DISTRITOS do centro ganham habitantes

            Manoel Del Rio,  advogado, assessor jurídico do movimento de moradia
  
                                                   

05/05/2011

O Censo 2010 revela: os distritos da área central ganharam 63 mil habitantes na última década. Somente a Consolação teve diminuição de moradores. Enquanto a população da cidade cresceu 7,9%, de 2000 até 2010, no centro cresceu 15,4%. Este movimento migratório é oposto ao da década de 1990 a  2000. Quando houve saída de população em média de 26% dos distritos da área central.

Quais as razões para explicar o fenômeno  migratório atual? Barateamento dos imóveis e dos aluguéis não ocorreu. Os preços das moradias triplicaram. Não se compra kitinet de 30m², por menos de R$150 mil. Os aluguéis  dobraram de preço. Seja,  a valorização dos imóveis e dos aluguéis acompanha o fenômeno de toda cidade.

Entendemos que a explicação desses fatos está respaldada em movimentos econômicos e sociais. Na década de 1990 a cidade possuía o dobro de pessoas desempregadas, cerca de um milhão e meio de pessoas, enquanto hoje é de perto de 700 mil. A renda média também melhorou. Mas o tamanho da melhoria do emprego e da renda ainda não assegura a moradia no centro. Acresce a isto que o centro da cidade de São Paulo é uma empresa a céu aberto. Tem mais de 600 mil empregos e um conjunto de imensas oportunidades. Morar perto do emprego é mais conveniente e barato. Os transportes públicos não têm qualidade e o usuário sofre duramente em trajetos de mais de duas horas. Ainda gasta mais de 1/3 do salário. Deste modo fica mais econômico morar no centro e por isso atrai moradores para esta região.

Ligado a este fenômeno econômico acrescentamos a importância das lutas populares desencadeadas pelos sem-teto, para conquistar moradia no centro. A partir de meados da década de 90 diversos movimentos de sem-teto, organizados especificamente nesta região da cidade, passaram a exigir moradia popular no centro. E na ausência de  atendimento, desencadearam a ocupação de imóveis abandonados. Entre 1997 e 2000 encontrava-se mais de 20 prédios ocupados pelos  sem-teto. Esta movimentação social obrigou o poder público a implementar políticas públicas habitacionais para a região. São diversos projetos conquistados pela luta dos sem-teto: Parque do Gato, Olarias, Brigadeiro Tobias, 25 de Janeiro, Riscala Jorge, Hotel São Paulo, Pari Canindé, Maria Pula, Riachuelo, Ana Cintra, Pirineus,  entre outros. Acrescente-se  ainda o Programa Bolsa-aluguel e as cartas de crédito.  Outros prédios ocupados e pleiteados pelos sem-teto, mas que a caixa Econômica  financiou para a classe média, como o Bento Freitas, Residencial Ipiranga, Rua Aurora, o prédio da Saudosa Maloca e outros.

Está claro que as lutas dos sem-teto por moradia no centro da cidade é determinante para repovoar esta região. Apesar  desses avanços, encontramos ainda 22.087 domicílios vazios e centenas de prédios  comerciais fechados, abandonados. É necessário persistir na luta, trabalhar constantemente para ampliar os programas habitacionais de moradia para as famílias de menor renda no centro da cidade. 


Manoel Del Rio - Presidente da Apoio

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