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O Rosário Meditado

DIMENSÃO CONTEMPLATIVA DO ROSÁRIO MEDITADO
MEDITADO

Na Carta Apostólica “Rosarium Virginis Mariae” o Papa João Paulo II enfatiza: “O Rosário é uma oração marcadamente contemplativa dos mistérios de Nosso Senhor Jesus Cristo. Privado desta DIMENSÃO CONTEMPLATIVA perderia sentido, como sublinhava o meu antecessor o Papa Paulo VI quando afirmava: Sem contemplação, o Rosário é um corpo sem alma e sua recitação corre o perigo de tornar-se uma repetição mecânica de fórmulas”.
Todavia, para que possamos alcançar essa DIMENSÃO CONTEMPLATIVA dos Mistérios de Nosso Senhor, é indispensável aprofundamento do conhecimento da Palavra de Deus. Na verdade é o próprio mistério de Jesus Cristo que ocupa o centro do Rosário. Por isso não podemos rezá-lo em profundidade se desconhecemos o Evangelho e o básico da doutrina da Igreja.

 Rezar o “Terço” numa DIMENSÃO CONTEMPLATIVA

Este livro tem por objetivo propor a oração do Rosário tendo como base a Palavra de Deus e desta maneira enriquecê-la sobremaneira com a DIMENSÃO CONTEMPLATIVA dos Mistérios de Cristo preconizada pelo saudoso e querido Santo Padre. Para tornar mais prática a leitura de cada Mistério do “Terço do Rosário” esta foi dividida em sete pequenos textos, distribuídos de A a G. Sugere-se que seja lido um texto por vez para auxiliar a mentalização da cena evangélica durante a dezena rezada. Desse modo, todos os demais textos serão lidos e meditados, enriquecendo significativamente a oração. Esta é a razão pela qual este livro deve ser utilizado todas as vezes que se rezar o “Terço Meditado”. 
É necessário enfatizar que durante a recitação do “Terço do Rosário” não é importante direcionar a atenção para o significado das palavras das orações. Na verdade, a repetição mecânica das mesmas “Ave-Marias” e “Santa-Marias”, pronunciadas com os lábios, uma a uma, em ritmo cadenciado, enquanto se acompanha com os dedos o passar das contas, tem a finalidade de proporcionar um adequado fundo musical, uma espécie de trilha sonora que favorece a concentração no que realmente importa: “meditar e contemplar os Mistérios de Cristo”. Esse processo facilita o abrir do coração, deixando-o revestir-se pela ação do Espírito de Deus.
O Papa João Paulo II salienta:de fato, sobre o fundo das palavras das Ave-Marias, passam diante dos olhos da alma os principais episódios da vida de Jesus Cristo. Ao mesmo tempo, nosso coração pode incluir nestas dezenas do Rosário todos os fatos que formam a vida do indivíduo, da família, da nação, da Igreja e da humanidade”.
Assim, enquanto fazemos a meditação dos mistérios de Cristo, podemos, segundo os ensinamentos do Papa, “colocar Jesus no centro, partilhando com ele alegrias e sofrimentos, colocando em suas mãos necessidades e projetos, e dele receber esperança e força para o caminho”. Devemos incluir em nossas intenções e pedidos, as necessidades de nossos familiares, as graças que desejamos para nossos pais, filhos, cônjuge, amigos, conhecidos, aqueles que pediram nossas orações e todas as demais intenções particulares. 


 Papa João Paulo II - “Rosarium Virginis Mariae” (RVM), p.14


As “ORAÇÕES DE INTENÇÕES”, colocadas logo depois dos textos referentes a cada “Mistério”, não fazem senão atender a essa orientação do Papa, pois direciona nossas orações não somente às nossas necessidades pessoais, mas a todos os membros do corpo místico de Cristo. Dessa maneira elas adquirem um sentido de súplica, de intercessão, em que elevamos o pensamento a Deus para pedir por todos os integrantes da nossa comunidade.


MISTÉRIOS DA ALEGRIA (OU GOZOSOS):
“A alegria da vinda de Jesus, o Messias esperado por todos os povos em todos os tempos”.



1º MISTÉRIO DA ALEGRIA: Meditemos sobre a Anunciação do anjo Gabriel à Virgem Maria e a Encarnação do Verbo.


Neste mistério Maria recebe o anúncio do anjo Gabriel: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra” (Lc 1,35). Essa passagem evoca o livro do Êxodo: “Moisés subiu ao monte, a nuvem cobriu o monte e a glória do Senhor repousou sobre o monte Sinai, nela ficou o monte envolvido durante sete dias” (Ex 24,15-16). Do mesmo modo a “nuvem”, a “sombra” e a “glória do Senhor” cobriram Maria, encheram seu seio virginal e ela tornou-se Templo do Senhor, o primeiro Sacrário do mundo. Nesse “Templo”, nesse “Sacrário” Maria com sua carne revestiu o corpo do seu filho Jesus (a luz do mundo), e o Senhor revestiu Maria com sua Luz e sua Glória. Assim, o Senhor reuniu em Maria, como num sol, tudo o que todos os santos juntos têm de luz e de esplendor, conforme descreve o Apocalipse: “Apareceu no céu uma Mulher revestida de sol, a lua debaixo dos pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. E a Mulher estava grávida e deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro” (Ap 12,1.5);


2º MISTÉRIO DA ALEGRIA: Meditemos sobre a visita de Maria Santíssima à sua prima Isabel.

Apesar de trazer o Filho de Deus no próprio ventre, Maria não se instala comodamente nessa sublime honra, mas com o coração motivado pelo Espírito de Deus, pensa em sua prima Isabel que já tinha idade avançada e estava necessitando de sua ajuda. Tais circunstâncias especiais fizeram com que Maria deixasse a cidade de Nazaré e viajasse cerca de 112 Km em direção à pequena cidade da Judéia de nome “Ain Karim”, situada 6 Km a oeste de Jerusalém.
Imaginemos o esforço e o cansaço, frente às necessidades materiais de alimentação e de pousada, a que Maria se submeteu durante quatro a cinco dias da longa jornada pelos caminhos estreitos e íngremes daquela região árida, seca e montanhosa. Seguia apressadamente em direção à casa de Isabel, não para ser servida, mas para servir nas atividades domésticas, acompanhar a gestação de sua prima e, sobretudo, para evangelizá-la e levar-lhe a Boa Nova.  Após exaustiva viagem, “Maria entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, quando ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu ventre e Isabel ficou repleta do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre! Donde me vem que a mãe do meu Senhor me visite?” (Lc 1,39-45);

   
3º MISTÉRIO DA ALEGRIA: Meditemos sobre o nascimento do Menino Jesus em uma gruta, em Belém.

Com a finalidade de coletar impostos, um decreto do imperador romano, determinando a realização de um censo em todo o império romano, fez com que José e Maria deixassem a cidade de Nazaré e viajassem cerca de 112 Km até a pequena cidade judaica de Belém, situada nas proximidades de Jerusalém. Embora o bebê no ventre de Maria pudesse nascer a qualquer momento, eles tiveram que viajar cerca de quatro a cinco dias e, dessa maneira, Jesus nasceu exatamente nos arredores da cidade profetizada para o seu nascimento (cf. Mq 5,2).                  
Reflitamos também sobre o acontecimento mais importante da história humana: “O Verbo de Deus todo-poderoso, criador de todas as coisas, Senhor do universo, merecedor de toda honra e glória (cf. Jo 1,1-18), nasce escondido numa manjedoura e assume de modo completo nossa condição humana limitada, para trazer-nos salvação. Por isso toda a Igreja se alegra e exulta, porque o Natal é a realização profunda da misericórdia de Deus. É comovente recordarmos que Deus quis se fazer homem, igual a nós em tudo, menos no pecado” (cf. Hb 4,15);

4º MISTÉRIO DA ALEGRIA: A apresentação do Menino Jesus no Templo de Jerusalém.

Simeão, movido pelo Espírito Santo, profetiza sobre o futuro do Menino e de Sua Mãe. Jesus, que veio para a salvação de todos os homens, não obstante, será sinal de contradição” (Lc 2,34).
“Ele é alvo de contradição porque, enquanto muitos o reconheceram, outros o perseguiram e tentaram eliminá-lo. Por ocasião da visita dos Reis Magos, sabendo que Jesus era o rei de Israel, Herodes decide matá-lO e empreende uma perseguição contra Ele; manda matar todos os meninos de Belém e de todo o território vizinho, de dois anos para baixo. Maria e José fogem para o distante e desconhecido Egito, terra da qual nem sequer conheciam a língua, levando consigo o menino. Uma viagem longa, difícil, sofrida. Maria a empreende por amor e pela segurança de seu Filho. Jesus também é contradição para o materialismo, ao anunciar a realidade de um Reino que transcende o mundo em que vivemos. É contradição para o individualismo, quando nos apresenta uma fé a ser vivida em comunidade, dentro de uma relação fraterna: “Vós todos sois irmãos” (Mt 23,8; 2,13-23). Também é contradição, pois foi flagelado, cravado numa cruz e tornou-se sinal de paz entre o céu e a terra. Aceitando o próprio sacrifício, santificou a dor e a morte. Deu-lhe sentido, para que pudéssemos nos identificar com Ele nessa hora, transformando a morte em trampolim para a vida nova, eternamente feliz”;


5º MISTÉRIO DA ALEGRIA: Meditemos sobre a perda e o reencontro do Menino Jesus, no Templo de Jerusalém, entre os doutores da Lei

O Evangelho nos apresenta a Sagrada Família no momento em que Jesus completou doze anos. Maria e José, pais de Jesus, vão ao Templo em Jerusalém todos os anos para a festa da Páscoa, e em tudo eles eram obedientes à Lei Mosaica e à Aliança com Deus.  
Naquela época era habitual várias famílias reunirem-se em caravanas para fazer a romaria anual a Jerusalém. Costumavam formar dois grupos para caminhadas com duração de quatro a cinco dias: um de homens e outro de mulheres e as crianças podiam ir com qualquer dos dois grupos, razão pela qual passou inadvertida a ausência do Menino na jornada de regresso, na ocasião em que as famílias se reagruparam para acampar no final do dia. Maria e José não o encontrando, voltaram a Jerusalém, à procura dele. O Evangelho nos diz que “três dias depois, encontraram o menino no Templo sentado no meio dos doutores da Lei, escutando e fazendo perguntas” (Lc 2,46). Essa era a maneira usual de ensinar da época, por isso se deduz que Jesus está no Templo ensinando os doutores;

ORAÇÃO DE INTENÇÕES:

Ó Deus, Pai de misericórdia e de infinita bondade, que nos destes a Sagrada Família como exemplo, concedei-nos imitar em nossos lares as suas virtudes para que, unidos pelos laços do amor, possamos chegar um dia às alegrias da vossa casa.
Nós vos suplicamos, ó Pai, bênçãos para que haja paz, harmonia e boas relações entre todos os povos, raças e nações. Que seus governantes, iluminados pela força do Espírito de Deus e conscientes do dever que lhes foi conferido, busquem a dignidade, a liberdade, o respeito à vida, promovam políticas voltadas para o bem comum e criem condições para que se evitem guerras e todas as formas de violência, em todo mundo.   Nós vos suplicamos ó Pai, por Cristo Jesus, Vosso Filho, que é Deus Convosco na unidade do Espírito Santo.  Ámen.

MISTÉRIOS DA LUZ (OU LUMINOSOS):

1º MISTÉRIO DA LUZ: Meditemos sobre o Baptismo de Jesus no rio Jordão.

“Em Cristo não havia pecado, mas Deus colocou sobre Ele a culpa dos nossos pecados para que nós, por seu intermédio, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Cor 5,21). Assim, enquanto Cristo desce à água do rio como inocente, o céu se abre e a voz do Pai proclama-o Filho muito amado (cf. Mt 3,17), ao mesmo tempo em que o Espírito vem sobre Ele para investi-lo de poder na missão que o espera. Deste modo, no batismo de Cristo manifestou-se o mistério da Santíssima Trindade, e os fiéis, ao receberem o Batismo, ficam consagrados pela invocação e virtude da Trindade Beatíssima. Igualmente o abrir-se dos céus significa que a força deste sacramento, a sua eficácia, vem de cima, de Deus, e que por ele fica expedida para os batizados a via do Céu, fechada até então pelo pecado original (cf. Lc 3,21).
“A efusão do Espírito no batismo introduz o crente como ramo na videira que é Cristo (cf. Jo 15,5), o que constitui membro de seu corpo místico (cf. 1Cor 12,12; Rm 12,5). Se o batismo é um verdadeiro ingresso na santidade de Deus pela inserção em Cristo e da habitação do seu Espírito, seria um contra-senso contentar-se com uma vida medíocre, pautada por uma religiosidade superficial”;


2º MISTÉRIO DA LUZ: A auto-revelação de Jesus nas Bodas de Caná.

O primeiro milagre em Caná da Galiléia constitui um passo decisivo na formação da fé dos discípulos. Maria foi chamada por Jesus como “Mulher” neste primeiro milagre e outra vez no Calvário. Entre esses dois acontecimentos da vida de Jesus, Caná e o Calvário, há várias analogias. Situam-se um no começo e o outro no fim da vida pública, como para indicar que toda a obra de Jesus está acompanhada pela presença de Maria Santíssima. O seu título de Mãe adquire ressonância especialíssima: Maria atua como verdadeira Mãe de Jesus nesses dois momentos em que o Senhor manifesta a Sua divindade. Ao mesmo tempo, ambos os episódios assinalam o especial interesse e desvelo de Maria Santíssima pelos homens: Em Caná da Galiléia ela intercede quando “ainda não chegou a hora”; no Calvário Maria oferece ao Pai a morte redentora de seu Filho e aceita a missão que Jesus lhe confere de ser Mãe de todos os crentes, representados por João, o discípulo amado (cf. Jo 2,3).
A palavra “Mulher” é uma clara referência ao triunfo da mulher e da sua linhagem sobre a serpente (cf. Gn 3,15). Efetivamente, na morte de Cristo temos o triunfo sobre a serpente, pois Jesus ao morrer redime-nos da escravidão do demônio;   

3º MISTÉRIO DA LUZ: Meditemos sobre o anúncio do Reino de Deus e o convite de Jesus à conversão.

         O início da pregação do Evangelho foi marcado por um apelo de Jesus: “Convertei-vos e crede no Evangelho(Mc 1,15), daí a necessidade da conversão. Assim, Jesus iniciou sua pregação anunciando o advento do Reino de Deus convidando à conversão e perdoando os pecados de quem se dirige a Ele com humilde confiança.  É o início do ministério de misericórdia que Ele prosseguirá exercendo até o fim do mundo, especialmente através do Sacramento da Reconciliação confiado a sua Igreja (cf. Jo 20,22-23). A conversão é um processo permanente de transformação da própria conduta e tem como meta a santificação. A conversão não é feita apenas de boas intenções, mas, sobretudo com atitudes concretas que alterem a forma de viver. Peçamos, portanto, ao Espírito de Deus o dom da conversão para que, pelo processo de santificação, possamos produzir bons frutos em nossa família, no trabalho, na igreja e na sociedade;


4º MISTÉRIO DA LUZ: A transfiguração de Jesus.

A partir do dia em que Pedro confessou que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo, o “Mestre começou a mostrar a seus discípulos que era necessário que fosse a Jerusalém e sofresse... que fosse morto e ressurgisse ao terceiro dia” (Mt 16,21); Pedro rechaça este anúncio, os demais também não compreenderam. É neste contexto que se situa o mistério da Transfiguração: o rosto e as vestes de Jesus tornam-se fulgurantes de luz, Moisés e Elias apareceram, “falavam de sua partida que iria se consumar em Jerusalém” (Lc 9,31). Uma nuvem luminosa os cobre e uma voz do céu diz: “Este é o meu Filho, o Eleito; ouvi-o” (Lc 9,35).
“Por um instante, Jesus mostra sua glória divina, confirmando, assim, a confissão de Pedro. Mostra também que, para entrar em sua glória (cf. Lc 24,26), deve passar pela cruz em Jerusalém. Moisés e Elias haviam visto a glória de Deus sobre a montanha (cf. Ex 24,15-16; 1Rs 19,8-9); a Lei e os profetas tinham anunciado os sofrimentos do Messias. A Paixão de Jesus é sem dúvida a vontade do Pai: o Filho age como servo de Deus. A nuvem evidencia a presença do Espírito Santo. Assim, na Transfiguração a Trindade inteira manifesta-se: o Pai, na voz; o Filho, na pessoa de Jesus; o Espírito Santo, na nuvem luminosa”;

5º MISTÉRIO DA LUZ: Meditemos sobre a Eucaristia.

Na véspera de sua paixão e morte Jesus reúne seus discípulos no cenáculo e, enquanto estavam comendo, tomou o pão e pronunciou a bênção, partiu-o, deu-o aos discípulos e disse: “Tomai, comei, isto é o meu corpo”. Em seguida, pegou um cálice, deu graças e passou-o a eles, dizendo: “Bebei dele todos, pois este é o meu sangue da nova aliança, que é derramado em favor de muitos, para remissão dos pecados” (Mt 26,26-28).
Jesus, nessa ocasião da última ceia, lavou os pés dos discípulos e, despedindo-se dos seus, disse-lhes: “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13,34-35).
“Para deixar-lhes uma garantia deste amor, para nunca afastar-se dos seus e para fazê-los participantes de sua Páscoa, instituiu a Eucaristia como memória de sua morte e de sua ressurreição, e ordenou a seus discípulos que a celebrassem até a sua volta, “constituindo-os então sacerdotes do Novo Testamento” (cf. Lc 22,7-20; 1Cor 11,23-26; At 2,42-46; 20,7). “O Sacramento da Ordem aí está, para perenizar, tornar sempre presente esse Mistério Pascal, pelo poder que faz os ministros agirem na pessoa do Cristo, representando-o através de suas palavras, do seu amor, dos seus gestos salvíficos”;


ORAÇÃO DE INTENÇÕES:

Ó Senhor, nosso Deus e Pai Santíssimo, renovai em vossos filhos adotivos a graça batismal para que amadureçam na fé, sejam santificados como membros de Cristo, templos do Espírito e co-herdeiros do Reino de Deus.
Derramai infinitas graças sobre aqueles que vós amais e que ainda não vos amam. Tocai-nos com Vosso Espírito, iluminai nossas mentes para que possamos compreender Vossa Palavra; livrai-nos de todo o mal, das tentações, dos maus pensamentos e restaurai nossa parte afetiva; concedei-nos o dom de perdoar aqueles que magoaram e feriram nosso coração, retirai todas as marcas negativas e, sobretudo, o ressentimento, a tristeza e a depressão. 
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Ámen.

MISTÉRIOS DOLOROSOS:
 
1º MISTÉRIO DOLOROSO: Meditemos sobre a agonia de Jesus no horto das oliveiras.

         Antes de dirigir-se ao horto das oliveiras onde teve início aquela noite de agonia em que sofre terrivelmente por  nossos pecados, Jesus nos inspirou grande confiança e esperança  quando, ao   despedir-se desta vida, proferiu o “sermão de   adeus” ou “oração   sacerdotal”: “Pai, chegou a hora. Glorifica o teu  Filho, para que o teu  Filho te glorifique a ti, e, porque lhe deste poder sobre   todo homem, ele    dê a vida eterna a todos aqueles que lhe confiaste. Ora, a   vida eterna é  esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e  àquele  que tu  enviaste, Jesus Cristo. Eu te glorifiquei na terra e levei a   termo a obra que me deste   para fazer. E agora, Pai, glorifica-me junto de ti, com a  glória que  eu tinha junto de ti antes que o mundo existisse...” (Jo  17,1-5).  “Não te rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste,   porque são teus.  Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu. E eu  sou glorificado neles... “Pai   santo, eu não te rogo somente por eles, mas também por  aqueles que vão crer  em mim pela sua palavra... Pai, aqueles que me deste,  quero que estejam comigo  onde eu estiver, para que eles contemplem a minha glória,  glória que tu me  deste porque me amaste antes da fundação do  universo” (Jo 17,9- 10.20.24);
 

2º MISTÉRIO DOLOROSO: Meditemos sobre a sangrenta flagelação de Jesus atado à coluna.

         Os açoites ou flagelação, eram aplicáveis apenas aos escravos e rebeldes a Roma; o flagelo usado era feito de tiras de couro, com pedaços de ferro e de osso fixados nas pontas e, a cada golpe, provocava feridas profundas e abundante sangramento. Imaginemos a cena cruel: Jesus despojado das vestes até a cintura, inclinado sobre a coluna, com as mãos atadas às argolas. O profeta Isaias descreve com muita precisão (cerca de 760 anos a.C.) o Servo do Senhor no momento em que realiza sua missão de libertar o povo dos pecados e de torná-lo agradável a Deus. Como um cordeiro inocente, carregado dos delitos do seu povo, em silêncio, Jesus se deixa conduzir ao matadouro (cf. Is 53,1-12). E é de sua morte, aceita livremente, que provém a justificação para todas as pessoas. O dramático encontro com Pilatos mostra Jesus silencioso, enquanto a autoridade, naquele momento a serviço do pecado do mundo que cega o povo, decide sua morte e o condena a flagelação;


3º MISTÉRIO DOLOROSO: A coroação de espinhos de Jesus.

         “Enquanto Jesus era submetido a escárnios pelos soldados no pretório, Pilatos tentava conciliar o interesse de não comprometer sua posição política com seu dever de salvar um inocente. Nessas circunstâncias, Jesus em atitude de paz, doçura e dignidade, mas extremamente maltratado, exausto, o corpo dilacerado pelos açoites, o rosto cheio de hematomas e escarros, a cabeça perfurada por espinhos da coroa, uma vara como cetro nas mãos e um velho manto de púrpura sobre os ombros, foi trazido à presença de Pilatos. Este, diante da multidão, diz: “Ecce homo!”,  querendo dizer, “Eis o Homem!”, ou seja: vede em que estado de impotência está reduzido o homem que acusais de sublevar o povo contra a dominação romana!52. Esta imagem em que Jesus é lançado no maior desprezo ficou como símbolo vivo da dor humana, sob a invocação de “Ecce homo”. O Papa João Paulo II ao citar essa invocação diz: nesse desprezo, revela-se não somente o amor de Deus, mas o próprio sentido do homem; “Ecce homo” (em latim, eis o Homem), expressa o verdadeiro sentido do ser humano, ou seja, quem quiser conhecer o homem deve saber reconhecer o seu sentido, a sua raiz e o seu cumprimento em Cristo, Deus que se rebaixa por amor “até a morte, e morte de cruz”;


4º MISTÉRIO DOLOROSO: Meditemos sobre Jesus carregando a cruz a caminho do Calvário.

         Levaram Jesus para o Calvário, uma colina fora dos primitivos muros de Jerusalém, a fim de que o sangue de um condenado não manchasse o território da Cidade Santa. Nesse percurso, Jesus exausto, profundamente abalado pela perda de sangue ocorrida na flagelação, respiração ofegante, rosto desfigurado e banhado de sangue e suor cai três vezes sob o peso da cruz, segundo a tradição da Via-Sacra, por isso obrigaram Simão Cireneu a levar a cruz atrás dele. “Seguindo Cristo no caminho para o Calvário, o homem aprende o sentido da dor salvífica... Como contemplar a Cristo carregado com a cruz ou crucificado, sem sentir a necessidade de se fazer “cireneu” em cada irmão abatido pela dor ou esmagado pelo desespero?”


5º MISTÉRIO DOLOROSO: Meditemos sobre a crucificação e morte de Jesus.

         Juntamente com as marteladas que cravam Jesus, ressoam as palavras proféticas do Salmo: “transpassaram as Minhas mãos e os Meus pés, contaram todos os Meus ossos. E eles mesmos olham para Mim e contemplam, repartem entre si as minhas roupas e sobre minha túnica tiram a sorte” (Sl 22 (21),17-19; cf. Lc 23,34).Jesus nos instantes finais de sua vida, ensangüentado e chagado dos pés à cabeça, no ápice da sua dor, quando poderia, por sua natureza humana, ser levado a se revoltar contra a injustiça de sua condenação e do terrível suplício, dirige a seu Pai uma afetuosa oração: “Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34). Com estas palavras Jesus pede perdão não só para aqueles que o crucificaram, mas também para aqueles que com os seus pecados foram causa da sua crucificação, isto é, para todos os pecadores; Jesus veio a este mundo assumir de modo completo nossos pecados para nos trazer a salvação. Esta é a prova suprema do amor, da misericórdia e da justiça perfeita de Deus (cf. Lc 23,34);


ORAÇÃO DE INTENÇÕES:

         Que a vossa poderosa mão ó Cristo Jesus, derrame infinitas graças sobre as pessoas cujos nomes vêm ao nosso coração, bem como sobre aquelas que estão desviadas da vossa Igreja; que elas sejam tocadas com a luz e a força do Espírito Santo e recebam a graça da conversão com adesão aos valores do Evangelho e ao serviço do vosso Reino.    Sabemos, ó Pai de infinita bondade, que cada irmão excluído e marginalizado em nossa sociedade é parte do mesmo Corpo de Cristo ao qual pertencemos. Abençoai todos esses irmãos que sofrem: os pobres e famintos que residem em favelas, os moradores de rua, os encarcerados, os portadores de necessidades especiais, aqueles que padecem por velhice, desemprego, injustiça e conflitos familiares, para que encontrem alívio e conforto no amor misericordioso de Deus. Nós vos suplicamos ó Pai, por Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Ámen.

MISTÉRIOS GLORIOSOS

1º MISTÉRIO GLORIOSO: Meditemos sobre a ressurreição de Jesus e sua aparição aos discípulos.

Cristo ressuscitou com seu próprio corpo, mas Ele não voltou a uma vida terrestre, pois o Pai o glorificou. Da mesma forma que nele, todos ressuscitarão com o próprio corpo que têm agora, porém esse corpo será “transfigurado em corpo de glória”, em “corpo espiritual” (cf. 1Cor 15,44).      
Jesus nos inspirou grande confiança e esperança quando nos disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que venha a morrer, viverá” (Jo 11,25; 6,35-40; 47-54). Esta verdade é a fonte de nossa esperança e de nossa alegria. Que paz ela traz ao nosso coração, enquanto caminhamos diariamente para a nossa própria ressurreição.
“Não é o encontro com Jesus vivo e ressuscitado que converte e fascina tantos homens e mulheres, que desde o início do cristianismo continuam a deixar tudo para o seguir e pôr a própria vida ao serviço do Evangelho? “Se Cristo não ressuscitou é vã a nossa pregação e vã a nossa fé” (1Cor 15,14). Assim, devemos constantemente renovar a nossa adesão a Cristo morto e ressuscitado por nós: a sua Páscoa é também a nossa Páscoa, porque em Cristo ressuscitado nos é dada a certeza da nossa ressurreição”;


2º MISTÉRIO GLORIOSO: Meditemos sobre a Ascensão de Jesus ao céu.

Com a ascensão culmina a exaltação de Cristo, que já se realiza na Ressurreição, e que constitui, juntamente com a Paixão e a Morte, o mistério pascal. Mesmo desaparecendo aos olhos dos Apóstolos, Jesus continua presente na sua Igreja, pelo dom do Espírito Santo e no sacramento da Eucaristia. Com a ascensão, Jesus Cristo leva toda a riqueza de sua convivência conosco para junto do Pai, na glorificação de Sua natureza humana, pela qual nossa natureza é glorificada. Naquela hora Cristo deve ter experimentado uma profunda alegria suscitada pelo sentimento da missão cumprida, cuja essência é revelar-nos o Pai e nos fazer amá-lo.
O Senhor Jesus subiu aos céus, para estar sentado à direita do Pai, (cf. Rm 8,34; Hb 10,12; Sl 110 (109),1) porque o Seu corpo, que pela Ressurreição estava dotado da glória imortal, não era adequado à morada nesta vida terrena, mas para tomar posse do trono altíssimo da Sua Glória. A Ascensão representa o reconhecimento do triunfo e exaltação de Cristo por parte do mundo celestial: É justo que a Santa Humanidade de Cristo receba a homenagem, a aclamação e a adoração de todas as hierarquias dos Anjos e de todas as legiões dos bem-aventurados da Glória;


3º MISTÉRIO GLORIOSO: A descida do Espírito Santo sobre Nossa Senhora e os discípulos.

Cinqüenta dias depois da Páscoa, cumpre-se a promessa de Jesus: “Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava” (At 2,1-4).
Este acontecimento maravilhoso e extraordinário inunda a vida dos discípulos de Jesus com uma luz jamais experimentada. A vinda do Espírito Santo provocou em todos os presentes uma compreensão mais profunda das maravilhas de Deus. “O Espírito Santo é a alma da Igreja. A ela Ele foi dado como garantia de seu caminho, de modo que o mal nunca prevaleça contra a Igreja, e os discípulos, unidos aos seus pastores, conheçam com segurança os caminhos do Senhor e tenham força para colocá-los em prática. O Espírito Santo é Deus com o Pai e o Filho. Ele é o amor que existe entre o Pai e o Filho. Ele procede do Pai e do Filho”;


4º MISTÉRIO GLORIOSO: Meditemos sobre a triunfante Assunção de Nossa Senhora ao céu.

João Paulo II, em Catequese sobre Nossa Senhora, diz que São Paulo, na 1ª Carta aos Coríntios, faz uma espécie de comentário aprofundado do mistério da Assunção: “Mas a verdade é que Cristo foi ressuscitado, e isso é a garantia de que os que estão mortos também serão ressuscitados. Porque, assim como por meio de um homem (Adão) veio a morte, assim também por meio de um homem (Cristo) veio a ressurreição. Assim como, por estarem unidos com Adão, todos morrem, assim também, por estarem unidos com Cristo, todos ressuscitarão. Porém cada um será ressuscitado na sua vez: Cristo, o primeiro de todos; depois os que são de Cristo, quando ele vier” (1Cor 15,20-23; cf. 1Cor 15,53-55).
        “Maria é a primeira dentre ‘os que são de Cristo’. No mistério da Assunção, Maria é a primeira a receber a glória; a Assunção representa quase o coroamento do mistério pascal (paixão, morte e ressurreição de Jesus). Cristo ressuscitou vencendo a morte, conseqüência original, e abraça com a sua vitória todos aqueles que aceitam com fé a Sua ressurreição. Antes de tudo, abraça Sua Mãe, libertada da herança do pecado original mediante a morte redentora do Filho na cruz. Hoje, Cristo abraça Maria, Imaculada desde a sua concepção, acolhendo-a, no céu, no corpo glorificado quase que a aproximar-lhe o dia do seu regresso glorioso à terra, o dia da ressurreição universal, esperada pela humanidade”;


5º MISTÉRIO GLORIOSO: Meditemos sobre a coroação gloriosa de Nossa Senhora como Rainha do céu e do universo.

“Então abriu-se o Templo de Deus no céu, a Arca da Aliança apareceu no Seu Templo... Depois, apareceu um grande sinal no céu: uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça” (Ap 11,19 e 12,1).
 “Essa visão do Apocalipse contempla Maria não só como Rainha de toda a criação, mas como Mãe da Igreja. E como Mãe da Igreja, Maria elevada e coroada no céu, não deixa de ser envolvida na história da Igreja, que é a história da luta entre o bem e o mal. São João, o autor do Apocalipse, escreve: “Apareceu então outro sinal no céu: um grande dragão vermelho” (Ap 12,3). Este dragão (satanás) é conhecido pela Sagrada Escritura como inimigo da Mulher, desde os primeiros capítulos do livro do Gênesis (cf. Gn 3,14-15). No Apocalipse, o mesmo dragão coloca-se diante da Mulher que está para dar à luz, preparando-se para lhe devorar o filho apenas ele nascesse (cf. Ap 12,4). O pensamento dirige-se de modo espontâneo para a noite de Belém e para a ameaça que a ordem perversa de Herodes representava para a vida de Jesus recém-nascido, a qual mandava “matar todos os meninos de Belém e de todo o território vizinho, da idade de dois anos para baixo” (Mt 2,16);


ORAÇÃO DE INTENÇÕES:

Ó Senhor, nosso Deus Altíssimo, o Pentecostes mostra a primeira comunidade de cristãos reunida com a Mãe de Jesus e fortalecida pela poderosa efusão do Espírito Santo, pronta para a missão evangelizadora.
Pela intercessão da Virgem Maria, a Mãe de Deus e Mãe do meu Salvador, renovai nos dias atuais o vigor de Pentecostes: Vinde ó Espírito Santo! Tocai nossos corações, inundai nossas almas e fortalecei-nos com Vossa presença; iluminai nossas mentes para que possamos vivenciar nas nossas relações cotidianas o que escutamos e pedimos em oração; libertai-nos de toda fraqueza, das enfermidades físicas e espirituais (vícios, concupiscência, mágoa, depressão); lavai-nos com a água da cura e do amor, convertei-nos e restaurai nossas almas. 
Nós vos suplicamos ó Pai Santo, por Jesus Cristo, vosso Filho amado, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Ámen.

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