Cap Mil Ricardo Alçada


Medalha de Prata de Valor Militar c/ palma 

O Cap Mil Alçada entre o guia Zacarias e o Cap Cav Dias de Almeida
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CORREIO
Caros Camaradas,
 Foi com profunda consternação e tristeza que, por intermédio do vosso jornal, tomei conhecimento do passamento (bem como da trágica situação em que tal ocorreu), do Ricardo Alçada, Companheiro do qual me separei, e de quem perdi o rasto, desde 1973, ano em que me retirei de Portugal. Em boa hora o fiz, mais uma vez assim o penso, considerando os infelizes factos e a injusta situação a que o valoroso e sincero Amigo, Ricardo Alçada, foi submetido nos últimos anos da sua atribulada vida (mas muito rica e exemplar, em termos de Lusitanidade), aos quais, certamente, eu não estaria totalmente imune, bem como os restantes companheiros que, com ele, lidaram, em projectos que, na altura, e ainda hoje, consideramos terem sido abonatórias das nossas boas e juvenis ilusões de, por nós próprios, ajudarmos a salvar o Mundo.
 Tive a feliz e honrosa oportunidade de fazer parte da equipa, liderada pelo R. Alçada, que compunha a Comissão Administrativa da Agência de Lisboa, da Liga dos Combatentes, na 1a. e única tentiva (tanto quanto julgo conhecer) de "desmilitarizar" os Orgãos directivos dessa instituição (Agência de Lisboa), talvez porque as vozes dos Milicianos, na época, já começassem a fazerem-se ouvir. 
 Essa Comissão, nomeada em 22 de Março de 1971, em Sessão da Comissão Central Administrativa da Liga dos Combatentes, era composta pelos seguintes ex-Combatentes Milicianos:
Presidente                Dr. Ricardo Alçada
Vice-Presidente        Dr. Paulo Ascensão
Secretário                Luiz Macara
Tesoureiro               Renato Pragana
1o. Vogal     António Figueiredo da Silva
2o. Vogal           Nuno Cardoso da Silva
apoiados pelos 
 Chefe da Secretaria    Manuel da Silva Baptista (ex-combatente e prisioneiro da 1a. G.Guerra)
1o. Escriturário            António Coutinho (ex-soldado combatente no Ultramar)
 cuja "sobrevivência" foi de pouca duração, dado o espírito de rebeldia (positiva) e inconformismo, do seu Presidente (no que era totalmente secundado pelos restantes membros da Comissão), que nunca deixaram de tentar fazer ouvir, e valer, as suas vozes e reindivicações, quanto à forma, menos positiva e justa (na sua opinião), em que os tentavam obrigar a gerir os destinos da Agência de Lisboa, em particular, e os da Liga dos Combatentes, em geral, com efeitos negativos e desoladores, no seio dos seus associados (a maioria dos quais, em total abandono e muitíssimo carenciados).
 Tal (tais) acto de rebeldia, não poderia perdurar por muito tempo. O confronto e choque, directo, dos ideais e políticas "inovadoras e modernistas" dos seus membros e a Presidência da Comissão Central (à época, encabeçada pelo General Arnaldo Schulz, secundado pelo Coronel  Fernando Cavaleiro), veio a ter lugar no decorrer de uma Assembleia Geral (a nível nacional), efectuada em Julho de 1972, na sede da Liga dos Combatentes, o que resultou na inopinada interrupção, da mesma, e consequente destituíção dos membros da Agência deLisboa, acusados, publicamente, e em altos brados, de "terroristas", "comunistas" e "atentores à tomada de assalto da Liga".
 Resumindo:
            - Primeira reunião da Comissão, em 30.03.1971 (Acta No. 455) da Agência de Lisboa da L.C.
            - Última reunião da Comissão, em 18.07.1972 (Acta No. 512) da Agência de Lisboa da L.C.
 Ainda hoje, à distância de mais de três décadas, analizando / reconsiderando os factos passados, julgo que todos voltaríamos a tentar, de novo,  levar "a bom porto" os nossos sonhos de apoio, aos ex combatentes e/ou seus familiares (viuvas e mães), bem como o de dignificar (ainda mais, se possivel) o nome e a imagem da nossa Liga. A isso nos sentíamos obrigados, em memória dos que já partiram e / ou por respeito àqueles que, no passado ou, mais recentemente, connosco, deram o seu melhor, em resposta ao apelo e missão que lhes foi confiada.
 Esta é pois, mais uma pequena "achega" para o curriculum da vida do Ricardo Alçada, de quem me despeço
com um Grande Adeus, e que não será esquecido para aqueles que, verdadeiramente, o conheceram e com ele lidaram..
 Fraternal abraço para todos os Camaradas.
 R. Pragana

Recordar grandes amigos
«Fiz o COM no EPC em 1961, integrado num pelotão da P.M. do qual faziam parte 13 ou 14 licenciados em Direito, da especialidade de "assuntos civis/governo militar".
O nosso destino seria o Estado Português da índia se não tivesse ocorrido a invasão.
Desse tempo guardo uma profunda amizade e uma grande saudade pelo meu querido amigo Armando Costa e Silva [com o autor da carta, à sua esq., na Reunião dos Antigos Oficiais Milicianos no RL 2, em 10/10/87], que tão devotado foi ao Regimento de Lanceiros 2.
Tal como ele não cheguei a servir no Ultramar, mas vivi intensamente esse período.
Outro meu grande amigo, e colega de curso (e de carteira) foi o dr. Ricardo António de Figueiredo Alçada.

Este meu querido amigo cumpriu uma primeira comissão em Angola e, depois, fez o curso para Comandantes de Companhia em Mafra. E, assim poude, como voluntário, cumprir uma segunda comissão em Angola, como Capitão Miliciano de Infantaria.
Por opção dele esteve todo o tempo em zona operacional, e foi muito justamente condecorado com as mais altas distinções (Medalhas de "Valor Militar" e "Cruz de Guerra", ambas com palma). Os louvores que recebeu (e que tinha pudor em deixar ler) são extremamente significativos. Era o miliciano mais condecorado do Exército Português.
Faleceu, como se diz na "Nota" de abertura do n.° 29/30 de "Lanceiro". "...amargurado com o desenlance final do nosso Ultramar"...
Efectivamente não falava quase em mais nada, e sentiu uma grande revolta por não poder valer aos que combateram a seu lado, como o pisteiro Zacarias, a quem nunca poupou elogios, e cuja morte trágica tinha por certa
.

Creio, porém, que na "Nota" há um pequeno lapso. O Ricardo era de Infantaria. Talvez a confusão resulte de um seu primo, Morais Alçada, que esteve em Angola, ser, ao que penso oficial de cavalaria.
Escrevo imbuído do amargo prazer de recordar grandes amigos, e pelo imperativo de repor a verdade.»
Rodolfo Lavrador, Advogado
NR: A confusão resulta, como se infere do artigo ao lado, ao facto de o Ricardo Alçada ter comandado uma CCAv pertencente ao BCav 1927.

LOUVOR
Capitão Miliciano de Infantaria

RICARDO ANTÓNIO DE FIGUEIREDO ALÇADA
da CCav 2441ANGOLA
Medalha de Prata de Valor Militar c/ palma 

«Condecorado com a  medalha de Prata de Valor Militar, com palma, nos termos do artigo 7.º, com referência ao § 1.º do artigo 51.º, do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, o Capitão Miliciano de Infantaria, Ricardo António de Figueiredo Alçada, da Companhia de Cavalaria 2441, do Regimento de Cavalaria n.º 3, porque, durante a sua comissão na Região Militar de Angola, demonstrou, exuberantemente, possuir excepcionais qualidades de combatente, comprovada capacidade de comando e forte determinação, traduzindo-se o seu comportamento num invulgar espírito ofensivo, conjugado com extraordinária calma debaixo de fogo, resultando que, tendo comandado, sucessivamente, quatro companhias operacionais, obteve sucessos espectaculares, dado que transmitiu ao pessoal sob o seu comando aquelas características.

         Confirmadas, em absoluto, as altas virtudes e méritos militares, já largamente evidenciados na execução de seis importantes operações realizadas na primeira parte da sua comissão, pelo que lhe foi concedido justo galardão, conduziu intensa actividade operacional, por vezes por sua própria iniciativa, judiciosamente planeada e excelentemente comandada, da qual já resultaram êxitos rotundos, tendo em atenção os efectivos empenhos e as condições difíceis em que a mesma se desenrolou, causando numerosas baixas ao inimigo, aprisionamento de elementos hostis, captura de armamento importante e outro material e a destruição de várias instalações dos rebeldes.

         É de salientar que, a certa altura, tendo a sua Companhia sido deslocada para uma zona de menor actividade operacional, manifestou desejo de regressar ao sector donde saíra, o que foi autorizado, afirmando o seu empenho em continuar a conduzir as operações nas áreas mais difíceis.

         Não se furtando nunca a esforços, desprezando o perigo e arriscando a vida com frequência, o Capitão Alçada pôs em constante evidência as suas invulgares qualidades de firmeza, audácia, grande decisão e arrojo em frente do inimigo, tendo praticado actos extraordinários de rara abnegação, contribuindo, de forma manifesta, para o invulgar rendimento das operações que comandou, das quais resultaram grande lustre e honra para o Exército Português.

- Transcrição da Portaria publicada na OE n.º 13 — 2.ª série, de 16 de Junho de 1970
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UM CAPITÃO MILICIANO COM O VALOR MILITAR COM PALMA (Prata)

No editorial último jornal [lanceiro n.º 29/30], o director JM Santos Costa à laia de despedida, refere que a revista nem sempre lembrou os cavaleiros e lanceiros mortos em combate e como tal deveriam ser lembrados, e refere alguns dos nomes que foram esquecidos. Para se poder falar neles é preciso tê-los conhecido e saber das circunstâncias em que morreram.

Relativamente ao capitão Alçada que não morreu em combate, mas amargurado e só, duma forma muito pouco honrosa e pouco dignificante, privei com ele inicialmente em Angola e depois na vida privada. Por isso aqui deixo a minha homenagem e o testemunho, relembrando a sua actividade de combatente e a curta vida triste e angustiada.

O Ricardo Alçada formou-se em Direito em Lisboa, onde foi aluno do Profº Marcelo Caetano por quem tinha grande estima e admiração. Em 1963/64 é mobilizado para os Dembos num Batalhão de Caçadores do “Lá vai aço” do então Ten-Cor Pessanha, que depois vim encontrar cmdt do CIOE. Ricardo Alçada depois de cumprida a comissão em Angola é condecorado (Cruz de Guerra?) regressa à metrópole e vai para chefe de gabinete do ministro Rui Patrício. A sua vida parecia ser um “mar de rosas” com todas as mordomias e facilidades na situação de privilégio a que acedera. (...) A seu pedido volta para os Dembos e por conveniência operacional vai comandar uma C.Cav do BCav. 1927 em Nambuongongo no Sector de Santa Eulália. Por divergência de opinião e do modo de actuação operacional, questiona e altera a directiva do comando, é punido disciplinarmente e transferido do Batalhão. O Cmdt do Sector, Brigº Castro Serrano (que cercou as Caldas no 16Março74) achando que não deveria deixar sair do seu Sector um oficial que conhecia bem a região e com bons resultados operacionais, coloca-o na Fazenda Madureira entre Nambuongongo e Zala a pouco mais de uma dúzia de quilómetros destes batalhões, como reforço ao sector e na sua dependência directa.

É nesta altura em Outubro de 1968 que o venho a conhecer “para o bem e para o mal dos meus pecados”. O cap Alçada vai escoltar entre Nambuongongo e Zala, a coluna do 1º escalão dos maçaricos em que eu seguia com a minha Comp 2430, a 2431 e CCS/ BCav2854. Fizemos depois várias operações conjuntas e tive oportunidade de o conhecer melhor. De Zala fui reforçar a Madureira durante um mês com 2GC e tivemos uma actividade operacional conjunta com alguns resultados devido à sua experiência e do seu guia Zacarias. Nos dias de descanso na Madureira jogávamos xadrez, mas ele sem a “Rainha”, pois fora campeão no Sporting. A sua actuação como combatente poderá ser um pouco desmistificada, mas era um operacional eficiente, com muita calma e muito original, e os seus homens consideravam-no, apesar de ter chegado muito depois à Companhia. Antes de sair para uma operação fazia uma encenação e mentalização psicológica, com o som roufenho dum gira-disco a pilhas do MNF com um disco de Wagner com trechos da Tanauser e Loengrin, gesticulando como um maestro, chegando a haver homens que o imitavam e se concentravam com os compassos da musica wagneriana. No regresso da operação, Wagner era substituído pelos discos do seu amor não correspondido Teresa Tarouca até esgotarem-se as pilhas, com a voz da sua diva do fado.

Não saía armado, apenas levava um bordão e mais parecia um caminheiro ou um peregrino, envolvendo-se num duplo cachecol camuflado que usava à maneira da capa e batina. O seu guia com quem partilhava a arma e a ração conhecia a maioria dos trilhos, e a fama e os resultados do Cap Alçada devem-se fundamentalmente ao célebre Zacarias.

Lembro-me dum domingo à tarde termos avistado do aquartelamento uma coluna de fumo na mata Bala e o Alçada disse que ia mandar umas morteiradas aos turras. Chamou a esquadra de morteiro 81 que reforçava a Madureira e só fazia a limpeza das instalações, para fazer fogo para o local. O pessoal do morteiro parecia desconhecer por completo o seu material. O tubo e o bipé foram colocados no prato base sem qualquer preparação no terreno, nem mesmo com sacos de terra. Alertei para as condições precárias da segurança do prato-base e da instabilidade do morteiro, mas a granada mesmo assim foi lançada, o morteiro caiu e a granada foi noutra direcção e atingiu a pocilga dos porcos nas imediações o que motivou bifanas para o pessoal durante toda a semana.

O armamento capturado caso fosse mais numeroso não era todo mencionado no relatório, e sobrava para um saldo para a operação seguinte, obtendo assim quase em permanência os melhores resultados do sector. Ao próprio Brigadeiro parecia não incomodar este procedimento, e condescendia para mostrar aos seus batalhões o empenhamento e a eficiência operacional da sua companhia de reforço da Madureira.

Ao regressar novamente à metrópole o dr Ricardo Alçada vai trabalhar como Chefe do Departamento de Títulos do Banco de Angola na Rua da Prata. Em Maio de 1969 venho a Lisboa por morte da minha mãe, e recebo uns títulos da família para pagar o Imposto Sucessório. Não sabia o que era um cheque e desconhecia totalmente o que eram Acções e Obrigações. Fui à Bolsa situado no torreão contrário ao Ministério do Exército, para a olhar “como um boi para um palácio”, quando encontro o Alçada que saía da sessão da bolsa desse dia. Disse-lhe ao que vinha e ele disse-me das suas funções, e fi-lo meu gestor de títulos porque eu ainda estava em Angola. Creio que depois ganhei muito dinheiro através do dr Alçada, trocando as acções da minha carteira pela banca e seguros. Entretanto vou para Moçambique e dá-se o 25 de Abril, e foi tudo nacionalizado. O Alçada ficou sem o lugar no Banco e eu fiquei sem as acções. Mandavam-lhe o vencimento todos os meses sem fazer nada, que ele considerava ultrajante e humilhante. Pensou por mais de uma vez voltar para Angola.

Em 10 de Junho de 1971 é condecorado em Estremoz com a medalha de Valor Militar com Palma pelo ministro da Defesa Silva Cunha. Eu estive integrado nas forças em parada e depois do almoço dos VIP na Pousada, tive a triste ideia de aceitar a sua boleia de regresso a Lisboa no seu Mini Cooper, porque precisava de falar comigo. Passei tantos sustos e arrepios na viagem com a velocidade e as ultrapassagens, que antes de chegar a Montemor, inventei um tio inexistente e a necessidade urgente de o contactar. Saí do carro com tanta pressa que nem sei se me despedi. Antes de respirar fundo para recuperar a calma e refazer-me dum estado de grande nervosismo, não tive a capacidade de discernimento para encontrar a estação de camionagem e não podendo esperar mais, apanhei um de táxi para Lisboa. Sempre que passo pelo centro de Montemor-o-Novo, lembro-me sempre desta viagem que felizmente não teve consequências mas que eu não poderia continuar. Custou-me cara, mas podia-me custar caríssima…

Ao longo do tempo almoçava com ele muitas vezes antes e depois de 1974 e o seu tema preferido era os Dembos e a actuação das nossas tropas, e depois a situação caótica de Angola e do País. Nunca se sentiu constrangido por me ter feito perder ou ganhar, nem falava nisso. A Bolsa era como uma guerra, ganhava-se e perdia-se. Notava gradualmente algum excesso de bebida e cada vez mais se insurgia e gesticulava em publico contra a situação em Portugal e Angola, tornando-se a sua conversa demasiado obsessiva. 

Ricardo Alçada era solteiro e vivia só com a mãe viúva na Avenida Manuel da Maia à Alameda. Após a morte da mãe que o muito afectou, ficou sozinho e amargurado, isolou-se ainda mais e passou a falar sozinho chamando acintosamente a atenção de tudo e de todos, e foi dispensado definitivamente de voltar às instalações do banco. A sua vida foi-se deteriorando a tal ponto, e cada vez mais isolado e com alguns excessos e com a saúde ressentida, foi encontrado morto em casa pela mulher da limpeza numa manhã de 1980.  
Carlos Dias de Almeida



Nota da Redacção:
 Conheci o Ricardo, alguns tempos antes de morrer, através do antigo lanceiro e nosso colaborador o saudoso Armando Costa e Silva.
Tinha um discurso directo, perspicaz e muito claro sobre a situação que se vivia no nosso País e relativamente ao Ultramar teve algumas saídas bem certeiras. 
Contou que numa acção de rendição da sua companhia, um Capitão "maçarico" quis montar guardas de flanco em plena mata ao que ele retorquira: «Ainda ensinam isso lá na instrução? Aqui, se não quiser perder os seus homens, anda-se em bicha de pirilau!...»
Lembrei-me deste comentário quando  há tempos li no livro "Capitães do Vento" de Pedro C (Ed. Roma), - cuja crítica literária foi feita por João Sena no n.º  23 do "Lanceiro" - sobre a instrução desadequada dada a tenentes milicianos depois de seis meses de guerra no Ultramar.
Ente outros exemplos, cito: «Logo no primeiro dia. Dispostos em círculo [eram 42], o nosso tenente, num grito de guerra arrebatado que ecoou pelas redondezas, berrou:
- Rastejar até mim!
Ninguém se mexeu... O tenente nem queria acreditar.(...)
Um companheiro médico por sinal, dirigiu-se ao nosso tenente em tom pedagógico.
- Olhe senhor tenente; não leve a mal a nossa atitude. É que nós acabámos de chegar da guerra, coisa que o senhor não conhece ainda, e rastejar não se usa por lá. Não faz sentido. Isso é coisa de outros tempo. Lá a guerra é outra. É diferente.»
No entanto, no meio destas "azelhices", também havia uma ou outra orientação pertinente, como refere neste livro a que lhe transmitiu o Cap Cav Taxa Araújo, em Angola: «um dos conselhos foi o da necessidade imperiosa de manter sempre presente a hierarquia de comando (...). O facto de todos os oficiais [da companhia] serem milicianos não deveria constituir argumento para abdicar dessa regra».
JMSC