Quanto vale um ser humano?

Ler Salmos 144:3

Há pouco tempo, numa penitenciaria perto da cidade em que moro, enquanto falava a um grupo de homens, tentei algo diferente. Conhecendo o problema deles com a auto estima, tanto pelo tratamento recebido em casa como na prisão, comecei o sermão daquele dia com algo um pouco radical: Com uma nota de um dólar na mão perguntei aos homens: “Quem de vocês quer esta nota?” Sabendo que não lhes podia dar o dinheiro, todos sorrindo, levantaram a mão. Que pergunta! Claro que todos queriam. “Porém, antes de dar-lhes o dinheiro,” continuei, “quero fazer isto”: em seguida peguei o dólar e com ele fiz uma bolinha de papel. “Agora, quantos de vocês ainda quer este dólar enrugado e maltratado?” Novamente sorrindo e sem saber que lhes esperava, todos os homens levantaram as mãos. “Há outra coisa que gostaria de fazer antes de dar-lhes o dinheiro”, lhes disse enquanto esperavam ansiosamente. Pus a nota no chão e pisei nela varias vezes. Peguei o dólar do chão e outra vez lhes perguntei: “Os que ainda querem esta nota enrugada, suja, levantem a mão”. Pacientemente aqueles irmãos levantaram suas mãos.

Aqueles homens sabiam que não importava o que eu fizesse com a nota, continuaria sendo um dólar. Tudo o que fiz não diminuiu nem um centavo de seu valor. Da mesma forma, o mundo parece que tem como propósito maltratar-nos, pisar-nos e humilhar-nos, destruindo-nos a dignidade. Isso nos faz pensar se temos ou não algum valor. No  caso dos presos que me escutavam, isso tinha muito mais sentido porque com frequência lhes inquietam coisas como estas: Sou digno da salvação de Cristo? Minha vida vale a pena ser vivida? E não é para menos, pois ao ser presos tanto seus familiares como seus amigos raramente lhes visitam; seus nomes foram substituídos por um numero comprido e sem significado, se vestem com um uniforme branco e até o corte de cabelos é igual aos demais.

Alem dos presos, quantas mulheres espancadas ou abusadas crêem que valem algo? Ou quantos alcoólicos, cuja adição não a podem controlar, crêem que sua vida não tem valor? Quantos homens desempregados que vagam pelas ruas da cidade crêem no que seus pais lhes disseram que não teriam futuro? A falta de auto estima está em toda parte.

Até o Salmista pergunta perplexo: “Oh Senhor, quem é o homem, para que nele penses, ou o filho do homem, para que lhe estimes?” (Salmos 144:3)

O valor de um ser humano
Conforme dizem os entendidos, o valor intrínseco de um ser humano é mais ou menos uns $100 dólares. Entre ossos, carne e pele, valemos muito menos que um cão de raça, pois é mais ou menos esse o preço de um cachorrinho. Porém isso não é tudo, porque o valor real de um ser humano é que foi feito “a imagem de Deus”. (Gênesis 9:6) Não, o ser humano não é somente um amontoado de protoplasma. Há algo que lhe torna superior a toda a criação: sua semelhança ao Criador. Somos semelhantes em muitos aspectos a nosso Pai Celestial porque sentimos tristeza, alegria, amor, ódio, ternura, ira, etc. Alem disso, temos poder para criar, outra coisa que nos difere dos animais. Também, fomos postos na terra para dominar sobre os demais seres viventes. (Gen. 9:6)

Moisés escreveu Gênesis enquanto o povo israelita errava pelo deserto. Durante os séculos de escravidão egípcia, os israelitas tinham trabalhado como maquinas e eram tratados como animais. Ao sair do Egito se sentiam esgotados e com sua dignidade totalmente destruída. O autor de Gênesis tenta, com suas palavras, animar aquele povo que foi escravizado durante séculos no Egito, que pareciam com o Criador.

Os israelitas precisavam estimulo e forças para continuar no caminho do lugar que Deus tinha-lhes preparado. A maior motivação que Moisés poderia ter dado a seu povo era persuadir-lhes a crer que eram semelhantes a Deus.

O amor de Deus ao ser humano
Em toda a historia da humanidade Deus proveu e tem protegido o ser humano. Apesar do ser humano muitas vezes ter-lhe rejeitado, o Senhor jamais desistiu de buscar-lhe nomeando patriarcas que eram seus fieis representantes na terra. Depois enviou profetas que lhes pregaram a verdade, implorando a que se arrependessem. Com tudo isso a humanidade continuava separada de Deus com a exceção de parte de uma nação israelita. Depois de muito tempo Deus enviou seu único Filho, Jesus. Lamentavelmente, nem no Filho creram, crucificando-o. Porem, antes de morrer, Jesus escolheu e preparou doze homens para que depois de sua volta ao Pai continuassem sua obra. Aqueles homens sacrificaram suas próprias vidas pela missão de Cristo. Por detrás de tudo aquilo vemos o grande amor de Deus persistente, que não desiste de sua busca do ser humano. Assim disse Paulo: “nem as alturas, nem as profundidades, nem nenhuma outra coisa criada nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor”. (Romanos 8:39). O único que pode separar o homem de Deus é o próprio homem. 

A busca continua
Há mais de cinco mil missionários das igrejas de Cristo que deixam seu país para fazer a obra de Cristo em terras estranhas. Porque saem de seus países e se submetem a climas e a alimentação diferentes? Porque se separam de seus familiares, de seus amigos e de sua cultura? Porque deixam lugares que lhes são familiares em troca de uma selva povoada por animais e índios não civilizados? A resposta não é fácil, porém sabemos que vão pelo seguinte: Para apresentar uma mensagem de esperança, para pregar a Cristo, para levar homens e mulheres à salvação. Também, o obreiro de Deus se sacrifica por fazer tudo o que pode porque essa é a vontade e o chamamento de Deus. Tudo isto prova ao ser humano de seu valor a Deus.

Em 1956, um grupo de quatro missionários americanos liderado por Jim Elliott soube que havia no Equador os Aúcas. Esta era uma tribo indígena que vivia na selva Equatoriana e que nunca tinha tido contacto com pessoas fora de sua tribo.  Movidos pelo amor de Cristo e o amor aos indígenas, aqueles homens decidiram arriscar a vida para aproximar-se a aqueles índios. Porque? Com um único propósito: o de ensinar-lhes o amor de Cristo e levar-lhes a salvação. Durante muito tempo os missionários deixavam presentes aos índios como facões, panelas, espelhos, roupas, etc. Depois de algum tempo, decidiram que era hora de fazer contacto pessoal com aquela gente tão desconhecida. Com fé em Deus e muita coragem os missionários foram penetraram  a selva sul americana sem saber o que lhes esperava. Ao estar bem no coração da selva, donde não podiam escapar, chegaram os índios, que até aquele momento estavam escondidos, e os mataram a flechadas e em seguida jogaram seus corpos no rio. Parecia o fim de uma missão, de um sonho que mal tinha começado.

Elizabeth, a esposa de Jim Eliott, o líder daquele grupinho de missionários agora defuntos, não se deu por vencida. Depois da morte de seu marido, fortalecida por muita oração e do sonho de converter os Aúcas a Cristo, aproximou-se novamente a aquela tribo. Como se não fosse suficiente a morte dos quatro homens, seu amor por aqueles seres humanos era tão grande que ela e outras mulheres entraram pela selva dentro e com muito tacto fizeram com que os indígenas confiassem neles, e em conclusão, chegaram a converter ao Senhor toda a tribo dos Aúcas.

Estamos na missão errada
Um amigo gostava de contar uma parábola sobre uma águia órfã. Certa vez um agricultor caminhava por suas terras quando encontrou a águiazinha. Como não viu sua mãe, levou-a a sua casa colocou-a no galinheiro. Ali se criou aquela ave, com as ganinhas, comendo milho e raspando o solo. Um dia passou pelo rancho um homem sábio e lhe chamou a atenção a águia no galinheiro. O agricultor contou ao visitante a historia da águia e acrescentou: “Essa águia crê que é uma galinha porque foi criada com as galinhas”. O sábio não pode acreditar no que disse o agricultor e retrucou: “Essa águia pode voar porque tem tudo o que necessita para voar”. Depois disso tomou a ave em suas mãos e lançou-a para cima. Não demorou para que caísse na relva. Novamente, a toma nas mãos e o mesmo se repete. Logo, a terceira vez, muito contra a vontade do agricultor, o visitante pega a águia e a lança ao ar, dessa vez bem alto. Daí a águia abriu suas asas e saiu voando. Tanto o sábio como o agricultor aplaudiram de alegria.

A lição dessa parábola é esta: as crises da vida nos derruba, nos aperta e nos muda. Chegam até fazer-nos crer que somos como águias em galinheiros. Temos tudo o necessário para voar, porém, continuamos raspando o solo, vivendo como as galinhas.

A Escritura diz assim: “.. mas os que esperam no Senhor terão novas forças; levantarão asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão”. (Isaías 40:31)

A importância de uma águia
Não há outra ave que possa voar mais alto que uma águia. Tampouco existe ave mais poderosa. Seus olhos podem ver sua presa de muito alto e  com um mergulho atinge seu alvo em poucos minutos. Muitos países tem a águia como seu mascote. México, em sua bandeira há uma águia com sua presa, uma serpente. Nos Estados Unidos, cujo pássaro nacional é a águia, se encontram na moeda nacional, o dólar, e é também o emblema dos correios americanos. Também muitos times de futebol americano, tanto a nível escolar como profissionais tem a águia como emblema. Seria o equivalente no Brasil ao Cruzeiro do Sul, onde quase todo brasão brasileiro o contém. Em Portugal seria equivalente aos escudetes do seu brasão de armas.

A perola de grande preço
Jesus Cristo narra uma parábola muito interessante registrada em Mateus (13:45-46). Talvez a parábola mais curta de nosso Senhor, porém com um significado muito profundo. Um homem que negociava com perolas e  conhecia-as a fundo, encontra a perola mais linda e a mais perfeita que havia visto em sua vida. (É importante mencionar que o homem da historia não era turista mas um entendido no negocio de perolas). Ao encontrar a perola perfeita foi e vendeu tudo o que tinha para adquirir aquela jóia. Posso imaginar que aquele homem se obcecou tanto com a perola que vendeu seu carro, sua casa e tudo que possuía para poder comprar a perola.

De certa forma na parábola de Jesus Cristo, nós somos a perola e ele o  negociante. O Senhor entrega tudo, até sua vida por nós. Da mesma maneira que aquele homem que conhecia perolas se obcecou com a perola de grande preço, não houve o que Jesus Cristo não fizesse pelo amor a todos nós.

Conclusão:
Quanto vale um ser humano?
1.    Superior a um dólar
2.    Mais importante que uma águia
3.    Mais caro que uma perola de grande valor

O ser humano vale a morte de nosso Senhor Jesus Cristo
 
(Para voltar ao site "Sermões e Seminarios" favor cliquear aqui: www.luisseckler.blogspot.com