CAUSAS DA VIOLÊNCIA

Manoel Del Rio,  advogado, assessor jurídico de movimentos sociais


VIOLÊNCIA ECONÔMICA A MÃE DE TODAS AS VIOLÊNCIAS

 22/11/2012


A matança se expande. É gente matando policiais e policiais matando gente. No meio, muitos inocentes. 
São de 10 a 15 pessoas por dia. Nestas circunstâncias em São Paulo morre mais do que na guerra do  Afeganistão.

Importante verificar as causas de tanta insanidade. O avanço da criminalidade ocorre em países como Brasil, México, Honduras, Haiti, Colômbia. Onde a desigualdade social é massacrante. Milhões de pessoas não têm meios de sobrevivência. Passam fome e todo tipo de humilhação que a violência econômica impõe. Entretanto isto não ocorre em países onde o desequilíbrio social é pequeno. Como em Cuba, Noruega, Suécia e Japão. Enquanto, nos países como Brasil, Honduras,..., os homicídios são de 10 a 20 por 100 mil habitantes, em Cuba, Noruega, Japão, atingem entre 0 a 3 por 100 mil habitantes. Bem, mas como explicar a matança nos países de forte desigualdade social. Tudo indica, que a não efetividade das leis e dos Direitos das pessoas faz com que os agentes públicos se misturem com a contravenção e forma o caldo perfeito da criminalidade. Mas existe uma base econômica  podre, que cria as circunstâncias apropriadas para prosperar a criminalidade. Seja, o salário é pago abaixo do valor da força de trabalho. Não cobre as necessidades básicas do trabalhador. É um tipo de violência que mata os trabalhadores e suas famílias aos poucos. Para garantir essa violência aplica-se outra violência: o desemprego em massa.

                                                                                                                          IMAGEEM- Agência Brasil de Notícias
Contingentes inteiros de famílias pobres não conseguem emprego. No Brasil, as famílias de renda per capta de até R$ 203,00 sofrem uma taxa de desemprego de 33,1%. Para agravar esta situação, o poder público não cumpre suas obrigações. Não tem creche, escolas, moradia é precária, não há saneamento básico, não tem praça de esporte. Bem esse conjunto de violência material traz para a superfície a criminalidade. A juventude pobre, sem nenhuma perspectiva no horizonte, é atraída pelo tráfico e a contravenção.

Para superar este quadro dramático é preciso articular um conjunto de ações. Levar políticas públicas articuladas para atacar as bases da violência econômica. Executar grande programa habitacional, com saneamento básico, escolas, praças de esportes, bibliotecas, inclusão digital, apoio alimentar. Junto com todas essas iniciativas, dar inicio a reformas estruturais que ataque as bases da violência econômica.


Manoel Del Rio   - Advogado e Assessor Jurídico de Movimentos Sociais 

 Contatos: manoeldelrioblas@gmail.com, Twitter:@ManoelDelRio, Facebook:Manoel Del Rio    

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