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Embarcações Tradicionais à Vela

As embarcações tradicionais, são as embarcações que foram desenvolvidas localmente, geralmente com casco de madeira e velas de algodão. São embarcações adaptadas às condições particulares ou tarefas de uma região. Tinham como meios de propulsão à vela ou a remos, mais tarde nalgumas embarcações os remos foram substituídos por motores.
Actualmente, é reconhecida a sua importância cultural, e são alvo de recuperação e reutilização em novas actividades.
Hoje ainda é possível encontrar algumas destas embarcações. Aqui estão algumas embarcações das regiões de Portugal:


NORTE DE PORTUGAL:

Barquinho do Rio Minho:
Embarcação muito utilizada no transporte de passageiros entre margens
Podia levar de 20 a 30 passageiros ou carga variada como vinho ou areia
Por vezes era também usada na faina da pesca.

Barco Rabelo:
Este barco tradicional é uma das mais conhecidas e típicas embarcações portuguesas
Destinava-se ao transporte de pipas de vinho pelo Douro até às caves de Gaia, chegando, as de maior porte, a atingir a capacidade para transportar 100 pipas.
Estas embarcações tem de comprimentos entre 19 e 23 metros e hoje ainda as podemos ver em algumas regatas ou fundeadas nas zonas ribeirinhas da Porto e de Gaia.


Barco da Pescada:
Esta embarcação de Figueira da Foz era usada exclusivamente na pesca da pescada.
Ambos os mastros com acentuada inclinação a vante tinham alturas diferentes e armavam panos latinos triangulares.


CENTRO DE PORTUGAL:

Fragata
É com certeza a embarcação mais emblemática do rio Tejo
Embarcação de certo porte, bojudo e pesado, media entre 20 e 25 metros de comprimento
Armava estai e vela grande de carangueja içada junto ao mastro com acentuada inclinação para ré
Tinha duas câmaras, uma à proa e outra à ré, decoradas nas anteparas
Um pequeno bote era levado a reboque o qual servia para rebocar a fragata à força de remos nos momentos de calmaria
A sua tripulação era apenas de três homens


Varino "Liberdade" do Barreiro
O seu nome parece ter origem nos "ovarinos", embarcações de Ovar
Embarcação de carga muito típica do Tejo.
Tal como a fragata também era de casco bojudo, mas mais elegante e sem quilha.
Aparelhava uma ou duas velas de estai substituindo o latino triangular por um quadrangular num mastro inclinado para a ré.
Possuía duas cobertas com anteparas, porão com paneiros e ainda bordas falsas para um melhor acondicionamento da carga.




Falua
Da família dos varinos e fragatas a falua transportava normalmente carga e passageiros entre as duas margens do Tejo.
Existiam faluas de um e dois mastros que armavam latinos bastardos como os caíques.
Esta embarcação muito rápida media aproximadamente entre 14 e 15 metros de comprimento e tinha uma tripulação de dois ou três homens.


Muleta do Seixal
A muleta de pesca, pela sua forma original pitoresca é certamente a embarcação regional portuguesa mais conhecida em todo o mundo.
Era usada unicamente pelos pescadores do Seixal, Barreiro e Cascais na arte da tarantanha, uma arte de arrasto pelo través.
A muleta apresentava fundo largo e chato, proa dentada excessivamente boleada e popa inclinada.
O aparelho da muleta era composto por um mastro muito inclinado para vante, onde içava a verga, uma grande vela latina triangular e dois batelós (paus compridos) deitados pela popa e proa que serviam para amurar e caçar as outras velas e, ao mesmo tempo, para nas extremidades amarrarem os cabos que seguravam a rede da tarantanha.


SUL DE PORTUGAL:


Enviado do Atum
É uma bela e elegante embarcação de Vila Real de Santo António
Usada na pesca do atum, possui um casco de quilha de forma alongada e uma ré cortada em painel que suporta um leme muito inclinado para trás
Tem dois mastros divergentes com panos latinos, estai que amura em vara de gurupés, armando a mezena uma vela de espicha.
Apresenta dois a três remos por bordo e nome de enviado advém do facto de também fazer transporte da pescaria entre embarcações do largo e terra.

DAS ILHAS DOS AÇORES E MADEIRA:

Baleeira do Pico (Açores)
Embarcação usada nas ilhas do Pico e Faial na caça à baleia.
Durante Semana do Mar, festas que se realizam no Faial na primeira semana de Agosto, ainda é possível admirar alguns exemplares.
Arma uma pequena vela latina de carangueja apoiada no mastro bem a vante e um pequeno estai latino.
Na ocasião da perseguição à baleia as velas são arreadas e parte da tripulação faz uso dos 6 remos (3 por bordo) enquanto o arpoador vai em pé à proa.


Barco da Pesca do Carapau (Açores)
Embarcação de boca aberta com a proa e popa muito semelhantes.
Assemelha-se a uma grande baleeira com a sua boca aberta e convés corrido.
Dois mastros, o de vante, mais curto, arma uma vela latina triangular.
A sua tripulação varia de 8 a 10 homens que podem fazer uso dos 4 remos (dois por bordo)
À proa uma malagueta saliente e roldana de esforço facilitam a recolha do pescado.


Baleeira da Câmara de Lobos (Madeira)
Embarcação de convés corrido e de configuração ligeiramente curva.
Com a proa e popa muito semelhantes, o leme acompanha a curvatura da roda de popa.
O mastro é fixado bastante à vante e a vela de pendão.
Depois das baleias escassearem nas águas continentais, ainda se continuou a sua caça na Madeira e Açores.

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