In Denial

Trechos do livro “In Denial – Historians, Communism & Espionage” de John Earl Haynes e Harvey Klehr

MacCarthismo: “Uma palavra pesada, mas muito útil”

Revisionistas (N. do Tradutor: “revisionistas” são chamados aqueles historiadores que tendem a amenizar os crimes do comunismo internacional ao mesmo tempo que forçam uma criminalização de todos os aspectos da política capitalista-democrática) tem feito mais do desacreditar ou ignorar as novas informações (N.T: dos arquivos de Moscou); quando tudo mais falha, eles atacam em desacreditar os portadores das informações. O primeiro ato deste ataque tem sido distorcer o que os historiadores tradiconalistas revelam sobre o papel da espionagem dentro da vida do comunismo americano. O secundo é de acusá-los de “McCarthismo”.

Historiadores radicais não são os únicos que misturam anti-comunismo e McCarthismo. Mesmo um divulgador do ideário do Politicamente Correto como o “New York Times” já utilizou este expediente. Em 1998 o repórter Ethan Bronner fez um levantamento sobre os debates entre os intelectuais americanos ocasionados pela liberação de novo material dos arquivos de Moscou, enfatizando o conflito entre aqueles que viam a prova extensiva da espionagem soviética em solo americano e aqueles, como Ellen Schrecker, que argumentavam que “qualquer que seja o dano impetrado ao país pela espeionagem patrocinada por Moscou, isto é irrelevante frente à “onda de terror” iniciada por McCarthy”. Os editores do “Times” em seguida assinalaram sua concordância com Schrecker. Em 23 de outubro de 98, o editorial principal do “Times” denunciava o “ McCarthismo Revisionista”. O editorial acusava, “armados com audácia e novas informações de arquivos, um determinado grupo de historiadores americanos gostaria de re-escrever o veredito histórico a respeito do Senador McCarthy e do McCarthismo”. O “Times” se queixou que as novas informações da Russia e de arquivos americanos eram “opacas e ambíguas”, embora admitisse que em poucos mas proeminentes casos a evidência era clara, mencionando Julius Rosenberg e “provavelmente” Alger Hiss. Nenhum dos casos, o editores ressaltavam, era impeditivo para promover o consenso de que o MCCarthismo - muito mais do que qualquer espionagem soviética ou infiltração comunista em Washington - “era uma ameaça letal à Democracia Americana”.

Dizer que haviam significantes casos de espionagem soviética nos EUA após a segunda guerra não é justificar McCarthy. As mensagens decodificadas do projeto Venona, por exemplo, documentam o papel central do PCUSA na onda de espionagem massiva da União Soviética contra os EUA, mas não oferece suporte às selvagens e irresponsáveis acusações de McCarthy contra as administrações de Truman e Roosevelt. Muitos americanos que espionavam para a União Soviética eram membros do PCUSA.

A Guerra Fria Acabou”

Um sinal de que a posição dos revisionistas têm enfraquecido pelas novas informações dos arquivos de Moscou é o a total “indiferença” que parte daqueles preocupados de que a visão consensual dos revisionistas (“comunistas eram democratas radicais”) irá desmoronar ante o peso de novas revelações. O New York Times Sunday Magazine raramente publica artigos de qualquer extensão sobre debates intelectuais, mas em novembro de 1999 devotou uma página inteira de capa (com oito fotos coloridas, duas delas de página inteira) a este debate histórico. O ensaio, entitulado “Guerra Fria Sem Fim” tinha uma variedade de temas, mas o que sobressaía era a reclamação de que o objeto do debate sobre o comunismo doméstico era “passado” e que este tipo de debate só interessava a Judeus preocupados com seu grau de “aceitação e assimilação” dentro do estilo de vida americano e alguns outros com “sentimentos não-resolvidos de traição pessoal” assim como “confitos Edipianos de comunistas juvenis” todos esses que fracassaram em “processar as informações de a ´Guerra´ havia acabado”. Se a questão era de tão pouco interesse, então, a pergunta que deve ser feita era por quê o Sunday Magazine devotou tanta atenção a ela?

Uma coisa é um jornal destilar seu tédio sobre o tema “Guerra Fria” porque ela “acabou”. Outra coisa totalmente diferente é historiadores demontrar tédio com o passado. Em resposta a uma afirmação de que os escritos históricos sobre o Comunismo Americano e sobre o anti-comunismo iriam continuar ainda “por muitos anos”, a historiadora Ellen Schrecker reclamou de que este tipo de estudo “cheira à antiquário político” e já “perdeu o gás” e ela pergunta, “será que a Guerra Fria doméstica nunca irá acabar?”. Falando à historiadores da American Historical Association ela urge que tais temas sejam desconsiderados, dizendo: “nós devemos reconhecer que estas questões sobre comunismo e espionagem soviética tem se tornado um exercício de reviver antiguidades. Afinal a Guerra Fria acabou”. Ela não está sozinha.

É besteira chamar historiadores a “seguir em frente” porque virtualmente o objeto do estudo dos historiadores tenha “acabado”. Roma caiu há muitos séculos, mas o estudo histórico do Império Romano ainda está vivo e forte. A Guerra Civil Inglesa, a Guerra Civil Americana, a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto também já “acabaram”, mas ninguém orienta aos historiadores destes assuntos a “seguir em frente”. Isto seria ridículo. O que estes revisionistas querem é que as pesquisas sobre estes eventos acabem de modo que eles possam terminar o “jogo” com o placar a seu favor. I

sto é manter a versão de que o PC dos EUA eram independentes de Moscou e lutavam democraticamente pelos direitos civis e cidadania de uma forma radical de democracia e que nunca participaram de atividades de espionagem – fruto de invenções da direita McCathysta.







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