POPULAÇÃO DE RUA

Manoel Del Rio,  advogado, assessor jurídico de movimentos sociais


NINGUÉM DORMINDO NAS RUAS

 

Estimulado pela volta da notícia sobre a Cracolândia, nos jornais, estou retomando o assunto. Isto foi há cerca de três anos, ver os textos no Blog: “Centro Integrados de Desenvolvimento Social, Hospital do Crack , etc.

O desmonte dos barracos dos dependentes químicos na rua Dino Bueno utilizou metodologia perfeita e a disponibilização de moradia foi extremamente positiva. Entretanto, dada a complexidade da situação, pode ter efeito passageiro. De qualquer modo,  é necessário fazer alguma coisa. A inércia do Poder Público é que deixou a situação chegar onde estamos.

O grande número de pessoas em situação de rua, ou como queiram, vulneráveis socialmente, é imenso. Consumindo drogas, ou não. Estão nas grandes, médias e até pequenas cidades.. Belém, Manaus, Fortaleza, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, PortoAlegre, São Paulo, Campinas, etc. Estas pessoas passam fome e têm sua civilidade violentada, diuturnamente. Isso revela que a sociedade moderna está doente. E gravemente doente. A cura não se fará com palavras, ou com improvisação, ou com políticas públicas precárias. Atitudes paliativas podem aprofundar a doença.

Foto: Fabio Arantes/ SECOM- PMSP

Nos últimos anos a política de assistência social avançou, mas não o suficiente para enfrentar os desafios atuais. A complexidade da questão atual pede um passo à frente. Disponibilizar mais recursos e evoluir para implantar os Centros Integrados de Desenvolvimento Social. Nestes espaços combinar diversas ações. Entre elas:

- O atendimento sócio assistencial, acolhimento, espaço para dormir, tomar refeições, retirar documentos, o que se faz hoje nos centros de acolhida. Daqui se encaminha para o atendimento de acordo com a situação de cada um;

- Equipes e equipamentos de saúde, específica para o atendimento dessa população. Tratamento para dependentes químicos, situações psiquiátricas e demais doenças;

- Atividades esportivas e de lazer para o fim específico, mas também como ação terapêutica;

- No mesmo sentido, atividades culturais, cinema, biblioteca, teatro, etc;

- Apoio às famílias, por meio de outras políticas públicas, como bolsa-família, acesso à moradia, etc. Fazer esforço para reinserir as pessoas na família;

- Ação integrada com as comunidades organizadas e especialmente com as famílias dos atendidos.

Pode ser sonho, mas a situação deste segmento social é complexa e necessita de avanços. Sem isto, em pouco tempo o sistema sócioassistencial pode entrar em colapso. Reproduzo a seguir, uma frase que se usa no meio jurídico:

“Suprima a causa, cessa o efeito”. É a ação mais apropriada

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“Sorocaba se mobiliza por cachorra sem teto”

  Mobilização deve ser geral por pessoas sem teto

03/06/2011 - 18:27  

No dia 19 de maio o jornal o Estado de São Paulo publicou a notícia de mobilização dos moradores de Sorocaba para assegurar a “casinha” para a cadela “Pretinha”. Segundo a notícia, Pretinha vive há oito anos no portão do cemitério da Saudade. Ali os taxistas instalaram uma casinha de madeira. Entretanto, os fiscais da prefeitura levaram o abrigo da cadela embora. Agora, mais de 400 moradores exigem a casinha da cadela sem teto, Pretinha, de volta.

 Encontramos, um dia desses, em diversos pontos da cidade, centenas de pessoas dormindo nas ruas, praças, embaixo de viadutos, marquises, nas portas de prédiosLugares completamente impróprios para um ser humano. Proponho então,assim como fizeram os moradores de Sorocaba, em defesa do teto da cadela Pretinha, 
Mobilização geral na cidade para que todas as pessoas, que estão dormindo na rua, tenham um teto para morar.

Manoel Del Rio - Presidente da APOIO 

manoeldelrioblas@gmail.com

 

 

 

Twitter: @ManoelDelRio 

 

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