TECENDO LEITURAS


Caras na minha janela.......

Língua Portuguesa

Oficina Pedagógica - DE S.J.Casmpos/SP

Katty Rasga - ATP / LP

OFICINA PEDAGÓGICA | GÊNEROS | SEQ DIDÁTICA | TECENDO LEITURA | CAPAC DE LEITURA | NOSSA LÍNGUA | PROD TEXTUAL

 

TECENDO LEITURAS: primeiros fios...

"As leituras de que os alunos gostam podem e devem servir como ponto de partida para a reflexão, análise e comparação com outros textos ( inclusive os produzidos pelos alunos), articuladas aos objetivos didático pedagógicos da série."
(Publicação: Série Idéias n.13. São Paulo: FDE, 1994. Páginas: 101-106.)

 

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OFICINA 01
OFICINA 02

Competência Textual

  • Estratégias de Leitura. de Isabel Solé
  • O que o jovem aprende através da literatura? de MªMedeiros
  • Inédito de Jaqueline Barbosa
  • Passo a passo: como ajudar o aluno a ler?
  • Leitura do conto:  "Uns braços" de Machado de Assis
  • Algumas possibilidades de trabalho com alunos, em relação ao "depois da leitura":
  • Elaborando um projeto
  • Síntese das capacidades de leitura com sugestões de como desenvolver (Rojo, 2004)
  • SUGESTÃO PARA REGISTRO 

 

 

 

 :*~*:._.:*~*: :*~*:._.:*~*: ESTRUTURA DAS ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS
Domínios de Leitura Explorados: Propostas sugeridas preferencialmente para alunos de 5ª a 8ª do Ensino Fundamental
- ANTES DA LEITURA
- DURANTE A LEITURA
- DEPOIS DA LEITURA

Identificação e recuperação de informação: questões que envolvem reconhecimento literal.
LER NAS LINHAS

Interpretação: questões que envolvem inferência e integração de segmentos do texto.
LER ENTRE AS LINHAS

Reflexão: questões que envolvem avaliação e julgamento.
LER POR TRÁS DAS LINHAS

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“Se os textos não lhe agradam, não continuem, pois a leitura obrigatória é tão absurda quanto falar em felicidade obrigatória.

Acho que a poesia é algo que se sente. Se vocês não sentem a poesia, se não aprendem a beleza, se uma narrativa não lhes provoca desejo de saber o que aconteceu depois, então quer dizer que o autor não escreveu para vocês.

Afinal, a literatura é bastante rica para apresentar lhes algum autor digno de sua atenção que, se não lhes interessar hoje, talvez seja lido amanhã, com um grande prazer”
(Extraído do texto “Cinco - A Poesia” de Jorge Luis Borges) 

Um bom trabalho!

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                                 ATP 
 
 

 

 

 

kattyrasga.07@gmail.com 

 

 

Estratégias de Leitura

A leitura é o processo mediante ao qual se compreende a linguagem escrita. Nesta compreensão intervêm tanto o texto, sua forma e conteúdo, como o leitor, suas expectativas e conhecimentos prévios.

As estratégias de compreensão leitora são procedimentos de caráter elevado, que envolvem a presença de objetivos a serem realizados, o planejamento de ações que se desecadeiam para atingi-los, assim como sua avaliação e possível mudança.

Isabel Solé, Estratégias de leitura, ArtMed, Porto Alegre, 1998, p 23 e 70.

Procedimetos é um conjunto de ações ordenadas e dirigidas à consecução de uma meta.

Cesar Coll, Psicologia e Currículo, Ática, S.Paulo, 1987.

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O que o jovem aprende através da literatura?

A literatura destinada a jovens e adolescentes quase sempre foi vista sob uma ótica utilitário-pedagógica. O texto sempre foi pensado e organizado de modo a tornar acessível para o jovem leitor dados do mundo real, da verdade social, que devessem ser apreendidos e assimilados. Exemplo cabal disso são as fábulas, com seu conteúdo moralizante.
Contemporaneamente, essa visão ainda se coloca de forma preponderante, seja nos critérios de adoção de um livro pela escola, sobretudo com a necessidade de discussão dos temas transversais propostos pelos PCN’s, seja pela opção das editoras, na busca de produtos mais facilmente vendáveis.
Segundo o professor, poeta e editor Fernando Paixão, para o mercado editorial, o bom livro juvenil é aquele que possui uma história envolvente e um protagonista jovem, com quem o leitor tem uma identificação imediata. Isso seria um processo terapêutico forte, fecundo, um verdadeiro preparo para a vida adulta, uma emancipação que melhoraria os jovens enquanto seres humanos e contribuiria enquanto aquisição de linguagem e repertório. Em outras palavras, o bom livro deveria proporcionar ao leitor uma vivência emocional e de linguagem. Destacou ainda a existência, no mercado editorial, de dois tipos de literatura para atender o público juvenil: a profissional - que, consciente da média de seus leitores, estrutura-se de modo a atender seus anseios, proporcionando-lhes esse processo de identificação; e a literatura mais inventiva - a alta literatura, que aponta para as transformações no gênero, mas que é de interesse mercadológico menor.
Fica evidente nessa descrição de bom livro o caráter de massificação típico da indústria cultural: A convenção reforçando o hábito comportamental que se pretende perpetuar. O texto literário perde em poeticidade o que ganha em imediatismo e praticidade. bserve que não se trata de oferecer um “mau produto”, mas um produto a ser consumido em grande escala.
Estabelecendo uma crítica a respeito desse conceito de literatura, segundo M.J.Paolo, podemos afirmar que a "linguagem carregada de ideologia que permeia cada fala do narrador, cada diálogo das personagens tem um destinatário certo: o leitor infantil, cujo pensamento se pretende capturar. Não há possibilidade de respostas alternativas nesse processo educativo autoritário que só admite à criança a função de aprendiz passivo frente à voz todo-poderosa do narrador e de seu enfoque da realidade social.”
Acaso seria esse o papel da escola enquanto local privilegiado de inserção da criança e do jovem no mundo da leitura e na formação de cidadãos? Seria esse o papel da literatura?
Há contribuições suficientes de estudiosos da literatura que nos asseguram que não. Segundo Roman Jakobson, o que caracteriza o texto literário, o que o distingue dos demais é a dominante estética ou poética. A literatura infantil/juvenil que assume esse aspecto tem condições de informar ao leitor aspectos do mundo exterior, ao mesmo tempo em que informa a respeito de si mesma, de sua própria linguagem. São textos em que palavras, sons e imagens constroem simultaneamente uma mensagem icônica, que sugere sentidos apenas possíveis e não informações fechadas. Desse modo, é possível inferir que caiba à escola a escolha de textos que não escamoteiem nem facilitem o literário, mas que, enfrentando textos de qualidade artística, enriqueça o repertório de seus alunos, preparando-os para uma leitura múltipla, diversificada, uma leitura que arrisca hipóteses e que duvida, num exercício de experimentação que leva o aluno à autonomia - que de fato prepara para a vida.

in Maria Medeiros

 

Recomendo também a leitura do livro Como um Romance, de Daniel Pennac, (Editora Rocco) que aborda também a questão da leitura-prazer: “os direitos imprescritíveis do leitor”. )


 

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Quando se discutem políticas de leitura e escrita, é preciso considerar que a escola vive um paradoxo: cobra dos alunos justamente o que, antes, deveria ensinar; dissemina-se, em vários documentos, o adjetivo 'crítico' justaposto ao tipo de aluno que se deseja formar ou vulgariza-se o uso do termo 'cidadania', mas não se oferecem reais condições para a concretização desses intentos. Assim acontece com o trabalho escolar com a leitura e a escrita. Muitas vezes, as atividades de leitura aparecem depois do texto e visam simplesmente checar se os alunos o compreenderam, parecendo supor que esse processo acontece de forma natural, quase que por osmose, por meio do simples contato individual do aluno com o texto. Em vez disso, a leitura pode e deve ser uma atividade feita individualmente, em duplas ou coletivamente, e o 'espírito' das perguntas e de todo o trabalho com compreensão de textos, que pode acontecer antes, durante ou depois da leitura, deve ser o de ajudar o aluno a reconstruir o sentido do texto, e não somente checar/cobrar sua compreensão. O mesmo acontece com a produção de textos. São freqüentes as comandas que apenas pedem que o aluno produza um texto sem fornecer subsídios para tal. Muitas vezes, nem sequer se diz o tipo de texto que deve ser produzido, nem mesmo se explora que conteúdos que deve conter. Dessa forma, freqüentemente, a escola avalia que seus alunos apresentam dificuldades com a leitura e produção de textos, mas, na maioria das vezes, não consegue propor boas situações de aprendizagem. Nessa perspectiva, a avaliação adquire um caráter meramente constatativo e punitivo, não se configurando como um instrumento que deve nortear o planejamento pedagógico."

(BARBOSA, Jacqueline. Inédito, 2004.)

 

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Passo a passo: como ajudar o aluno a ler?

O ENSINO DA LEITURA
Antes da leitura
Ao ler literatura, mobilizamos nossas experiências para desfrutarmos o texto e apreciarmos os recursos estilísticos selecionados pelo autor.
Observando um livro, numa rápida leitura "inspecional", podemos antecipar algumas das informações que iremos encontrar no texto.
-Observar indicadores como título, capas, ilustração, sumário, autor, gênero etc.
Apresentar informações que o autor do texto pressupõe que os leitores virtuais tenham, mas que supomos que nossos alunos ignorem.
Estimular os alunos a explicitar os conteúdos que esperam encontrar no texto a partir dos índices levantados.

Durante a leitura
Os objetivos que o leitor tem com a leitura mobilizam diferentes estratégias de abordagem do texto.
Algumas "dicas" de um leitor mais experiente podem ser valiosas para ajudar um leitor iniciante a construir os sentidos do texto.
-Estimular a compreensão global do texto em contextos de leitura autônoma ou compartilhada, a partir da observação de indicadores como o léxico, a situação enunciativa, as conexões entre os enunciados, as relações intertextuais etc.
-Identificar a organização composicional do gênero a que pertence o texto.

Depois da leitura: passo a passo
Pode-se ou não se emocionar com um texto; pode-se ou não gostar de um texto; pode-se ou não concordar com o quadro de valores sustentados ou sugeridos pelo texto ou por suas leituras.
Para uma melhor compreensão da obra, assim como para a problematização dos temas sugeridos pelo texto, nada melhor do que trocar impressões com outros leitores.
-Estimular paráfrases do texto lido.
-Apreciar os recursos expressivos selecionados pelo autor.
-Identificar os valores e as crenças veiculados no texto e refletir a respeito deles.
-Identificar a posição do autor e refletir a respeito dela.
-Promover o debate democrático em torno de questões polêmicas.
-Estabelecer relações com outros textos, filmes etc.
-Ampliar as referências dos leitores estimulando a pesquisa de informações complementares, a produção de outros textos ou, ainda, outras produções criativas que contemplem as múltiplas linguagens artísticas.

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setembro/2004 
L
eitura do conto:  

"Uns braços" de Machado de Assis

ROTEIRO
Objetivos
1. Vivenciar um processo de leitura com uma obra clássica pertencente ao módulo "clássicos" do PNLD/2004, através das estratégias de leitura;
2. Apontar para a uma desejável e necessária proximidade do jovem leitor com a obra machadiana, começando com os contos do autor.

Desenvolvimento do trabalho
Antes da leitura
Objetivo:. Trazer o repertório do leitor para a compreensão do texto e indicar elementos contextualizadores do texto.
O que é: levantamento dos conhecimentos prévios do leitor ou levantamento das hipóteses do leitor (que serão retomadas no momento "depois da leitura")
Procedimentos:
1 - discutir com os leitores, como forma de explicitar que as condições de produção de um texto constituem também seus sentidos:
. O portador :o título, sumário, prefácio, capas
. O assunto/tema
. O gênero
. O autor

A - O portador
? " 13 melhores contos de amor da literatura brasileira"-Rosa Amanda Strausz (org.)- RJ: Ediouro, 2003;
? Coletânea com 13 contos de amor cujos autores são tantos aqueles já consagrados quanto os contistas menos conhecidos, pois a aposta da organizadora do livro está na contribuição de todos, indistintamente, para a temática escolhida: o amor;
? a capa em vermelho, com um coração sugerido, em traços esfumaçados já iniciam o leitor no clima amoroso. Nas ilustrações internas, há duas imagens: uma, de um casal que se beija e remete o leitor aos filmes de cinema em que são comuns essas cenas; a outra, é o famoso cupido com uma guirlanda de flores na mão;
? Os autores dos contos são: Maria Valéria Rezende, Lívia Garcia-Roza, Lygia Fagundes Telles, Cíntia Moscovich, Lya Luft, Luís Fernando Veríssimo, Raul Pompéia, Carlos Drummond de Andrade, Machado de Assis, João do Rio, Caio Fernando de Abreu, Paulo Mendes Campos

B - O tema "amor"
Uma boa aproximação do tema pode ser feita com a ajuda dos poetas. (em anexo)

C - O gênero
Mário de Andrade, em sua irreverência, dizia, "conto é um conto". Mas sabemos que os princípios gerais do conto são: a concisão, a unidade dramática, resultando na concentração e na brevidade da narrativa. Vamos também retomar as palavras da própria organizadora da coletânea a respeito do gênero em questão: "A idéia inicial era compor esta pequena antologia com contos. Mas, em pleno século XXI, como marcar com segurança os limites que separam o conto da prosa poética, ou da crônica? Então, o critério adotado na seleção dos textos foi mais emocional do que técnico."
D - O autor do conto selecionado
O que falar de Machado, o bruxo do Cosme Velho? Podemos falar de Machado e sua investigação sobre a condição humana. Sua visão cética e desencantada da vida. Do seu pessimismo e ironia. Do seu humor que se converte em desconforto, que desacomoda, que faz refletir. Da sua ironia sutil. Da sua análise da alma humana, tratando do contraste dos caracteres, a sondagem dos sentimentos, a ruptura entre a essência e a aparência, o mergulho nas sombras. MAS, ISSO É POUCO!!

Falar de Machado e seus contos?
. "A cartomante". A "Missa do galo".
. O "Conto de Escola".
. "Um homem célebre", "Cantiga de esponsais", "O espelho".
. "O alienista".
. " Teoria do medalhão", "O caso da vara", "Pai contra mãe".
MAS ISSO TAMBÉM É POUCO!!!

LER MACHADO É O MELHOR!!! Então, vamos a ele, lendo o conto "Uns braços" ...

Quanto ao título:
. A que remete o leitor um título como esse? Conhecer os costumes e valores da época auxiliam a compreender o título?
. O título/tema "braços" na obra de Machado de Assis aparece várias vezes:
-"A missa do galo"- D.Conceição
-"Quincas Borba" -Sofia
-"Dom Casmurro"- Capitu

II - Durante a leitura

Objetivo: apresentar alguns objetivos orientadores da leitura.
O que é: levantamento de aspectos que auxiliem a construção dos sentidos do texto

Procedimentos:
1 - Leitura global do texto
2 _ Destaque para elementos do gênero e do texto específico.
3_ Identificação de articulação temporais, espaciais e lógicas do texto= coesão textual
4_ Identificação de recursos expressivos empregados pelo autor
5_ Discussão sobre os temas do texto

Ler o conto, atentando para:

A) O enredo e sua progressão
- A fascinação que os braços de D.Severina exerciam sobre Inácio. A paixão secreta do rapaz
- "Naquele dia....": a descoberta de D.Severina e suas atitudes contraditórias: ora, tratando-o bem, ora sendo ríspida.
- "Um domingo...": o domingo inesquecível. A fronteira entre o sonho e a realidade. O beijo.

B) O narrador em 3a pessoa, mas que toma a perspectiva de Inácio, personagem.

C) Outros temas: a repressão moral; o ambiente ambíguo em que se movia a mulher/D.Severina; as relações entre essência e aparência.

D) A linguagem
1. O título metonímico (os braços pelo corpo todo);
2. Os campos semânticos relativos a cada personagem: Inácio=jovem, sozinho, perdido, longe de casa, apaixonado; D.Severina=jovem mulher, atraída pelo amor do jovem, atitudes contraditórias, toma a iniciativa; Borges=marido trabalhador, sério, grosseiro mas não mau;
3. O processo de seleção e ordenação vocabular (exemplo: "O dia estava lindíssimo. Não era só um domingo cristão; era um imenso domingo universal");
4. O discurso direto e o discurso indireto livre (pouca marcação de diálogo direto e quando há é apenas Inácio e Borges desentendendo-se. A força do conto está assim no discurso indireto livre em que há o registro da fala da personagem mediada pelo narrador)
III -Depois da leitura:

Objetivo: ampliar as referências culturais dos leitores
O que é: relação entre as várias áreas do conhecimento implicadas no texto Procedimentos:
1 - Retomada das hipóteses dos leitores (momento I)
2 _ Reflexão sobre os temas apresentados no texto + problematização de aspectos polêmicos
3 _ Discussão sobre o ponto de vista do autor e dos leitores
4_ Produção de outros textos nas diferentes linguagens



Algumas possibilidades de trabalho com alunos, em relação ao "depois da leitura":
1. Discutir com os alunos a relação entre Inácio e D.Severina: a diferença de idade, a situação de cada um, a repressão moral.

2. Refletir sobre o fato do narrador, ainda que em 3a pessoa, ele toma a perspectiva de Inácio.

3.Fazer comentários sobre as relações entre conhecimentos prévios dos leitores, suas hipóteses e a análise dos elementos contextualizadores - discutidos no momento I:"antes da leitura" e a leitura global do texto que foi feita no momento "durante a leitura".

4. Discutir de que forma, os objetivos de leitura levantados para o "durante a leitura" auxiliaram a construção dos sentidos do conto.

5. Solicitar que os alunos façam oralmente o resumo do conto lido. O professor deve auxiliar nessa retomada, garantindo aspectos importantes que possam não ser retomados pelos alunos.

6. Propor que os alunos pesquisem sobre o tema "amor" na biblioteca, em revistas, jornais, Internet, em casa - incluindo textos, cartas, poemas que os próprios alunos já escreveram.

a) Criar critérios de classificação de todo o material pesquisado. Os critérios podem se relacionar com: gêneros textuais, diferentes linguagens, textos por autor, etc.
b) Feita a classificação coletivamente, organizar a turma de alunos em grupos, para que cada grupo proceda à análise dos textos classificados. Cada grupo deve ainda elaborar sua apresentação à turma, usando, por exemplo, a metodologia do SEMINÁRIO.
c) O professor deve marcar os dias de apresentação dos grupos e ser o articulador e o escriba de cada apresentação, elaborando uma síntese em papel pardo, como forma de ir explicitando aos alunos o que estão aprendendo com a discussão feita. Nesta etapa, o professor deve:
1- atentar para as competências lingüísticas que estão sendo trabalhadas;
2-articular os diversos conteúdos textuais e lingüísticos que estão sendo tratados ao longo do processo;
3- proceder a avaliações orais/ parciais do trabalho que está sendo desenvolvido.

7. Selecionar alguns poemas/contos curtos para novas produções dos alunos. Exemplos:

Quadrilha(Carlos Drummond de Andrade)
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou-se com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.


Espinho na roseira (Drumond)(André Abujamra)
Tem espinho na roseira
Cuidado vai cortar a mão

Pedro Alcântara do Nascimento amava Rosa, mas a Rosa não amava ele não
Rosa Albuquerque amava Jorge, amava Jorge Benedito de Jesus
E o Bendedito, Benedito, Benedito Jorge, amava Lina que é casada com João
E o João, João sem dente, amava Carla, a Carla da cintura fina
E a Carla, linda menina, amava Antônio Violeiro do Sertão

E o sertão vai virar mar
E o mar vai virar sertão

E o Antônio, cabra da peste, amava Júlia que era filha de Odete
E a Odete amava Pedro, que amava Rosa que era prima de Drumond
E o Drumond era casado com Maria que era filha de Sofia, mãe de Onofre e de José
E o José era casado com Nazira que era filha de Jandira, concubina de Mané
E o Mané tinha 17 filhos 10 homem e 6 menina e um que ia resolver
E o rapaz tava na adolescência tinha brinco na orelha e salto alto para crescer
E o Rodolfo que já era desquitado era homem mal amado não queria mais viver
E encontrou Maria Paula de Arruda que lhe deu muita ajuda fez seu coração nascer
E são essas histórias de amor
Que acontecem todo dia sim senhor


8. No final, pode haver uma avaliação escrita em que os alunos explicitem o que já sabiam e o que aprenderam, quais foram os avanços, os limites e o que ainda precisam aprofundar em estudos posteriores, em relação à leitura.

 

 

Elaborando um projeto

Antes
1. Conheça as necessidades e habilidades do seu aluno.
2. Identifique metas e objetivos curriculares elencados para esta turma em seu planejamento.
3. Escolha, nos módulos clássicos do Tecendo Leituras, livros que correspondam a esses objetivos.
4. Planeje as atividades.

Durante
5. Discuta as atividades que serão desenvolvidas com os alunos.
Escrita Criativa: explore muitos gêneros
6. Permita aos alunos opções de atividades.
7. Guie os alunos na definição de metas individuais e coletivas.
8. Divida a turma se necessário para poder desenvolver atividades em pequenos grupos.
9. Decida que tarefas devem ser realizadas para concluir cada atividade.
10. Descreva essas tarefas usando uma escala de avaliação.
11. Especifique um prazo para conclusão das atividades.
12. Certifique-se que os alunos conhecem a escala antes de começarem a tarefa.
13. Faça uma exposição ( mural) em sua sala sobre os principais itens do projeto e atualize, sempre que necessário as mensagens, substituindo-as pelas novas mensagens sobre o projeto.
Certamente, seus alunos vão querer criar um nome para o projeto.
14. Registre o desempenho dos alunos nas atividades.
15. Avalie o tempo todo e faça os recortes e/ou acréscimos necessários.
16. Os alunos devem avaliar o próprio trabalho ou o trabalho de um colega antes de entregar o trabalho final para você.
17. Disponibilize uma área de exibição: Prepare um mural para expor mensagens, textos e imagens relacionadas às atividades desenvolvidas e convide os estudantes a decorar o mural.
Reserve um espaço para você.
Coloque e renove periodicamente mensagens especiais nesta área.
Exponha fotos dos alunos durante a execução das atividades.
Exponha os desenhos dos alunos

Depois
18. Faça uma exposição dos trabalhos
Busque o envolvimento dos pais e da comunidade escolar: Convide pais, equipe gestora, outros professores e outros convidados para ver o seu mural.


 

Síntese das capacidades de leitura com sugestões de como desenvolver (Rojo, 2004)

 

Capacidades de compreensão

 

Ativação de conhecimentos prévios

COMO DESENVOLVER : Antes da leitura do texto propriamente dito, retomar conteúdos relacionados; fazer perguntas sobre o assunto, visando garantir a socialização desses conhecimentos; quando alguma dessas perguntas ficar sem resposta e ela for importante para a possibilidade de compreensão do texto, o professor deve antecipar esse conteúdo; etc.

 

Antecipação ou predição de conteúdos ou propriedades dos textos (levantamento de hipóteses)

COMO DESENVOLVER : Antecipação ou predição de conteúdos: A partir da leitura do título, ou das informações sobre o autor do texto (papel social), incitar os alunos a antecipar conteúdos do texto a ser lido. Em alguns casos, essas perguntas podem se dar ao longo da leitura, em relação ao que está por vir, levando em conta o que já foi lido.

 Antecipação ou predição propriedades dos textos: A partir do reconhecimento prévio ou de uma informação explícita do professor de que se trata de um exemplar  de um gênero X ou Y (artigo de opinião, crônica) incitar o aluno a antecipar elementos e conteúdos do texto a ser lido.

Checagem de hipóteses

COMO DESENVOLVER : Durante a leitura do texto, o professor deve ir retomando as hipóteses (antecipações) levantadas para verificar se elas foram ou não confirmadas. Se necessário e adequado, pode-se durante esse processo levantar outras hipóteses.

 

Localização e/ou cópia de informações

COMO DESENVOLVER : Em função dos objetivos da leitura, algumas atividades devem favorecer a localização de informações cruciais do texto por meio de perguntas que dirigem o olhar do aluno para tais aspectos (conceitos ou relações que devem ser garantidos etc.). Procedimentos tais como sublinhar, copiar, iluminar informações relevantes devem ser estimulados para auxiliar o aluno a buscar pelas passagens essenciais e abandonar informações periféricas.

 

Comparação de informações

COMO DESENVOLVER :  Durante a leitura do texto, algumas perguntas ou discussões coletivas podem estimular o aluno a comparar/contrastar informações presentes no próprio texto, de modo a auxiliá-lo, por exemplo, na identificação da tese, de argumentos, do conflito central, na realização de resumos etc. Por outro lado, atividades que o estimulem a comparar informações do texto com outras presentes em diferentes textos (orais ou escritos) favorecem a percepção de relações de intertextualidade ou até mesmo de interdiscursividade, ampliando a compreensão e estimulando a leitura crítica.    

 

Generalização

COMO DESENVOLVER :  Essencial para a realização de síntese da leitura, (e estreitamente relacionada às duas capacidades anteriores) esta capacidade pode ser estimulada por meio de perguntas ou discussões que levem o aluno a reconhecer características comuns ou regulares a dados ou acontecimentos singulares, a extrair uma regra ou princípio geral pela observação de exemplos particulares, trechos enumerativos, descritivos ou explicativos etc. Mais do que saber dizer sobre o tema tratado, é importante que o aluno possa dizer o que o autor pretendeu com aquele texto – explicar o funcionamento do sistema nervoso, defender sua posição frente à questão da redução da maioridade penal etc. Num segundo nível, pode-se também focar o essencial dessas explicações ou argumentações - qual a posição/tese que o autor defende e os principais argumentos que sustentam sua posição.

 

Produção de inferências locais

COMO DESENVOLVER :  É possível levar o aluno a, levando em conta o contexto imediato do texto, deduzir o sentido de uma palavra desconhecida, identificar o referente de pronomes, relacionar expressões sinônimas ou equivalentes, compreender termos que retomam ou antecipam informações etc.

 

Produção de inferências globais

COMO DESENVOLVER :  Perguntas ou discussões podem favorecer que o aluno perceba o que não está dito explicitamente no texto, mas está pressuposto ou insinuado e deve ser inferido para que a compreensão se efetive. Chamar a atenção para pistas que o autor deixa no texto, tais como escolhas lexicais específicas, construções enfáticas, uso de operadores argumentativos, presença de linguagem figurada, ironia etc. são maneiras de favorecer inferências globais.  Também colabora para isso o estabelecimento de relações produtivas entre as informações presentes no texto e a recuperação do contexto de produção do texto. Em qualquer um dos casos, fazer a distinção entre as inferências autorizadas pelo texto (marcadas pelas pistas ou determinadas pelo contexto de produção) e aquelas que não são autorizadas (fruto de uma interpretação excessivamente “livre” e pessoal) é fundamental.

 

Capacidades de apreciação e réplica do leitor em relação ao texto (interpretação, interação)

 

Recuperação do contexto de produção do texto

COMO DESENVOLVER :  Focalizar - por meio de levantamento, estudo, pesquisa, perguntas, discussões, etc. - qualquer um dos elementos que compõem o contexto de produção do texto (autor, lugar social que ocupa, esfera social em que o texto circula, veículo em que é divulgado, momento histórico em que foi produzido, intenções comunicativas do autor, leitores presumidos, interlocutores contemporâneos etc.) é um procedimento essencial que favorece outras capacidades de leitura aqui elencadas, tais como, a ativação de conhecimentos prévios, a predição de conteúdos, a realização de inferências globais, a elaboração de apreciações estéticas ou afetivas e as relativas a valores éticos ou políticos etc.

 

Definição de finalidades e metas da atividade de leitura

COMO DESENVOLVER :  A situação de leitura define suas finalidades e metas. Logo, principalmente na situação escolar que tende a ser “artificial”, na medida em que nem sempre é o leitor que define o que, por que e para que vai ler, é essencial explicitar ou criar a situação de leitura, por meio de recursos que podem ser autênticos (ler para buscar uma informação específica ou estudar, por exemplo) ou simulados (imagine que você vai ler esse texto para participar de um debate sobre o assunto, por exemplo)

 

Percepção de relações de intertextualidade

COMO DESENVOLVER :  Quanto maior é o número de relações que o leitor estabelece entre o que está lendo e o que já leu, ouviu, conversou, assistiu etc., sobre o mesmo tema, mais efetivo é o diálogo que ele trava com o texto. Assim, por meio de comentários, perguntas, retomadas, solicitação de pesquisas etc., é muito útil “refrescar sua memória” lembrando-o de conteúdos presentes em outros textos relacionados ao que está lendo, imaginando outros textos possíveis. Segundo Bakhtin, todo texto é de alguma forma resposta a textos anteriores e está prenhe de respostas ulteriores.

 

Percepção de relações de interdiscursividade

COMO DESENVOLVER :  O mesmo princípio anterior vale para esta capacidade no que diz respeito agora não a conteúdos do texto, mas a outros discursos aos quais o texto em questão remete. Assim, por exemplo, muitas vezes só é possível compreender uma referência, uma nota bibliográfica, uma ironia ou mesmo realizar uma inferência quando se leva em conta os discursos com os quais o texto dialoga, o que sempre inclui para além dos textos os contextos de produção desses textos. Atividades que levem o aluno a identificar ou explicitar tais diálogos favorecem esta capacidade. 

 

Percepção de outras linguagens

COMO DESENVOLVER :  Principalmente quando se preserva o portador original do texto a ser lido (por exemplo, uma notícia de jornal, no próprio jornal), perguntas e discussões que focalizam o paratexto verbal e não-verbal que geralmente acompanha o texto (imagens, gráficos, tipos de letras, manchetes, boxes etc.) contribuem para a compreensão do texto como um todo.

 

Elaboração de apreciações estéticas e/ou afetivas

COMO DESENVOLVER :  Ler o texto, encarando-o como uma construção deliberada do autor e ser capaz de apreciar seus  efeitos de sentido, identificando os recursos da língua que o autor mobiliza para produzi-los é uma capacidade bastante sofisticada e que leva o leitor a, de fato, fruir o texto. Assim, exercícios que levem o aluno a identificar uma organização textual bem feita, uma escolha lexical particularmente interessante, uma construção sintática feliz, um certo modo de encadear os argumentos, o uso de uma metáfora elucidativa, uma paragrafação rigorosa, a precisão no uso da língua etc. são maneiras de não só ampliar a capacidade de compreensão do texto em questão, mas também de formar o leitor (e o escritor) em geral que, a partir disso, terá mais condições para emitir opiniões de cunho mais afetivo sobre o texto.

 

Elaboração de apreciações relativas a valores éticos e/ou políticos

COMO DESENVOLVER :  Para ser capaz de realizar a réplica crítica ao texto, avaliando em que medida há concordância ou discordância com o autor, a coerência interna do texto, as conseqüências e desdobramentos das posições ali assumidas, os valores que expressa, as atitudes a que induz etc. é necessário estimular o aluno, por meio de perguntas, discussões, comparações a outros textos e discursos, debates etc. que extrapolem o texto em questão. Mas não basta perguntas do tipo “qual é a sua opinião sobre o assunto” ou “você concorda com x”, o que pode simplesmente suscitar superficialidades do que ele já pensa a respeito. É preciso oferecer elementos para que o aluno possa pensar coisas novas, aprofundar suas análises etc. 

 

Referência:

COORDENADORIA DE ESTUDOS E NORMAS PEDAGÓGICAS
TECENDO LEITURAS: primeiros fios... SÃO PAULO - setembro/2004 .
Elaboração de orientações didáticas para as obras que integram o acervo do Módulos Clássicos - 2005

 

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