SÃO PAULO DE TODOS NÓS



LEMBRANÇAS DA ELEIÇÃO

 05/11/2012

Vale registrar algumas experiências da campanha eleitoral. Repetir o refrão de Zeca Pagodinho:

 Ô Iaiá, Iaiá, ô Iaiá, minha preta não sabe o que eu sei.

O que vi nos lugares onde andei.

Quando eu contar, Iaiá, você vai se pasmar.

Quando eu contar, Iaiá, você vai se pasmar.

Andei por toda cidade. “No meio de redemoinho”. No centro encontrei o drama das famílias do moinho. As moradias precárias dos cortiços e ocupações. No momento, veio a mente um conto de Kafka chamado “A Toca”. Vagas lembranças dessa literatura. Para completar, 97 famílias despejadas de um prédio abandonado, acampadas morando na Av. São João. E ninguém que tem poder movendo uma palha para assegurar o direito dessas pessoas.
Na região Sul, comunidade do Parque do Engenho, vivenciei situação inusitada. Caminhei pelas vielas, que distribuem as pessoas pelos seus barracos. Sozinho, para sair e entrar precisaria do fio de Ariadne. Estão espremidos entre o barranco de um terreno, que o poder público (Executivo e Judiciário) expulsou mais de mil famílias que ali moravam. O terreno está vazio e agora serve para o acumulo de lixo. As famílias se amontoam entre duas margens. Em vários pontos as construções estão em cima do rio-esgoto. Encontramos um dos moradores no meio das vielas. Fui apresentado a ele como candidato a vereador. Perguntei como era a vida ali. Travamos um pequeno diálogo. Logo veio um pedido. Precisava de uma bola para jogar futebol num terreno baldio. Perguntei a ele se era da bola que ele precisava. Disse sim, afastou-se. Não falou de saneamento básico, moradia e outros direitos que o Poder Público lhe deve.

 

Lá pros lados da Zona Norte, circulei por vielas daqueles morros. Uma delas chamada de “Toca do Bin Laden”. Um conjunto de labirintos, sem nenhuma acessibilidade. Destaco os aspectos encontrados na Comunidade do Violão. Ali encontrei duas famílias que o barraco despencou em cima do rio-esgoto. Próximo dali encontrei um casal preocupado com a possibilidade do quarto que está na parte de cima cair sobre a sala/cozinha da casa. A madeira que sustenta o piso superior da casa está comida pelos cupins e já precisou ser remendada.  Mora ela, o marido e cinco filhos. Falou das suas dificuldades. Apontava sempre para a madeira podre. Senti que tinha vontade de pedir ajuda para consertar a madeira. Mas, nada falou. Olhei no fogão e prateleiras, não vi alimentos. Apenas uma panela com arroz no fundo. Disse ter sido a refeição do dia anterior para ela, o marido e os cinco filhos. 

 

Dizem ainda os espertalhões que não há fome em São Paulo. 
Na Zona Leste, a “Portelinha” onde um metalúrgico, torneiro mecânico, fazia seu barraco à beira do Rodoanel. Era para fugir do aluguel.

No Palanque, na Cidade Tiradentes, no Jardim Iguatemi, as famílias se arrumam como podem. Mas, no Jardim Itápolis a luta é extrema. Encontrei crianças morando perigosamente encarapitadas em precárias palafitas no rio-esgoto. O moço arranjando o barraco, mas estava sem pregos. A mãe amamenta o bebê saudável. Segundo ela. Mas, estava com o rostinho pontilhado de vermelho picado de pernilongo.

A situação de um homem e uma mulher revelou o limite do possível. Guardavam um espaço em cima do rio-esgoto para fazer sua moradia. Faltava material. Entretanto, não desgrudavam dali, outros podiam ocupar o espaço. Disseram: é só atravessar um caibro ou viga entre as margens e pronto. O risco é a próxima enchente. Mas, não saiam dali. Era a única possibilidade de ter seu barraco.

São muitas lembranças não escapa da memória o semblante dessas pessoas. O sofrimento estampado. As cicatrizes profundas de seus Direitos violados.

  

Manoel Del Rio   - Advogado e Assessor Jurídico de Movimentos Sociais

 Contatos: manoeldelrioblas@gmail.com, Twitter:@ManoelDelRio, Facebook:Manoel Del Rio                    

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Amigas e amigos,

 Creio que a maioria já sabe, até porque muitos apoios já começaram a ser divulgados. Pois bem, está oficializada minha candidatura a vereador de nossa cidade de São Paulo.  Neste município onde o drama social tem a mesma proporção da riqueza. E o novo prefeito, que será eleito em outubro, precisará  contar com vereadores capacitados para enfrentar o desafio. Fui solicitado e aceitei a tarefa de colocar minha experiência à disposição da cidade de São Paulo, mas para isso teremos que conseguir mais de 30 mil votos. Uma tarefa e tanto. 

Meu partido é o PT e meu número 13313, o candidato a prefeito é Fernando Haddad.  
(Fernando Haddad e eu na foto ao lado)
A bandeira que tenho defendido desde o início de minhas atividades políticas, na década de 1960/70, nas comunidades eclesiais de base, Movimento Contra a Carestia é: A DEFESA DOS DIREITOS SOCIAIS PARA TODOS.  A partir dessas experiências, com a ajuda desses grupos fundamos a APOIO – Associação de Auxílio Mútuo,  instituição na qual fui presidente, e que trabalha em defesa de políticas públicas e habitacionais para famílias de menor renda e mantém programa de atendimento a moradores em situação de rua. O trabalho da Apoio  passa pela região do “Centro Velho” local onde  é possível apreciar o retrato da degradação e se espalha pelos quatro cantos de São Paulo, 30, 40, 50 quilômetros distante  da Avenida Paulista, o cartão postal de nossas riquezas. 

Para enfrentar o desafio de ordenar nossa cidade precisamos de um plano diretor corajoso, efetivo de longo prazo.  Que trabalhe as diversas questões urbanas ao mesmo tempo. Desenvolver um plano habitacional arrojado para fixar a população de menor renda nas regiões urbanizadas.  Somente o centro expandido da cidade, pode acomodar mais de dois milhões de pessoas.  Outro problema gravíssimo: em São Paulo perto de 200 mil crianças estão sem creche, outras fora do ensino fundamental ou com distorção de idade adequados à série. Poucos concluem o ensino fundamental e ingressam no ensino médio. Menos ainda vão para as universidades. A droga é outra batalha urgente. Tenho defendido Centros Integrados de Tratamento do Crack, onde seja desenvolvido um conjunto de atividades articuladas para os dependentes químicos. Como ações sócio-assistênciais com educadores de rua para convencê-los a se tratarem, intensificar atividades de saúde combinadas com prática de esporte, programas educacionais e serviços contínuos para reinseri-los na família e no mercado de trabalho. Contribuir para que o dependente químico supere as diversas situações que o levaram ao uso da droga.  Vale destaque também a questão do lixo. A cidade recicla apenas 1,500 toneladas da coleta diária que é de 15 mil toneladas. A visão de futuro exige do poder público a reciclagem e tratamento total do lixo, de acordo com as técnicas já desenvolvidas em várias partes do mundo.  Precisamos estimular a implantação de políticas públicas integradas de educação, saúde, transporte, moradia, cultura, esporte e de apoio às famílias.

 Estas e muitas outras sugestões desenvolvo em minha prática cotidiana e tenho levado aos diversos encontros, seja nas periferias, seja nas universidades. Como vereador terei a oportunidades de transformá-las em projeto e com o apoio da sociedade  fazer virar lei. Mas antes, repito, preciso contar com seu voto e conquistar a vaga. Lula e Dilma precisaram ser eleitos para implantar as mudanças que vêm fazendo no país. Agora é a vez de São Paulo.

Manoel Del Rio   - Advogado e Assessor Jurídico de Movimentos Sociais 

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