todo o preço que ele estava a pagar? Que noite escura! Que barulho era aquele? Que poderia ele fazer?

   Jacob tinha todo o tempo disponível para pensar durante a noite escura e solitária. Sem dúvida que, ao pensar nos anos passados, ele estava a concluir que foi muito egoísta e desonesto com o seu irmão e o seu pai. Provavelmente, quando Jacob levantou a sua vista e olhou para o céu escuro e começou a falar com deus, ele confessou o seu pecado e pediu a deus para perdoa-lo. Ele pensou na grande distância entre ele e Deus e o quanto ele desejava a confortante presença de Deus.

   Quando Jacob adormeceu, ele teve um sonho. Não era um simples sonho, mas um sonho no qual Deus revelou-Se a Jacob e falou-lhe de Seu plano. Deus queria encorajar Jacob e assegurar-lhe Seu perdão, não importando o quanto ele havia pecado porque Deus é um Deus bom e misericordioso. Deus tem seus planos e propósitos mesmo para este jovem egoísta e trapaceiro. Umas das verdades e lições mais importantes para todo o cristão aprender é que Deus tem um plano para cada criatura. Precisamos de pedir a Deus que nos ajude a conhecer o Seu plano e, então, alegremente, executá-lo. O plano de Deus é sempre o melhor porque ele vê o final desde o princípio e executa Seu plano e o caminho para felicidade e satisfação reais.

 

Anjos numa escada

 

   Em seu sonho, Jacob viu uma escada que ia da terra até o céu. Era a escada mais alta que ele já viu. Anjos lindos e cintilantes subiam e desciam essa escada. E, no topo da escada, que alcançava o céu, estava o Próprio Deus! Deus falou a Jacob: “Eu sou o Deus de seu avô Abraão e de seu pai Isaque. Darei toda esta terra, em que você está deitado agora, a si e a seus descendentes, que serão numerosos como o pó da terra e, através de sua semente (Jesus Cristo) serão abençoadas todas as famílias da terra. Estarei consigo e o protegerei aonde quer que for e o trarei e volta a salvo para esta terra.” Os lindos anjos continuavam subindo e descendo a escada. Jacob nunca teve uma visão tão linda. Deus estava realmente perto dele. Que conforto! Que alegria!

   A escada celestial mostrou a Jacob que havia, realmente, um caminho da terra até ao céu e que Deus revelar-se-ia mesmo a um trapaceiro, pecador mais baixo, que nem ele era. Aprendemos aqui que Deus em sua grande misericórdia e amor providenciou para nós, que temos corações cheios de pecado, tal qual Jacob, um caminho para chegar ao trono de Deus – sim, podemos chegar à presença real de um Deus Santo e Justo. Não podemos construir uma escada que alcance o céu, claro, porque as escadas terrenas são, sempre, muito curtas e não têm degraus suficientes! Mas, Deus providenciou a escada, Seu próprio Filho, Jesus Cristo. Ele é o único caminho para o céu, a única porta, o único portão. Deus estava também tentando dizer a Jacob que há um caminho de volta para Ele quando alguém tiver pecado e afastando-se para longe dele. Ele é um Deus que perdoa quando reconhecemos e confessamos nosso pecado.

   Sim, Deus abriu os céus para Jacob em seu maravilhoso sonho. Jacob pensou e pensou sobre aqueles anjos majestosos, brilhantes. Que lindos eram eles! Uma das tarefas dos anjos de Deus é cuidar dos filhos de Deus. E Jacob ficou certamente sabendo que Deus estava cuidando dele. Ele viu que os anjos estavam ao redor dele guardando-o. Naqueles dias, antes da Palavra de Deus ser escrita, Deus falava com as pessoas directamente, desde os céus ou, até mesmo, face a face, em diversas épocas e das formas mais variadas, inclusive em visões e sonhos, tal como o sonho de Jacob. Hoje, Deus fala a Seu povo através de Sua Palavra, a Bíblia. Você não está feliz porque algum dia eu e você poderemos falar com Deus face a face e vermos todos aqueles lindos anjos celestiais? Que visão haverá de ser!

 

Jacob adora a Deus

 

   Quando Jacob levantou-se, cedo, na manhã seguinte, ele estava cheio de um sentimento de temor, reverência e respeito. Ele havia encontrado Deus pessoalmente e isto tornou-se o ponto inicial da mudança de sua personalidade. Toda a sua vida ele havia conhecido Deus de ouvir falar, mas, agora ele realmente conhecia a Deus pessoalmente. Seu coração estava cheio de gratidão ao Senhor por todas aquelas maravilhosas promessas de estar com ele e de abençoá-lo. Além disso, Jacob decidiu que ele gostaria de colocar um marco naquele lugar especial, que fosse um memorial para sempre. Assim, ele tomou a pedra que usou como travesseiro, fixou-a e derramou azeite sobre ela, dedicando aquele lugar ao Senhor. Muitos anos depois, ao retornar por aquele caminho outra vez, após sua visita à Mesopotâmia, ele construiria um altar de sacrifício, neste mesmo lugar e faria conhecido de todos os vizinhos pagãos daquele lugar que Jeová é o único Deus Verdadeiro e Salvador. Ele chamou aquele lugar de Betel, que significa “casa de Deus”. Era o mesmo lugar onde seu avô Abraão armou a sua tenda e construiu um altar há 160 anos. Jacob fez um voto e disse que se Deus fosse com ele, o guardasse, o abençoasse e o trouxesse de volta, ele daria a deus o dízimo de todos os seus bens.

   Assim como Deus cuidou de Jacob, pode cuidar de si também. Talvez precise encontrar a porta, a entrada do céu. Essa porta, ou entrada é Jesus Cristo. Você já aceitou Jesus, já confiou nele para ser seu Salvador? Se ainda não o fez, por que não fazê-lo agora?

 

 

Lição 4  

Jacob Encontra O Seu Par

Gen. 29-31

 

Versículo:  Provérbios 3:6

 

A jornada de Jacob

 

   Jacob chegou a Betel com uma carga tão pesada como se fosse de pedras. Ele saiu de lá leve. Ele chegou como um fugitivo da justiça, o que ele bem merecia por sua trapaça. Ele saiu de lá com esperança em seu coração e alegria em sua alma. Durante muitos dias, longos, quentes, ele caminhou – subindo montanhas, atravessando rios, sobre areias sem fim do deserto. Afinal, ele aproximou-se do fim de sua viagem. Ele estava, agora, no país de sua mãe, a terra sobre a qual ela falou a ele tantas e tantas vezes.

 

Jacob encontra Raquel

 

   Ele aproximou-se da cidade de Ara, o lar de seu tio Labão, onde ele permanecia até que a ira de Esaú esfriasse. Num campo, Dora da cidade, ele viu uma fonte e três rebanhos de ovelhas ao redor. Os pastores estavam aguardando por outros rebanhos para que todas as ovelhas bebessem ao mesmo tempo.

   Jacob aproximou-se dos pastores e perguntou: “Meus irmãos, de onde são?”

   “Nós somos de Ara,” responderam eles.

   “Vocês conhecem um homem chamado Labão, filho de Naor?” Inquiriu Jacob.

   “Sim. Olhe, aí vem a filha dele, Raquel, com o rebanho!”

   Jacob viu uma jovem e linda pastora aproximando-se e correu a encontrá-la. Ele removeu a pedra que tapou a abertura da fonte e deu de beber às ovelhas. A seguir ele contou a ela que era o filho de Rebeca, irmã de seu pai. Ele estava tão empolgado ao ver uma de suas parentas após a longa e solitária jornada que ele chorou e beijou a linda Raquel. E, acreditem ou não para Jacob, foi amor à primeira vista.

   Sem dúvida, Labão havia contado a Raquel acerca do servo de Abraão que, muito tempo atrás tinha levado sua irmã, Rebeca, para tornar-se a esposa de Isaque. Quando Raquel descobriu que este jovem e belo estrangeiro era o filho de Isaque ela ficou muito emocionada e correu para seu pai para contar-lhe acerca da chegada do filho de sua irmã.

 

Jacob e Labão fazem um trato

 

   Logo que Labão soube da chegada de Jacob, ele apressou-se a ir encontrá-lo, deu-lhe as boas-vindas e o trouxe para sua casa. Raquel e sua outra irmã, Lia, devem ter escutado ansiosamente enquanto Jacob contava a Labão as novas de sua família.

   Depois que Jacob estava lá há um més, trabalhando para Labão, este disse-lhe: “Só porque é meu parente não é motivo para trabalhar para mim sem um salário. Quanto deseja receber?”

   Uma vez que Jacob havia-se apaixonado por Raquel desde o primeiro momento em que a vira, ele a desejava desesperadamente como esposa. Assim, ele falou para Labá, pai dela: “Trabalharei para o senhor sete anos, pela máo de Raquel em casamento.” Ele devia amar realmente Raquel para dispor-se a trabalhar duramente sete anos só para té-la como esposa”

   Labão estava muito satisfeito com este arranjo. Assim, ele pós Jacob para trabalhar tomando conta dos rebanhos e ajudando nos campos. O trabalho era duríssimo, mas Jacob amava tanto a Raquel que os sete anos foram para ele como poucos dias. Jacob desejava trabalhar e esperar por sua amada porque seu coração pertencia a Raquele. É assim connosco, também. Se trabalhamos por alguém a quem amamos, o trabalho mais duro parece simples. Seu pai trabalha duro por si e sua família, mas o seu amor por vocês torna mais fácil realizar o trabalho. Se está trabalhando para seus pais ou fazendo um serviço para Deus, o tempo passará rapidamente, se estiver com o coração cheio de amor.

   Quando os sete anos se completaram Jacob disse a Labão: “Dê-me Raquel para que se torne minha esposa porque eu cumpri minha parte do nosso acordo.” Assim, foi marcada a data do casamento e foram feitos os arranjos para uma grande celebração – uma festa de casamento. Muitos amigos foram convidados para o casamento.

 

Noiva Errada!

 

   Quando a noiva entrou para encontrar o noivo, um pesado véu cobria sua face. Este era o costume do povo naqueles dias e, mesmo Jacob, não podia ver a face da mulher que ele estava tomando como esposa. Depois que terminou a cerimónia, Jacob levantou o véu para ver o rosto de sua esposa. Que choque ele teve! Esta não era a linda Raquele que ele tanto amava e por quem trabalhara sete anos, mas sua irmão mais velha, Lia!

   Jacob estava sentindo-se doente e muito irado. “Que fez comigo_ Que trapaça é esta?” Ele perguntou enfurecido a Labão. “Eu trabalhei sete anos por Raquel! Que pretende zombando de mim desta maneira?”

   Labão calmamente respondeu: “Não é costume nosso casar a filha mais nova antes da mais velha. Trabalhe mais sete anos e poderá casar-se com Raquel também!”

   Pobre Jacob! Pela lei da terra ele não podia mais livrar-se de Lia. Ele estava aprendendo algo que ele precisava saber – como se sentia alguém que era enganado por outro. Ele compreendeu que seu tio trapaceara com ele e, talvez, ele lembrou. Com tristeza, de como ele enganara seu velho pai cego e de como ele suplantara seu irmão, tirando-lhe a bênção e como ele estivera o direito de primogenitura. Agora, esse mestre da trapaça, Labão estava causando-lhe o mesmo tipo de sofrimento que ele causara a outros, pelo mesmo tipo de pecado. Talvez tenha sido possível, agora, para ele entender quão horrível era sentir-se enganado e trapaceado. Mais sete anos de trabalho por uma esposa! Não parecia agradável! Mas Jacob amava tanto a Raquel que concordou com as condições impostas por seu tio. Em mais uma semana ele casou com Raquel e começou os outros sete anos de trabalho!

   Naqueles dias, era costume que, um homem possuísse muitas esposas. Não era correcto e Deus não estava satisfeito com isso. Na família de Jacob isso trouxe muitos problemas e infelicidade. As duas esposas tinham ciúmes uma da outra e, a maior parte do tempo elas brigavam. Jacob não amava Lia e a negligenciava. Mas, o Senhor a abençoou com filhos enquanto Raquel, a esposa amada, não tinha filhos. Isto fez com que Raquel se tornasse muito triste e descontente mas, finalmente, em resposta a suas orações Deus deu-lhe um filho que ela chamou de José. Ao todo, onze filhos e uma filha nasceram a Jacob quando ele habitava em Arã.

 

Lição 5

Jacob Volta Para a Sua Terra

 

Versículo: Romanos 12:19b                                                                                                   

 

Jacob deseja voltar para casa

 

   Depois do nascimento de José, Jacob desejou fortemente retornar à sua terra natal, Canaã, a terra prometida a seu avo, seu pai e a ele próprio. Ele já estava habitando em Arã há vinte anos e já era tempo de voltar para sua terra e tomar posse de sua herança. Assim, ele falou a Labão: “Dá-me minhas mulheres e filhos e deixe-me voltar para minha terra. Eu sei que paguei caro por eles com meu trabalho.”

   “Por favor, não vá embora,” Labão replicou, “enquanto esteve comigo o Senhor abençoou-me por amor de si. Que deseja que eu lhe pague? Qual o salário que estipula?” Perguntou Labão. Labão compreendeu que ele enriquecera enquanto Jacob trabalhava para ele.

   Jacob pediu parte do gado, ovelhas e cabras e concordou em ficar mais um tempo com Labão. Assim, Jacob separou seus rebanhos dos de Labão e os colocou sob a guarda de seus filhos. Deus abençoou Jacob de tal maneira que ele tornou-se muito rico. Ele comprou camelos e jumentos e adquiriu muitos servos.

   Quando a riqueza de Jacob aumentou, os filhos de Labão tornaram-se ciumentos de Jacob. Eles disseram que Jacob adquirira suas riquezas desonestamente e, por isso, ficou mais e mais difícil de conviver com seu tio Labão. Ele mudou o salário de Jacob inúmera vezes e trapaceou com ele de todas as formas. Ele era terrivelmente mau, trapaceiro e enganador. Jacob sentiu que não podia ficar mais nem um minuto.

   Naqueles dias, Deus falou com Jacob e disse: “Volte para a terra de seus pais e ao seu povo, em Canaã e Eu serei contigo.”

   Jacob lembrou que, antes, quando ele pedira a Labão para ir embora, este não desejara deixá-lo partir, por isso, ele decidiu partir secretamente desta vez. Quando Labão saiu ao campo para apascentar seus rebanhos, Jacob mandou chamar Lia e Raquel para virem encontrá-lo no cammpo onde ele apascentava os rebanhos. “O pai de voces virou-se contra mim”, ele falou a elas, “e o Senhor Jeová falou comigo dizendo-me que eu deixe esta terra e volte para minha terra natal.”

   Elas responderam: “Estamos prontas a ir contigo. Nós cremos que Deus está contigo.”

 

Jacob e sua família partem

 

   Um dia, quando Labão achava-se longe de casa, Jacob tomou suas esposas, filhos, servos e rebanhos e preparou-se para fugir de Arã. Ao longo do solitário caminho do deserto eles caminharam, na mesma trilha que Jacob percorrera vinte anos antes. As coisas eram diferentes agora, entretanto Jacob possuía quatro esposas, onze filhos, uma filha, muitos servos e centenas de ovelhas, cabras, camelos e jumentos. Dia após dia, eles viajaram até chegar a um lugar bom para acampar, no Monte Gileade, onde eles pararam para descansar.

   Três dias depois da partida de Jacob e sua família, alguém falou a Labão que Jacob fugira levando todos os seus bens. Labão ficou furioso com a partida de Jacob. Ele sentiu-se enganado e roubado porque Jacob se fora secretamente. “Vou caçá-lo”, pensou Labão, cheio de raiva, “e trá-lo-ei de volta”. Assim, ele reuniu um bando de homens e foi no encalço deles. Mas, no caminho, Deus falou com ele em um sonho, advertindo-o para que não tentasse forçar Jacob a voltar.

 

Labão despede-se de Jacob

 

   Durante uma semana Labão perseguiu Jacob até que, finalmente o achou. “Por que razão fugiu de mim desse jeito?” Labão perguntou, “agiu como se minhas filhas fossem prisioneiras de guerra. Por que não me deu uma chance de oferecer-lhes uma festa de despedida e de abraçar meus netos? Esta é uma forma muito estranha de agir.”

   “Porque eu pensei que os tomaria de mim,” Jacob respondeu.

   A advertência de Deus esfriara bastante o ânimo de Labão e ele viu que Jacob estava determinado a retornar a sua terra – Canaã. Uma vez que nada havia que ele pudesse fazer em contrário, Labão sugeriu que eles fizessem as pazes e pusessem fim a suas diferenças. Jacob concordou. Assim, Labão disse: “O Senhor nos guarde a ambos, enquanto estivermos separados”.

   Cedo, na manhã seguinte, os dois despediram-se. Labão voltou para Arã e Jacob e sua família continuaram sua jornada para Canaã.

   Jacob aprendera muitas lições durante sua longa permanência em Arã. Talvez a lição mais importante foi aprender como ele deveria tratar aos outros pois ele poderia ser tratado da mesma maneira por outras pessoas, no futuro. Quando Jacob encontrou Labão, ele realmente encontrou seu par perfeito. Não está contente que eles finalmente entenderam isto e separaram-se em paz?

 

Lição 6  

Jacob Caminha Para à Sua Terra

Gen. 32:1-33

 

Versículo: Romanos 12:21

 

Jacob preocupa-se com seu encontro com Esaú

 

      Durante vinte anos, Jacob permanecera em Arã, trabalhando para seu tio Labão. Agora, afinal, ele estava voltando para casa, um homem muito rico, com uma grande família. Mas, quanto mais Jacob se aproximava de sua casa, mais seu coração se enchia de pavor. Como estariam as coisas em casa? Viveria ainda seu pai, Isaque? E sua mãe Rebeca?

      Mas, acima de tudo, ele pensava em seu irmão Esaú. Estaria Esaú, ainda, furioso por causa da grande trapaça de Jacob? Estaria ainda desejando matá-lo? Que aconteceria se Esaú aparecesse ao alto daquele monte justo naquele momento? Que faria Jacob? Jacob desejava saber se seu irmão o perdoara ou guardara aquele ódio já tão antigo fechado em seu coração. Suponha que Esaú continuasse desejando vingar-se?

      Naquela noite, enquanto Jacob seguia seu caminho, Deus mandou uma hoste de anjos para encontrá-lo. Isto o encorajou porque ele estava lembrado dos anjos que ele vira na escada subindo e descendo da terra ao céu.

      Mas, no dia seguinte, ele continuava preocupado e apreensivo. Ele decidiu enviar mensageiros a Esaú, que vivia, agora, na terra de Edom, para anunciar-lhe sua chegada e assegurar a Esaú que ele não era um homem pobre pedindo ajuda. Jacob instruiu seus servos para dizerem: “Temos uma mensagem de teu irmão Jacob que manda dizer: “Até recentemente morei com nosso tio Labão e, agora, possua muitas ovelhas, camelos, gados e servos. Enviei estes mensageiros para comunicar-te isto, desejando que nos receba amigavelmente.”

      Mas, quando os mensageiros voltaram, poucos dias depois, eles trouxeram más notícias – Esaú estava vindo ao encontro de Jacob com um exército de 400 homens!

      Jacob ficou em pânico! “Quatrocentos homens”, ele exclamou. “Que poderei fazer? Ele vai matar-me e as minhas esposas e filhos!” Jacob esqueceu a escada para o céu que vira em Betel, a hoste de anjos, as maravilhosas promessas de Deus e todas as bênçãos e de como Deus o guardara todos esses anos. Tudo em que Jacob pensava era: “Que posso fazer para proteger minha família? Preciso bolar um plano! Preciso fazer alguma coisa!” Aqui estava o velho, trapaceiro Jacob tentado armar alguma estratégia para proteger-se, por conta própria.

      Jacob rapidamente teve um ideia. Ele dividiria sua família, servos e rebanhos em dois grupos. “Se Esaú atacar e destruir um grupo,” ele pensou, “o outro grupo terá uma chance de escapar.” E a fé e confiança de Jacob no Senhor Jeová? Onde estava sua dependência do Senhor que poderia e iria ajudá-lo?

      Depois que Jacob fez seus planos e decidiu o que faria, ele orou, só que sua oração foi uma espécie de última coisa a ser feita! Eu me pergunto por que ele não orou e clamou ao Senhor em primeiro lugar» Teria poupado a ele muitas preocupações e ansiedade! Mas, a maioria das vezes, nós fazemos exactamente como Jacob. Nós fazemos nossos próprios planos e colocamos em pratica nossas próprias ideias e, depois, oramos a Deus pedindo-Lhe que abençoe nossas obras, ao invés de pedir-Lhe para mostrar-nos Sua vontade e o que ele quer e planejou para nós.

      Esta foi a oração de Jacob: “Oh, Deus de Abraão, meu avo e de meu pai Isaque, O Senhor que me disse: “Volta para a terra de seus pais e eu serei contigo”. O Senhor abençoou-me tão maravilhosamente e eu não mereço a Sua grande misericórdia, demonstrada a mim tantas e tantas vezes. Por favor, Senhor, livra-me e a minha família da destruição por mãos de meu irmã Esaú, porque estou temendo muito – terrivelmente amedrontado – que ele esteja a caminho para matar-nos a todos”.

      No dia seguinte, Jacob mandou vários tipos de animais escolhidos dentre os rebanhos, como um valioso presente para Esaú. Ele disse a seus servos que conduziam os animais que, quando encontrassem Esáu, deveriam falar: “Estes são presentes que lhe envia seu irmão Jacob. Ele  está vindo logo atrás de nós”. Jacob desejava que esses presentes pudessem mudar o animo de Esaú, tornando-o amigável.

      Naquela ocasião, eles chegaram a um rio chamado Jaboque. No meio da noite, Jacob fez com que seu povo, seus rebanhos e todas as suas posses, atravessassem o rio, mas ele ficou para trás. Ele estava sozinho – a noite estava escura e tudo em volta estava muito quieto. Seu coração estava turbado e cheio de medo. Ele precisava ficar sozinho e pensar. Certamente haveria alguma saída para seu problema!

 

O encontro de Jacob com um Guerreiro

 

      Subitamente, na escuridão, uma mão tocou Jacob. Jacob começou a lutar com um oponente que tinha músculos e força de um lutador. Este guerreiro era o Próprio Senhor! Ele manifestou-se ali a Jacob como O ANJO DO SENHOR. Ele desejava que Jacob O deixasse ser Senhor e Rei de sua vida – seu Juiz e Comandante – não somente seu SALVADOR. Deus queria que Jacob desistisse de escolher seu próprio caminho, fazer seus próprios planos, trapaças, “jeitinhos”, soluções e tentar obter o que desejava por sua própria inteligência e esperteza. Em outras palavras, Deus desejava que Jacob se rendesse, desistisse, se submetesse a Ele de uma vez para sempre.

      Você já observou dois rapazes brigando no quintal? Eles se esforçam e se contorcem, gemem e grunem, suas faces ficam vermelhas pelo esforço da batalha. Um deles diz ao outro: “Desiste?”

      “Não”, ele responde. Assim, eles continuam um pouco mais. Finalmente, o rapaz mais forte conseguir derrubar o mais fraco no chão. “Eu desisto – venceu!” O perdedor, finalmente, grune.

      E, assim aconteceu entre O Senhor e Jacob. Enquanto a luta continuava durante toda a noite, o DEUS-HOMEM perguntava a Jacob repetidas vezes, “desiste?”

      E Jacob continuou respondendo “Não!” Jacob lutou e resistiu e, teimosamente recusou desistir de seu próprio caminho e permitir que Deus lhe indicasse SEU caminho e que fosse o Senhor de sua vida.

      Eles lutaram até ao amanhecer, quando Deus tocou na juntura da coxa de Jacob e a deslocou. Jacob estava desamparado! Ele agarrou-se ao Anjo do Senhor e exclamou: “Eu desisto – pode guiar-me nos SEUS caminhos, do SEU jeito, de agora em diante!”

      Jacob ficou coxo para o resto de sua vida, como um marco definitivo daquela noite e, para sempre, em sua vida, o Senhor tornou-se o primeiro. Jacob não deixou de pecar, mas seu desejo mais ardente, a partir de então passou a ser agradar ao Senhor e viver para Ele.

      Então aquele guerreiro perguntou a ele: “Como te chamas?” “Jacob”, ele respondeu. O nome Jacob significa “enganador”. O Senhor precisou fazer com que Jacob admitisse o que ele realmente era; então Ele pode abençoá-lo e transformá-lo. O Senhor, então, disse: “Seu nome não será mais Jacob, mas Israel, porque como um príncipe lutou com Deus e prevaleceu”. Israel significa “governo de Deus”.

      Durante toda sua vida Jacob tentara governar sua própria vida e as vidas de outras pessoas. Agora, ele deveria estar desejando ser governado, receber ordens e obedece-las. Depois disto, sempre que seu nome era falado ou quando ele meditava a respeito dele, ele lembrava que precisava depender do Senhor somente e não dele mesmo, seus planos e suas imaginações. Jacob chamou a este campo de batalha “Face de Deus” porque ele disse: “Eu vi Deus face a face.”

      Na madrugada de um novo dia, um novo Jacob saiu daquele campo de batalha. Afinal ele rendera-se ao Deus de seu pai e de seu avo. Jacob era um novo homem. Ele tinha um novo nome – Israel. Ele estava agora sob nova direcção do próprio Deus, a quem ele entregara sua vida, tudo seu. Ninguém pode encontrar Deus face a face e continuar o mesmo – ele será mudado e transformado. Ele viverá de forma totalmente diferente após VER O SENHOR.

 

Encontro com o mestre significa um milagre

 

      Cedo, naquela manhã, Jacob atravessou o rio e encontrou sua família. Ao longe, ele viu Esaú chegando com seus quatrocentos homens. Jacob foi a frente, sozinho, encontrar Esaú. Ele encurvou-se perante Esaú de forma muito reverente. Então Esaú correu a seu encontro, com seus braços levantados. E, o que acha que Esaú fez? Ele carinhosamente abraçou Jacob e o beijou, enquanto ambos choravam de alegria!

      Esaú não estava mais com raiva porque Deus o tocara e mudara seu coração. Jacob não teria passado por aqueles dias longos, cheios de apreensão, angústia e medo, se tivesse confiado no Senhor para trabalhar por ele porque Deus, realmente, fizera uma obra no coração de Esaú. A seguir, Jacob apresentou suas esposas e filhos a Esaú e contou-lhe o quanto Deus o abençoara durante os anos em que habitara em Arã.

      Após a curta e alegre visita, Esaú voltou para sua casa e Jacob continuou sua viagem para Canaã. Jacob habitou por um pouco de tempo em Siquém e, depois seguiu para Betel – em ambos os lugares ele construiu um altar de adoração e ofereceu sacrifícios ao Senhor. Depois ele mudou-se para Hebrom, onde seu velho pai Isaque ainda vivia. Sua mãe, Rebeca, contudo, já havia falecido. Antes de eles chegarem a Hebrom, sua amada Raquel morreu ao dar à luz um menino que se chamou Benjamim. Após o sepultamento de Raquel e de um tempo de luto, eles continuaram a viagem para Hebrom.

      Isaque, agora, estava muito velho e ficou muito feliz em ver Jacob e sua família após aqueles vinte anos de separação. Logo depois disto, Isaque morreu, com 180 anos de idade e, Jacob e Esa+u o sepultaram na caverna de Macpela, onde Abraão e Sara também jaziam.

      Os anos passaram, mas Jacob nunca esqueceu aquela luta com o Senhor, no vau do Jaboque, porque fora aquele encontro que o transformara, fazendo-o abandonar seus próprios caminhos, sua independência e deixar Deus governar sua vida.

      Nenhum de nós hoje em dia teve um encontro daqueles que Jacob teve com o Senhor, uma luta física, mas, profundamente, em nossos espíritos, nós temos lutado com deus, também. Deus nos diz: “Você desiste? Você entrega sua vida a MIM e Deixe-ME ser Seu Senhor e Rei? Eu o amo e o comprei na cruz do Calvário, derramando MEU sangue por si.”

      Desejo sinceramente que não sejamos daqueles que esperam até a velhice, desperdiçando quase toda a nossa vida, como Jacob, mas que, agora mesmo, enquanto somos jovens e temos toda a vida pela frente, possamos dizer: “Sim, Senhor, eu me entrego a Ti. Desisto de minha independência, de fazer as coisas do meu jeito. Eu alegremente Te declaro Senhor de minha vida. Desejo ser transformado. Quero ser diferente, quero ser como Jesus”. Este é o único caminho para a verdadeira felicidade e alegria. Vamos pedir a Deus  para ajudar-nos a seguir Seus caminhos durante toda nossa vida.

 

 

Versículos Para Decorar

 

Lição 1

“Filho meu, se os pecadores, com blandícias, te quiserem tentar, não consintas.”

Provérbios 1:10

 

Lição 2

 

“Aquele pois que sabe fazer o bem, e o não faz, comete pecado.”

Tiago 4:17

 

Lição 3

 “Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento.” Provérbios 3:5

 

 

Lição 4

 

“Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.”

Provérbios 3:6

 

 

Lição 5

 “Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor.”

Romanos 12:19

 

 

Lição 6

 

Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.

Romanos 12:21