Barroco

 


O Palácio de Versalhes: Um exemplo ímpar do Barroco

 

 

 

                                                                                                                Palácio de Versalhes

       

1 - Definição Geral do Barroco                            

O termo Barroco no sentido etimológico, como encontramos referido no Dicionário da Língua Portuguesa (Academia das Ciências de Lisboa) é o de “pérola de superfície irregular”, num segundo momento, “o que é extravagante, imprevisto, que causa estranheza pela irregularidade, pelo carácter inesperado” e, num último momento, um sentido depreciativo, a saber, “que é demasiado exuberante e tem excesso de ornamentos; que evidencia o mau gosto por ser demasiado rebuscado”. O gosto barroco, enquanto conotado como gosto duvidoso, encontra as suas origens, de acordo com Panofsky (Qu’est-ce que le baroque?, p.33) nos procedimentos mnemotécnicos utilizados pelos escolásticos, procedimentos estes que ajudaram à concepção do nome baroco.

 

O Barroco nasce no séc. XVII em Itália,  passando então a designar a época ou estilo que se seguiu ao renascimento, compreendendo um novo estilo artístico e tendo-se difundindo por toda a Europa, com particular enfâse no Sul, ao longo do séc. XVIII.  Note-se que, se num primeiro momento a sua aplicação restringiu-se à arquitectura, o nome foi como que alargando o seu horizonte: numa primeira fase à escultura e à pintura, numa segunda fase às formas de arte não visuais, como a poesia e a música, e numa terceira fase a expressões artísticas, que não exclusivas do dito período.

Fontes Bibliográficas

PANOFSKY, E., Qu’est-ce que le baroque ? in Trois Essais sur le Style, trad. Bernard Turle, Mayenne, Le Promeneur, 1996 

Dicionário da Língua Portuguesa, Academia das Ciências de Lisboa, Lisboa, Verbo, 2001;

Fontes Internet

filosofiadaarte.no.sapo.pt/barroco.html

 

2 - Características Principais do Barroco                            

 

Do ponto de vista das características principais, o barroco define-se por uma reacção contra o estatismo e a rigidez , determinando, nas artes plásticas, o advento de formas sensuais, generosas, dinâmicas, nas quais o 1) movimento da linha serpenteante tem uma importância decisiva, bem como os 2) efeitos de luz na criação de poderosos contrastes, distorções espaciais ou 3) ilusões ópticas (trompe l'oeil). 4) Exagerando formas e figuras, cultivando a dissimetria, o barroco pretende exaltar a expressão e o aspecto sensorial dos temas. Não é por acaso que, quer no domínio das artes plásticas, quer no domínio da arquitectura, acaba por privilegiar uma arte cenográfica que dá amplo destaque aos 5) aspectos decorativos (os altares e as fachadas de igrejas e palácios, por exemplo, exuberantes e luxuosos), em detrimento das preocupações estruturais ou funcionais. Na verdade, trata-se de exaltar a fé, através do concurso das formas, convertendo os templos em locais atraentes para os fiéis.

Fontes Internet

www.universal.pt

 

3 - O Palácio de Versalhes - Um exemplo ímpar do Barroco        

 

O Palácio de Versalhes  nasce do poder e com a visão artística e política dos Reis de França entre 1610 e 1789, tendo conhecido o seu apogeu nos reinados de Luís XIV e Luís XV, em grande parte fruto da obra do arquitecto Jules Hardouin-Mansart (1646-1708).   É uma obra de manifestação messiânica e que simboliza a ambição de Luís XIV, o Rei Sol, que pretendia reunir em seu redor a nobreza mais poderosa de França, para deste modo enfraquecê-los. Hoje, museu histórico e dedicado a "todas as glórias de França" encontra-se aberto ao público desde  01 de Junho de 1837.     

 

Fontes Bibliográficas:

 Versailles - Complete Guide, Editions Lys Versailles, 1992

 

3.1. - A arquitectura em Versalhes     

 

                              

                                                                                                              Sala dos Espelhos

 

Criada por Mansart entre 1678 e 1686, simula dezassete arcadas graças aos seus 357 espelhos. Os arcos das arcadas e as janelas são encimadas por uma cabeça de Apolo e um leão e os capiteis decorados por uma flor de lis. Oito bustos em mármore de imperadores romanos e oito estátuas de deuses da Antiguidade adornam a Sala.  Le Brun, o principal pintor do Rei, produziu toda uma panóplia de alegorias, "trompe-le oeil" e perspectivas ilusionistas. Os tectos esculpidos ou pintados, predominando os dourados estão presentes e são uma característica da arquitectura do Barroco. O tecto elevado e elaborado com elementos de escultura traduz uma dimensão do infinito. As janelas permitem a entrada de luz de modo a destacar as esculturas e provocam a surpresa e o encantamento.

Fonte Bibliográfica:

Versailles - Complete Guide, Editions Lys Versailles, 1992

 

                                   

                                                                                                            "Parterre du Midi"

 Os jardins de Versalhes, em termos de arquitectura de exteriores, são desenhados de modo formal, com abundância de elementos de água. Os eixos do jardim foram planeados por Luís XIII e implementados por André Le Nôtre. Apresentam grandes eixos e avenidas que se intersectam em ângulos rectos formando alamedas.

Fonte Bibliográfica:

Versailles - Complete Guide, Editions Lys Versailles, pag. 117, 1992

 

3.2. - A pintura em Versalhes      

 

                           

 

Captura da cidade e cidadela de Ghent em seis dias (1678). Obra de Charles Le Brun.

A utilização da luz , elemento principal da pintura barroca, é evidente nesta obra. Temos também presente o uso de formas dinâmicas e sinuosas, cores puras e cálidas e a sobreposição de formas.  O deslumbramento, a encenação são os grandes objectivos da pintura, produzindo um verdadeiro espectáculo.

 

3.3. - A escultura em Versalhes    

  

 

Apolo servido pelas Ninfas (1666), grupo em mármore por Girardon situado na entrada da Gruta de Tétis

 

Neste conjunto, o Rei Luís XIV surge representado na figura de Apolo. Apolo ou Luís, encontra aqui um reconforto bem merecido no final de um dia frutuoso para o seu reino. Encontra-se patente neste conjunto a sensualidade e a virtuosidade de inspiração helenísticas.  Destacam-se as expressões faciais e individuais como os cabelos ou os músculos. As esculturas do Barroco procuram dar a impressão de que estão vivas e até que se poderiam movimentar.  Frequentemente misturam-se anjos, santos, deuses pagãos e heróis da mitologia, sendo também recorrente o uso do elemento água.

 

Fontes Bibliográficas:

História da Arte Larousse, Círculo de Leitores, 1991, pág.404 

Versailles - Complete Guide, Editions Lys Versailles, 1992

 

 

4. - Consolidação de conhecimentos.

De modo a rever os seus conhecimentos sobre o Barroco, responda às seguintes questões:    

 

 

 

4.1. Tendo presente que as características do mobiliário e da arquitectura do Barroco são similares, apresenta três características desta mesa que justifiquem  tratar-se de uma peça do Barroco.

 

4.2.  O que significa "Barroco" ?

 

4.3.  Apresenta duas características da escultura Barroca.

 

4.4.  Preferias viver nos nossos dias ou no Período Barroco, sabendo que naqueles tempos:

- Não havia canalizações, máquinas de lavar ou secar, televisão, telemóveis,...

- Apenas a nobreza tinha condições para contratar governantas e tutores para cuidar e educar as suas crianças

- Viajar era lento, a velocidade máxima não ultrapassava os 8 kms por hora