MORADIA: Eixo estruturante




Moradia Perto do trabalho

 

12/04/2012

Foto do Outras Palavras

Semana passada novamente o sistema de transporte coletivo da região Metropolitana de São Paulo entrou em pane. A revolta dos passageiros destruiu a estação da CPTM de Francisco Morato. Milhões de passageiros se acotovelaram nas estações. A humilhação diária, sofrida pelos usuários, multiplicou-se neste dia. O ritmo da construção e melhorias dos transportes coletivos anda mais devagar que uma tartaruga. Enquanto aqui em São Paulo se constrói 2km de metrô por ano, em Pequim se constrói 20km, no México 15km. Em Pequim os custo do Km construído é de 125 milhões, em São Paulo em média 270 milhões. É preciso buscar explicações do porque tanta diferença. Enquanto o padrão mundial do transporte de pessoas por metro quadrado é de 6 passageiros, em São Paulo espreme-se 10 pessoas por metro quadrado. O sofrimento das pessoas é incalculável. Os danos físicos e mentais se intensificam em todos os usuários do transporte coletivo.


 É evidente a necessidade de investir pesadamente em transportes coletivos. Mas não só isso.

 Precisamos de planejamento e política urbana que estimule as pessoas a morar perto do trabalho. Os professores perto das escolas, os profissionais de saúde próximos aos equipamentos de saúde. Os comerciários, os profissionais liberais, os trabalhadores domésticos, os garis e assim por diante, devem morar perto do trabalho.

 

Adotar um programa habitacional que assegure moradia perto de seus empregos para as famílias de menor renda.

 Aproveitar todos espaços ociosos da cidade consolidada. Dar função social a todos imóveis utilizados para a especulação imobiliária.

 Urge diminuir o sistema de expansão da cidade ou até diminuir sua extensão.

 Com os recursos de um Km de Metrô economizado, dá para fazer 3300 moradias populares em regiões da cidade onde já existe o transporte estruturado.

 Certo é de que devemos aumentar a capacidade dos transportes coletivos, mas também devemos assegurar que os trabalhadores em geral morem perto de seus trabalhos

 

Manoel Del Rio -  advogado dos movimentos sociais

Contatos: Manoeldelrioblas@gmail.com, Twitter:@ManoelDelRio, Facebook:ManoelDelRio   


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1º/11/2011


Moradia como eixo estruturante de inclusão social da Cidade


No dia 18 de outubro participei do seminário "Moradia é Central: inclusão acesso e direito à cidade", realizado aqui em São Paulo,


 por diversas instituições do Município: Centro Gaspar Garcia, ULC, MSTC, GARMIC, MMC, MMRC, ASTC e Associação São Joaquim. Ali encontrei a boa militância da luta por políticas públicas habitacionais do Recife, Fortaleza, Belo Horizonte, Salvador, São Paulo e outras regiões.

É um tema instigante. As cidades brasileiras, especialmente as regiões metropolitanas, não acolhem com dignidade as famílias de menor renda. Nestes territórios, as leis de mercado imobiliário promovem o enriquecimento das classes possuidoras por meio dos ganhos com a renda da terra. O imóvel é o melhor investimento. Tudo que se consome, produz e gera renda para os proprietários. Os investimentos públicos também são transferidos para quem tem o imóvel.

São Paulo é uma região metropolitana, é um grande território de exploração da renda da terra. Encontra-se grande estoque de propriedades sem função social. São, segundo o CENSO de 2010, 293 mil domicílios vazios. O centro expandido tem 1053 prédios abandonados. São vinte hospitais, com imensas áreas,  antigas fábricas  e áreas de comercio todos sem utilização.

Nos últimos 10 anos, essas propriedades foram valorizadas em perto de mil por cento.

Essa realidade impede o acesso à moradia das famílias de menor renda. Esta população é excluída das áreas urbanas e das regiões boas da cidade. Metade da população de São Paulo vive em regiões precárias, sem esgoto, distante, sem equipamento urbano. Umas com situações de extema precariedade, outras um pouco menos. Mas de modo geral, estão excluídas da cidade. As famílias abraçadas pela insuficiência dos meios de sobrevivência: baixo salário e desemprego, necessitam de um programa completo de inclusão urbana. E a moradia é o programa social mais completo de inserção social na cidade e na sociedade. É a política pública que apresenta imensas possibilidades, de acordo com a situação da família de assegurar a sua autonomia. 

Expressei minha opinião. Discorri sobre um programa que tenha a moradia como eixo estruturante de inclusão social da cidade. Esta iniciativa deve garantir moradia e outras medidas que assegurem condições da família de menor renda morar nas regiões urbanizadas e centrais da cidade. Adotar o princípio de morar perto, profissionais da saúde, educação, comercio, indústria, segurança, transporte, da limpeza etc. Habitar próximo de onde trabalha.

Realizar um grande programa habitacional no entorno da Rede Ferroviária Federal- da Lapa a São Caetano. É possível fazer mais de 500 mil moradias. Retirar toda população de áreas de risco e mananciais. Aproveitar os prédios e terrenos vazios com projetos sustentáveis, com aproveitamento de energia solar, reciclagem de água e lixo. No térreo de cada edificação, serviços públicos e bancas para o comercio popular, com a finalidade de empregar os próprios moradores.

Por fim, seguir no rumo de construir uma cidade compacta, devolver grandes áreas para a natureza e combater as mudanças climáticas.

Repito nosso querido Machado de Assis: “Tudo é possível”. Acrescento: com muita luta.


Manoel Del Rio - Presidente da Apoio  

Contatos: Manoeldelrioblas@gmail.com, Twitter:@ManoelDelRio, Facebook:ManoelDelRio   

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