PRÉDIO VAZIOS EM SÃO PAULO



Manoel Del Rio,  advogado, assessor jurídico de movimentos sociais  e presidente da Apoio.                           

Repovoar o centro para estimular a inclusão social e
combater as mudanças climáticas


20/11/2011

"É a oportunidade do momento”

No inicio do mês os sem-tetos ocuparam 12 prédios abandonados no centro da cidade de São Paulo. Imóveis sem função social há mais de 5 e até 15 anos. É um câncer no coração da cidade.
Cheios de imundice, pulga, barata, dengue, rato, muito lixo e esgoto acumulado. Mesmo sem servir à cidade, se apropriam dos recursos públicos investidos na região. Todos os anos são
valorizados mais do que ouro estocado.
Analisando aquele quadrilátero, Av. São João, Av. Rio 
Branco, Av. Ipiranga e áreas próximas, onde os sem-teto empreenderam suas ações, encontramos imenso deserto de prédios fechados, abandonados. Algumas consumindo recursos dos contribuintes, pois são vigiados frequentemente pela guarda civil metropolitana.

Subindo a Av. São João do lado esquerdo do nº 519, 587, 601, 613 até a esquina com a Av. Ipiranga. Pelo lado direito, da Av. São João encontramos os nºs 518 e 588 chegando também a
Av. Ipiranga.  
Na Av. Rio Branco, quase um quarteirão entre a divisa com o Largo do Paissandu e dá fundo para a Rua do Boticário. Na Av. Ipiranga encontramos os nºs 905 e 908 na esquina com a São João, na Praça da Republica. Nas adjacências muito próximas do local, encontram-se dezenas de imóveis abandonados nas mesmas condições dos citados acima.

Esta situação acentua o desequilíbrio social e urbano.Impede que as famílias de menor renda
tenham acesso à moradia e a cidade. E também, revela a cidade do desperdício e do caos
urbano.


Estes imóveis, da Av. São João, Ipiranga, Av. Rio Branco, e outros podem ser transformados
em moradia social para acolher as famílias de menor renda e assegurar que morem perto do
trabalho. A adequação deve levar em conta a sua sustentabilidade. Aproveitando a energia solar,
reaproveitando a água, a reciclagem do lixo. Os térreos, subsolos e primeiros pavimentos devem
servir para equipamentos sociais e comércio popular. Destinando espaço para empreendedores
de menor renda, moradores do local, desenvolvam suas atividades comerciais de modo regular.

No centro expandido de São Paulo é possível acolher perto de um milhão de pessoas. Sem
destruir uma árvore, sem impermeabilizar um metro de solo a mais, sem destruir uma fonte de
água, sem viver no esgoto a céu aberto, sem consumir a energia dos transportes, sem perder
tempo no trânsito. O centro poderia acolher com segurança os moradores de áreas de risco e
todos os 600 mil trabalhadores que executam serviços nesta região. A cidade será mais compacta
e muitas áreas podem ser devolvidas à natureza.

É possível compreender a luta entre as diferentes classes sociais que impede a aplicação
dessas mudanças. Mas burrice tem limite. Todo apoio aos sem-teto.

Manoel Del Rio - Presidente da Apoio

Contatos: Manoeldelrioblas@gmail.com, Twitter:@ManoelDelRio, Facebook:ManoelDelRio   

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