Património

Não se pode dizer que a Lousa seja farta em monumentos, no entanto existem alguns que são belíssimos e de grande interesse histórico e cultural.

Em tempos, abundavam as edificações arcaicas, espalhadas pelas suas ruas anguladas de sabor quinhentista, bem como janelas, portados e balcões medievais em abundância. Hoje apenas restam alguns exemplares que é necessário preservar a todo o custo.

Como monumentos dignos de realce destacam-se a igreja paroquial, o cruzeiro com imagem lapidar de Jesus Crucificado, um solar e casas solarengas onde viveu aristocracia de velha cepa, fontes de mergulho quinhentistas e capelas de veneranda arquitectura, como aquela que é destinada a Santo António, de alpendre renascentista muito original.

Nas imediações da povoação, são já diversas as estações romanas detectadas e uma grande quantidade de monumentos funerários.

Visitemo-los:

                                                       Igreja Matriz da Lousa                                                              

A Igreja Matriz de Lousa, dedicada a Nossa Senhora dos Altos Céus, classicamente orientada para nascente, implantada em espaçoso adro, é um edifício de construção sólida constituído por uma só nave separada da capela-mor por arco de volta perfeita, por uma sacristia do lado Norte, por sacristia nova, cartório e sala do lado Sul e pela torre sineira contígua com a frontaria.

A frontaria bela e elegante prepara o crente para o interior. Ao centro da fachada o portal de

grandes dimensões e condizente janelão.

A ligação e decoração destes dois elementos arquitectónicos é feita por notável trabalho em cantaria granítica talhada ao estilo barroco com ramagens e voluptas que emolduram a frase "HAEC EST DOMUS DEI ET PORTA CELI" (Esta é a casa de Deus e a porta do Céu).

Ladeiam o janelão dois nichos sem qualquer imagem.

O interior do templo, equilibrado nas suas dimensões e luminosidade, é rasgado nas suas paredes laterais por seis janelas, duas na capela-mor (a do lado esquerdo sacrificada com a edificação da sacristia), e quatro simetricamente implantadas no corpo da igreja. O acesso ao templo faz-se por amplo pórtico na frontaria ou pela porta do lado Sul, chamada "porta pequena".

No Corpo da Igreja destacam-se os seus quatro altares: o de São Miguel e o do Sagrado Coração de Jesus do lado esquerdo

e os do Calvário e de Nossa Senhora do Rosário do lado direito. 

O púlpito de madeira talhada é suportado por modilhão em granito.

O Baptistério de abobada de cantaria foi edificado rompendo-se a parede do lado Sul por arco em cantaria.

A Fonte Baptismal é de duas peças de cantaria granítica; a peça da copa é decorada em gomos de feitio canelado.

Encontra-se ainda no corpo da igreja o coro alto suportado por duas elegantes colunas.

A capela-mor é marcada pela imagem da padroeira de madeira policroma ao centro do retábulo em nicho de grandes dimensões.

O retábulo em madeira de castanho é decorado com marmoreados em diversos tons e com algum entalhamento dourado ao gosto do Barroco tardio.

Ladeiam a imagem da padroeira sobre mísolas a imagem de São José, à esquerda, e a imagem de um santo bispo e monástico.

O altar posterior em fino granito está decorado na base que o suporta com motivos eucarísticos, trabalho do canteiro José Pinto.

A abóbada de berço pleno é de madeira pintada: ao centro medalhão com a adoração do Santíssimo Sacramento rodeado de outros de menor dimensão com os evangelistas.

A sacristia do alçado Norte possui no interior um belo arcaz do século XVIII e ainda o fontanário de duas bicas. Digno de registo é o trabalho de marcenaria empregue na porta que dá acesso à capela-mor.

A torre sineira, de edificação seguramente posterior à igreja, tem num dos seus cunhais gravada a data de 1845 que nos parece bastante realista como data da sua construção.

(Padre Castanheira - Julho de 2000) 

                                                     Cruzeiro do Adro da Igreja                                                         

                       


                                                     Capela de Santo António                                                           

Esta capela está situada dentro da povoação. É constituída por um edifício, orientado para nascente, de uma única nave,     separada do presbitério por um arco.

A porta principal está resguardada por um alpendre renascentista, onde se destaca graciosa coluna medieval que gemina o espaço da abertura fronteiro à porta principal. Julga-se que esta capela possa ter sido matriz da freguesia e tem no alpendre a data de 1625, que se presume, seja a data de uma reconstrução.

Em 1921, a Junta de Freguesia, fechando um dos arcos do alpendre, aproveitando uma parede da sacristia e elevando um muro de suporte de terras, dum chão de oliveiras, fizeram uma sala com ligação à sacristia que serviu de Escola Primária até finais dos anos 50.

Na década de 1970 foi intervencionada com grandes obras, com a colaboração da Junta e o contributo de toda a freguesia. Restauro condigno, em que foi acautelado o belo e valioso alpendre seiscentista, em granito, e onde no

                                                          
interior podemos apreciar parte do rico património da paróquia, em imagens antigas, numa feliz solução que, com funções de museu, enriqueceu e embelezou o espaço interior desta capela.



                                                      Capela de Santa Bárbara                                                          

A Capela de Santa Bárbara está localizada no campo, a uma distância de cerca de um quilómetro da povoação, numa das elevações leste da Lousa e virada a nascente.

Foi inaugurada no dia 14 de Abril de 1952, tendo sido edificada no aprazível local onde existia a antiga, a qual não tinha qualquer interesse arqueológico ou histórico e que se encontrava completamente em ruínas.

Esta Capela foi construída e oferecida ao povo da Lousa, pela D. Bárbara Tavares Proença Vaz Preto Giraldes, em cumprimento de um voto de seu falecido marido, Sr. Manuel Barba de Meneses Vaz Preto Giraldes.

É composta por elegante alpendre, lugar da assembleia, presbitério e sacristia. De fronte, em posição altaneira, encontra-se um singular cruzeiro dominando toda a freguesia e os largos campos que lhe ficam sobranceiros.

É de grande beleza arquitectónica, na qual se casaram, maravilhosamente, a arte e o bom gosto. O seu traçado deve-se ao Dr. Eurico Sales Viana.

(José A. Teles Chaves – Fevereiro de 2000)


                                                         Sepulturas Medievais                                                             


                                                 

Sepulturas no Vale do Cio




                                                   

Sepultura dupla na Serrana                                                                                                                    Sepultura no Frei Smão






                                     Ruínas Romanas na zona da Fonte Santa                                                 




                                                  


                                                  



Grupo de arqueologia fazendo escavações






                                                Lápide Romana com inscrição inédita                                           


No concelho de Castelo Branco, próximo da aldeia e freguesia da Lousa, na propriedade do «Vascão», pertencente ao Sr. César Janeiro Santos, foi encontrada, em 1975, uma lápide com inscrição funerária latina, oferecida em 1 de Maio de 1976 ao Museu Tavares Proença Júnior, de Castelo Branco, onde actualmente se encontra. 

A lápide é feita de material que abunda na região – o granito – e apresenta uma cor acastanhada devida à constituição do terreno em que estava enterrada.

Na parte posterior da pedra, em relação à inscrição nela verificada, existem indícios de uma pequena saliência. Aqui pode residir um factor importante que nos leva a classificar o achado em causa, como lápide ou estela. Necessariamente ficaria à cabeceira do defundo, sobre a sepultura, encaixada numa parede próxima.


Dimensões: 45x46x13 cm.
Altura das letras: 6/6,5 cm.
Espaços interlineares: 1: 16 cm; 2: 7; 3: 7; 4: 7; 5: 12.

TURACIA / SAELCI F(ilia) / STATUS (sic) HI(c) / EST
Turácia, filha de Selco, aqui jaz sepultada.



Turacia parece ser um nome feminino, pela sua forma linguística. Nesse caso, não se compreende o adjectivo status que apresenta uma terminação masculina. Portanto: ou Turacia é um nome feminino e status tem uma forma masculina por erro do autor da gravação; ou é um nome masculino, embora com aparência feminina, e neste caso estaria certa a concordância. Inclinamo-nos para a primeira hipótese, estando status em vez de sita.

No mapa relativo a Turaius, inserto em Elementos de un Atlas Antroponimico de la Hispania Antiga, de Jürgen Untermann, Madrid, 1965, aparece apenas uma só vez o vocábulo Turacia, em Santa Ana (Trujillo). O seu radical pode relacionar-se com outros antropónimos: Turiacus e Tureius, Turaeus. Pela terminação –acus denuncia a sua origem céltica. Saelcus surge-nos noutros dois monumentos, também como nome de pai: Camalus Selci f. (Salamanca) e Doviteina Sa[e]lci.

O lapicida foi pouco cuidadoso na paginação, o que parece confirmar o primitivismo da epígrafe. Nenhuma das linhas obedece à paginação ordenada, quer no início, quer no final. Talvez por motivos estéticos, a última palavra ficou no meio da linha. É a única valorização artística, além da forma escrita, o que nos parece intencional. A gravação das letras está em caracteres de tipo cursivo arcaico.

A esta inscrição funerária falta a fórmula inicial DMS ou similares, pelo que podemos considerá-la anterior ao séc. I ou muito posterior, quando o uso da fórmula caiu em desuso.

in: (João Ribeiro - Duas Inscrições Inéditas do Museu de Castelo Branco - Universidade de Coimbra - Separata de Conimbriga Vol. XV - 1976)


                                         Fontes de Mergulho Quinhentistas                                                       



                             

   Fonte de Santa Maria                         Pormenor                                         Fonte Borrega







                                                                 Casas Antigas                                                                




                                      



                                    







                                            Portados, Janelas e Balcões Quinhentistas                                       




                                 



                                              



                                                
Comments