Luciano Veloso do Santa Cruz

eNome completo: Luciano Jorge Veloso

Nascimento: 13 de setembro de 1948

Iniciou no esporte: aos 14 anos de idade, no juvenil do União

Encerrou:  aos 32 anos de idade, no Central de Caruaru

Posição: Meio-campista

Características: Habilidade com a bola, chute forte e gols de falta.

Jogou nos times: União Peixe Esporte Club / Pesqueira PE; CRB / AL; Santa Cruz / PE; Sport / PE; Corinthians / SP; Juventus / SP; Portuguesa / SP; Nautico / PE; Central / PE.

Treinou os times: Nautico / PE (2 vezes); CSA / AL; Botafogo / PB; Paulistano / PE; Payssandu / PA; Santa Cruz / PE (Divisão de Base); Pesqueira Futebol Clube / PE (2006);

Considerado: Um dos melhores jogadores e 2º Artilheiro do Santa Cruz / PE;  4º Artilheiro do Campeonato do Pernambucano.











LUCIANO (1)
Luciano Jorge Veloso
13/09/1948, Pesqueira (PE)

Posição: Meio-campista

Clubes: CRB (1965), Santa Cruz (1965-75), Sport (1975-76), Corinthians (1977-78), Juventus (1979-1980), Portuguesa (1980-1981), Náutico (1980-82) e Central (1982).

Títulos: Pentacampeão Pernambucano (1969-70-71-72-73), Pernambucano (1975) e Paulista (1977).

Marcas: Artilheiro do Campeonato Pernambuco de 73, com 25 gols. Segundo maior artilheiro do Santa Cruz com 174 gols, em 409 jogos. Quarto maior artilheiro da história dos pernambucanos, marcando 110 vezes, 83 pelo Tricolor, atrás somente de Baiano, Tará e Fernando Carvalheira.
Características: Preciso nos passes e lançamentos, mas encantava também com os chutes certeiros. Armador clássico que cadenciava bem o jogo.


Estréia pelo Santa:
16/10/1966 - Amistoso
Santa Cruz 4x0 Vera Cruz/Abreu e Lima

Curiosidades:
#Luciano recebeu de presente um curió, pássaro de valor na época, de um torcedor, pelo gol do título no campeonato de 69. Os demais jogadores pediram ao meia que deixasse o animal na concentração do clube, mas ele não se sensibilizou com o apelo: "Não! de jeito nenhum. Vou levá-lo para casa."
#No período em que defendia os juvenis do Santa Cruz, os colegas o chamavam de Dodô. No time, já existia outro Dodô, goleiro. Veio, então, um diretor e decretou que a partir daquele dia o Dodô, de Maceió, seria Luciano e o goleiro passaria a ser Gaião. O nome sugestivo acabou virando motivo de risadas e o arqueiro passou a atender pelo nome de batismo mesmo, Naércio.
Hoje: Trabalhou, no ano passado, como técnico nas divisões de base do Tricolor. Em 1993, Luciano comandou o Náutico no vice-campeonato pernambucano, perdendo para o Santinha de virada.
O Pentacampeonato do Santa Cruz começa, na verdade, quando o milionário James Thorp assume o departamento de futebol do clube. Além de todo o dinheiro do "inglês", como era chamado pelos torcedores, mudou-se a forma de ação. No lugar de jogadores medalhões,vindos do Rio e de São Paulo; investimento na prata-da-casa, valores da região e na estrutura do Mais Querido, construindo uma concentração e ampliando o Estádio do Arruda. Entre os garotos, estava o promissor Luciano, vindo do futebol alagoano.

Embora pernambucano, o meia começou no CRB, com 17 anos, levado pelo irmão Paulo Veloso. No estado vizinho conquistou o título dos juniores no clube regatiano e, num amistoso de entrega de faixas, contra o Santa, acabou sendo descoberto. Seu time perdeu por 3x2, mas Luciano fez os gols do CRB, chamando a atenção do técnico tricolor Batista, que, antes da viagem de volta ao Recife, já havia deixado a passagem do meia com o mesmo destino. Poucos dias depois, aquele que ficaria conhecido como A Maravilha do Arruda, chegava à capital pernambucana.
Peça fundamental no título mais importante do Santa Cruz, camisa 10 por vários anos, principal assistente da época e, ainda, fazia muitos gols. Na saga do Penta (69 a 73), Luciano balançou as redes 69 vezes, tornando-se, ao lado de Fernando Santana, o grande goleador desse período. Ainda foi o jogador que mais vestiu a camisa coral no Pentacampeonato, com 126 jogos, do total de 131 do Tricolor, o que representa incríveis 96% das partidas. Especialista também em quebrar longo jejuns de títulos: com o Santa, em 69, dez anos depois da última conquista estadual, no Sport, em 75, doze anos na fila e pelo Corinthians, em 77, na seca há 22 temporadas.

O primeiro treinador no profissional do Maravilha do Arruda chamava-se Alexandre Borges, homem que iniciou o trabalho com os meninos da base. Mas, quem colheu os frutos do campeonato de 69 foi Gradim, outra fera com a garotada. O presidente Aristófanes de Andrade resolveu copiar a idéia do Náutico, montando uma superestrutura que continha psicólogo, nutricionista, assistente social, dentista, e médicos. A folha salarial não era alta, pois possuía basicamente jogadores da região. Dinheiro sobrava, afinal James Thorp estava por perto, chegando ao ponto de presentear cada jogador com um fusca após a confirmação do título de 69. O campeonato se decidiu em quatro(!) partidas contra o Sport, vencedor do 1° turno, enqüanto o Santa levou o 2°. Nos três primeiros jogos, uma vitória Tricolor (3x0), outra leonina (2x0) e um empate (0x0). Na grande final, nos Aflitos, os dois rivais empatavam em 1x1, Facó para o Santa e Duda igualou o placar, quando aos 30 minutos do 2° tempo, Luciano dava a primeira mostra que crescia nas decisões: uma falta cobrada com maestria, no melhor estilo folha seca, fez explodir o povão tricolor, sedento por troféus. Ele terminou o estadual como vice-artilheiro do Santa, com 13 gols, atrás do goleador do Pernambucano-69 Fernando Santana, 23 gols, que, ao lado do volante Zito, do zagueiros Birunga e Zé Júlio e do atacante Mirobaldo, era um dos expoentes da equipe que viria a ser bicampeã em 70 e representante de Pernambuco nos Robertões de 69 e 70.
Novamente a jovem dupla de artilheiros se sobressaiu. Santana, primeiro do campeonato de novo, 15 gols e, logo depois, Luciano, com 14. Levando em conta os estaduais de 69 e 70, os dois marcaram 65 vezes, quase metade do que fez o Tricolor - 139 gols. Numa das finais do bicampeonato, agora, frente ao Náutico, A Maravilha do Arruda mais uma vez mostrou seu poder de decisão. Depois do empate - 0x0 - no primeiro jogo, o Santa fez 2x1 no alvirrubro, dois gols de Luciano, tranqüilizando os torcedores e o time para o último confronto. Outra vitória, 2x0 - Cuíca e Ramon -, deu ao Santa o histórico primeiro título no Arruda. O futebol do esquadrão do novo técnico Duque era considerado moderno, com todos cobrindo todos e revezando-se nas posições. O meio-de-campo formado por Zito e Luciano se consolidou como um dos melhores do Brasil. Mais tarde, Givanildo e Erb jogariam na posição ao lado da Maravilha do Arruda.
Durante a disputa do estadual de 70, uma grande cheia no Recife provocou a morte de 61 pessoas e inundações nos estádios da capital. Mas, passado o triste episódio, Luciano teve seu valor reconhecido na inclusão de seu nome na lista dos 40 jogadores da Seleção Brasileira para a Copa-70, assim como aconteceria com o atacante Ramon, em 74.

Mantendo o futebol de muita técnica, no qual, quem corria era a bola, e não o jogador, vieram o tri, 71, e o tetra, em 72, nesse, por sinal, o Santa teve os três goleadores do campeonato - F. Santana, 15 gols, o próprio Luciano, 13, e Ramon, com 12. Mas foi no Penta que o meia assumiu a artilharia do estadual - 25 gols -, chegando a marcar em 20, das 36 partidas, e ficando de fora apenas duas vezes. Além desses números, as estatísticas do Terror do Nordeste nos cinco títulos (69 a 73) impressionam: 101 vitórias, 19 empates, 11 derrotas, 333 gols marcados, 71 sofridos, resultando no saldo positivo de 262.
Tamanho destaque do clube e jogador não passaria em branco no sul do País. O Palmeiras chegou perto de levá-lo, mas Luciano disse aos pretendentes que só sairia por muito dinheiro, "mas muito mesmo." Depois, além do meia tricolor, os portugueses tentaram Ramon, mas a proposta do Boa Vista pelos dois foi considerada baixa.
A eficiência do Maravilha do Arruda chamou a atenção também nas competições nacionais. No Brasileiro-73, ele terminou na décima colocação na Bola de Prata, da Revista Placar, atrás de feras como Forlan, do São Paulo, Ademir da Guia, do Palmeiras, e Fito, do Bahia e atual técnico do Santa Cruz. Jogando os Brasileirões, de 71 a 74, pelo Mais Querido, Luciano marcou 34 gols em 96 jogos.
No início de 75, já desgastado após dez anos no Arruda, o, então, presidente José Nivaldo, resolveu negociá-lo. A transação com o Sport aconteceu justamente durante o carnaval, a fim de evitar uma revolta da torcida, concentrada na festa anual. O Santa recebeu 600 mil cruzeiros, gastos logo depois com as contratações de Mazinho, o Deus de Ébano, vindo do Grêmio, e Carlos Alberto, ex-São Paulo. Luciano segueria sua missão de tirar da fila alguns clubes importantes no cenário brasileiro. Primeiro, o grande rival tricolor, o Sport, doze anos em jejum, sendo hepta-vice. Em São Paulo, participou de 49 jogos, dos 54, pelo Corinthians no Paulistão de 77, um dos mais emblemáticos da história.

O camisa 10 do Santa Cruz teve muitos treinadores no Arruda - Alfredo Gonzalez, Duque, Evaristo de Macedo, Paulo Emílio, Caiçara, Lanzoninho e, por último, Carlos Froner -, mas nenhum deles ousou a mudar o número de sua jaqueta. Segundo maior artiheiro do Santa Cruz Futebol Clube. É um orgulho para o clube e a torcida ter em Luciano um dos jogadores que mais vestiram o manto Cobra-Coral, com 409 atuações.

"Um dos melhores jogadores da história de Pernambuco. "

Relato do Jornalista José Neves ( http://www.arquibancada.blog.br/)

Fontes: Entrevista com Luciano, Revista Resenha Esportiva, 85 anos de bola rolando (Givanildo Alves), Campeonato Pernambucano (1915-1970 e 1971-2000) (Carlos Celso Cordeiro), Diario de Pernambuco, Diario da Manha Revista Placar e os seguintes sites na internet:

http://blogdosnumerospe.blogspot.com/2008/01/artilheiros-el es-deixaram-seus-nomes-na.html
http://desenvolvimento.miltonneves.com.br/QFL/Conteudo.as px?ID=62257
http://www.blogdosantinha.com/?s=Luciano+&paged=3
http://idolosdosanta.blogspot.com/



Luciano Coalhada, o Luciano Jorge Veloso, meio-campista do Corinthians nos anos 70, hoje vive na sua cidade natal, Pesqueira (PE), onde é técnico de futebol. Luciano começou a dirigir o Pesqueira Futebol Clube em 2006.

Nascido no dia 13 de setembro de 1948, Luciano Coalhada começou a se destacar no Santa Cruz. No time coral, ele atuava ao lado de jogadores como Luís Fumanchu e Nunes. Aliás, ele também atuou pelo rival Sport, onde sagrou-se campeão pernambucano. 

Foi contratado pelo Corinthians em 1977 e mostrou ser pé-quente. Em seu primeiro ano no Parque São Jorge, Luciano Coalhada fez parte do time alvinegro campeão paulista de 1977. Luciano, portanto, fez parte da equipe comandada por Oswaldo Brandão que acabou com o jejum de títulos que durava desde de 1954.

Reserva boa parte daquele estadual, já que os titulares do meio de campo eram Ruço, Basílio e

Palhinha, Luciano Coalhada teve a oportunidade de atuar na histórica partida contra a Ponte Preta, dia 13 de outubro de 1977, já que Palhinha não tinha condições.

Luciano não decepcionou. Logo aos 4 minutos, do primeiro tempo, ele mandou a bola na trave da meta do goleiro Carlos Roberto Gallo. O gol do título corintiano foi marcado por Basílio, aos 37 minutos, do segundo tempo.

Luciano deixou o Corinthians para jogar no Juventus da Mooca em 1978. Na equipe da Rua Javari, ele teve como companheiros o ponta-direita Ataliba, o centroavante Geraldão, o meia César, entre outros. Luciano encerrou a carreira nos anos 80 jogando no futebol pernambucano.

 Apelido

O apelido "Coalhada" nasceu de uma personagem interpretada pelo humorista Chico Anysio. Coalhada era um jogador de futebol e que tinha o cabelo black-power e bigode. Era muito parecido com Luciano. 

Em 2009, o goleiro Marcos, do Palmeiras, "homenageou" o paraguaio Ortigoza com o mesmo apelido de Luciano.

Legenda da foto do famoso time corintiano campeão paulista de 1977: em pé vemos Zé Maria,

Tobias, Moisés, Ruço, Ademir e Wladimir. Agachados: Vaguinho, Basílio, Geraldão, Luciano

Coalhada e Romeu.

por Rogério Micheletti

Luciano Veloso


FONTE: TERCEIRO TEMPO ‎(MILTON NEVES)‎ http://terceirotempo.bol.uol.com.br/quefimlevou_interna.php?id=2862&se


Luciano Veloso, a Maravilha do Arruda

Jogador fez história com pentacampeonato do Santa Cruz e esteve perto de disputar a Copa de 1970, no México. Ele também passou pelos rivais Náutico e Sport


Luciano Veloso teve uma carreira de sucesso atuando como meio-campo, mas tinha faro de gol como poucos atacantes. Ele é o segundo maior artilheiro da história do Santa Cruz. Foram 174 gols marcados em 409 jogos. Virou a Maravilha do Arruda logo no começo da carreira como profissional. Era talento de sobra para o definir as partidas com a bola rolando e nas cobranças de falta. “Hoje, um jogador que parece mais ou menos com o nosso futebol é o Paulinho, do Corinthians. Um meio-campista que chega para finalizar”, compara o ex-jogador de 64 anos.

Apesar do dom para balançar as redes adversárias, Luciano Veloso guardava uma peculiaridade nas suas comemorações. Ou melhor, na falta de comemorações. Assim como o astro italiano Balotelli, ele entendia o gol como uma obrigação. Extravasar não era com ele. “Não era marketing. Eu não vibrava mesmo. Hoje, a gente vê todo munto pulando e tirando a camisa. Para mim, era um dever cumprido. Eu via o gol como compromisso”, afirma. É sobre esse personagem irreverente nas atitudes e no visual - Luciano adotava o estilo blackpower - que o Por Onde Anda de hoje retrata.

Os apelidos
Antes de receber alcunha de a Maravilha do Arruda, em 1969,Luciano Veloso era conhecido como Dodô. O apelido veio com ele desde a terra natal, Pesqueira, até que um dia o treinador Alexandre Borges resolveu mudar a história. “Havia o goleiro chamado Naércio que também era conhecido Dodô. Teve um dia que Alexandre falou: ‘vamos parar com essa história de apelido. Vamos chamar todo mundo pelo nome’”, lembra.


Chegada ao Arruda
Apesar de ser natural de Pesqueira, o primeiro clube em Luciano Veloso atuou na base foi o CRB. Certa vez, o time alivrrubro encarou o Santa Cruz em uma partida amistosa. Era a comemoração pelo título dos juniores. “Na entrega das faixas, um jogador do Santa Cruz chamado Zé Luiz perguntou se eu tinha interesse de ir para o Arruda. Eu disse que sim. Ele acabou facilitou a minha ida”, conta.

A partida, disputada em um sábado, acabou em 3 a 2 para os tricolores. Luciano, porém, havia deixado uma bela impressão. Marcou os dois gols dos alagoanos. Na ocasião, um diretor do clube coral já deixou o dinheiro da passagem para o então atleta promissor. Na quarta-feira, o meio-campista já começou a escrever a sua passagem de dez anos pelo Arruda (1965 a 1975).

Fim do jejum e início do penta tricolor
Luciano Veloso, além de talentoso, passou a ter a fama de um jogador pé quente. A sua carreira ficou marcada pela quebra três jejuns de títulos em clubes distintos. Em 1975, foi no Sport que não levantava uma taça há 12 anos. Em 1977, no Corinthians. O Alvinegro passou em branco por 22 anos. O primeiro da série, porém, foi no Mais Querido, em 1969.

O destino ainda reservou a Luciano a chance de fazer o gol da conquista. “Tenho a memória bem fresca ainda. O jogo foi contra o Sport nos Aflitos. Tinha uma falta no lado da barra do Country Club. A partida estava em 1 a 1. Teve a falta e nós cobramos bem”, declara o ex-jogador, que costuma dar declarações no plural.

Foi o começo do pentacampeonato tricolor, em que Luciano foi protagonista. Ele marcou 69 gols na campanha e foi o artilheiro dos cinco títulos junto com o atacante Fernando Santana. Além disso, foi quem mais atuou. Este presente em 126 dos 131 jogos.

Quase na Copa de 1970
Em grande fase no Arruda, Luciano Veloso esteve muito perto de fazer parte de um dos maiores times da história do futebol. O atleta entrou na lista de 40 jogadores que poderiam defender o Brasil na Copa do Mundo de 1970. O atleta, contudo, acabou não fazendo parte da equipe comandada por Pelé que conquistou o tricampeonato.

“Ficamos na relação se tivesse a necessidade de chamar alguém caso houvesse contusão. Não lamento ter ficado de fora de jeito nenhum. Só torci e torço até hoje para que a Seleção tenha jogadores da região”, afirma Luciano, que nunca vestiu a camisa da Canarinho.

Mudança para o rival
Depois de alcançar a glória no Santa Cruz, Luciano Veloso virou objeto de desejo do Sport. Nos últimos 12 anos, o Rubro-negro assistira aos rivais chegarem a glória. Primeiro, foi o hexacampeonato do Timbu. Depois, o penta da Cobra Coral. Pressionado, o presidente leonino, Jarbas Guimarães, começou a montar o que ficou conhecido como o Supertime.

A contratação de Luciano, na verdade, aconteceu nas vésperas do Carnaval de 1975 e foi umadescoberta do Diario de Pernambuco. Veio como um bomba. Luciano foi o Craque Ressaca da época. “Eles conseguiram me arrastar do Santa Cruz. O treinador Duque tinha boa referência nossa como pessoa e jogador. Ele também nos levou para o Corinthians e não deixamos a desejar. Fomos campeões lá também assim como no Sport. Ele não queimou as suas fichas apostando no nosso futebol”, diz.  

Jogador e treinador do Náutico
Luciano Veloso ainda teve tempo de mostrar o seu futebol nos Aflitos. Em 1982, ele passou plantou a semente para retornar ao clube como técnico. “Fui vice-campeão como treinador (em 1993, na segunda passagem pelo time) e jogador. Sabem que o título de vice no Brasil não existe, mas vale para o nosso currículo”, afirma.


As passagens de Luciano nos Aflitos se devem a dois alvirrubros ilustres. Primeiro, ainda quando ele era jogador, o então senador Wilson Campos entrou em contato com o atleta que estava na Portuguesa. Depois, quando acabara de disputar o Pernambucano de 1983 pelo Central como jogador, Américo Pereira fez um convite. “Ele nos chamou para ser treinador e acabamos indo. Fizemos uma bela campanha e deixamos o Náutico em 6º no Brasileiro”, conta, lembrando da melhor campanha da equipe na Primeira Divisão.


Luciano também rodou por vários clubes da região como treinador, mas essa é uma profissão que ele não quer mais seguir. “A responsabilidade do treinador é só na derrota. É uma profissão muito ingrata”, declara.

Projeto em Pesqueira
Luciano Veloso agora tenta ensinar o que aprendeu com a bola para garotos da sua terra natal. Em Pesqueira, ele comanda um projeto de futebol com garotos entre 7 e 17 anos. O nome é Escola da Bola.




Campeonato Paulista - 1977
O fim do jejum

22 anos, 8 meses e 6 dias.

Foi esse o tempo em que o corintinao demorou pra gritar campeão novamente, após a conquista do título e 1954.

A torcida não aguentava mais tanta gozação. Foi um verdadeiro martírio, mas que teve fim no sagrado ano de 1977. O fim das gozações. O reeencontro com os títulos.

Veio, como não poderia deixar de ser, de modo sofrido. Mas veio. Vamos ver como foi.

O Corinthians não começou bem o campeonato, que teve o Botafogo de Sócrates como vencedor do primeiro turno.

Restava vencer o segundo turno para continuar com chances no campeonato. E não deu outra. Em 18 jogos, o time vence 13 e vai disputar o título do turno. Na semifinal, ganha do São Paulo por 1 a 0. Na final, disputada no dia 31 de agosto, vence o Palmeiras por 1 x 0, gol de Geraldão aos 26 minutos do segundo tempo.

CORINTHIANS 1X0 PALMEIRAS - 1977


Vem o terceiro e último turno. Os oito melhores times do campeonato lutam por duas vagas. Com duas derrotas nos quatro primeiros jogos, o Corinthians é obrigado a vencer os três últimos compromissos, contra Botafogo, Portuguesa e São Paulo, para continuar respirando no torneio.

Ali o Corinthians mostrou que aquele título seria nosso. Venceu o Botafogo e a Portuguesa, ambos por 1 x 0, e o São Paulo por 2 x 1.

Com essas três vitórias o Timão vai para a final enfrentar a Ponte Preta, que contava com craques como Carlos, Oscar, Polozzi, Dicá e Rui Rei.

Como havia perdido três jogos para a Ponte durante o campeonato, sendo um em Campinas por 4 a 0, o Corinthians festejou a decisão da Federação Paulista de Futebol de colocar todos os jogos das finais no Morumbi.

No primeiro deles, dia 05 de outubro, vitória corintiana por 1 a 0, com gol de cara de Palhinha. O título estava perto, muito perto.

Corinthians 1 x 0 Ponte Preta - 1ª partida decisiva da final do Camp paulista


A torcida, feliz, já se preparava para fazer a grande festa no domingo, dia 9 de outubro. Com um simples empate, o título, finalmente, iria para o Parque São Jorge. Entusiasmada, a torcida do Timão compareceu em massa ao Morumbi e estabeleceu o recorde de público do
estádio que dura até hoje: 138.032 espectadores.

Corinthians 1977 - A maior entrada em campo da história


O clima parecia propício para o fim do jejum. Mas, com a contusão de Palhinha no primeiro tempo, a incerteza começou a aparecer. O gol de Vaguinho, que substituíra o atacante, aos 43 minutos, parecia colocar tudo de volta ao normal e deixar a torcida em delírio. Vem o segundo tempo e, para desespero da Fiel, a macaca reage. Dicá, aos 22 minutos e Rui Rei, aos 33, viram o jogo e calam o Morumbi. A decisão estava adiada para quinta-feira à noite.

Apesar de não ser tão grande como no domingo, a torcida corintiana enche o Morumbi para ver aquele que seria o jogo da libertação, do fim do jejum, que já durava 22 anos, oito meses e seis dias.

13 de outubro de 1977. Uma data que entrou para a história do Corinthians e do futebol brasileiro. O Dia da Libertação Corintiana!

Começa a partida e logo de cara, aos 16 minutos, mais de 80 mil corintianos vêem o perigoso atacante Rui Rei reclamar com o juiz Dulcídio Wanderley Boschillia e ser expulso. Quem temia por uma nova tragédia passou a ficar mais aliviado.

Mesmo precisando de um empate no tempo normal e na prorrogação, o Corinthians foi para cima da Ponte. Geraldão, artilheiro do Timão naquele campeonato com 24 gols, quase abre o placar aos 39 minutos, após aproveitar um cruzamento de Vaguinho.

Chega o segundo tempo. Os dois times entram nervosos e muito cautelosos. O medo de tomar um gol fez com que as equipes ficassem apenas se defendendo. Em raros contra-ataques, o perigo aparecia. Em um deles Dicá, da macaca, cabeceia livre na área. Para fora.

Assustado, o técnico Brandão se levanta e manda o time para o ataque. Aos 36 minutos, Zé Maria bate uma falta pela direita. A bola percorre toda a pequena área e vai parar no pé de Vaguinho, que, de bico, chuta a bola no travessão do goleiro Carlos. Na volta, ela quica no chão e sobe para Wladimir cabecear. Em cima da linha, Oscar, também de cabeça, salva. Mas no rebote, a bola sobra para o pé direito de Basílio. O meia, com toda a força, faz então o esperado gol. Festa no Morumbi. Restavam apenas 8 minutos. Nessa hora, não havia mais esquema tático. Pouco antes de acabar, Oscar e Geraldão, que foi o artilheiro do campeonato com 24 gols, brigam e são expulsos. Aos 46, Dúlcidio pede a bola e encerra a partida: o Corinthians é campeão.

Fim do jejum. Fim do sofrimento.

[FINAL 1977] Campeonato Paulista (melhores momentos)


OSMAR SANTOS CORINTHIANS X PONTE PRETA 1977


A torcida invade o campo e comemora com os seus ídolos. Brandão é carregado no colo, o presidente Vicente Matheus perde os sapatos, os jogadores ficam quase nus.

O coro de “é campeão” toma conta da noite paulista e invade a madrugada. A partir daí, surge um novo Corinthians. Acabaram-se os traumas e o time volta a ser o bom e velho vencedor. O gol de Basílio foi o mais importante da história corintiana. Veja seu depoimento sobre o jogo:

“A terceira partida da final do Paulistão de 77 foi a melhor que nós fizemos no campeonato. Jogamos determinados, fomos pacientes e também atrevidos. Tanto que, mesmo precisando do empate, fomos para cima da Ponte Preta. No primeiro tempo merecíamos ter feito uns dois ou três gols. Na segunda etapa, o jogo ficou equilibrado até o gol. O lance saiu de uma bola parada e eu, depois do bate-rebate, fiz o gol de direita e corri para a galera. Após o jogo, queríamos dar a volta olímpica, mas foi impossível. Pouco importa. O que valeu mesmo foi a festa e o fim do jejum.”

O artilheiro do Timão foi Geraldão, com 23 gols, um para cada ano de fila!

A taça de 1977
(Foto: Arquivo Victor Hugo)

Campanha - Campeonato Paulista de 1977
09/02/1977Corinthians2X0Portuguesa Santista
13/02/1977Ponte Preta4X0Corinthians
16/02/1977Corinthians3X0Comercial (Ribeirão Preto)
19/02/1977Paulista0X2Corinthians
24/02/1977Ferroviária (ARARAQUARA)0X0Corinthians
27/02/1977Marília0X2Corinthians
02/03/1977Corinthians0X1Juventus
06/03/1977Botafogo (Ribeirão Preto)2X2Corinthians
10/03/1977Corinthians2X0Portuguesa
13/03/1977Noroeste1X0Corinthians
20/03/1977Corinthians1X1Santos
23/03/1977São Bento (Sorocaba)0X0Corinthians
27/03/1977Corinthians0X3Guarani
17/04/1977São Paulo0X1Corinthians
20/04/1977Corinthians3X1XV de Piracicaba
27/04/1977Corinthians3X0América
08/05/1977Palmeiras0X0Corinthians
11/05/1977Corinthians4X0XV de Jaú
22/05/1977Corinthians2X0São Bento (Sorocaba)
25/05/1977Corinthians5X1Noroeste
29/05/1977Santos0X4Corinthians
05/06/1977XV de Jaú3X0Corinthians
09/06/1977Corinthians2X0Botafogo (Ribeirão Preto)
12/06/1977Guarani2X1Corinthians
19/06/1977Portuguesa Santista0X1Corinthians
26/06/1977Comercial (Ribeirão Preto)0X1Corinthians
02/07/1977Corinthians4X0Paulista
10/07/1977Portuguesa1X0Corinthians
17/07/1977Corinthians1X0Juventus
24/07/1977Palmeiras4X2Corinthians
27/07/1977Corinthians1X0Marília
31/07/1977América1X2Corinthians
10/08/1977XV de Piracicaba2X3Corinthians
13/08/1977Corinthians3X1Ferroviária (ARARAQUARA)
21/08/1977Corinthians1X0São Paulo
25/08/1977Corinthians1X2Ponte Preta
28/08/1977São Paulo1X2Corinthians
31/08/1977Palmeiras0X1Corinthians
04/09/1977Corinthians2X2Santos
11/09/1977Ponte Preta1X0Corinthians
18/09/1977Corinthians2X0Palmeiras
21/09/1977Corinthians0X1Guarani
25/09/1977Botafogo (Ribeirão Preto)0X1Corinthians
29/09/1977Corinthians1X0Portuguesa
02/10/1977Corinthians2X1São Paulo
05/10/1977Corinthians1X0Ponte Preta
09/10/1977Ponte Preta2X1Corinthians
13/10/1977Ponte Preta0X1Corinthians

Campanha - Campeonato Paulista de 1977
JVEDGPGC
48306127338


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