CARNAVAL

Manoel Del Rio,  advogado, assessor jurídico de movimentos sociais



LICÕES DO CARNAVAL

02/03/2016

O carnaval 2016 foi uma grande festa em todo Brasil. As agremiações carnavalescas, blocos de rua e outros modos de diversão revelaram que o povo deve se organizar e tomar conta do próprio destino. Essa alegria contrasta com o ambiente de conflito criado pelos conservadores e parasitas sociais coordenados pela mídia predominante, Fracassaram em parte na copa de 2014. O povo foi pra rua e acompanhou a competição com muito entusiasmo. Entretanto, aquele ambiente nocivo criado pela mídia predominante, destruiu a nossa seleção. Agora estão tentando apagar o brilho das olimpíadas.

Bem, são uma urubuzada, com todo respeito aos urubus, que procuram conduzir e iludir o povo para se manterem na parasitagem, auferindo lucros e privilégios aos custos do trabalho alheio. Olhem os resultados: O Bradesco, Itaú e Santander juntos se apropriaram perto de R$ 50 bilhões de lucro líquido e perto de R$ 100 bilhões de lucro bruto no ano de 2015. Os privilegiados do judiciário além de ganharem 70, 80, 150 mil reais mensais, remuneração acima do teto, agora começaram receber o corrupto auxílio moradia de R$ 4.377,00 mensais, mesmo que tenha moradia própria. Sangrarão os cofres públicos em mais de 20 bilhões.

Tomando como referência o carnaval, o povo deve tomar o destino em suas mãos. Colocar a economia a serviço de toda sociedade. Eliminar todos os contrastes que envergonham nosso pais. Mas, para isso, é necessário destruir o parasitismo social.

Viva a capacidade de se organizar do povo Brasileiro. Viva a alegria! Viva a esperança! 


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O CARNAVAL NÃO É BRINCADEIRA

21/02/2015 

Este ano acompanhei o carnaval bem de perto e por dentro. Observei as pessoas no evento. No sambódromo de São Paulo vi a apresentação de várias escolas. Os imensos carros alegóricos. A evolução das alas disciplinadamente, resultado de trabalho  de organização e treinamento invejável. Para entrar na avenida milhares de pessoas dedicaram bom tempo de suas vidas. Mas, seguiam dançando com alegria no corpo. Mulheres quase nuas observadas, admiradas, respeitadas e não encontrei olhares concupiscentes. Todos seguiam confiantes no sucesso do grupo.

 No sábado 14/02/15 tive a honra de desfilar na Gaviões da Fiel, levado por amigas da Escola. É indescritível os sentimentos humanos dentro do grupo a solidariedade  imensa  entre  os  integrantes. Parece que um pertence ao outro. A dedicação daqueles que confeccionaram as fantasias. Cuidavam e ajudavam os figurantes acomodar apropriadamente sua indumentária. O espírito do Corinthians está dentro da escola.  A emoção, o sentimento de unidade e a confiança, dominam o ambiente. Somos Gaviões, somos Corinthians e não vamos afrouxar nunca.  Creio que esta empatia entre os participantes e a escola ocorre em todas as agremiações. Cada uma com sua estória e característica. Participei também do Bloco dos Sem Tetos, que percorreu o centro da cidade. Carregavam sua bandeira de luta: a moradia. Apresentaram ainda as contradições do judiciário e a falta de água. O bloco seguiu pelas ruas de modo descontraído. Hora na frente do carro de som, hora atrás.  Foi uma imperfeição  perfeita.  

 

Observei outros blocos desfilando pelas ruas e li nos jornais a movimentação do carnaval no país. A predominância dos festejos não se envolveu com os contrastes de nossa sociedade. O Sentido é de se divertir e se alegrar. Lembrei-me do que Darcy Ribeiro fala sobre a alegria do povo brasileiro. E o mundo inteiro tem essa

observação. Outros, as classes dominantes, distorcem este comportamento. Dizem que os brasileiros não gostam de trabalhar e tantas outras monstruosidades.

Analisando a formação histórica da sociedade brasileira verificamos que o povo foi excluído de tudo: da economia, da  política e do resultado de seu trabalho. Não tem vez nem voz em seu próprio destino. Não podem influir sobre o que e  como produzir, como distribuir os bens resultado do seu trabalho, como corrigir distorções. O povo não trabalha para si, mas desde o Brasil colônia gastam suas vidas, sustentando e enriquecendo um punhado de proprietários e subalternos (patriciado).

 Então, vejo nessas manifestações culturais, música, carnaval, futebol e tantos outros eventos como o povo dizendo para os dominantes: já que estou  excluído de tudo o trabalho oferecido não dá satisfação e  o salário não cobre as necessidades de minha sobrevivência, toque seu negócios espúrios que eu vou me divertir. Por que não podemos todos ser felizes? 

 Manoel Del Rio   - Advogado e Assessor Jurídico de Movimentos Sociais 

 Contatos: manoeldelrioblas@gmail.com, Twitter:@ManoelDelRio, Facebook:Manoel Del Rio   

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