TRABALHADORES

Manoel Del Rio,  advogado, assessor jurídico de movimentos sociais



 HISTÓRIA DO 1º DE MAIO E A NOSSA LUTA DE HOJE

1º/05/2015

COMO SURGIU O 1º DE MAIO

Estados unidos 1886. Os operários, mulheres e as crianças trabalhavam 16 horas por dia. Durante

muitos anos os trabalhadores organizaram um forte movimento pela redução da jornada de trabalho para 8 horas.

Como desfecho desse movimento marcou uma grande greve para o dia 1º de Maio daquele ano.

Trezentos e cinquenta mil operários cruzaram os braços. Varias manifestações foram realizadas ate o dia 04 de maio.

Houve choques com a policia, 93 operários foram assassinados, 8 foram. presos e condenados.

Destes 8 lideres do movimento, 5 foram enforcados e 3 pegaram prisão perpétua.

 

A LUTA PELA REDUÇÃO DA JORNADA NO BRASIL

Em 1917 um jornal de São Paulo contava:

“Assistimos ontem à entrada de cerca de 60 pequenos às 19 horas, na fábrica da Moóca. Essas crianças, entrando àquela hora, saem Às 6 horas do dia seguinte. Trabalham, pois, 11 horas a fio, em serviço noturno, apenas com um descanso de 20 minutos à meia noite. O pior é que elas se queixam de que são espancadas pelo mestre de fiação. Muitos nos mostraram equimoses nos braços e nas costas. Alguns apresentam mesmo ferimentos produzidos por manivela. Um há com as orelhas feridas por continuados e violentos puxões. Trata-se de crianças de 12,13 e 14 anos.”

1906 – 1º Congresso Operário Brasileiro decide concentrar esforços em todo País na luta pela redução da jornada.

1907 – 30 dias de greve da construção civil, metalúrgicos e alimentícios. Depois aderiram os gráficos, sapateiros, têxteis e parte dos empregados na limpeza pública. Os operários da construção civil e pequenas fundições conseguiram às 8 horas. As demais conseguiram vitórias parciais.

1912 – Nova greve, desta vez no ramo têxtil e dos sapateiros, e estes últimos conseguiram 8,5 horas.

1917 – GREVE GERAL em São Paulo, Santos, São Bernardo, Campinas e depois em todo o estado de São Paulo. Por 3 dias, os trabalhadores tomaram conta da cidade. Os patrões fizeram concessões na marra.

1932 – Depois de muitas lutas e vitórias aqui e ali, a jornada de trabalho de 8 horas diárias é regulamentada em lei nesse ano.

1984 – Depois de muitos anos sem se falar na redução da jornada de trabalho, A CUT puxa de

Texto organizado por Manoel Del Rio, advogado e assessor de movimentos sociais.

NOSSA LUTA DE HOJE: 40 HORAS SEMANAIS

Quanto mais você trabalha menos você ganha, e quanto menos você ganha, mais você precisa trabalhar. E quanto mais você trabalha, mais companheiros perdem o emprego. E quanto mais desemprego tiver, mais baixo será o salário, mais tempo você precisa trabalhar. Esse é um círculo vicioso, montado pelos capitalistas para aumentar seus lucros.

O Brasil é um dos países que ainda tem a jornada mais longa. Alguns estudos mostram que hoje, com 2 horas de trabalho diárias, é possível produzir tudo o que é necessário para todos viverem com dignidade e conforto. Mas como os capitalistas se apropriam sozinhos de quase tudo que é produzido, nós trabalhadores somos jogados na miséria.

Por isso, lutamos pela redução da jornada de trabalho.  Assim aumentará o número de empregos, diminuirá a rotatividade, teremos mais tempo para a família, o estudo, o lazer e, principalmente teremos mais tempo para organizar nossa vida. É a luta por nossa   liberdade


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Terceirização: “São dois patrões nas costas do trabalhador”

 

Com a terceirização os trabalhadores ganharão um patrão a mais. Agora vão alimentar dois. Um era um peso excessivo, agora será dobrado.

 As empresas funcionam assim: o empresário contrata seu trabalho. Com seu trabalho, paga seu salário e daquele valor que você produziu ainda tira o lucro dele. Ou seja, primeiro você trabalha, produz uma mercadoria ou serviço, que é vendido. Com o dinheiro da venda o empresário paga seu salário e embolsa o lucro. Todas as empresas funcionam assim – automobilísticas, do comércio, química, metalúrgica, de serviços. O importante é o trabalhador não perder de vista, que o objetivo do patrão é retirar a taxa de lucro do seu trabalho realizado. Quanto menor o salário maior o lucro.

 Com a terceirização vai ocorrer o seguinte, eles vão demitir todos os contratados diretamente e utilizar trabalhadores contratados por outra empresa, um segundo patrão.

 O que importa notar é que nenhum patrão vai diminuir sua taxa de lucro, para dividir com o outro patrão. Ele vai espremer o terceiro para que ele esprema os novos contratados. Deste modo os salários e as condições de trabalho serão rebaixados para extrair o lucro do terceiro. Como todos sabem, nenhum patrão rebaixa seu lucro. A empresa mãe continuará com seu lucro e o terceiro patrão vai tirar mais do seu trabalho.

 E mais, as conquistas dos antigos empregados serão zeradas. Por exemplo: promoções, planos de carreira, redução da jornada de trabalho, o piso salarial superior pode voltar para o valor do salário mínimo.  Participação nos lucros sumirá, porque o lucro da empresa mãe será um, mas da terceirizada será outro, bem menor. Sem contar que a terceirização divide os trabalhadores, que ficarão sem força para lutar.

Na verdade, o Congresso está fazendo o que os patrões queriam que o novo presidente fizesse. O serviço sujo de rebaixar a renda dos trabalhadores. Como não conseguiram eleger Aécio para fazer isso, o Congresso e alguns “sindicalistas pelegos” serão os coveiros da CLT.

 Observando a lupa da boa teoria podemos apontar o seguinte: O capitalismo tem uma doença congênita e o capital precisa estar sempre se valorizando. Numa linguagem popular, ele precisa estar sempre arrancando mais do trabalhador, aumentando mais a sua exploração. Ocorre que acumula tanto que entra em colapso, não consegue crescer mais, explorar mais, aumentar mais do que as condições atuais oferece. Aí entra em pane, para de crescer. É o que ocorre neste momento. Para sair desse colapso o capitalismo precisa criar novas condições para retomar, de forma ampliada, a exploração dos trabalhadores. A lei da terceirização que tramita no Congresso vem na esteira dessa ordem capitalista.

 A terceirização é um ataque frontal aos direitos dos trabalhadores. Lute contra os deputados, senadores, falsos sindicalistas, que pretendem aprovar o projeto de lei 4330/04. Você sabe quem é seu inimigo.

 

Texto de autoria de Manoel Del Rio, advogado e assessor de movimentos sociais.

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Histórias do Sindicalismo no Brasil
 
"Quando eu penso no futuro não esqueço do passado" 

Participei, no dia 15 de outubro, de um evento realizado no Museu da Resistência e  organizado pelo “Projeto Memória” da Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo. Reuniu dezenas da  boa militância da época. Caminhei junto com essa experiência desde 1978, quando conheci algumas de suas lideranças.  A oposição sindical metalúrgica de São Paulo percorreu uma trajetória marcante na história das lutas dos trabalhadores. Seus militantes foram  perseguidos pela ditadura militar, tendo alguns deles assassinados, como Olavo Hansen, Luiz Hirata, Santos Dias e dezenas deles presos e torturados. A chapa de oposição formada em 1975, não pode concorrer pois, seus integrantes e apoiadores foram presos.

Nas fábricas os seus militantes eram cassados e demitidos sumariamente. 

Vigorava a famosa lista "negra"   militantes que não podiam trabalhar em lugar nenhum. Os maiores “dedos-duros” eram os dirigentes sindicais da época colocados no sindicato dos metalúrgicos de São Paulo pela 
ditadura militar.

Martinelli, Chico Gordo, Waldemar Rossi e Sebastião Neto (da esquerda para a direita)       

A Oposição sindical Metalúrgica influenciou o movimento operário sindical em todo o Brasil. Defendia e praticava a organização opereária de base, dentro das empresas, a autonomia operária-sindical,a ligação com os movimentos populares, pois entendia que as questões operárias não se apresenta somente dentro das empresas, mas também nos locais de moradia. Suas bandeiras de luta estão vivas até hoje, como a redução da jornada de trabalho, segurança do trabalho, comissões de fábrica e salário compatível com as necessidades das famílias dos trabalhadores.


José Pedro, Profª Rose, Chico Gordo, Waldemar Rossi, Hélio Bombardi e Anísio Batista (da esquerda para direita)

Parabenizo o IIEP, coordenado pelo Neto,   por este Projeto Memória e pela revista lançada. Precisamos continuar analisando a experiência desse grupo, para implementar ainda mais as organizações autônomas de base dos trabalhadores, tão necessárias para os dias atuais. Não podemos esquecer o que a boa teoria nos ensina: “O futuro da humanidade depende do avanço das associações de mulheres e homens livres, para produzir, distribuir, se desenvolver e ser feliz.”

 

Manoel Del Rio - Presidente da Apoio  

Contatos: Manoeldelrioblas@gmail.com, Twitter:@ManoelDelRio, Facebook:ManoelDelRio   


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