Página inicial‎ > ‎

Flautas

William S. Haynes Co.
 

História da fábrica Wm. S. Haynes
 
Em 1888 o filho de um capitão do mar da região de New England e seu irmão começaram a fabricar flautas em Boston. William e seu irmão George experimentaram diferentes materiais, mecânicas, e modelos de bocais.
 
Wm. S. Haynes (1864-1939)
 
A partir de 1900 a companhia Haynes iniciou oficialmente a fabricação de flautas e todos os instrumentos começaram a receber a logo marca "Wm. S. Haynes" a partir do número de série "507" para flautas e piccolos.
 
Em 1904 a firma tinha apenas três empregados, e com o passar dos anos alguns dos mais notáveis artesãos como Verne Q. Powell, Arthur Gemeinhardt, John Schwelm and Nils Christensen receberam treinamento na companhia Haynes. Durante a 2ª Guerra Mundial a firma esteve ocupada fornecendo peças e suprimentos bélicos, incluindo partes para a fabricação de um radar experimental desenvolvido pelo Massachusetts Institute of Technology, cessando temporariamente a fabricação de flautas. Com o final da guerra, a produção foi retomada e a distribuição passou a ser mundial.
 
Quando William morreu em 1939 aos 75 anos, sua esposa e outros membros da família passaram a dirigir o estabelecimento. Em 1965 Lewis J. Deveau, que trabalhava na firma desde 1941, foi apontado diretor geral, e em 1976 ele e sua esposa Anna compraram a firma e passaram a ser presidente e vice-presidente respectivamente. Sob sua administração, a companhia expandiu rapidamente. Em 1981 Deveau modificou a escala do instrumento através do re-posicionamento dos orifícios para melhorar a afinação, particularmente na primeira oitava e nas notas do#2 e mi2. No final dos anos 80 ele introduziu um bocal com chaminé de ouro 14K. Ainda assim a firma continuou usando prensas para forjar as chaves e outras partes ao invés de aderir à fundição com cera.
 
Deveau faleceu em 1993 após fabricar flautas por mais de 52 anos. Sua esposa Anna dirigiu a companhia até 1995 quando decidiu vendê-la, exatamente como tinha acontecido 50 anos atrás, para um dos mais antigos e confiáveis funcionários, John C. Fuggetta. Sua dedicação e liderança foi interrompida com sua morte em Janeiro de 2001, ficando a direção com sua esposa Stella e filho Anthony.

John C. Fuggetta (1943-2001)

Hoje mais de 20 artesãos trabalham na Wm. S. Haynes Co., continuando um trabalho de excelência e tradição de mais de 100 anos.
Site da Wm. S. Haynes Co.


Visita à fábrica de flautas Wm. S. Haynes:

Numa belíssima mas muito fria manhã de sábado, em Janeiro de 1995, eu e alguns amigos estivemos visitando a fábrica de flautas Wm. S. Haynes, que fica localizada no centro histórico de Boston, MA.

Vista da fachada da fábrica, R. Piedmont Nº12, Boston:

Fizemos um "tour" guiados por um dos funcionários que foi mostrando as diversas etapas na fabricação das flautas. Nestas gavetas são estocadas as diversas partes da flauta para montagem, como chaves, tubos, etc.:

Ficamos muito impressionados pela maneira artesanal com que ainda são fabricadas as flautas Haynes, abrindo mão de novas tecnologias e facilidades. As chaves e mecanismos, por exemplo, ainda são fabricadas à maneira antiga: forjadas! Enquanto outros fabricantes fundem o metal em moldes de cera, a Haynes usa esta máquina para "prensar" a prata, o que faz com que o metal seja muito mais forte e resistente:

 Na foto podemos ver a seqüência da fabricação de uma chave de dó# do pé, a prata é prensada inúmeras vezes até tomar a forma correta.

 

Na foto abaixo vemos a furação dos orifícios do pé de uma flauta. As chaminés (tone holes) são primeiramente soldadas no tubo, e depois são feitos os furos:

 

 Na foto abaixo Keith Underwood mostra sua Haynes de ouro para o então presidente e proprietário da Haynes, John Fuggetta:

 

Aqui eu me delicio experimentando diversas flautas Haynes, inclusive o protótipo de uma flauta de madeira que estava em fase de testes e que hoje é vendida regularmente:

 


Flute Haynes


Flauta de ouro de Jean-Pierre Rampal e no fundo o livro de registro da Haynes indicando o número da flauta (29.333) e a data de fabricação.

 Estas são algumas das minhas Flautas
FLAUTAS DE MADEIRA:
 
Cônica:

Lefèvre (Paris, cerca de 1875-1890?): flauta em ébano, corpo cônico e bocal cilíndrico, sistema Boehm de chaves de anel (cerca de 1832, modificado, com sol# fechado), chaves em alpaca, pé em dó, afinação A=438-440, sem número de série. Ideal para música do período Barroco (seu som se assemelha muito a um "traverso" Barroco) até final do Romantismo. Permite respostas muito rápidas nos saltos e articulações e grande flexibilidade de dinâmica e expressão.

Cilíndricas:
 
William Gibbs (Boston, cerca de 1900): flauta em ébano ou grenadilha, corpo cilíndrico e bocal cônico, sistema de chaves Boehm (sol# fechado), chaves fechadas banhadas em prata, pé em dó, afinação A=438-440, sem número de série. Sonoridade escura e doce, mas firme sobretudo nos graves, com grande flexibilidade de dinâmica. Ideal para músicas do período Clássico até final do Romantismo, excelente também para o repertório orquestral destes períodos.
 
Carl Fischer (New York?, cerca de 1900-1920): flauta em ébano ou grenadilha, corpo cilíndrico e bocal cônico, sistema de chaves Boehm (sol# fechado), chaves fechadas em alpaca sem banho, pé em dó, afinação A=440-442, sem número de série. Provavelmente construída por Rittershausen (renomado construtor alemão) para a famosa casa Carl Fischer de Nova Iorque. Sonoridade doce e delicada, excelente equilíbrio de registros, grande flexibilidade de dinâmica. Ideal para músicas do período Clássico até final do Romantismo, excelente também para o repertório orquestral destes períodos.
 
Wm. S. Haynes nº3848 (Boston, 3/2/1917): flauta em grenadilha, corpo cilíndrico e bocal cônico de prata, sistema de chaves Boehm (sol# fechado), chaves de prata e fechadas, pé em dó, afinação A=438-440. Sonoridade doce e delicada mas com maior volume de som devido ao bocal de prata, grande flexibilidade de dinâmica (uma flauta de características mistas prata/madeira). Ideal para músicas do período Clássico até final do Romantismo, excelente também para o repertório orquestral destes períodos.

FLAUTAS DE PRATA:
 
Louis Lot nº3290 (Paris, 1882): uma das marcas mais tradicionais e prestigiadas, esta flauta em prata foi fabricada pelo 1º sucessor de Louis Esprit Lot, Henry Villete. Com corpo cilíndrico e bocal cônico de prata, tubo soldado (como eram feitos os tubos no século 19). Porta-lábio em ouro entalhado, sistema de chaves Boehm (sol# fechado), chaves abertas em prata, pé em dó, afinação A=438-440. Sonoridade delicada para uma flauta de prata, típica de uma flauta do século 19. A "chaminé" do porta-lábio é quase elíptica e tem medidas menores que das flautas atuais:
 
Louis Lot nº8480 (Paris, 1914): uma das marcas mais tradicionais e prestigiadas, esta flauta em prata foi fabricada pelo 4º sucessor de Louis Lot, Ernest Chambille. Com corpo cilíndrico e bocal cônico de prata, sistema de chaves Boehm (sol# fechado), chaves abertas em prata, pé em si com acionamento na mão esquerda, afinação A=440-442. Sonoridade delicada e doce, "chaminé" do porta-lábio menos elíptica e com medidas mais próximas das flautas atuais:
 
E. Albert (Bruxelas, século 19): esta flauta belga de prata tem corpo cilíndrico e bocal cônico, tubo soldado, porta-lábio entalhado, sistema de chaves Boehm com sol# fechado, chaves abertas em prata, pé em si com acionamento na mão esquerda, afinação A=438-440.


 Número de Sérias das Flautas Wm. S. Haynes, Powell e Louis Lot
Baixe arquivo em pdf no anexo abaixo.
 
ą
Nilson Mascolo Filho,
24 de mar de 2009 10:55
Ċ
Nilson Mascolo Filho,
19 de mar de 2009 07:17