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Rumo e Mareações

Mareações    

    Um barco à vela está condicionado pela orientação do vento, uma vez que o barco não consegue andar totalmente contra o vento e por vezes o vento é demasiado fraco ou forte para se tomar o rumo pretendido. Conforme a orientação do vento e o rumo do barco tem que se fazer afinções na vela.
    Existem três tipos de mareação possiveis que variam conforme a direcção da proa em relação à direcção do vento: Bolina, Largo, Popa.



  • Navegar à bolina consiste em andar contra a direcção do vento. Como é possível observar na figura do lado esquerdo o barco não navega totalmente contra o vento, pois o fluxo do vento sobre a vela não é suficiente para gerar força para empurrar o barco, no entanto consegue navegar 45º contra. Diz-se que uma bolina é cerrada quando se vai no limite contra a direcção do vento, e diz-se uma bolina folgada quando o ângulo entre a direcção do vento e do barco começa a ser maior.  Hoje em dia há barcos que conseguem fazer bolinas mais cerradas, e navegar até 30º contra o vento. Para se navegar na direcção do vento é preciso navegar em ziguezagues, como ilustra a figura abaixo.

Esta técnica foi inventada pelos portugueses através do uso de velas triangulares. As primeiras embarcações a usar esta tecnologia foram as caravelas que revolucionaram a exploração marítima do séc. XV. Enquanto as naus com as suas velas quadrangulares, só conseguiam andar quando o vento estava a favor, as caravelas podiam andar contra ele.
Esta é a mareação em que o barco consegue menos velocidade, e menos aproveitamento visto que o abatimento da embarcação sobre o rumo é significativo.

  • O Largo é uma mareação  que consiste em navegar mais na perpendicularidade do vento, isto é, entre 70º a 110º da direcção do vento. Diz-se que quando a embarcação segue a 90º da direcção do vento que navegamos de través.


  • A Popa é quando a embarcação está a navegar a favor do vento. Diz-se que quando o rumo é 180º da direcção do vento pratica-se uma popa rasada.

Abatimento
 O rumo da embarcação não está sujeito apenas ao vento.Há que ter em consideração as correntes do mar, e dependendo da mareação vai originar mais abatimento. O abatimento é cono o ângulo entre a proa e o rumo.
  Exemplo:

Não podemos neste caso aproar directamente ao objectivo e será preciso escolher uma direcção cuja resultante seja em função da força da corrente, velocidade do barco e distância a percorrer.

Barco a Vela

A resultante é uma soma vetorial da intensidade da corrente com a velocidade do barco

Vento Real e Vento Aparente

Nas embarcações à vela o principal meio de propulsão é o vento. O motor é um meio de propulsão auxiliar que é usado principalmente nas manobras de acostagem, quando se fundeia ou ainda quando não há vento.

De uma forma simplista digamos que o vento é o combustível de um veleiro e as velas o seu motor. A arte de velejar é assim a arte de manobrar as velas em função do vento, direção e intensidade, com o rumo que queremos seguir.

Existe ainda um elemento a considerar e que apenas aparece com o barco em movimento, mas é fundamental na navegação à vela. É o vento aparente. Imaginemos que estamos a correr num dia sem vento.

O vento que nesse momento sentimos na cara é o que se chama de vento aparente. É este vento, resultante do movimento e direcção de uma embarcação e da intensidade e direção do vento real, que incide nas velas.

Barco a Vela

Vento real e vento aparente (note-se a as variações de direção e intensidade)

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