LIVRO DE POEMAS - CANIDELO - POEMAS REUNIDOS DEDICADOS A CANIDELO DE VILA NOVA DE GAIA

 Todos os poemas dedicados a Canidelo de Vila Nova de Gaia e mais os que se agrupam naquele blogue 
 
 
http://canidelogaiaminhaterraquerida.blogspot.com/    de majosilveiro, com o pseudónimo de João da mestra
 
 
 
 
 
 
CANTO Á MINHA TERRA –  CANIDELO  GAIA


I



Eu sou de Raiz, natural,

Deste magnífico litoral;

De Vila Nova de Gaia,

Localizado em Portugal.



II



Desta grandiosa cidade,

Uma autêntica raridade;

Vila Nova de Gaia,

Ela foi minha aia.



III



Litoral de um belo rio,

Defronte a "Porto Sentido",

Litoral de um grande mar,

Com o Rui sempre a cantar.



IV



Aos pés da Virgem, do Monte,

Aos pés da Serra do Pilar,

Logo ali junto à ponte,

Muito juntinho do mar.


V



Linda Serra do Pilar,

Do teu alto respiro bom ar;

Vem com a maresia a navegar,

Aquele que vem do mar.



VI



Gaia dos belos Mosteiros,

Cada um o mais valioso,

Desde o da Serra do Pilar,

Ao de Grijó e de Pedroso.


VII



Gaia, ao Porto estás defronte,

Transmites-lhe a mesma fonte

De energia e maresia,

Quer de noite quer de dia.



VIII



Eu sou desta querida terra,

De Nosso Senhor da Pedra,

De Nossa Senhora da Saúde,

Onde vou muito amiúde.



IX


É este o meu litoral,

É este o meu Portugal;

Que eu Canto, porque afinal,

Cantar, nunca me fez mal.


X


Eu Canto à linda trigueira Princesa,

Árabe fada, qual beleza,

Raptada e trazida para Mea Villa,

Libertada e levada para Castilha.



XI



Eu Canto ao vigoroso Rei Ramiro,

Rei da minha linda Mea Villa,

Combateu os Mouros com todo o fervor,

Para resgatar o seu Amor.



XII



Vila Nova,

De Gaia, formosa,

Nasceste Moura mas bela,

Maravilhosa.



XIII



Trigueira Árabe de Burca rosa,

Encanto meu, me ajoelho a teus pés,

E rezo, eu teu Romeu,

Sempre que sofres, de cada vez.



IVX



Eu canto ao São Gonçalo,

Das terras de Vila Nova,

Logo no mês de Janeiro

E depois pelo ano inteiro.



XV



Eu Canto ao S. João da Foz,

Que defronte do Cabedelo,

E das terras de Canidelo,

Nos dá as bênçãos, mas que belo.



XVI


Igreja de São João da Foz,

Defronte de Canidelo,

E também da Afurada,

É uma Igreja amada
.
XVII



Canidelo, terra de minha mãe,

Canidelo, minha terra mãe,

Canidelo, terra de meus avós,

Canidelo dos meus Pentavós, eu amo-vos.



XVIII



Eu Canto ao Rei D. Pedro I,

E a sua Dama Inês de Castro,

Escolheram Canidelo para amar,

Loucos amaram naquele Astro.



XIX


Eu Canto ao São Vicente Férrer,

E mais ao Padroeiro Santo André,

Que a igreja da minha aldeia,

Com aqueles Santos nos premeia.


XX



Eu Canto ao Santo André,

Que, Padroeiro de minha terra é,

Eu Canto à minha Terra Natal,

Pois, não conheço outra, igual.



XXI



Eu Canto à minha Amada Igreja,

Que Baptizou todos os Monteiro,

Do meu ramo familiar,

E manteve o Queirós a enlaçar.



XXII



Mais cinco de Mil Setecentos e Cinquenta,

O Queiroz Monteiro aguenta,

Neste ramo familiar,

A Canidelo sempre a Amar.



XXIII



Eu Canto Aos Queiroz Monteiro,

Que em Canidelo se fixaram,

Numa grande família se tornaram,

Com muita paixão a amaram.




XXIV



Eu Canto aos Avós e Bisavós Oleiros,

Aos Avós Tanoeiros e doutras profissões,

Naturais de Santo André de Canidelo,

Eu envio beijos aos milhões.


XXV



Eu Canto a S. Pedro d´Afurada,

Ele protege nossos pescadores,

Que logo pela alvorada,

Arriscam a vida desgarrada.



XXVI



Eu Canto a Nossa Senhora da Saúde,

Que tem seu dia a quinze de Agosto,

Nos Carvalhos com muito gosto,

Meu pai confraternizava, À Saúde.



XXVII



Eu Canto a Nossa Senhora da Bonança,

Que inspira os Candalenses de esperança,

Benzidos pelo saudoso Padre Correia;

No Céu muito Amor lhes granjeia.



XXVIII



Eu Canto ao Senhor-da-Vera-Cruz,

Padroeiro da Paróquia do Candal,

Meu pai era daqui natural,

Desta terra de Portugal.



XXIX



Eu Canto a Canidelo e ao Candal,

Terras dos meus pais que casaram,

Para nascerem de Raiz,

Os seus filhos, no litoral.



XXX



Eu sou de Estirpe, natural,

Deste magnífico litoral,

Esplendorosa cidade de Gaia,

Localizada em Portugal.




XXXI



Eu sou de Estirpe, natural,

Deste magnífico litoral,

Do morangal de Canidelo,

De Gaia, sempre belo.



João da mestra, Novembro de 2010





EU CANTO A TERRAS DE CANIDELO –

O LITORAL MAIS BELO DE PORTUGAL



XXXII



Há muito foste eleita,

A minha jóia perfeita,

O meu coração dourado,

Pelo qual estou pendurado.



XXXIII



Tu és o meu Pulmão,

O Fígado, o Coração,

As pernas, os braços, a cabeça,

Ama-me, antes que enlouqueça.



XXXIV



Teu perfume exala maresia,

Que me sossega dia após dia,

Tu és o ópio que me dá na alma,

E o anti-depressivo que me acalma.



XXXV



Teu perfume constante a Iodo,

E aquele aroma do sargaço,

Que vem das pedras da praia de Salgueiros,

E das pedra amarelas de Lavadores,

Eu inspiro com sofreguidão;

Eles são Deusas que apaixonam o João.



João da mestra





AS PRECIOSAS PRAIAS DE CANIDELO



XXXVI



Cabedelo, o bico de areal no rio Douro,

Lavadores, a praia dos grandes penedos,

Salgueiros, a praia dos pequenos rochedos,

Canide Norte, de grandes areais prateados,

Canide Sul, a praia de areais de ouro;



XXXVII



São de prata vossos areais de fino grão,

São de ouro as micro lentilhas de vossos arneiros,

Formando uma amalgama de areal “silver rand gold” valiosa,

Onde penedos, incrustados estão, como pedra preciosa.



XXXVIII



Juntamente com outros, cobertos de verdes algas,

Onde há vida com sargaço, lapas e moluscos,

Mergulhados, naquele maravilhoso mar,

À vista, à distancia de dois palmos,

De extensas e paradisíacas dunas com verde vegetação.



XXXIX



Aí predomina extensivamente o chorão,

Formando o cenário, a panorâmica, de Canidelo, do litoral,

Que é o esplendor de Portugal.


XL



Terras do Litoral,

Terras de Portugal,

Pintura que eu premeio,

Sei Onde a “fotografei”,

Sei portanto de onde veio;

É Gaia, fotografia “midiatizada”,

No local está assinada:



João da mestra, de Agosto de 2010 a Fevereiro de 2012



Publicado em 18 de Janeiro de 2011 no blogue de majosilveiro



*

*

*

Eu não sou ninguém



Eu não sou ninguém;

não sou poeta,

não sou escritor,

somente à minha terra tenho amor.



Eu não sou ninguém;

não sou professor,

não sou doutor,

somente à minha terra tenho amor.



Eu não sou ninguém,

nem sei como explico,

porquê tanto amor;

é que eu não resisto.



Eu não sou ninguém,

nunca me envaideci,

somente vou até si,

pedindo e chorando,

ame Canidelo,

conforme ELE o amo a si.



Eu não sou ninguém;

não sou presunçoso,

também não sou vaidoso,

não sou prepotente;

que gostem de Canidelo,

solicito somente.



Eu não sou ninguém;

peco somente,

por ser resistente

e amar Canidelo,

permanentemente.



Eu não sou ninguém.

E tu,

quem és?

Alguém?

Então ama Canidelo,

que, ficar-te-á bem.



João da mestra, 26 de Abril de 2011
*
AO ORFEÃO DA MADALENA


Oh! Orfeão da Madalena,
Quantos Cantores saíram de tuas entranhas,
Quantos Tenores de vozes tamanhas,
Se moldaram na tua terra.

Quantos Barítonos Altearam
Suas vozes, se expressaram
Num Colossal Coro magnificente,
Que faz recordar todo o presente.


Quantos Valores tua História encerra,
Quantas Sopranos entoaram numa guerra.
Baixos que tão Alto te Cantaram,
Vozes que aos Céus te Elevaram.

Guerra de Vozes assaz distintas,
Com ânsias de cantar - tão famintas;
Sopranos, Tenores, Barítonos, Baixos,
Contraltos; Te Glorificaram Orfeão.


Oh! Orfeonistas que passastes neste Orfeão,
Hoje Vos Cantamos nós, Coralistas;
Vós fostes os Grandes Valores,
Nós somos os renovados Cantores.
 

*
 
 
João da mestra, em 18 de Março de 2012. Homenagem ao Orfeão da Madalena; inspiração motivada pela visita que fiz à Sede Social na Madalena, em 17 de Março de 2012.
Em 1930 e, até (penso) 1937, pertenceu também meu pai a este Orfeão.
TENOR NOS ANOS TRINTA


De palhinha, era o chapéu
Branco, largo, de aba;
Elevado, o ser que o colocava
E, que bem que lhe ficava.
Camisa branca, retesada,
Colarinho e punho; engomada.
Fina posição, elegante,
Distinto, era, todo o instante.


Casaco branco, de linho,
Assente como miminho,
Calça creme, festada;
Menina devera embeiçada.


Foi Homem dos anos trinta,
Figura muito distinta,
Educado, culto, altruísta,
Feição de capa de revista.


Foi sapateiro e tenor,
Orfeonista e cantor,
De Fado de Coimbra foi doutor,
Na sua profissão, professor.

Foi sapateiro de velho,
E sapateiro de novo,
Sapateiro de novo a velho,
Transformou velho em novo.


Fez um milhão de consertos,
E, mil e um concertos,
Combinou a sua profissão,
Com bonitos cantares no Orfeão.


Cantou Fado de Coimbra,
De Menano a Luís Góis;
Eu me recordo ainda,
Do poder de sua voz.


João da mestra, 15 de Agosto de 2011

No Centésimo primeiro Aniversário do Nascimento de Alexandre
Monteiro; meu pai.
Publicado em 19 de Março de 2012 - DIA DO PAI

 
 
 
 

AO Fantástico Bar na minha tão querida Praia de Salgueiros          

 

 ARD´ MAR

 

Foi grande o Ar D´Mar que ali deu,

Que inspirou UrbQuality que concebeu,

Fantástico Bar-restaurante tão belo,

Na freguesia de Canidelo;

 

A Arquitetura, a Engenharia e a Construção,

Fizeram dele a razão,

Do sucesso da agradabilidade,

Pelo idoso, o menos jovem e pela mocidade.

 

Ar D´Mar está virado p´ro mar,

Há mar e Mar, há ir e voltar,

Há Ar D´Mar pr´ra cativar,

E cativar pelo Ar D´MAR.

 

João da mestra, 22 de Janeiro de 2012

 

 

 

 

 

 

                                             Dedico ao amigo, escritor Vasco Paraty, que, não sendo de Canidelo, ama igualmente a sua e a minha terra.

Candal é igualmente Gaia.
*
Dedico, também, A Todos os Canidelenses;
*
Olhando o mar em Salgueiros;
*
Cada rebentação,
é batimento em meu coração,
certo e cadenciado,
a cada ondulação deste mar,
referenciado,
de Salgueiros, proclamado,
neste País, Portugal,
o mais belo, sem igual.
*
Cada rebentação,
- é cada batimento em meu coração -,
ciclo de vida a avançar,
a baterem, as ondas do mar,
nunca, a vida a atrasar,
sempre, o miocárdio a pulsar
vivo sangue encarnado
e viva eu apaixonado,
por este maravilhoso mar.
*
Penedos sempre suportam,
com a forte rebentação
diária, implantados naquele areal,
onde descalço caminhei,
onde nas areias rebolei
e, agora mesmo…, chorei.
*
João da mestra, 4 de Janeiro de 2011 -
*
Cada um a sua terra e, eu, “Ao meu mar de Salgueiros”.
 
 
FRANCESINHA OU PORTUGUESA E APETITOSA?

Comi uma francesinha,
Com quanta vontade tinha,
Tão loirinha, tão quentinha,
Vinha toda derretidinha.

Abri-a ao meio, delicadamente,
Eu e ela, em paz, somente,
Sorvi-lhe a gema, com barulho,
E todo aquele demolho.
 
De barriga para cima,
E de barriga para baixo,
Dei-lhe cabo do penacho.

Uma loira me acompanhou,
Tanto comeu que até chorou,
Duas loiras entornei,
Tanto, que no fim chorei.

Francesinha me consolou,
E o resto são cantigas,
Que me importam as más-línguas,
Comi-a no restaurante Barrigas.
 

João da mestra; 1 de Setembro de 2011
Esclarecimentos indispensáveis para mentes perversas, é que, francesinha é um prato típico e originário da cidade de Gaia e Porto.


No Chalé da Calçada da Catrina
Vitela à Lafões, bem assada,
É no restaurante Calçada
Da Catrina, no belo Chalé,
Ai! Que delícia que é.
*
Grandes tranches do animal,
Condimentadas sem igual,
Com aromáticas ervas,
Traga-las gosto deveras.
*
Até o quadrúpede se falasse,
Diria de sua justeza e opinião,
- “Tão saborosa que estou,”
-“Todos a comerem-me estão.”
*
-“Pareço uma louca vitela,”
-“Com o cio, a sair da panela”,
-“Tão tenra, todos me devoram as tetas”,
-“Exijo que aqui voltes, que prometas”.
*
Tendo por companhia,
Casal com imensa alegria,
Ai! Que prazer que me deu,
…. E ainda ninguém bebeu.
*
Brindou-se ao aniversário nupcial,
De tão feliz e simpático casal,
Por mais trinta e seis de amor,
Mas, sem reumático e sem dor.
*
João da mestra, 14 de Agosto de 2011
Pelo aniversário do casamento de magnificientes amiga e amigo de infância.

Almoço de amor no amoroso Chalé
*
Foi na mesa do cantinho,
 
Do simpático Chalé,
 
Que pedi um beijinho,
 
Àquela que meu amor é.
 
*
Entre bonita decoração,
 
Verdes plantas em vasinho
 
E um belíssimo raminho,
Reconquistei meu coração.
*
Cantinho muito charmoso,
Mesinha com toalha de renda,
À janelinha amoroso
Casal; amor que sempre aprenda.
 
*
 
Envolvidos por rendas,
Ficamos.
Penduradas à janela,
Cortinas.
Se mais digo tu desvendas,
Namoramos;
Vida que tanto estimamos.
*
Acompanhou-nos bom almoço,
Cálice de precioso líquido rubi,
Tudo foi um coloco,
Eu me fico por aqui.
*
É assim no restaurante Chalé,
Bebo, mas, fico de pé;
O almoço me deleita
E só meu amor me deita.
*
João da mestra, Setembro 2011
Num dos habituais almoços de Domingo no restaurante Chalé em Canidelo Gaia.
 
 
 
O Saxofonista

Bem vestido, à tirone,
Ao peito, o saxofone,
Música Jazz, a entoar,
Cabeça hirsuta no ar.
 
Por estreitas ruas, floridas,
O instrumentista se movimenta;
Casaco branco, mulheres perdidas,
Pelo homem dos anos quarenta.

Gravata preta bem lisa,
Branca de seda é a camisa;
O tocador hipnotiza,
Com sua mística música, que desliza.

De calça negra com festo,
Sapato à Italiano, branco e preto;
Amorosa melodia pelo saxofone alto,
Distinto, era ele neste acto.
 
 
Dança casal a ritmo Slow,
Alto som do instrumento;
Amor a cada momento,
Saxofonista no acontecimento.

Mário Nunes era o saxofonista,
O famoso instrumentista.
                  Em Homenagem ao Amigo e senhor Mário Nunes, de Lavadores, Canidelo, que, durante mais de cinquenta anos alegrou em bailes, não só em Canidelo, mas, também, por toda Vila Nova de Gaia e Porto. Além de saxofonista, Mário Nunes, foi instrumentista, também e, tão bem, de Violino, Cavaquinho, Banjo e Acordeão. Conta 84 anos e, toca ainda todos estes instrumentos.
João da mestra, 18 Agosto de 2011
 
 
DOMINGOS DE MANHÃ:

Eu sinto nostalgia,
das ruas que percorria
e das pessoas que conhecia,
aos domingos de manhã.

Sinto nostalgia,
de todas, tantas, gentes,
tantas quantas me recebiam
e estimavam porque a meu pai conheciam.

Nostalgia,
de todas aquelas ruas,
que, afinal não são minhas,
são suas.

Nostalgia,
por quantos, tantos,
estimaram, reconheceram
e honraram a meu pai.

E porque sinto nostalgia,
me recordo todo o dia
e todos os meus dias;
com alegria.

O meu maior prazer seria,
todas aquelas ruas voltar a percorrer,
a todas as portas bater
e, com todas as Almas voltar a conviver.

O faço sempre que posso,
levo mensagem de amor,
bato a porta amiga e,
deixo de meu pai;
Nostalgia.
 
João da mestra,
          em 29 de Junho de 2011 para as famílias a quem meu pai, Alexandre, de Alumiara e Meiral, deixou também, nostalgia.
 
 
PEIXE FRITO NA ADEGA PIOLHO
 
Batatinhas miudinhas,
Com peixe frito,
Cozidinhas ou assadinhas
Com peixe frito,
A murro e grelhadinhas
Com peixe frito.

Arrozinho malandrinho
E peixe frito,
Com vermelho feijãozinho
E peixe frito,
Ou cozido feijão branquinho
E peixe frito.

Feijão preto em caldinha
Com peixe frito,
Frade fradinho cozidinho
E peixe frito,
Branco moleiro é feijãozinho
Com peixe frito.
 
Massarocas bem gostosas
E peixe frito,
Ou massinhas miudinhas
E peixe frito,
Esparguete e, a Suzete
E peixe frito.

Macarrão e o João
E peixe frito,
Escorregadio esparguete
E peixe frito,
No prato com macarrão,
E peixe frito,
A Suzete e o João
E peixe frito.
 
João da mestra, Agosto de 2010
 
 
Sardinhada na Adega Piolho
 
Na Adega Piolho, comi,
A mais saborosa sardinha assada,
Copo meio, de vinho, bebi,
Mais, copo cheio, mas, de água.

P´ras sardinhas fui um pajem,
Primeiro lhes prestei vassalagem,
Depois, dei-lhes cabo dos focinhos;
Então, deram-me a outra face,
Ao que lhes fiz uns miminhos,
Acompanhadas por pimentos e alface.

Somos sardinhas do vosso mar,
Vinham elas a cantar,
Mas, mal se viram só espinhas,
Logo ficaram a chorar.

Batatinha da nossa terra,
Que, o que se semeia sempre medra;
Só de ver a travessa na Adega Piolho,
Nos satisfaz, depois de encher o olho.

João da mestra,
Almoço na Adega Piolho em, 23 de Agosto de 2011 
 
 
 
TERRA DE LAVOURA É SAUDÁVEL


Hoje, com saudade revejo;
Fecho os olhos e vejo,
O lugar do país, o mais belo,
O litoral em Canidelo.

Aqueles enormes pinhais,
Grandiosos canaviais,
Terrenos agrícolas ancestrais,
Pelos quais hoje dou ais.

Canaviais entre Lavadores e Madalena,
Pinheirais a toda a extensão na marinha,
Campos de lavoura p´ro interior,
Tudo em falta, causa hoje dor.

Fecho os olhos e vejo,
Nos campos, os anciãos,
De enxada, nas rudes mãos,
Encaminhando água do apetrecho.

Vergados e a sachar,
A semear ou a plantar,
Férteis terrenos adubados,
Com substância vinda do mar.

Fecho os olhos e vejo,
Chãos cobertos a caranguejo,
Algas e correias de sargaço;
A vida do mar morrendo a´adubar.

Casca de arroz a incendiar,
Vastíssimas áreas em brasa,
Preparar os campos e fertilizar,
Desenvolver e levar os produtos p´ra casa.
 
Lançar sementes à terra,
Tudo que se semeia medra,
Crescem o milho e enrolados os feijões,
No chão as abóboras e os melões.

Hoje, com saudade revejo,
Fecho os olhos e vejo,
O lugar do país, o mais belo,
A Minha Terra, Canidelo.
 
João da mestra,
19 de Agosto de 2011
para blog; Canidelo Gaia Minha Terra Querida
 
ARTE DE RUA EM LAVADORES - CANIDELO
ARTE DE RUA
Arte Grafite, Arte de rua,
Arte Superior, minha e tua,
É de todos esta pintura,
De Artistas com bravura.

Usam grande imaginação,
Aliado a virtuoso dom,
Com espátulas e pincéis,
Produzem aquilo que vês; eis.

Belas pinturas em paredes,
De variados e agradáveis motes,
Em Canidelo recebemos dotes,
Dá alegria de as desfrutarmos.

João da mestra, 29 de Agosto de 2011,
aos pintores  da Arte de Grafite
 
 
A ARTE DA CONCEIÇÃO VIDAL NA SAVIARTE
 
A ARTE da CONCEIÇÃO VIDAL,
É de qualidade sensacional;
Toda e qualquer caixinha,
Para homem, senhora ou menininha.
São imensas as caixas e variadas,
Para imensos artigos, preparadas,
Luxuosas, bonitas, decoradas,
Pela Conceição da Saviarte apresentadas.

Caixinhas para gravatas,
E para relógios também,
De todos e variados tamanhos,
Tanta beleza contém.

Guarda-jóias para falsas ou verdadeiras,
Broches, alfinetes ou pulseiras,
Com pintura artesanal,
De uma beleza fenomenal.

De chã, de baton e de remédios até,
De livro, para crianças e para bebé,
Para escolher o que precisa,
É melhor primeiro ver e depois analisa.

Bibelôs para cozinhas e quartos,
Caixilhos para estampas e retratos,
“Pacepatu” digo eu, tu e ele,
Tão lindo, que dá prazer vermo-nos nele.

Ao espelho já me consegui ver,
E até me deu muito prazer,
Ai ! Ai ! Espelho seu, espelho seu;
A ARTE da Conceição tanta pintura lhes deu.

Sabonetes perfumados e decorados,
Com tanta ARTE e floreados,
Até dá vontade de tomar banho,
Ao mais porco carneiro do rebanho.

Florinhas à mão pintadas,
Caixinhas bem ornamentadas,
Tudo de LUXO e artesanal,
Na ARTE DA CONCEIÇÃO VIDAL.

Trabalho de Anjo, muito floral,
Tem mãos de Fada, por tal,
É SUPERIORMENTE CONDUZIDA;

QUE DEUS CONTINUE A GUIAR –LHE SUA VIDA.

João da mestra, em 5 de Julho de 2011,

para SAVIARTE e CONCEIÇÃO VIDAL.
 
 
 
Ainda ontem era criança; O amor no seio familiar

Ainda ontem era criança,
No peito, tanta esperança,
Amor…, no coração,
Fervilhava, em combustão.

Ainda ontem era criança,
Esperança, no peito dança,
Amor…, a baloiçar;
P´ra mãe, p´ro pai; tanto p´ra dar.

E também p´ra receber;
Ainda ontem era criança,
Uma vida, uma esperança,
Amor, Amor, sempre a crescer.

Ainda ontem era criança;
Entre a mãe, o pai, os irmãos,
Amor no seio familiar,
Com avó, a acompanhar.
Ainda ontem era criança,
Entre avó, a mãe e o pai, balança,
O amor celestial de um Anjo,
No Céu, em companhia, o Arcanjo.
Agora lembro, já fui criança,
Na mente, tanta lembrança;
Há fraqueza, no coração,
Estou vergado, da exaustão.

Ainda ontem eu fui criança.
 
João da mestra
8 de Março de 2011
 
 
POEMAS DOIDOS VARRIDOS, NA ORLA MARÍTIMA

Encontrei um varredor,
Que, varria, varria, varria.

- Senhor, o que varreis?
- Papeis, somente papeis,
Poemas, doidos, varridos,
Ainda se podem ler…, eis:

 
Fui “pequenicar” a Salgueiros,
Debaixo de uns pinheiros;
Com a cabeça a fumegar,
Acordei, porque estava a sonhar.

Mas…, onde estão os pinheiros?
Minha primeira reacção;
Atirei a bicicleta ao chão,
Fui a pé, à reunião.

Como lhe digo, senhor Presidente,
Não há canas, não há pinho,
Em Salgueiros, na orla marítima,
Daquela antiga mata, tudo ficou limpinho.
 
 
Não há árvores no Meiral,
Mas…, as há no horto Municipal.
Então, Senhor Presidente,

Tome atitudes num repente.

Será então algum impropério,
Pedir-lhe, senhor Presidente,
Que mande árvores transplantar,
Do horto p´ro cemitério?

Em Salgueiros, na ciclopista,
Demasiado sol apanhei,
No casco de ciclista.

Na ciclovia pedalei,
Tanto que até suei.
Que ia fora da pista,
Só depois eu reparei;

Da bicicleta saltei,
Estava ainda a dormir,
E fora do penico mijei.

João da mestra
 
 
 
A Delícia das praias de Canidelo

Bonitas praias em Canidelo,
Marginal como um jardim,
Gosto de tudo assim;
Canidelo não é virtual,
Fica em Portugal.

Se em Canidelo, gostas da beira-mar,
E se todo o restante estás a amar,
Protege-o desmesuradamente,
Não permitas que o destruam repentinamente.

Fotografa as praias com teus olhos,
Não a preto mas a cores;
Terminemos com as dores,
Da destruição pelos molhes.

Em alongado panorama,
Toda a orla marítima e fluvial,
Faz a delícia em Portugal:

Escrevo essa delícia no blogue,
Junto-lhe tão linda fotografia,
Por Canidelo em Gaia fico grogue.

João da mestra
(7 de abril de 2010)
 
CAVALHEIRO E O MARNÃO SOU QUALQUER
Aquelas, são as minhas pedras,
De onde tantas vezes saltava.
Presa a elas, a minha corda,
Onde eu me agarrava.
Aquela, é a minha areia,
Onde me rebolava,
Aquele é o meu mar,
Onde eu só, me banhava.
Aqueles penedos são os meus,
Grandes segredos são os deles;
Nas frestas me metia,
De beijos os derretia.
Com abraços nos apertávamos,
Com nossas mãos nos apalpávamos,
Virados para o Oceano,
Até meu sol abençoávamos.
Maré subia e descia,
Muita água eu bebia,
Nadava em água salgada,
O meu ser eu temperava.
De sargaço me cobria,
Em correias me enrolava,
Mente sã eu granjeava,
Bom senso p´ra mim exigia.


Em manhãs de nevoeiro,
Ou em pleno sol, as tardes,
Explendor em mim surgiu,
Aprendi sómente verdades.

Por tudo sou orgulhoso,
Posso mesmo dizer...vaidoso,
Amadureci em SALGUEIROS,
Cavalheiro sou ,entre cavalheiros.

João da Mestra
1 de julho de 2011

 

PRÍNCIPE DE SALGUEIROS




ÓH ! ! ! Príncipe…, de Salgueiros,
Tu, és o mais destacado janota,
Usas capa, calças bota,
Chapéu preto e luva branca.



Elegante, de encarnado,
Cinto largo e ajustado
A corpo delgado e bem formado.


Calça de fole meia perna,
De Camisa e meia branca,
As meninas não espanta;


Plantado, aí estás tu, de pé,
A vigiar a galé.


ÓH ! ! ! Príncipe…, de Salgueiros,
Que belo que sempre és.


Estão os clientes a teus pés,
Chorando e gemendo, esfomeados,
Mas sempre de sorriso nos lábios,
Olhando-te e admirando-te;



Príncipe, de Salgueiros, tu és,
Sempre em Salgueiros e de pé. 



João da mestra

9 de Julho de 2011                                        

                                                                

                                               RECORDEMOS

Vento de Norte soprando,
Na crista da onda, carneiros, (1)
Penedos me agasalhando,
Estamos na Praia de Salgueiros.

«»
Mar turbulento, com o vento
Bate na rocha, um lamento,
Ouve-se silvo de furioso vento;
Brisa d´água salgada polvilhada; São Bento. (2)

«»
Panos às riscas esvoaçando,
Presos por fitas coloridas,
Abrigam rapazes e raparigas,
De amor entre eles, iniciando.

«»
Igual, nas pedras escondidas,
Escondidos jovens, trocando
Carícias e beijos e sufocando,
Á pressão do mundo; criticando.

«»
Mil Novecentos e Sessenta e Cinco a Setenta
Em Salgueiros estivemos;
Naquela praia querida estamos e estaremos,
Sempre e em boa memória;RECORDEMOS.


João Mestra

1 – Carneiros ou carneirinhos na crista da onda em dias de vento, usa-se este termo desde tempos de que não tenho memória, espuma branca que se forma na crista da onda antes da rebentação, provocado quando o vento está forte e normalmente de Norte, dando a ideia de pequenos carneiros brancos saltando.
2 – Bendita, Abençoada, Louvada
João Mestra
(21 de julho de 2011
Bola de Golfe;

*

Fui às nuvens, directa ao céu,

Ai Jesus que lá vou eu,

Lançada em arco, velocidade a jacto,

A descair para aquele buraco.

*

Falhei abertura, fiquei ao lado,

Não fui tapar aquele buraco,

Buraco aberto, fiquei pasmado,

Veio outra, ficou no flanco.

*

Sou a pequena bola de golfe,

Tacada daqui, tacada dali,

Tanta porrada, nunca me parti,

Rota mas honesta, permaneço aqui. /

*

Sou a diminuta bola de golfe,

Qual mexilhão colado à pedra,

Ninguém, nunca, tapa o buraco,

Nunca, mas nunca mais, Portugal medra.

*

Turistas de todas as nacionalidades,

Venham agitar nossos campos de golfe,

Lancemos as bolas aos céus,

Tapemos o buraco, meu Deus. / 

*

Aproveitemos nossas capacidades,

Sol, mar, bons ares, pessoas afáveis,

Salvemos o turismo, nossa salvação,

Não percamos a independência da nossa Nação.

*

João da mestra,

*

31 De Março de 2011

 
 
O BURRO – (o burro do sete sêmeas)
/
Lá na minha terra havia um burro,
Que zurrava, zurrava, zurrava,
Sem nunca acabar, de findar, de terminar,
De zurrar, de zurrar, de zurrar.
/
Eu sei o que ele queria dizer,
Que estudei a língua de burro,
Mas não urro, não urro, não urro,
Porque nunca fui, nem sou burro.
/
Apesar de muitos mo chamarem,
Que o eram eles, sem o serem,
Que através dos tempos sempre o foram,
A mim, que nunca o fui.
/
E se urrar não sei,
E burro nunca fui,
Também nunca urrei, nunca urrei,
E outros que, não burros, sempre urraram.
/
E disto me lembrei,
Pr´a demonstrar que sei,
Colocar os verbos nos tempos;
Não sou burro e não serei.
/
Mas, há muitos burros por aí,
Dos outros; alguns que não aprenderam,
Nunca souberam nem quiseram,
E chamam de burros aos outros e, ao burro.
/
O burro zurrava, zurrava, zurrava,
Todos os dias às seis da tarde,
P´ra dar ordem de saída,
Dos trabalhadores, desgastados da lida.
/
Pois ele estava-lhes a dizer,
Ao zurrar, zurrar, zurrar,
Que nada fazia, ficava a ver,
Todos os dias eles a trabalhar.
/
Dizia: – Eu que sou burro fico em casa,
- A zurrar, a zurrar, a zurrar,
- Afinal quem é o burro?
- Não sabem que é o meu cantar?
/
João da mestra
/
História de ficção e verídica, em lembrança de desde menino ouvir diariamente zurrar um burro que “morava” ali, aos quatro caminhos, inicialmente nos pinhais a caminho da escola Manoel Marques Gomes, na Rua da Bélgica, Junto à Rua Cova da Bela (há cerca de cinquenta anos) e, mais tarde, junto à ilha da Varina, também na Rua da Bélgica, onde hoje se encontra a esquadra da P. S. P. – Era o burro do sete sêmeas. Se há burros que fazem falta, este é um deles, dava-nos a horas, outros nem por isso, outros nem isso nos dão, esperam que tudo lhes seja dado.
/
João da mestra
/
/
 
 
Sou Filho de Mea Villa
*
Sou filho de Mea Villa,
De Mea Villa de Gaia,
Da Gaia do Rei Ramiro,
D´el Rei Ramiro da Villa.

*
Das terras de Cannidello,
Cannidello, Sant´André,
Sant´André de Cannidello,
Terras D´el Rei D. Pedro e Inês.

*
D´el Rei D. Pedro e Inês,
Inês de Castro, lá do Paço.
Lá no Paço do Moiral,
Nasceu minha mãe, outra Inês.

*
Inês da Mestra, do Paço,
Das Mestras do Paço, Legatária,
Legatária da Casa das Mestras e Mãe,
Minha Mãe – e Viva o Mestre.

*
João da mestra

 
 
A TERTÚLIA DOS SESSENTA
*
PARTE I
*
Após cinquenta anos e uns meses mais,
Daqueles saudosos serões; Saraus Musicais,
Em que tão melindres éramos nós então,
Mas que nos deliciávamos já então,
Com os famosos músicos e a música do serão;
A violino com destreza pelo Lourival tocada,
E a piano com agilidade pela Filomena acompanhada,
E não raras vezes também pela mesma cantada,
Que nos dois papeis; pianista e soprano se desdobrava:
Com presteza e vivacidade nas teclas com fervor tocava,
E com sua poderosa voz de soprano com ardor cantava.
O pai orgulhoso assistia e em silêncio sofria de alegria,
Sempre tinha sido aquela a sua ambição de dia para dia,
Conseguiu-o para sempre a partir daquele dia.
A mãe assistia com as lágrimas nos olhos enquanto a Mena cantava
E ao Lourival incessantemente lhe pedia “ toca aí uma violinada”.
A avó via ali os seus meninos agora notáveis mas crianças, sempre,
Aplicados nos estudos, famosos e célebres mas sempre, crianças,
E ao Lourival e à Mena sempre os incentivava; toquem meninos.
E a menina tocava, o menino tocava, que até já eram bem crescidos
E punham os meninos a tocar, os outros meninos, os mais pequeninos;
E meninos continuam de sessenta e setenta; A jovem tertúlia.
*
PARTE II
*
Assistentes eram permanentes, daqueles Saraus,
A Constança, a Inês e o pai seu, irmão do meu,
Que vinham a pé desde Coimbrões, com grandes ilusões,
Já de noite escura, era uma loucura, por entre pinhais,
Durante três quartos de hora e chegavam mesmo na hora,
Com grande ansiedade, assistiam a espectáculo, de verdade,
Ficavam radiantes em todos os instantes que viam actuar,
O primo Lourival e a prima Filomena a tocar e a cantar.
Regressavam a casa, depois de noite passada, igual como vieram,
Todo o caminho a pé, sem nunca desistir mas não a pedir.
Hoje relembram com extrema saudade aqueles saraus de variedade.
*
PARTE III
*
Juntam-se agora outros artistas noutros serões,
De poesia e declamações com poetas de dois tostões,
De avançada idade e já caquécticos mas andam muito frenéticos,
A escrever prosa, verso e poema e, com este estratagema,
Passam o tempo e esquecem, a dor dos joelhos pela artrose,
Da coluna pela hérnia discal e, do coração que é já habitual.
Sarau de declamação do poema, que cada um criou e dá vida,
Ali naquela casa, reunida, a tertúlia dos sessenta e dos setenta.
E, fica alegre o serão, com a Inês, a Constança e o João,
Todos eles a ler e a declamar e, a Lurdes e o Clemente,
Na assistência a atrapalhar, com apartes barulho e confusão,
A interromperem o serão. E lá segue animado,
Até há uma da manhã com barulho, a perturbarem o silêncio ao vizinho,
Que, não tardará, chama a polícia, já de caminho!
E, todos nós a recordar, coisas passadas, antigas; Já que recordar é viver.
Mas muito recordar faz sofrer.
E assim acaba o serão, c´ao lágrima no olho e dor no coração.
*
*
Homenagem a todos os que aqui menciono e que nos deixaram já, em altura muito recente ou mais alongada. João da Mestra


 
Florinha na janelinha
*
Lá na minha aldeia,
havia uma casinha velhinha,
mesmo defronte da minha,
onde uma menininha,
logo de manhãzinha,
aparecia à janelinha;
com um rosto bonitinho,
e um lindo sorrisinho,
pronta, logo me dizia,
- bom dia,
Quando eu era um menininho.
*
Os anos passaram,
a idade avançou.
A casa derrubou,
a janela acabou.
*
Hoje, a menina é velhinha;
naquele lugar, na janelinha,
está lá uma florinha,
que a colocou um irmão meu,
foi um presente que me deu.
*
João da mestra


 
 
Oleiros, Escultores e Artistas da Minha Terra
*
Sou natural de Gaia,
Terra muito importante,
Por famosos escultores,
Ceramistas, modeladores,
Que ao mundo deram Arte.
*
E, para iniciar cito,
Aqui, o meu Avô,
João Queirós Monteiro,
Importante e grande oleiro,
Que muito novo morreu,
Mas que muita Arte deu,
Ao povo e a plebeu,
De louça de barro, grés.
*
Porque hoje eu tenho horror,
Dos que lhe dão pontapés,
Guardo com muito Amor,
A Arte daquele escultor.
*
E se de Oleiro sou neto,
Bisneto sou, do Oleiro,
António Queirós Monteiro.
*
E cinco gerações vão já,
Desde o meu trisavô,
Bernardo Queirós Monteiro.
Ele também foi Oleiro.
*
Mea Vila de Gaya,
Eu te tenho muita honra,
Porque de Gaia eu sou:
Porque desde remotos reinados,
Como o de Maria segunda,
E desde os tempos da lenda,
Do romance de Garret,
Que seu génio celebrizou.
*
Dever é meu, estudar teus usos,
E costumes e, registar, Aqui;
As figuras que nasceram, Aqui,
E a Arte que deram, Aqui;
A esta Mea Vila de Gaya,
Que hoje também evoco, Aqui:
*
Os que o escopro manejaram,
Os que a cerâmica cozeram.
Os que a grés trabalharam,
Os que o barro moldaram.
*
Desde o grande escultor,
Ao génio modelador,
Passando p´los humildes “Oleiro”,
João Queirós Monteiro,
António Queirós Monteiro,
Bernardo Queirós Monteiro.
*
Oleiros tradicionalistas,
Foram humildes barristas,
Do Candal, em Santa Marinha,
Que lhe davam a matéria prima,
Nas saibreiras e barreiras.
*
AH! História, quantos valores,
Nesta terra de escultores,
Deixas-te de registar?
Quantos nomes esquecidos,
E também ignorados,
Que não tiveram a sorte,
De a ninguém mais lembrar?
*
E porque nos livros deveriam estar,
Presentes e não estão,
Hoje lanço á confusão,
De com importantes misturar,
Os humildes, que, presentes estão,
Mas dentro do meu coração;
E todos misturados são:
*
Bernardo Queirós Monteiro - meu trisavô N. Canidelo
António Queirós Monteiro - meu bisavô N. Canidelo
João Queirós Monteiro - n. 1884 -meu avô N. Canidelo
Alfredo Ferreira da Silva - meu bisavô - N. Canidelo
António Soares dos Reis, -
n. 1847 N. Mafamude
António Alves de Sousa,
f. 1922 N. Vil. Andorinho
Augusto Santo,
n. 1868 N. Gaia
Fernandes de Sá,
n. 1874 N. Avintes
José Joaquim Teixeira Lopes
n.1837 – Mestre Teixeira Lopes
Manuel Teixeira Lopes
n. 1907 - Sobrinho do Mestre T. L.
António Teixeira Lopes -
Filho do Mestre T. L.
José Teixeira Lopes n. 1872 –
Filho do Mestre T. L.
Adolfo Marques, pai
n. 1861 - N. Avintes
Adolfo Marques, filho
n. 1894 - N. Avintes
António de Azevedo
n. 1889 N. Mafamude
Carlos Meireles
n.1889 discípulo de Teixeira Lopes
Diogo de Macedo
n.1889 discípulo de Teixeira Lopes
Eduardo Tavares
n. 1918 obteve o prémio T. Lopes
Henrique Moreira
n. 1890 aluno de A.Teixeira Lopes
Joaquim Fernandes Gomes
n. 1896 N. Oliv. Douro
Joaquim Meireles
n. 1879 trabalhou na ofic. Teix. Lop.
José de Sá Lemos
n. 1892 discípulo de Teixeira Lopes
Manuel Pereira da Silva
n. 1920 N. Avintes
Oliveira Ferreira
n.1883 disc. e trab. Of. Teix. Lopes
Pereira dos Santos
n.1902 N. Oliv. Douro
Rudolfo Pinto do Couto
n. 1888
Sousa Caldas
n. 1894
Zeferino Couto n. 1890 N. Olival - Gaia
*
E dos populares Oleiros:
Domingos Alves de Oliveira
– Santa Marinha - n-1672
Pai de Domingos Alves de Oliveira
Avô de Domingos Alves de Oliveira
José Fernandes Caldas,
n. 1866
João de Alfonseca Lapa,
n. sec XX – Santeiro
*
*
Todos eles modeladores,
Do barro, do grés, da terracota.
De Gaia todos foram artistas,
De Oleiro, grandes malabaristas.
*
Do barro nasceram os barristas,
Gaia, Império foi da Arte
Popular, sempre em ascensão;
O Bernardo, o António e o João.
*
E só hoje investiguei,
Só hoje o descobri,
Mas de imediato aqui lavrei,
Aquilo que só agora sei,
O que nunca em outra terra vi:
Em Sant André de Cannydello,
Em meados de oitocentos,
Todo o homem era Oleiro.
*
E faço mais uma homenagem,
Desta, Alfredo Ferreira da Silva,
Qu´era do Paço do Moiral.
*
A sua arte era a Arte,
Que em Canidelo evoluiu,
Que de Canidelo saiu.
*
Na arte da olearia,
Ele manuseou o barro,
Ele fabricou poteria.
Ele coseu a grés,
E fez estatuaria.
*
Com terra, terracota,
Amassada, manuseada,
Rodada no rodapé,
Com rodapé rodada.
*
Só hoje investiguei,
Só hoje descobri,
Santo André de Canidelo,
Deu Arte ao mundo inteiro.
*
No Paço do Moiral,
Por terras de Canidelo,
Existiu um Bisavô,
Ele também foi oleiro,
Da época d’ oitocentos;
Da minha mãe foi Avô,
Foi o pai do meu avô.
*
João da mestra

 
Afinal, quem é o animal ?
*
Senhoras e Senhores,
Jovens meninas e meninos,
Menos jovens, velhos e divorciados,
Solteiras, solteiros ou casados,
Todos os namorados,
Em geral, tod´ a população:
Tomem bo´ atenção,
E, melhor pensem, pois então;
*
Se pretendem animal adoptar,
E algum pr´a casa levar,
Doméstico ou d´estimação,
Isso vai ser uma grande prisão.
Perderá sua liberdade,
E também sua privacidade.
*
Eu vos estou à´visar,
P`ra que depois não os venham à´bandonar;
Pata, pato, ou garnizé,
Galinha, galo, ou chimpanzé,
Gata, gato, ou leopardo,
Cão, cãozinho, ou cãozarrão,
De raça todos eles são.
*
Pomba , pombo, ou rola,
Caturra, pega ou papagaio,
Todos servem pr´a satisfazer o catraio,
Ou p´ra sua satisfação.
*
Não o faça por nenhuma razão,
Porque quando de férias for,
Não haverá nenhum estupor,
Que lhos tome conta por favor
E, ficarem sozinhos em casa,
Isso não vai poder acontecer;
Se for par´ abandonar,
Mais vale então não adoptar.
*
É muito fácil na loja os comprar,
É muito fácil p´ra casa os levar,
É muito fácil adoptar,
Mas, depois no próximo Verão,
Logo todos os bichos irão,
Pela porta fora, toc´andar,
Uma grande volta irão dar;
Serão postos “a passear”,
Você QUE OS ADOPTOU,
Agora os irá abandonar,
Então p´ra que os foi adoptar?
*
ISSO É CRIME, BOMBÁSTICO,
NÃO SABIA QUE NÃO SÃO DE PLÁSTICO?

 
 
 
Meia volta… pelas pedras do Viso
/
Pelas pedras da calçada,
Fui procurar minha amada,
Fartei-me de caminhar,
Sem nunca a encontrar.
/
Diz-me meu amor, onde estás?
Não jogues à cabra cega.
Já pisei tanta irregular pedra,
E não vejo a que me eleva.
/
Gostaria de te ver,
Antes de partir, de morrer,
Lá no céu, será complicado,
De veres tu o teu amado.
/
Dei meia volta, mais meia volta,
Naquelas ruas estreitas,
De Canidelo, do Viso,
Mas.., será que não tenho juízo?
/
Partiu para bem longe,
Fugiu a sete léguas,
Este amado era bem louco,
Louco será muito pouco.
/
E assim terminou o amor,
Da fada morena Árabe,
Com o fidalgo da Mouraria,
Que morreu em cobardia.
/
João da mestra


Aos alunos da escola do Viso
/
Escola primária, a primeira,
Para muitos, também, derradeira,
Escola primeira e primária,
Naqueles tempos, única, válida.
/
Escola primária do Viso;
Meninas e meninos com juízo,
Ali estudaram e brincaram,
Logo de seguida trabalharam.
/
Alguns por Canidelo ficaram,
Outros par´a cidade evoluíram,
Mas, muitos se desgastaram,
No estrangeiro, p´ra onde partiram.
/
Mas, quando à terra voltaram,
Com a saudade, carregados,
Visitar a escola do Viso foram,
E se sentiram amparados.
/
Logo partiram, nova jornada,
Família ficou, desamparada,
Distância vencida, labuta inicia,
Renovada saudade principia.
/
Meninas e meninos de Canidelo,
Que na escola do Viso cursaram,
Não mais esqueceram o esplendor,
Das lições que receberam com amor.
/
E, hoje, respeitam aquele lugar,
Lá se dirigindo como a um altar,
Como crianças que ainda são;
Com a esperança no coração,
De lá verem seus netos cursar,
Com igual veneração.
/
João da mestra
Sagres, a Saudade
*
A saudade, a nostalgia,
Aumenta de dia para dia;
O que aconteceu de menininho,
Recordo agora com carinho:
>
Deixou-me imensas saudades,
Em Salgueiros, o “Bar Sagres”,
Junto à praia em cima das Dunas;
Recordações, no coração arrumas.
>
Deixou-me imensas saudades,
Aquele areal, aqueles chorões;
Naquele tempo sem multidões,
Salgueiros, a praia e o “Bar Sagres”.
>
Deixaram-me imensa saudade,
Os amigos de verdade,
Com quem eu brinquei ali,
Com quem ali convivi.
>
Deixou-me imensas saudades,
Em Salgueiros, o “Bar Sagres”,
Meu pai ali me levava,
Aquele lugar ele amava.
>
Deixou-me imensas saudades,
Em Salgueiros, o “Bar Sagres”;
Muito meu pai considerava,
Os Iglésias, a quem muito estimava.
>
Iglésias; Avô, Pai e Filhos,
Todos eles meus amigos,
Hoje choro de saudades,
Pela falta do “BAR Sagres”.
>
Avô Iglésias, eu te quero Louvar,
Pai Iglesias, te estou a homenagear,
Pelo Sagres, aquele saudoso Bar,
Que fundasteis junto ao mar.
>
E quem no Bar Sagres não se revive,
Quer de Canidelo seja, ou não?
Era o bar da Juventude de Sessenta,
Que ali o tempo passava em reunião.
>
A vida é composta de mudança,
Por isso, eu ainda tenho esperança,
De voltar a ver o “BAR SAGRES”,
Nem que seja no Paraíso das Verdades.
*
João da mestra
 
 
 
A MINHA IGREJA É A MAIS LINDA
*
A minha igreja é a mais linda,
Das terras de Rei Ramiro
E neste país, Portugal,
Eu não vejo outra igual.
*
De Santo André de Canidelo,
Até ao mais distante rejo,
É esta igreja fenomenal,
A mais linda em Portugal.
*
Em Canidelo, Santo André,
Esta igreja ainda é,
Desde Mil Setecentos e Trinta e Nove,
Aquela que mais Povo move.
*
É a igreja do Paço,
Ao lado de casa senhorial,
Onde morou D. Pedro e Inês,
Em Canidelo Concelho, certa vez.
*
A minha igreja é a mais linda,
Em terras de Portugal, ainda.
*
João da mestra

A TEIA DA VIDA

*
Roda que roda,
E volta a rodar,
É a roda da vida,
Que nos não deixa parar.

>
Gira que gira,
E volta a girar,
Os desgostos da vida,
Nos põe a chorar.

>
Teia que teia,
E volta a tear,
Este mundo é uma teia,
Para a vida nos caçar.

>
Este mundo é uma teia,
Que nos não deixa parar,
Com tantos desgostos na vida,
Constante nos põe a chorar,
Até a morte nos caçar.
>
João da mestra

 
*
AQUI JAZ, DESCANSA EM PAZ
*
Naquele mundo, nasci nu,
E dele, parti bem vestido,
Não pendurado em cruz,
Mas em caixote, revestido.
>
Vida na terra, tive uma passagem,
Uma rápida miragem;
Não morri, me transformei,
Quando vivi, tudo abandonei.
>
Parti sem avisar,
Deixei amada a chorar,
Repouso eternamente,
Estou feliz, felizmente.
>
Aqui jaz,
Descansa em paz,
Demónio na terra, santo no Céu,
Lá, o diabo fui eu, eu sei,
Tanto escrevi, que, todos desesperei,
A todos fiz sofrer, mas, a todos amei.
>
Fui chamado a partir,
Fiz a passagem p´ro infinito;
Agora nos Reinos Eternos,
Continuo a escrever e a rir,
P´rós meus familiares queridos,
P´rós meus queridos amigos.
>
Meu Espírito ficará, toda a Eternidade,
Ao vosso lado, em boa verdade.
>
João da mestra
 
APÓS ESTAR MORTO
>
Quem não me estima agora,
Nem pense em qualquer hora,
Após a minha morte,
Ir ao funeral e acompanhar-me ao “resorte”,
Nem em nenhuma ocasião,
Ir à missa p´ra fazer-me oração.
>
Se neste mundo não são leais,
Como será essa oração depois?
Se vivem agora com ódio,
É por estar morto que me põe num pódio?
>
Não, não quero oração,
De quem agora não tem coração.
>
Não, não quero missa,
De quem agora me comete injustiça.
>
Não, não quero flores,
De quem agora me dá dissabores.
>
Não pense ir a meu funeral,
Quem agora não se julga igual.
>
Não pense em missa me rezar
Quem agora só me deseja azar.
>
Não pense em levar-me flores,
Quem por mim não morre de amores.
>
Uma simples impostorice,
Após eu estar morto,
É uma grande canalhice.

>
João da mestra
 
 
MISSIVA DO REI SVENOVITCH À IMPERADORA DE OUTRO REINO
>
Fica Vossa Senhoria impedida,
E os mais do Vosso Império,
De me irem ver quando eu morrer,
Pois, eu é que nem vos quero ver!
>
Nem flor tende a ousadia de enviar,
Por qualquer paspalho vosso lacaio;
Darei ordens ao meu aio,
Proibir-vos manifestações de pesar.
>
Já que na Terra impera o cinismo,
O abandono ao Rei do vosso trono,
Porque sou o homem velho do Império,
Serem hipócritas, é depois um impropério.
>
Amor, gostava eu de sentir hoje,
E não desprezo pela vossa parte,
Que com todo o engenho e arte,
Vossa senhoria, ao vosso senhor inflige.
>
Agora, aquilo que é meu desejo;
Quero estar morto e descansado,
Não quero depois a meu lado,
Hipócrita de subordinado.
>
Nem, também, muito lamento,
Chorar de arrependimento,
Quando, agora, neste momento,
Me trata mal que nem a jumento;
>
Acusações de centenas de acções,
Que comete e que depois remete,
Ser Vosso Rei o ocasionador,
Não lhe abonando o seu valor.
>
Depois de morrer, não me interessa flor,
Nem o choro hipócrita de qualquer estupor.
E todos se deveriam pautar,
Para nesta vida saberem amar.
>
João da mestra


ALMA MINHA QUE TE PARTISTE
>
Hó! Flor minha das serranias,
Hó! Flor adorada e silvestre,
Hó! Amada minha, campestre
Amorosa, flor agreste:
>
Terminou a Primavera,
O que vai ser de mim?
Alma minha que te partiste.
>
Como a minha vida é amorosa,
Aqui neste paraíso,
Mas, eu não ganho juízo;
>
Não vejo o dia de morrer,
P´ra minha alma contigo ir ter.
Não vejo o dia de partir,
Para junto de ti ir.
Tua alma quero conquistar,
Para te poder amar.
>
Eu já estou a desesperar,
Por tanto tempo aguardar,
Por aquele dia em que sonhei;
Que serras e montanhas atravessei,
E te fui encontrar,
Em boa vida a desfrutar.
>
Sonhei, meu amor que te vi,
Numa aldeia algures aí,
Entre nuvens celestiais,
Tu, entre almas, muitas mais;
Seria visão do amor e nada mais?
>
Estavas tão bela, alma nua,
Entre nuas, qual alma lua,
Com formas arredondadas, as tuas,
Tantas almas, tantas luas.
>
Teus longos sedosos e brancos cabelos,
Brancos seios e alma encobriam.
Para a frente penteados e puxados,
A alma não te despiam;
>
Tua linda boca de lábios escarlate, cerrados,
Não transmitiu qualquer reflexão,
E haveria para tal, razão?
>
Mas, gostaria de os ter visto pronunciar,
A tão amorosa palavra do verbo amar.
>
Cerrados ficaram teus lábios,
Conforme cerrada ficou tua alma,
E mais ainda, está teu coração.
>
Abrem-se agora os da miseração,
Para te declarar,
Com muita paz d´alma,
Que a minha, à tua alma se quer juntar.
>
Teus maviosos olhos azuis me viram ao longe,
Como almas d´águias vêm as suas presas,
Há! Mas que sonho este, tantas surpresas,
E logo eu que estou tão distante.
>
E tu alma d´ águia, não me discernes?
Não me vês?
Vá lá, tenta mais uma vez.
>
Mas, porquê desta forma advéns?
Para melhor me agradares?
Para muito eu te amar?
Vieste por acaso ao mundo, nua,
Ou és ser da longínqua nua lua?
>
Oh! Não! Despertei deste fascinante sonho,
Voltou minha alma à terra das almas;
Ressuscitei, uma vez ter morrido.
Tudo aconteceu em um instante,
Fui e voltei deslumbrante.
>
E tu onde estás, Alma minha que te partiste?
Alma minha da flor das serranias:
HÁ! Afinal…, não existias!
>
majosilveiro


Aquele que me ama me siga
>
Um dia,
quando eu morrer,
eu quererei continuar
a procurar saber,
da minha amiga,
do meu amigo.
>
E, vou também querer
estar consigo,
para festejar,
para comemorar,
este dia,
que estamos a viver.
>
Então,
à porta dos céus,
terás que bater
e, se não quiseres lá ficar,
terás que me mandar chamar.
>
S. Pedro não é intrometido,
mas, vai querer estar contigo;
se estiveres preparado, podes ficar,
se não, à terra terás que voltar.
>
Agora, vais ter que escolher,
se queres ficar no céu,
em companhia comigo
e morrer,
ou se preferes perder-me de vista
e viver.
>
Joãodamestra


 
 
Os amores de D. Pedro e Inês de Castro
>
De Castro era a Inês,
Que habitou certa vez,
Na Villa de Canydello,
Elevada depois a Concelho.
>
Lá no cimo daquela Chã,
Mais bonita Villa não há,
Onde D. Pedro escondeu,
Seu amor que Deus lhe deu.
>
Foi na casa e quinta do Paço,
Que D. Pedro e Dª Inês,
Fizeram o seu palácio;
Foragidos com altivez.
>
Ali viveram felizes,
Em casarão com capela,
Durante anos, vida aquela,
De grande amor mas em lapela.
>
Inês partiu, de terra minha,
Para Convento em Coimbra;
Depois de morta foi Rainha,
Onde é venerada ainda.
>

João da mestra 


*
Muito amo aquele mar
*
Chamaram forte, fortemente,
Como que se me quisessem falar,
Não era a chuva, não era o vento,
Caí em desalento,
E afinal era o mar.
<
Tinha voz grave, de trovão,
Chamava por um nome: - João!
Repetia-o intensamente,
Para que estivesse presente.
<
Pedia que ali ficasse,
Que suas ondas olhasse.
Olhei-o ali frontalmente,
E ali fiquei, sempre, presente.
<
Assim passei a o amar;
Nunca mais deixei aquele mar,
O meu mar de Canidelo,
Desde muito pequenino,
Até velho, com carinho.
<
Assim ensinei os meus filhos,
Que sempre que tempo têm,
Vão para junto dele também,
Ver brincar os seus "cadilhos".
<
Ensino eu o meu netinho,
A também dele gostar,
Para que o venha a amar,
Até velho, muito velhinho.
<
E também uma menina,
Que é a querida neta minha;
Os cinco o vamos visitar,
Aquele Bendito mar.
<
Meu pai ali passeava,
Meus avós ali pertenciam,
Meu pai também o amava,
Meus avós o transmitiram.
<
E três séculos leva já,
As Raízes em Canidelo,
Da Família Queiroz Monteiro.
*
Joãodamestra
João (Queiroz) Monteiro
(feita a contagem a partir dos descendentes
mais novos, são nove as gerações da família,
em Canidelo, desde cerca de 1755, meu 5º avô.)
<
 
 
A PRAIA DE SALGUEIROS E

AS PRECIOSAS PRAIAS DE CANIDELO

*
Cabedelo, o bico de areal no rio Douro,
Lavadores, a praia dos grandes penedos,
Salgueiros, a praia dos pequenos rochedos,
Canide Norte, de grandes areais prateados,
Canide Sul, a praia de areais de ouro;
*
São de prata vossos areais de fino grão,
são de ouro as micro lentilhas de vossos arneiros,
formando uma amalgama de areal “silver rand gold” valiosa,
onde penedos, incrustados, como pedra preciosa,
juntamente com outros, cobertos de verdes algas,
onde há vida com sargaço, lapas e moluscos,
mergulhados, naquele maravilhoso mar,
à vista, à distancia de dois palmos,
de extensas e paradisíacas dunas com verde vegetação,
onde predomina extensivamente o chorão,
formam o cenário, a panorâmica, de Canidelo, do litoral,
que é o esplendor de Portugal.
<

João da mestra



EU CANTO A TERRAS DE CANIDELO –
O LITORAL MAIS BELO DE PORTUGAL
*
PRAIA DE SALGUEIROS
*
Há muito foste eleita,
A minha jóia perfeita,
O meu coração dourado,
Pelo qual estou pendurado.
*
Tu és o meu Pulmão,
O Fígado, o Coração,
As pernas, os braços, a cabeça,
Ama-me, antes que enlouqueça.
*
Teu perfume exala maresia,
Que me sossega dia após dia,
Tu és o ópio que me dá na alma,
E o anti-depressivo que me acalma.
*
Teu perfume constante a Iodo,
E aquele aroma do sargaço,
Que vem das pedras da praia de Salgueiros,
E das pedra amarelas de Lavadores,
Eu inspiro com sofreguidão;
Eles são Deusas que apaixonam o João.

*
João da mestra

Canidelo de Canide? de Cana?

Ó minha praia de Salgueiros,
Quantas canas, quantos pinheiros,
Existiam em teus arredores,
Por todo o percurso, desde Lavadores.

Ó minha praia de Salgueiros,
Te derrubaram os pinheiros,
E desgastaram tuas canas,
Ar puro? Já não me enganas.

Ó minha praia de Salgueiros,
Construções de useiros e vezeiros,
Destruíram teus pinheirais,
Canas, não haverá jamais.

Canidelo, vais ter que mudar de nome,
Já não há mais canaviais
À beira-mar e em teus pinheirais,
Canide (lo), não justifica mais.

João da mestra



Os Penedos de Salgueiros

Pedra em cima de pedra,
Amontoado, tanto penedo,
As ondas batendo, penedo tremendo,
Num vai e vem, penedo sofrendo.

Num vai e vem ondas renovando,
Energia superior estou precisando.
Me dai força, preciso renovar,
Hó…, ondas deste grande mar.

Me dai forças ondas deste mar,
Necessito energia para te poder amar,
Até ao fim de minha vida, Salgueiros,
Praia das marés vivas batendo em penedos.

João da Mestra
O Alquilador

De carro de mulas condutor,
Tu antigo alquilador,
Que transportavas para nossa praia,
A fina flor do centro de Gaia,
Por tal, recebes-te algum louvor?

A mocidade fina de Gaia,
Lavadores, a praia, frequentava,
Um carro de mulas os transportava,
Para aquela formosa praia.

Lá seguia o Alquilador,
Que daqueles caminhos era conhecedor,
Carregava a fina flor,
Para lugar encantador.

Com suas carroças, Alquiladores,
Desde o largo dos Aviadores,
Para a praia de Lavadores,
Levavam distintos senhores.

E tu antigo alquilador,
De carro de mulas condutor,
Que transportavas a fina flor,
Do centro da Villa de Gaya,
Para Lavadores, a nossa praia,
Recebes-te algum louvor?

Hoje não há alquilador,
Não há, de carro de mulas, condutor;
Não poderá haver louvor,
Oferecido pela fina flor,
Que do centro da Villa de Gaya,
Se dirigia para Lavadores, a praia.

João da Mestra 




AS BELÍSSIMAS NOITES DA PRAIA DE LAVADORES
 
Noites à beira mar;
Inundação de orbes
E de intenso luar.
 
Noites à beira mar;
Inundação de amor,
Seja para quem for.
 
Noites à beira mar;
Cheirinho a maresia,
Minha predilecta mania.
 
Noites à beira mar;
Devagar a caminhar,
Para muito meditar.
 
Noites à beira mar;
Todos vão passear
E muito imaginar.
 
Noites à beira mar;
Debaixo de clarão,
Pensamentos, ilusão.
 
Noites à beira mar;
Tanta, tanta multidão,
Todos para ali vão.
 
Noites à beira mar;
Debaixo daquele luar,
Ali vou eu namorar.
 
Noites à beira mar;
Debaixo da escuridão,
Abre-se o coração.
 
Noites à beira mar,
Já muito d´antigamente,
Para ali iam segredar.
 
João da mestra
28 Bandeiras Azuis
 
Há! Grande Gaia, Vila Nova,
Já ninguém irá p´ra cova,
Por frequentar tuas praias.

Agora, vinte e oito tem Gaia,
Bandeiras Azuis, tanta praia,
De excelência, para vossa excelência.

Onze são, pertença de Canidelo,
Tantas áreas balneares,
De superior qualidade,
É a mais pura verdade.

Agradecer, é a Fernando Andrade,
O nosso digníssimo Presidente,
Da nossa Junta de Freguesia,
Que A Canidelo promove noite e dia.

SOL, MAR E RIO é o lema,
De Canidelo, grande tema,
Para propor a louvor,
Por poeta que queira compor.

Assim se promoverá nossa terra,
Sem ser a entrar em guerra,
Somente com papel e pena,
Digamos que, vale mesmo a pena.

Força, Fernando Andrade,
Para conseguir mais quatro,
Mais quatro…, bandeiras para praias,
E também anos, só mais quatro,
No fim deste mandato.

João da mestra

TANOREXIA
Vejam, estamos no verão,
Para a praia todos vão,
Apanhar sol, bronzear,
Todo o dia se vai corar.
*
Muito sol, muito tempo,
Durante as férias, todo o dia,
Mas que grande é a mania,
É a Tanorexia.
*
Acaba o verão, fica a mania,
De à força ser moreno,
Ser queimado, mas que veneno,
À luz solar ser bronzeado.
*
Todo o mundo hoje em dia,
Quer ser bronzeado, foi apanhado,
Pela mania, a TANOREXIA,
Da luz solar, de noite e de dia.
*
João da mestra


 
Letra RAIP:
 
às marés vivas do Norte

Eu vi, na praia, na baixa-mar,
quando estava parado, a olhar,
para o mar, criançada, a brincar
e, adulto, a nadar.

Tomava conta, do neto,
que nadava, que brincava
e, furioso o mar estava,
com alguma ondulação,
certa, na perfeição
e, pensei eu, então,
ao ver aquilo que vi;
escrevi, não desisti:

É acriançado o mar,
atrevido e,
até é malcriado.
Suas ondas vêm,
com surpresa bater,
no corpo de desprevenido,
que logo fica despido,
de roupa, mas não de preconceito
e, logo fica sem jeito,
aflito, com a situação:
 
À menina, arranca a cueca,
ao rapaz, arranca o calção,
à senhora, o soutien
e, deixa-a fora de situação,
porque logo ficou em topless
e, ali, ela não quereria,
ficou logo em stress.

A menina, envergonhada,
foge a chorar da água,
desesperada,
esconde-se nas costas da mãe,
que sem paciência p´ro caso
e, falta de sensibilidade,
lhe dá um repelão
que a atira ao chão.

O rapaz, de hoje,
ainda mais envergonhado,
fica perplexo
e, puxa com repelão, o calção,
mas, volta a mergulhar, no mar,
a nadar, a pinchar, a brincar, a saltar,
para a situação disfarçar.

Ao homem, que até era muito idoso,
arrancou com os calções
e, ele com muita lentidão,
causa da avançada idade,
abaixa-se para ir junto à areia, ao chão,
não para apanhar os calções,
mas para apanhar os … botões, dos calções,
que lhe tinham caído ao chão.

A mulher, ao vê-lo naquele jeito,
levou a peito, a despeito,
p´lo desrespeito, do sujeito,
que sem jeito, ali ficou no areal,
a mostrar, a evidenciar, o seu cabedal.

E, é assim o mar: acriançado,
atrevido e, além do mais, malcriado.

João da mestra

As praias dos anos cinquenta

Letra para música RAIP
Exijo compositor afamado, que, não abafado.
*
As praias, estão cheias, aos milhões,
multidões, aos montões, confusões, agitações,
de mijões na areia e na água,
quente e salgada,
a urinar e nós lá, a banhos; vamos tomar,
e, nadar e banhar e o corpo, a salgar,
vamos pôr, a marinar, que azar,
fui nadar e, muita, logo, água bebi, logo ali,
logo vi eu ali, que aquilo era chichi.
Não era sabor a mar, era rapaz a urinar.
Que horror, que pavor, mas que sabor.
E, logo dali, eu fui a correr, pela areia,
a fedar, a mal cheirar, a mal agradar,
sem nadar, sem banhar, sem o banho tomar.
<>
<>

Pela areia, ao correr, fui calcar, fui pisar,
uma garrafa, partida, uma lata, vazia,
um vidro, um caco, um garfo, uma espinha,
que logo me faz uma ferida e mais uma
em cada pé, pois é, ninguém pode andar com pé
ao léu. Fiquei, que nem múmia, em mausoléu.
E, a ferida doía e eu é que sentia, uma dor horrorizante
e tudo aconteceu num instante,
tão bastante, para eu não mais caminhar,
não andar, não pular e não poder ir namorar,
a Catraia, que estava, logo ali, a olhar, de soslaio,
e muito desconfiada, baralhada, -O que foi que aconteceu?
não fui eu, nada lhe fiz eu, mas logo de repente me diz:
*
“- Deixa que digam, que pensem, que falem,
Deixa isso p´ra lá, vem p´ra cá, o que é que tem?
Eu não estou fazendo nada e você também,……….
<>
Presentemente não é esta a realidade. As praias de Canidelo e de Vila Nova de Gaia são todas de bandeira azul e, são 15 QUILÓMETROS das melhores da nossa costa.
<>
João da Mestra



ALMEARA TERRA ÁRABE
<>
Almeara terra Árabe,
Onde vivi em tenra idade,
Era o ano de Cinquenta e Três,
Caminhava eu para três.
<>

De lá, saí feitos os seis,
Recordo-a agora de cada vez,
Razão porquê eu não sei,
Mas toda a vida a amei.
<>
Almeara de origem Moura,
Muito brinquei em tuas ruas,
Saudades tenho hoje tuas,
Por isso te visito amiúde.

Joãodamestra

Nossa Senhora dos Caminhos

<>
Nossa Senhora dos Caminhos,
Dai-nos alguns melhorezinhos;

<>
Pedi aos senhores Presidentes,
Para fazer lá uns jeitinhos;
<>

Para melhores estradas dar,
A todos os residentes;
<>

Não é só a beira-mar,
Que merece tais presentes.
<>
Nossa Senhora dos Caminhos,
Dai-nos alguns melhorezinhos;
<>

Dai-nos novas avenidas,
Pois, não serão para corridas;
<>

Dai-nos algumas Boullevard,
Que estamos a precisar;
<>

Dai-nos ruas mais direitas,
E, um pouco menos estreitas;
<>

E já agora, com menos buracos,
ra não andar-mos aqui aos saltos.
<>
João da mestra

/

OS LIVROS
<>

Os livros,
São relíquias do passado,
São recordações,
São amigos sempre presentes,
Indiferentes,
Às horas normais ou tardias.

<>
O Livro,
É aquele amigo,
Com quem se pode sempre contar,
Sem nunca nos rejeitar,
Sem uma palavra p´ra nos desgostar.
Sem nunca deixar de nos amar.
<>

São os nossos melhores amigos,
Os livros.
<>

Começo a pensar e logo os vou procurar,
Aqueles livros da escola primária,
-Foram a minha alegria e de toda a criança, -
Lá na escola Manoel Marques Gomes.
<>
Guardo-os, da primeira até à quarta,
Com amor e afeição,
São a grande recordação,
Dos professores que tive de então,
Que diariamente me davam a lição.

<>
Há…, professores meus,
Eu Vos louvo porque me souberam dar,
A lição p´ra vida
Que eu soube registar.
<>

Escola Manoel Marques Gomes,
Que alguém mandou arrasar,
Isto é de lamentar,
Ofenderem toda uma população,
Que ali recebeu educação.
<>


Nota: Estão por responsabilizar as personalidades que mandaram destruir aquela escola que, foi doada às crianças de Canidelo, quais os interesses que serviu e de quem se serviu desse interesse.



Fonte de S. João
<>
Ia buscar água com canado,
À fonte de S. João;
Não é por ser também João,
Que é tanto do agrado,
Minha mãe ter acompanhado.
<>
Fiquei sempre a amar,
Minha querida mãe,
E a tão dilecta fonte,
Fiquei sempre a recordar.
<>
O tal pequenino canado,
Ainda hoje o guardo,
Junto de meu coração.
<>
Era minha mãe que mo dava,
Para se ver acompanhada,
Do seu pequenino botão.
<>
Ia buscar água com canado,
À fonte de S. João.
<>
Joãodamestra

DOS CANTINHOS NO CENTRO DE ALMEARA
que ficam próximo do fontenário;
era um autêntico rosário,
o povo que dali ia,
buscar àgua, com cantaro ou bilha,
caneco, balde ou bacia,
canado, púcaro ou jarro,
para a comida e a sua vida.
Era os anos cinquenta,
e a vida uma tormenta.
Joãodamestra
 
 
 
As Alminhas de Alumiara
<>
 
São Anjos voando aos Céus,
São Anjos Cantando a Deus,
São Anjos Meu Deus, são Anjos;
Mas, faltam lá os Arcanjos.
<>
São Anjos, lá nas Alminhas,
Que eu vejo como minhas;
Nas Alminhas de Alumiara,
Onde criança sempre delongara.
<>
Estas Alminha são minhas,
Todos os dia as ia ver,
E também me comprometer,
A ser bonzinho c´oas amigas minhas.
<>
Ali ficava especado,
A contar todos os Anjos,
São Anjos, Meu Deus, são Anjos,
Rezava uma oração, parado.
<>
Rezava à avó, ao pai e à mãe,
E a todos os irmãos também,
Rezava a todos os Anjos;
São Anjos, Meu Deus, são Anjos.
<>
E lá ia no dia seguinte,
Pois que sempre andava por ali;
Enquanto o pai trabalhava,
Eu sempre ali me vi.
<>
São Anjos Voando aos Céus,
São Anjos cantando a Deus,
Nas Alminhas d´ assubida”,
Se pedia p´ra subir aos Céus.

*
João da mestra

Eu Canto a minha vida passada
<>
Centenário do nascimento do patriarca da família - 15 de agosto de 1910 - 2010
<>
Homenagem à Família que constituiu
Eu Canto a minha vida passada,
Eu Elevo minha mãe e meu pai,
A eles Canto e choro sem um ai,
Até à noite e desde a madrugada.
<>
Eu choro à lembrança da infância,
E Canto em Homenagem a meus irmãos,
Lhes devo a minha importância,
Que a deles, é a maior de todos os chãos.
<>
À mãe, pai e a todos os irmãos,
- Três, foi a conta que Deus fez -,
Eu choro com toda a honradez;
A trás nada volta outra vez.
<>
Eu Canto aos meus professores,
De piano, solfejo e violino,
Com quem nunca passei horrores;
Mas que sempre estivesse fino.
<>
Tocar piano com muito fervor,
Era ambição da irmã, para mim.
Entrego-lhe agora o louvor,
Embora não chegasse ao fim.
<>
Ao professor de violino,
O meu Canto é com gratidão,
Irmão mais velho tem sempre razão,
Muito ensinou o João;
<>
Comportamento, honestidade, hombridade,
Escolaridade e musicalidade.
É o irmão superior,
No saber, na vida, na idade.
<>
Eu choro por minha avó materna,
Foi minha mãe duas vezes,
Não conheci meus avós paternos,
Mas lhes Canto; À Família, às Raízes.
<>
Eu Canto a minha vida passada,
Eu choro a lembrança da infância,
Elevo meus avós, minha mãe e meu pai,
Deus meu, os guardai.
<>
João da mestra



A meu pai
<>
Poemas e coisas mais,
Meu pai sempre escreveu,
Pudesse eu lembrar que, iria recordar
Meu pai, ao publicar,
E ele, que orgulhoso ia ficar,
Agora que está no céu.
<>
Mas, que bem me recordo eu,
Desta quadra popular,
Que ele escreveu a brincar,
P´ra cliente não esquecer de pagar:
Joãoda mestra
<>

“Santo António que é ducado,
Diz-me, por ser amigo,
Se alguém te pedir fiado,
Manda-o… vir falar comigo.”
<>
Alexandre Monteiro
 
<>
 
NOSTALGIA

Chora criança, chora,
Que te faz bem o teu chorar,
Outra coisa tão boa na vida,
Não há, nem amar.

Está à mão de semear,
Por isso chora sem parar,
Ficarás deveras melhor,
Se sua Nostalgia aliviar.

Chora, copiosamente,
Pelos que amaste,
Não te inibas, chora,
Tua saúde melhora.

Chora, dilatadamente,
Pelos que gostaste.
Vergonha? De quê?
Então, não amaste?

Chora criança, chora,
Por tua mãe, por teu pai,
Por teus avós e, após,
Chora, criança, vai.

Chora pela tua meninice,
Pela tua adolescência, chora,
Chora quando te lembrares,
Do tempo da puberdade.

Chora criança, da juventude,
Que tiveste ou não tiveste,
Juventude, dura toda uma vida,
Chora toda a tua, também.

Criança, chegas-te a velho;
Se choraste enquanto criança,
Muito mais chorarás agora,
Até ires desta vida p´ra fora.

Perdeste avós, pai e mãe,
Já perdeste filhos também
E para quem ainda os tem,
Muito maior é o chorar.

Criança que chegaste a velho
E que velho ainda não és,
Perdes-te os netos também,
Só te dão pontapés.

Por isso criança chora,
Chora tu velho, também,
Velho volta a ser criança,
Ambos a Deus têm.

E Criança que é velho, chora,
Porque já ninguém o consola.

João da mestra


Afinal, quem errou na profissão?

Na minha terra havia,
hoje não sei,
não estou lá.
Mas, no país ainda há,
que, eu ainda estou cá:
Muito enfermeiro, dentista, médico ou professor,
sapateiro.
E sapateiro que sabia, ser: enfermeiro,
dentista, médico, professor e, sapateiro na profissão,
na perfeição, sem ser sapateiro.
Mas, havia doutor sapateiro , cirurgião
e muita profissão
de sapateiros.
E, muito advogado, juiz ou solicitador
que, não é doutor,
sapateiros.
E, sapateiros de profissão, que, o não são:
Sapateiro poeta, sapateiro escritor, sapateiro tenor,
sapateiro a trabalhar na perfeição,
mas, a aguentar com o nome daquilo que os outros são.
Afinal, quem errou na profissão?

Joãodamestra



OS FARÓIS DA BARRA DO DOURO

O farol da barra do Douro,
É amante da aldeia Canidelo;
De dia, não a larga de vista,
À noite, a piscar-lhe o olho,
Tem medo de perdê-lo.

Amor antigo, aquele,
Primeiro, só um, de granito,
Logo àquela aldeia fez o fito,
Vão séculos, de amor aflito.

Resistente, é pedra dura,
Pois, é pedra que perdura,
Construído à moda antiga,
Não deixa o mar o destruir,
Não cede à sua cantiga.

Amor de pedra, resistente,
Amor de pedra, para sempre,
Como os casais de outrora,
Que só se enamoram uma vez
E não a toda a hora.

Vieram novos faróis,
Vestidos de lindas cores,
Um de verde outro de vermelho,
Tentar construir amores,
Com a Vila de Canidelo.

Mais moderna agora, senhorita,
Vila vaidosa deixou-se ir na fita,
Ficou com três amantes à vista.
Todos lhe piscam o olho,
Nenhum se compromete com namoro.

São os faróis da Barra do Douro,
Três príncipes perfeitos, feitos
Cavalheiros, para menina séria e solteira,
A Vila de Santo André de Canidelo.

João da mestra

 
 
 
Convite a me acompanharem à Afurada;
*
Amigas;
Anita, Sílvia, Lea e Beatriz,
Muito prazer em as levar à Afurada,
Beleza de Vila muito petiz,
Vizinha da minha terra amada.
/
E mais aos Amigos,
Zédohermes, Alcindo, Jaime e Nelson
Salomon, JaKarée, Conquilha e Evaristo
E, mais, a todos quantos me comentam,
Vos convido alegremente para isto:
/
Na linda vizinha da minha terra amada,
Logo ao lado de São Paio,
Aí serei vosso lacaio,
Na nossa mui Nobre e linda Afurada;
/
Muita, muita sardinha assada,
Dourada e pescada estufada,
Carapaus e chicharros grelhados,
Solha e bacalhau assados,
/
Enguias e peixe de caldeirada,
Lulas e polvo em espetada,
Grelhado em carvão – peixe-espada,
Sável de escabeche, uma mesada.
/
Ensopado de peixe, um panelão,
Mais uma sopa de peixe e atum,
Creme de marisco, pois então,
Vos deixará cá c´um barrigão.
/
Com um bom vinho por companhia,
Do verde branco, para grelhados,
Tinto verde, para os assados,
Maduro Alentejano e Real Companhia.
/
Velha do Douro, (ai Jesus… o que faz o vinho)
(velha do Douro não é companhia)
Ressalvando: Real Companhia Velha,
Do Douro; Porto, Vintage, o fino - vinho.
/
Terminará com muita alegria,
Onde haverá também muito abraço,
Muitos vivais, entre os convivas,
E, beijinhos, entre os meninos e as meninas.
*
João da mestra



Aos Patrióticos pescadores
*** Heróis do Mar ***
*
I
*
Há! Portugal, onde te deixaram chegar,
Permitindo deixar acabar,
Com a tradição dos homens do mar,
Que passavam seus dias a navegar,
Sem nunca a casa chegar,
Sem nunca a faina terminar,
Sem nunca seus cestos deixar de carregar,
De peixe, pescado no rio e no mar,
Para ao Povo consolar.
/
Que, passavam seus dias a remar,
As noites, constantes a trabalhar,
P´ra de manhã no porto descarregar,
E os impostos ter de pagar,
P´ro governo de Salazar.
*
II
*
Há! Portugal, onde te deixaram chegar,
Estes políticos que só te souberam arrasar,
Que por inteiro deixaram chegar,
Esta ruinosa economia, a piorar
E eles que te só souberam minguar.
/
Ao povo deixam a fome, matar
Inocentes pescadores que deixaram de pescar,
Par´agora o peixe se importar,
Dos países da CE que, vem já a remelar,
Pelos prazos a ultrapassar.
/
Nas famílias a comida a minguar,
Sem terem onde trabalhar,
Sem terem onde ganhar,
O pão-nosso de cada dia, também a terminar.
Não sabem como se governar:
/
Não podem ir p´ro mar,
As cotas estão a esgotar,
Em terra não podem pescar,
Mas, em terra também não sabem ficar,
A vida deles é no mar.
*
III
*
Acordem governantes,
Isto é de lamentar,
Vocês estão a matar,
Todos estes HERÓIS DO MAR,
Este NOBRE POVO, vocês estão a sacrificar,
E a NAÇÃO VALENTE, a arrasar,
Que nos ensinaram ser IMORTAL, a despedaçar.
LEVANTAI – nos HOJE DE NOVO, p´ra melhorar
O EXPLENDOR desta Nação Secular;
DE PORTUGAL, que, neste estado não pode ficar.

João da mestra
 
 
Rusgas ao Senhor da Pedra
 
Senhor da Pedra de 1935
*
Olha ali, que menina bonita,
Tão elegante tão distinta;
É a formosa protegida, neta
Da portentosa matriarca, - a Mestra.
É a beleza de porta-bandeira,
Suporta-a no alto, altiva.
<>
Vamos para o Senhor da Pedra,
Ver se a pegada do boi medra;
Foi milagre de antigamente.
Hoje vai milhares de gente,
De Canidelo, é tradição;
Desta aldeia todos vão.
<>
E lá vai a ti Conceição,
No grosso da expedição,
A tocar nos seus ferrinhos,
Por todos aqueles caminhos.
Mil Novecentos e trinta e cinco;
Vão dos oito aos oitenta e cinco.
<>
A seu lado segue o ti Zé,
Todo o caminho a pé,
Ao pescoço pendurado o tambor,
Maçaneta a bater-lhe com fulgor,
Saca d´almoço noutra mão,
Só vai comer arroz de feijão.
<>
Vai ancião excitado,
Com seu cavaquinho afinado,
Tilinta as cordas maravilhado,
Segue seu fado desgarrado,
Toca as modas de então;
Dança Esmeralda e Julião.
<>
Vai o Victor com sua viola,
Abre caminho por ali fora,
A tocar a cantar e orquestrar,
Por entre matas e pinheirais,
Ao ombro sacola a desfraldar,
Almoço, arroz e nada mais.
<>
Cruzam-se no caminho outras rusgas,
Também desta aldeia Canidelo,
Nenhumas com som tão belo,
Nem os malaquecos nem Os Primavera;
Tocatas tão harmoniosas, pudera,
Como a nossa rusga dos Chalados,
Não existe em nenhuns destes lados,
Terras de Rei Ramiro e seus reinados.
<>
É a rusga do “Grupo Os Chalados”,
Mais de trinta divertidos foliões,
Concertinas, harmónicas, acordeões,
Violas, banjos, Violinos,
Tambor, reco-reco e ferrinhos,
Mais o Alexandre a cantar;
O tenor improvisou com sua voz,
Foi a honra de todos nós.
<>
João da mestra
 
 
RUSGA AO SENHOR DA PEDRA
CANIDELO 1937 (?)
/
Ficou gravado na memória,
Grande rusga, com Glória,
Saiu para festa de rebenta,
Lá pelos anos quarenta.
/
O Mário, no Cavaquinho,
No Violão, o Victor manquinho,
Na Braguesa, o Francisco Ribeiro,
De Almeara partiram primeiro,
Com passagem p´lo Paniceiro.
/
Juntou-se o José Teixeira,
A tocar o seu Violão,
Ao passarem junto do Amor
E, todos juntos foram então,
P´ro Senhor da Pedra grande, ao Senhor,
P´ra junto daquela Ribeira.
/
Lá, no cimo do Penedo:
O Mário, o Victor, o Ribeiro e o Teixeira,
Acompanhados pelo fadista e tenor,
Alexandre Monteiro,
/
Cuja voz causava dor,
Na Alma e no Coração,
De toda a gaiata solteira,
Cantaram ao Senhor da Pedra,
Que, hoje a tocata, Sagrada, era.
/
Rivalizavam os Ranchos e as Tunas,
As Marchas e as Rusgas,
Os Marchantes Cantadores,
Acompanhados com seus tambores,
/
Violinistas e guitarristas, tocadores;
Dos Grupos dos Chalados,
Dos Primavera e Malaquecos,
A tocarem as suas Rebecas.
/
Voltaram pelo pequeno mas Grande,
Romaria do Senhor da Pedra,
Era a voz das Raízes de antanho,
Nas mentes daquelas gentes,
Que pelas Chouselas eram indulgentes.
/
João da mestra
 
Ao Senhor da Pedra Pequeno
/
A cantar e a dançar,
Instrumentos a tocar,
Violão e violino,
Mais o banjo e o cavaquinho.
/
Cantadores à desgarrada, à vez,
Tocadores, todos de uma vez,
Romeiros sem parar,
A caminhar e a dançar.
/
Segurando na mão os ferrinhos,
Tocava feliz o rapaz,
Percorria todos os caminhos,
A marcar ritmo, era um Ás.
/
A marcar ritmo ao caminheiro,
Durante todo o caminho, inteiro,
O bombo a tocar pausadamente,
Para a rusga daquela gente.
/
Três pancadas mais quatro,
Em ritmo cadenciado,
Em pele de animal esticado,
Era o bombo violentado.
/
Batido com maçaneta,
Com toda a força faz: BUM, BUM, BUM,
Depois de compasso marcado, responde,
BUM, BUM, BUM, BUM.
/
Três pancadas mais quatro,
A ritmo marcado a compasso,
Para cá, alguns já vinham de quatro,
Pelo vinho e pelo bagaço,
/
Era o regresso p´ro pequenino,
Depois da festa no grande,
Era eu ainda um menino,
E durou até ser grande.
/
Ó meu rico Senhor da Pedra,
No próximo ano eu repito,
Vou ver a pegada do boi,
De regresso, no pequeno fico.
/
Ó meu rico Senhor da Pedra,
Eu também lá hei-de ir,
Mesmo até ser velhinho,
Nem que colo tenha que pedir.
/
Ó meu rico Senhor da Pedra,
Meu Senhor da Pedra pequenino,
Tu eras o mais pobrezinho,
Quando eu era um menino.
/
Não tinhas pegada do boi,
Nem capela sobre penedo,
Nem tinhas prateadas areias,
Mas muito agora me premeias.
/
Com muito boa recordação,
Hoje és o GRANDE no meu coração;
Ó meu PEQUENO rico Senhor da Pedra,
ÉS O GRANDE, DE TODA A ERA.
/
Em Canidelo de raiz,
Me recordo de petiz,
Das histórias que me contavam,
Meus Avós, décimos netos da Raiz.
/
É do cruzamento, das Raízes daqueles Pinheiros,
Mais das Raízes de Canidelo;
Das Raízes do Povo de antanho,
Com as Raízes daquele lugar, CHOUSELAS,
Que saiu a força e a vitalidade de CANIDELO.
/
João da mestra

 
FUI AO SENHOR DA PEDRA, A PÉ
/
Fui ao Senhor da Pedra, a pé,
Confirmar se ainda é,
O que era antigamente.
/
Vi enormes grupos de gente,
A dançar e a bailar,
Mas sempre a caminhar,
Conforme era primitivamente.
/
Vi ranchos de folclore a dançar,
Homens com acordeão a tocar,
Mulheres de pandeireta na mão,
Onde logo se juntou o João,
Com sua voz a cantar.
/
Vi rusgas com arco embandeirado,
Raparigas com o riso rasgado,
Descalças e de chinelos na mão,
Onde se foi juntar o João,
Com elas juntamente a dançar:
/
Oh… acordei estremunhado…
…era eu a recordar.
/
Fui ao Senhor da Pedra a pé,
Para ver se ainda lá está,
A capelinha de pé.
Com tanta destruição,
Nunca se sabe o que farão,
Homens sem contemplação.
/
Fui ao Senhor da Pedra, a pé,
Minha mãe também lá foi,
Avó, bisavó e mais até,
Ver a pegada do boi.
/
Eles me acompanham actualmente,
Em espírito sempre presente.
/
Minha mãe foi porta-bandeira,
Há mais de setenta anos,
Num grupo de jovens raparigas, animados,
Que, ficou a ser, o Clube dos “Chalados.”
/
Fui ao Senhor da Pedra, a pé,
Também já lá ia o meu pai.
Comigo, agora o neto vai.
Espero um dia com bisneto ir,
/
Aí, irei a pé e a pedir,
Que me levem ao colo…,
mas que hei-de ir, hei-de ir.
/
É tradição antiga de todas as famílias:
Pais, mães, irmãos, avós, filhas,
E Consortes de boas sortes,
Ir-mos a pé ao Senhor da Pedra,
/
Ver a pegada do boi,
Para depois contar como foi,
Aos netos e bisnetos vindouros.
Assim fizeram nossos tesouros,
Bisavós, trisavós e tetravós.
/
E hoje, lá, rezamos por vós.
/
Hoje fomos vinte e três,
Que, abalamos outra vez,
Ao Senhor da Pedra, a pé.
Nossa rusga a maior é;
Move-nos grande amor, extra vulgar,
De união familiar.
/
A meio caminho é a merenda,
Bolinhos, rissóis, panados e croquetes,
Boroa, presunto, pescada frita em filetes,
Abancar é no pinhal que não paga renda.
/
Vamos lá a continuar,
São duas horas a caminhar,
Por entre matas e pinhais…,
/
Oh! …Era eu a recordar…,
Isso era antigamente,
Que no momento presente,
Pinhais…? Os há poucos ou jamais.
/
Fui apanhar camarinhas,
Às dunas, à beira-mar,
Comia-as, tão pequeninas,
Sabiam a água salgada,
Da água do mar as lavar.
/
Como agora recordo,
De quando éramos criancinhas.
/
Vamos por estrada marginal ao mar,
Não por sombra de pinheiro,
Mas debaixo de sol e de braseiro.
Vamos a pé e a caminhar,
E nós ali com tanto mar,
Não poderíamos ir a navegar?
/
Antigamente, ia meu pai montado em cavalo,
O cavalo é que ia a pé,
Todo repostado ia o cavaleiro,
A meter vista às moçoilas, prazenteiro.
/
Ou então iam de burro,
Em animal que não era burro,
Pois, quando na inteligência lhe dava,
Caminhar se recusava,
E ao dono até o mandava,
Montar p´ra outra manada.
/
Também iam em carros de bois,
Com suas carroças engalanadas,
Carregavam os mais idosos,
E toda aquela criançada.
/
Também os bois lá iam,
Ver a dos seus irmãos, a pegada.
/
Agora, outros de bicicleta vão,
A toda a força a pedalar,
Assim, mais depressa vão,
Nós, a pé, vamos mais devagar.
/
Todos nos vamos juntar,
Lá no terreiro, no areal,
De fronte p´ra capelinha,
Mas que grande arraial.
/
Lá no alto daquela pedra,
Lá está a capelinha,
Tão bonita tão pequenina.
Lá, encerrado está,
Nosso Senhor da Pedra.
/
Por trás, a pegada do boi,
Cuja lenda, há muitos séculos foi.
*
João da Mestra
 
 
 
Digníssima Junta de Freguesia

Nossa Junta de Freguesia,
Dai-nos melhor companhia,
Para as noites de Verão:

Dai-nos alguma diversão,
Poderá ser festivais da canção,
Também música para dançar,
Nas marginais à beira-mar.

Dai-nos divertimento,
Levantai-nos o alento,
Para os jovens terem assento,
Ocuparem os tempos livres,
Não praticarem actos terríveis.

Dai-nos concursos para escolher,
O melhor vestido de chita,
Outro p´r a moça mais bonita;
Tudo será para entreter
E animar o Povo que labuta.

Dai-nos grupos musicais,
À noite, diariamente,
Organizem quermesses,
Como havia antigamente.

Saibam cativar os jovens,
Agradecem-lhes, os futuros Homens,
Saibam cativar as Gentes,
Agradecem-lhes, de Canidelo, as mentes,
Saibam cativar o turismo;
Agradece-lhes, o nosso Urbanismo.

Nossa Junta de Freguesia,
Dai-nos melhor companhia;
Nas noites de Verão, na marginal;
Assim, engrandecerá Portugal,
O Povo, muito agradecerá,
O turismo, deveras conquistará.

Para as noites de Verão,
Dai-nos melhor diversão;
Na praia de Lavadores,
Que dancem até ter suores.

Na Praia de Salgueiros,
Damas com cavalheiros.
Na Praia de Canide,
Haja tanta alegria, que ninguém mais duvide.

No campo do Cabedelo,
Junto à Reserva, junto ao rio,
Campeonatos de futebol o dia inteiro,
Que nenhum jovem tenha frio.

No Campo do Sport Club Canidelo,
Muitas actividades desportivas,
Todas as que tornem a/o jovem belo,
Futebol, ginástica e corridas.

Nas Escolas Inês de Castro,
Solicitem o Pavilhão,
Para Basquete, Andebol, actividades,
Campeonatos entre o Meiral e o Picão.

No Clube dos “Chalados,”
Onde todos têm muito juízo,
Ficava bem campeonatos de Karaté,
Entre o Paço, Chãos Vermelhos e o Viso,
Descalços, de Kimono, ao pontapé.

No Clube do “Amor”,
O nome já lá diz tudo,
Que lá o pratiquem muito,
Com decência e Hombridade,
Amor e amizade.

Jovens dos nove aos noventa,
Enfim, de toda a idade,
Em belíssimos chás dançantes,
Hilariantes, arrepiantes,
A recordarem com saudade,
Os belos tempos d´outrora,
Que cada qual viveu a toda a hora.

Que o valor desta Junta,
Fique em boa memória,
No Povo de Canidelo,
Na criança, no jovem e no “Velho”
E de todo o estrangeiro.

João da Mestra


 
O Romantismo em São Paio
*
O rio Douro é romântico,
O lugar de São Paio também,
Eu lhes dedico este Cântico,
Vamos todos dizer-lhes; amem.

É um dos mais românticos,
Lugares desta Freguesia,
Eu lhe dedico estes Cânticos,
Honremo-nos, aleluia, aleluia.

Louva a tua, A Minha Terra,
Por ter tamanho romantismo;
Ela é a mais romântica da Terra,
O mais romântico urbanismo.

Romantismo é, São Paio, -
Santo André de Canidelo,
Forte abraço lhe dá o rio,
Desde a Afurada ao Cabedelo.

Romantismo, tem aquela baía,
A Baía de São Paio,
Desde onde o rio se espraia,
Até ao areal da primeira praia.

Na romântica Baía de São Paio,
O romantismo se espraia,
Conforme se espraia o rio,
Amar…, é um corrupio.

O romantismo desce com o rio,
Vai até ao Cabelo,
Penetra naquela barra,
Vai pelas praias de Canidelo.

A romântica Ribeira de São Paio,
Vem desde parte alta e desce ao rio,
Enche de amor aquele caudal,
Que se espalha por Portugal.

Predomina o verde em São Paio
E o verde é tão romântico,
Conforme o é o azul, qual cântico,
Deste sublime Doiro rio torrencial,
Deste Grandioso Portugal.

João da mestra


As belíssimas paisagens que Canidelo tem;
*
A paisagem que, na marginal, Canidelo em São Paio tem,
está a apaixonar alguém,
que, diariamente, constantemente vem,
andar, correr, saltar, caminhar, num autentico vai-e-vem,
de gente que, vai e, que vem.

Pela sua grandiosidade e espectacularidade,
pela sua fantástica e enorme beleza, que é uma veracidade,
junto ao Rio e ao litoral,
o povo adora-a, não só o de Portugal.

A marginal é linda, é bela,
o Povo gosta imenso dela,
para aqui vem engrandece-la,
também, respirar este benéfico ar puro, este iodo,
esta salutar sadia saudável aragem;
Que não se lembrem de lhe aplicar portagem!
Que não se lembrem de mais uma vez tramar o Povo.

Caro, Canidelense,
este des-governo  não mais convence,
Caro Português,
não se deixe levar outra vez,
Caro concidadão;
não permita que na nossa querida Nação,
se vá pagar taxa de ar puro para respiração,
já bastam as taxas existentes para esta des-governação.

João da Mestra
 
 
 
Pescador que saías a Barra
*
Pescador da barca à vela,
Também andas-te sem ela,
Em caíque a remos remado,
Tão fragílimo, coitado.

Com a força dos teus braços,
Fartavas-te de dar abraços,
P´ro fazer movimentar,
À custa do teu suor.

Agora, de caíque a motor;
Acabou o remo, acabou a vela,
Acabou a vida romântica e bela,
Acabou a pesca, acabou o labor.

Pescador que saías a barra,
E não sabias quando voltavas,
Tua família não sabia onde andavas,
E tu, de saudades choravas.

Pescador da barca à vela,
És menos romântico sem ela,
Tiraram-te tudo até a faina,
E agora…, dói-te a alma(?)

João da Mestra


 
Sempre virado ao majestoso Douro
*
Sempre virado ao majestoso Douro,
Imponente, altivo, ilustre é o tesouro,
Que ali repousa, que ali jaz, que ali está,
Naquele lugar de São Paio, consiste:
*
Majestoso palácio, grandioso Monumento,
Que, outro igual em lugar algum há,
Que, em mais sítio algum existe,
Construção daquele beleza,
Hoje, nem realeza.
*
Este grandioso Monumento,
Muito parece um convento,
E muita razão tem o Povo,
Que lhe chame Convento das Freirinhas,
Destas grandiosas terras minhas.
*
Palácio com Glória,
É imensa a sua história,
Que no segredo dos deuses está.
Em quatrocentos anos de vida,
Muita narrativa haverá.
*
Foi Palácio de descanso de Cónegos,
Pertenceu ao Convento da Serra do Pilar,
E à vez, ao Cabido do Porto e Convento de Grijó.
Agora, acolhe criança, que, só,
Não tem mais onde estar por não ter lar;
Deus, ali lhes dá conforto e bem-estar.
*
Assim é há muitos anos, ali crianças morava,
Cinquenta e cinco me recordo eu,
Quando ainda criança, meu pai me mostrava,
Crianças que, conforme ele, seu pai de criança perdeu.

João da mestra


 
Sam Payo
*
Sam Payo, tanto, foste flagelado,
Tuas mãos e pés te terão decepado,
De teus pés e mãos foste separado,
E, depois do martírio, decapitado.

Foste O escolhido para O adorar,
Ou quiseste Tu a Deus seguir?
Sua Doutrina fizeste Evoluir,
Árabes e Moiros, Evangelizar.

Eras menino pequenino,
Um autentico Anjinho,
Por Muçulmanos atirado a um rio,
Recordar dá calafrio.

Hoje és adorado e festejado,
Em São Paio, Teu lugar,
O Povo quer comemorar
E, seu Padroeiro Glorificar.

*
26 de Junho, Dia do martírio e da morte de Sam Payo
causada por Muçulmanos que pretendia Evangelizar.

João da Mestra

 
 

localização de Canidelo

 

Ali,

logo logo onde o Douro alarga,

mesmo mesmo ao chegar à barra,

delimitando com Afurada,

após aquela vila piscatória,

nasce outra terra com História.

 

Desde onde o rio se espraia,

mesmo mesmo defronte à praia,

no bico do cabedelo,

nasce outra terra formosa;

freguesia de Canidelo,

que terra maravilhosa.

 

Toda aquela marginal,

do Douro sensacional,

margem esquerda afinal,

com todas as chãs a montante,

é desde todo o instante,

terra de Santo André.

 

Santo André,

escolhido para padroeiro,

de um bocado do mundo inteiro,

que vai do rio ao limite do Candal,

- qual saltinho de pardal -,

atravessado pela rua da Bélgica,

de Coimbrões ao Atlântico,

-tamanho este passo "gigântico" -,

da Madalena ao Cabedelo,

plantado à beira mar,

isto é Canidelo.

 

João da mestra

majosilveiro

 

 

Moira bela, encantada

 
Moira das Pedras Altas,
Beleza tanta tu exaltas.
O que fizeste por estas terras?
Ainda os homens desesperas.
/
Vieste da Mouraria,
Apanhar sol todo o dia,
Para este Cabedelo,
Há milénios, p´ra Canidelo.
/
Moira bela, encantada,
Aqui ficaste junto às pedras,
A divertir a criançada,
Que hoje se lembram como eras.
/
Naquele tempo de outrora,
Em que a única diversão,
Eras tu, escorregão,
Do Jaquim, do Manel e do João.
/
Moira, de longos cabelos oiro,
Teu coração é um tesoiro,
Que encerra a recordação,
Daquele viver de então.
/
João da Mestra

 

 

Às Aves do cabedelo
 
As aves do Cabedelo,
de Canidelo são,
quando naquela reserva,
vivem, comem, dormem e
lá, a descansar estão.
Muitas, dali p´ra fora vão,
para outro lugar, passear;
São as aves migratórias,
que para suas glórias,
atravessam desertos e oceanos,
mares e continentes profanos,
mas, que, sempre voltam e lá pousam,
de ano para ano,
há muitos milhões de anos.
 
 
João da Mestra
 
 
 
 
 
O AMOR ENTRE AS AVES

Na praia do Cabedelo,
O amor entre aves é livre e belo.
É a praia dos namorados,
Loucamente apaixonados.

É a praia do louco amor,
Tão juntinhos são ardor.
Pisco, com Gaivotas por companhia,
Mais as Garças, na noite fria.

Trás beijos o Guarda-Rios,
Tão rápidos em corrupios.
Andorinhas, trazem Primavera,
Velozes em rodopios.

Pilrito, à noite, à lua cheia,
Na praia, a Rola, no meio d´areia.
Corvo, no meio daquele penedo,
O Cartaxo lhe contou um segredo.

Pato colorido, pato lindo,
Ao som das ondas de mar calmo,
Minha mão te percorreu a palmo,
Naquela tarde de domingo.

Na noite de sábado, até às tantas,
Maçarico, Fuinha e Tarambola,
Borrelho, Laverca, Guincho e Garajau,
Agarrados, dançaram Sambas.

Com a Lavandisca e o Ostraceiro,
Bailaram à luz do Candeeiro.
Na praia do Cabedelo,
O amor entre aves é livre e belo.

É a praia dos namorados,
Loucamente apaixonados.
É a praia do louco amor,
Tão juntinhos são ardor.
 
 
João da Mestra

 

 
A Garça do Cabedelo de Canidelo

A Garça do Cabedelo era lindeza,
Tornou ainda mais bela aquela beleza.
Juntou-se-lhe depois outra lindeza Garça,
Àquela primeira e, duas Garças “enGarçaram”.

Entretanto, um grupo de Garças passava,
Resolveu parar e àquele lugar beleza dar.
Daquele sítio o seu habitat fizeram,
Nasceu uma colónia em Cabedelo.

Um grupo de Garças brancas reuniu,
Foi o primeiro milagre em Canidelo.
Deus e Jesus andaram p´lo Cabedelo.
Deliberaram criar a sua reserva em Canidelo,

Escolheram para seu rei, - a Garça-real.
Gostaram tanto daquele maravilhoso local,
Definitivamente, ficaram em Portugal.
De vez, ficaram no Cabedelo,
De vez, ficaram em Canidelo.
Fizeram o seu Reino em Gaia,
Que este Reino da Garça não caia.

Os convidados, eufóricos, bateram palmas,
Tanto, que a Garça, ficou sem graça,
Foram convidadas todas as almas,
Pelo seu Rei , à festa da Garça-branca.

A Real Família lá esteve presente;
Reunida, foi toda, Real – Garça - gente.

Voaram convidados de todas as direcções,
Sucederam-se as manifestações,
De regozijo pela criação da Reserva Natural.
Sucederam - se os cumprimentos,
De todos os presentes,
Aos Senhores Presidentes,
De todas as instituições,
Mais da Câmara Municipal.

A Garça Real manifestou; ViVA Portugal;
Viva a Reserva Natural,
Do Cabedelo - Canidelo, terra Natal,
De toda tanta quanta ave “ornitological”.
E não o que lhe querem chamar “parque local”.

João da Mestra

 

O caçador furtivo e o trauma causado

De arma de canos, na mão,
O caçador apareceu,
A garça pensou e tremeu:
- Com dois “cartuxos” vou apanhar,
Vou aqui e agora deixar de voar.

 
P´rá realidade lhe custou acordar,
Segunda vez tremeu e vibrou,
De todas as orações se lembrou
Rezar; Protegei-me Deus Salvador,
Será desta que eu vou?
Meu Deus, Nosso Senhor.

 
Ficou a aguardar,
- O tiro custou a sair, -
Será que a arma encravou?

Mas, logo decide ir,
Caminhando devagar,
Como que a disfarçar,
P´ró caçador não se irritar.

 
Meu Deus, ajudai-me, suplico,
Com duas “cartuxadas” como eu fico?
Oxalá o caçador veja mal,
Que tenha cataratas, bilateral.

 
Foi andando muito devagar,
Mas pelo disparo sempre à´guardar.
No seu refúgio se resguardou,
E, de frente, quando olhou,
Muito surpresa ficou.

 
Suspirou...
Há…, é só p´ra fotografia,
Mas que grande alegria,
Garças! Graças…! a Garça protegeste,
Minha Nossa Senhora da Vigia.


Que trauma…! com que eu fiquei,
Àqueles furtivos caçadores;
Vinham desde sei lá d´onde,
Desciam por Lavadores,
E para aqui vinham disparar,
Quando nos deviam era proteger,
Quando nos deviam era amar.

João da Mestra

 

Crítica construtiva

*É minha pretensão,
que esta, seja de opinião
e não uma crítica destrutiva.
É uma crítica construtiva,
no sentido de que sirva,
para não mais se cometerem
actos semelhantes,
p´ra não mais comprometerem,

os Gaienses e Canidelenses.

João da Mestra

 

Ao meu bico do Cabedelo dos 6 anos
O bico do cabedelo está trigueiro,
Do sol de todo o ano inteiro.
Por vezes está a purpúrear,
De tanto por - do - sol apanhar.

Por vezes fica amarelo,
Vergonhoso, a desmaiar;
Assiste aos apaixonados,
Que para ali vão namorar.

Que cor bonita, alaranjado,
Que belo que ele é, mascarado;
O bico está enamorado,
Dos namorados ali parados.
 
A pedra do cão ficou negra,
De tanto miúdo escorregar.
Agora, está coberta de areia,
Não se deixa mais mostrar.
 
João da Mestra
 
 
GRANDE MACHADADA

Grande machadada do centro de decisão
na cabeça do Povo; - grande desilusão:

Cortaram-nos o Pulmão,
Cortaram-nos a oxigenação,
Cortaram-nos o coração,
Grande machadada do centro de decisão.

Na aldeia a vida era calma,
Até que nos cortaram a alma.
Grande machadada do centro de decisão,
Para esta machadada qual a razão?

Cortaram-nos o Pulmão,
Cortaram-nos a oxigenação,
O Povo ficou sem orientação.

Povo desorientado é Povo exaltado,
Povo exaltado fica revoltado.

Cortaram-nos a clorofila,
Cortaram-nos a avó, a mãe e a filha,
Cortaram a florestação,
Cortaram o Pulmão,
Grande machadada do centro de decisão.

Cortaram-nos o ar puro,
Cortaram-nos o Pulmão,
Sem alguma razão, eu apuro,
Grande machadada do Poder de decisão,

O Povo sufoca,
O Povo já não respira,
O Povo agora vive com ira.

O Povo chora,
O Povo se lamenta,
O Povo vive numa tormenta.

Eu me interpus,
Para Vos suplicar,
VOLTAI A PLANTAR,
DAI ÁRVORES AO LUGAR.

Entenda Senhor Presidente,
Canidelo ficou carente,
O Povo está doente,
Precisa daquele ar puro,
Necessita daquela oxigenação:
Que aliviará seu coração.

Isto é um protesto veemente,
Da cabeça não sou doente,
E portanto não sou demente.
Nem é conversa de contrabandista,
E, “olhe” Senhor Presidente,
Que eu nem sou Socialista nem Comunista,
Nem de qualquer Partido pretendente.

João da mestra
 
 
majosilveiro
 
http://canidelogaiaminhaterraquerida.blogspot.com/

de majosilveiro

pseudónimo: João da Mestra.

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