CULTURA EM SÃO PAULO

Manoel Del Rio,  advogado, assessor jurídico de movimentos sociais




UMA NOVA VIRADA CULTURA PARA  SÃO PAULO

 

 

  21/09/2013         

 Encontrei por esses dias, no centro da cidade, além do lixo e pessoas em situação de rua, algumas situações que chamam atenção. Pessoas expondo livros, outros trocando “bolachões” (discos de vinil), duplas caipira cantando nas praças, guitarrista dedilhando rock etc.

            Isto me fez atentar para a chamada Virada Cultural (conjunto de shows em diversos pontos da cidade), que atraem milhões de pessoas. Na última, andei no meio do “redemoinho”, entre os pontos dos eventos, até aquietar-me no bar. Observei as pessoas e suas expressões. Muitos andando de um lado pra outro, sempre em grupos e com alegria. Percebi que o povo tem fome de cultura e de entretenimento. Vida social que a cidade tem eliminado.

            Aqui no centro os moradores chamam a Virada Cultural de “Mijada Cultural”, vez que as ruas ficam impregnadas de dejetos humanos. Outros a chamam de andada cultural, as pessoas ficam andando de um lado pra outro sem destino certo. Diga-se o que quiser, mas a Virada Cultural, indica que a cidade precisa de espaços públicos, para atividades de cunho coletivo e social. Que expresse artisticamente os conhecimentos e sentimentos humanos de cada realidade social, de modo livre e o mais diversificado possível.

            Baseado no que vejo hoje e na minha experiência de editor do Jornalivro, de organização de bibliotecas populares nas comunidades, de realizar atividades com cineclubes nas periferias, e criar roda de samba regada a caipirinha no tempo da juventude. como forma de resistir ao massacre cultural da ditadura militar-americana. Desenvolvi a seguinte proposta para este novo tempo:

          

 O poder público deve facilitar e estimular as expressões artísticas e de difusão da cultura e conhecimentos humanos em toda cidade. Pode ser organizado pela subprefeitura, sem necessidade de grandes deslocamentos e a baixo custo, sempre contínua. De modo resumido:

            1. Destacar ruas ou praças para, no fim de semana, servirem a eventos culturais de modo permanente.

            Ex: 1 rua para doação ou troca de livros. Quem deseja doar ou trocar livros vão para esses lugares. Na região norte, sul, leste, oeste o mais amplo possível.

 

            2. Locais para a troca ou doação de discos de vinil, cd’s, etc.

            3. Rua ou praça, destinada a música caipira, forró, rock, frevo, samba, hip hop, música clássica, etc.

            4. Divulgar os diversos pontos de saraus que já existem na cidade.

             5. Difundir pontos em toda cidade de exposição de pintura e diversas realizações artísticas das forças populares.

 

            6. Em tempo, aproveitar os cinemas fechados e transformá-los em museus-casa de cultura: do índio, história dos negros no Brasil, dos operários, dos sem tetos, de todas nacionalidades que povoaram o Brasil.

             Estes eventos realizados de modo permanente podem desenvolver o costume de quem deseja ouvir música vai para tal lugar, pintura, sarau, trocar livros, discos, capoeira, coral etc. 

            O escrito acima é apenas um esboço de uma proposta de Nova Virada Cultural para a cidade. Isto deve ser debatido e aprofundado. Sinto que a cidade tem fome de cultura e o papel do Poder Público é de criar condições para libertação das forças culturais populares, para de modo livre, expressarem seus conhecimentos, sentimentos e costumes humanos. Isto serve para aproximar as pessoas, a comunidade e trazer para a superfície aspectos humanizastes que estão sufocados pelas relações sociais impostas pelo capitalismo.

Manoel Del Rio   - Advogado e Assessor Jurídico de Movimentos Sociais 

 Contatos: manoeldelrioblas@gmail.com, Twitter:@ManoelDelRio, Facebook:Manoel Del Rio   

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