DE QUEM SE APRESENTA


RAMALHETE DE VAGALUMES


Comecei a escrever e a publicar muito cedo, e isso foi bom e ruim ao mesmo tempo. Com oito anos já tinha contos nos suplementos infantis do Diário de Pernambuco. Aos dezessete, um prêmio estadual de Maratona literária escolar me levou à Academia Brasileira de Letras para disputar um certame nacional. Aos dezenove, cartazes com um poema meu circulavam nos ônibus do Recife em programa da União Brasileira de Escritores. E assinava um texto de capa de um disco de Luiz Gonzaga. E tinha um pequeno romance publicado. E era só um menino, entrando na universidade; um anacrônico estudante de Geologia por admirar o pai.

A minha Literatura amadureceu depois, junto com a solidão, o sofrimento e uma multiplicidade de experiências de vida: Auxiliar de perfuração de poços, professor de inglês, vendedor de areia, de pedras preciosas, garimpeiro, agricultor, comerciante, jornalista freelancer, coordenador de projetos para o combate à pobreza rural, funcionário publico federal concursado.

A Literatura também me deu grandes amigos e a honra de alguns leitores. A Agricultura me trouxe de volta a fé em Deus. A Geologia, um holerite no fim do mês.

Fui um devorador de livros. A caneta sempre foi minha ferramenta favorita. Uma lança. Mastro da bandeira de guerra e de paz. Seriam meus textos cartas para o futuro? Em tudo o que fiz, usei as tintas da fugacidade da vida. E como não coube a este cigano sem caravana ter filhos, meus livros são o pequeno legado que deixo aos homens. Um breve ramalhete de vagalumes.