LAMENTOS DE UM VELHO

 
 
Como vivem nas aldeias sem agricultura, sem indústrias, sem comércio, sem condições? Lamentos de um velho tenta traduzir a vida desesperada dos idosos e da juventude sem esperança de vida.
 
 

         LAMENTOS DE UM VELHO

 

 

Este é o lamento de Povos pobres e desgraçados,

que vivem sós e abandonados,

por essas imensas serras, isolados,

Serranos, Minhotos ou Alentejanos,

Durienses, Beirenses ou Ribatejanos,

onde primeiro lhes emurcheceram as terras para lavrar,

depois o milho para semear,

o trigo para disseminar,

o centeio para lançar,

as hortas para cultivar,

as vacas para mugir e o leite a ressequir,

outras para parir

e não haver carne a produzir,

seus rebanhos sem carneiros por atitudes de carneiros,

por cabras sem parir,

porque cabrões não servem para as cobrir,

o vinho para vindimar,

o bagaço para destilar,

o azeite para filtrar

e, assim tudo a fugir,

devido  ÀS COTAS DA EUROPA lhes aplicar

tamanhas desgraças vieram a surgir

e deste país emigraram

e vão continuar a abalar,

porque ninguém Portugal quer salvar.

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Estou cadáver, p´raqui sentado,

No peitoril da janela apoiado,

À espreita que chegue a puta da morte,

Dizem que vem silenciosa e de Norte.

 

Já ouço umas vozes, “vozezinhas”,

Sussurram muito baixinho,

São as putas das “ordinarinhas”,

Das almas do inferno e das vizinhas.

 

Vêm felizes, a cantar,

Suspensas no ar, a dançar,

Qual entrudo, esfarrapadas,

Aquelas pecadoras desgraçadas.

 

São almas do inferno que me chamam,

Têm inveja do meu viver,

Nunca com saber se governaram,

Vêm da missa, de rezar p´ra eu desaparecer.

 

Estou velho, triste, abandonado,

Sem comida, agasalho, desgraçado,

Sem socorro do sistema social;

Tal é este o meu sentido pesar,

Por este calamitoso Portugal,

Que filhos da puta souberam roubar.

 

 

João da mestra, 17 de Janeiro de 2013

Sem título

 

 

 

 

 

 

 

 

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