poesia satírica

Através da sátira , o poeta registra o cotidiano com maior constância e detalhes . Vai da brincadeira inconseqüente à denúncia virulenta . Pela contundência e insistência de suas críticas , ficou conhecido como "Boca do Inferno " .

Nessa vertente , Gregório critica principalmente a ambição desmedida dos colonos , bem como as transgressões morais em que todos incorrem . Não se trata , portanto , de uma crítica dirigida apenas aos poderosos . Seus alvos prediletos eram , de fato , governadores , administradores , religiosos ( ou religiosas ... ) e comerciantes . Mas a arraia-miúda também mereceu do poeta sua dose de agressão e virulência .
O governador Câmara Coutinho, por exemplo, foi assim retratado:

      “Nariz de embono

      com tal sacada,

      que entra na escada

      duas horas primeiro

      que seu dono.”

      Contudo, o melhor de sua sátira não é esse tipo de zombaria, engraçada e maldosa, mas a crítica de  aos vícios da sociedade. Sua vasta galeria de tipos humanos contribui para construir sua maior e principal personagem - a cidade da Bahia:

      “Senhora Dona Bahia,

      nobre e opulenta cidade,

      madrasta dos naturais,

      e dos estrangeiros madre.”

      A cidade é assim descrita num poema:

      “Terra que não aparece

      neste mapa universal

      com outra; ou são ruins todas,

      ou ela somente é má.”
 
Mas nem sempre ele é tão mal com sua cidade:
 
 “Triste Bahia! ó quão dessemelhante

      Estás e estou do nosso antigo estado!

      Pobre te vejo a ti, tu a mim empenhado,

      Rica te vi eu já, tu a mim abundante.”

 

 

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