ENCHENTES

                      Manoel Del Rio,  advogado, assessor jurídico do movimento de moradia

Enchentes nas cidades Brasileiras

27/01/11 às 19:59

Os alagamentos e escorregamentos de encostas que estão ocorrendo em São Paulo, Minas Gerais e especialmente no Rio de Janeiro é um acontecimento previsível , não deve surpreender ninguém.

A formação de enormes aglomerados urbanos, onde imensas massas humanas, são empurradas para as áreas de riscos, acrescidas a ausência de tratamento de lixo, de esgoto e qualquer zelo pela natureza cria as condições perfeitas para a tragédia atual.

Pelo andar da carruagem, doravante, tende a se agravar essas situações. O modelo de desenvolvimento econômico brasileiro é a base dessa tragédia. A acumulação de riquezas está baseada no pagamento de um salário inferior às necessidades de reprodução dos trabalhadores. 70% das pessoas das regiões metropolitanas vivem com rendimentos inferiores às necessidades de sobrevivência. Para manter esses trabalhadores recebendo menos do que custava um escravo, grandes contingentes humanos são mantidos à deriva sem emprego e sem recursos para viver com dignidade. Sem meios para se manter nas áreas boas das cidades, a população pobre se arruma como pode: nas regiões de risco, etc. O modelo agrícola (agronegócio) também agrava essa situação: expele a população rural para os morros e periferia urbana.

Para entornar o caldo, os poderes públicos, são dominados pelos interesses imobiliários, setor parasitário da economia que acumula riquezas extraindo renda da terra direcionando as políticas urbanas para implementar seus ganhos imobiliários. Seja, quem tem a terra domina o Estado.

Sinteticamente, é isto que se tem. Que caminha para situações absurdas em todas as regiões metropolitanas ou como São Paulo, cuja perspectiva é ligar-se ao Rio pelo Vale do Paraíba, de Guarulhos para frente. Ou ligar-se com a região metropolitana de Campinas, ou pior ainda, varando a Mata Atlântica, encontrando-se com a Baixada Santista. Assemelhando-se com a região serrana do Rio.

Os acontecimentos atuais, enchentes, desabamentos, mortes criam apreensão geral. Só se fala nisso. Entretanto, a questão é tratada de modo aparente, sem entrar no cerne da questão. Seja: o modelo social com base econômica podre. Salário pago abaixo de seu valor, que não assegura os custos de sobrevivência das pessoas, grandes massas humanas à deriva, modelo agrícola, poderes públicos dominados pelos interesses privados, nenhum respeito à natureza, etc. Na verdade tudo se complementa às regiões metropolitanas com grandes extensões territoriais devastadas, promovem impactos imensos nas mudanças climáticas.

Frente a esse quadro, devemos fazer a nossa lição de casa: trabalhar pela construção de uma cidade compacta, onde toda população more nas regiões boas da cidade, diminuindo nossa extensão territorial. Ocupando, no caso de São Paulo, seus 293.621 mil domicílios vazios,é uma cidade de São Bernardo sem utilização dentro  da capital,os prédios comerciais abandonados e terrenos ociosos e de estacionamentos, etc. Uma política adequada de uso e ocupação do solo pode compactar a cidade, otimizar a utilização de recursos públicos, diminuir áreas impermeabilizadas e que os morros, vales etc, sejam devolvidos à natureza.

Manoel Del Rio - Presidente da Apoio

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