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Bodas de Ouro - Assis e Madalena

Bodas de Ouro – Assis e Madalena

Hoje é dia de festa... de justa e merecida festa. A renovação de um matrimônio de 50 anos. A celebração das Bodas de Ouro de Assis e Madalena, meus queridos pais.

Só a celebração desta união de 50 anos seria suficiente para uma grande e jubilosa comemoração. Porém é muito, muito mais do que isto. É a celebração da família, da verdadeira Família Cristã. Família esta que tenho muito orgulho de fazer parte, que é constituída por meu pai, minha mãe e os seis rebentos que tive o privilégio divino de ser o primeiro.

POIS BEM! MEUS AMIGOS.

A vida e o tempo são os maiores de todos os mestres. Quantas e quantas vezes discordamos da solução que nossos pais encontravam para nossos anseios e problemas. Quantas e quantas vezes, não conseguíamos entendê-los por acharmos que estavam errados, que eram velhos e tradicionais demais para compreenderem o mundo dos jovens.

Quando pensávamos que podíamos transformar o mundo com um discurso progressista ou de esquerda, achávamos que só a nossa opinião era a correta, não admitíamos ponderações. Hoje, descobrimos o quanto nossos pais estavam certos. A experiência nos faz entender que a juventude é, sobretudo, incendiária. Cada dia que passa, sinto que deixo de ser o que era para me parecer mais com o meu pai. Que bom que pude descobrir isso enquanto ele ainda vive.

Mas no convívio dos pais com os filhos passa-se por diversos momentos, que vão dos desentendimentos às grandes alegrias, é a arte de viver junto. Para o filho, há um tempo que pensa que tudo pode e os pais estão lá para serem chatos e os impedirem de serem felizes:

São chatos quando não permitem que peguemos o que não é nosso. São chatos quando não deixam que passemos o dia inteiro na rua. São chatos quando nos obrigam a estudar. São chatos quando nos acordam na segunda feira pela manhã num dia frio e chuvoso para irmos para o colégio. São chatos quando querem saber quem são os novos amigos que estamos saindo. São chatos quando fazem perguntas de coisas que tentamos esconder. São chatos porque nos cobram boas notas. São chatos quando percebem que estamos negligenciando nossas obrigações.

Graças a Deus fomos criados por pais chatos quando foi necessário ser. Por isso, concluímos nossa faculdade, conseguimos o emprego por meio de concurso, e nunca nos envolvemos com drogas ou coisas do gênero. Por conta disso, eles hoje podem olhar para os filhos e dizer: combatemos o bom combate.

Na verdade ser chato era somente a percepção do jovem que não entendia que por trás daquela atitude havia um grande e verdadeiro amor. Seria muito mais fácil deixar a criança ou o adolescente fazer o que bem quisesse, seria mais simples. Mas, muitas vezes, certas decisões foram tomadas a custa de muita dor, mas havia um nobre sentimento de que aquilo seria o melhor. Era a decisão em cima do que verdadeiramente educa e edifica.

A mãe sempre cabe a parte mais difícil, porque os filhos sabem de sua sensibilidade e emotividade e recorrem a ela, primeiro para convencê-la, na esperança que depois ela convença o pai; assim cabe a ela toda a responsabilidade pelo que vier acontecer. Se for para sair e só chegar de madruga, ela não dorme. A cabeça fica tomada por mil pensamentos... e todos ruins. Até que ouve o mais lindo e esperado dos toques, o tilintar da chave abrindo a porta ou toque suave pedindo para entrar. Que sensação maravilhosa! Ver sua cria voltar para casa sã e salva, só assim consegue dormir o sono dos justos. É algo que depois de um tempo passa a acontecer todos os finais de semana, mas aquela sensação de angústia, coroada com o alívio da chegada do filho é renovada toda vez que acontece.

50 anos! - quantas coisas mudaram em 50 anos.

Lembro-me quando as lamparinas eram luzes que clareavam nossa casa nas noites escuras. Depois chagou a novidade da energia de Paulo Afonso, deixando a casa com os fios correndo nas paredes e os interruptores pendurados ao alcance da mão. –¬ Que maravilha era essa tal energia elétrica!

Lembro-me quando pegamos o trem em Alexandria, partindo de Marcelino Vieira no ano de 1965, para morar em Mossoró. Naquele instante, não tínhamos a noção do quanto viria ser dolorida a saudade de nossa terrinha querida, de toda a nossa família e dos amigos que lá ficaram. – Eu era uma criança muito pequena, mas tem coisas que a gente nunca esquece. Mossoró era para nós, o máximo que podia existir em termo de cidade, só não era igual ao Rio de Janeiro que sabíamos que existia e que era muito longe e lá moravam alguns tios.

Lembro-me do dia que saímos da Boa Vista para morar no Bairro doze anos, nesse dia o Presidente da República, Costa e Silva, visitava Mossoró, por isso tivemos que fazer uma volta enorme com a carroça da mudança. É, meus amigos... nesse tempo mudança era feita em carroça.

Lembro de uma camisa de volta ao mundo e alguns pares de sapatos, que foram meus, que foram repassados aos outros irmãos mais novos à medida que íamos crescendo.

Lembro-me quando nos reuníamos antes de dormir para comer bolacha seca com rapadura, em seguida, tomávamos água fresca de um filtro de barro, num copo de alumínio, depois rezávamos e dormíamos felizes e de barriga cheia.

Foi com muita alegria que vimos chegar a primeira geladeira – CLIMAX era sua marca e o liquidificador WALLITA, nessa época, poucos vizinhos tinham uma geladeira e um liquidificador. A televisão então, foi uma grande felicidade. Foi tão grande que eu fiquei pulando de alegria com Lamarque e cai por cima dele. Consequência: ele cortou a língua, o estrago foi tão grande que ele teve que ser levado para o hospital para suturá-la: pegou 4 pontos em cima e 3 embaixo.

Lembro-me quando passei no exame de admissão, sai correndo da União Caixeiral para onde meu pai trabalhava para dividir com ele a minha maior vitória até então. Exame de admissão, os mais jovens não sabem o que é isso. Mas era uma seleção para entrar no ginásio, hoje ensino médio.

Lembro-me de nossas viagens de férias para Marcelino Vieira, não havia férias melhor no mundo. Era como se voltássemos à terra santa. Que alegria quando de longe avistávamos a torre da igreja (a matriz de Santo Antônio). As lágrimas que enchiam os olhos denunciavam que o coração estava disparando de alegria.Que dias maravilhosos aqueles.

Somos muito felizes por Deus nos ter confiado e este lindo casal que hoje celebram essas bodas douradas. - O que somos devemos a eles.

Vimos durante esses anos um casal, que compartilhou muito amor. Vimos também momentos de desavenças. Sim... desavenças... Os casais que se amam também se desentendem. Mas vimos o que é mais importante: a reconciliação, o perdão, a cumplicidade, o carinho, o respeito, o amor incondicional, o levantar depois da queda.

Passamos por várias provações durante este tempo todo e cada provação, cada dificuldade, cada desafio, aumentava a afetividade e harmonia da família. E toda dificuldade serviu de estímulo para a transformarmos numa oportunidade.

Com a graça de Deus vimos morar em Natal. Nessa nossa trajetória somos gratos a três cidades. A Marcelino Vieira onde este casamento se realizou, é terra natal de quatro dos seis filhos. Mossoró que tem uma parte importante, onde nasceram mais dois e foi a terra que nos deu oportunidade dos estudos preliminares e meu primeiro emprego. Mas a Natal devemos muito, esta abençoada terra nos deu nossas maiores oportunidade e as mais expressivas vitórias.

Mas quero deixar evidente que tudo isso é o cenário onde pudemos vencer na vida, mas o mais relevante é o grande legado que herdamos: foram os ensinamento por meio das atitudes e atos de nossos pais. O que efetivamente ensina e se transmite para os filhos são os atos praticados e não os conselhos proferidos. Portanto, o que aprendemos por meio do exemplo, tem sido o maior de todos os norteadores em nossas vidas.

O que aprendemos com vocês, papai e mamãe, não se ensina nas escolas: aprendemos o que é ser rico. Porque rico não é quem mais tem. Rico é quem menos precisa. Aprendemos que para ser feliz, temos primeiro que desejar ou fazer o outro feliz, e que a felicidade vem como conseqüência. Aprendemos que os melhores amigos estão em nossa casa e que eles estarão ao nosso lado quando mais precisarmos. Aprendemos que sucesso é o sono tranqüilo.

Espero que tenhamos a felicidade e poder continuar desfrutando do convívio de vocês e de nossas reuniões aos domingos a tarde por muitos anos e muitos anos, assim como ser exemplo para meus filhos como vocês são para mim.

Fiquem certos que, reforçamos o que dizíamos quando criança, nos os amamos no fundo do coração.

Bendito seja Deus por mostrar por meio de vocês que o amor ainda existe. E que o amor é eterno, pois transforma a beleza física e a paixão típicas da juventude na doçura, na amizade terna, verdadeira e sublime, sem, contudo, arrefecer o amor verdadeiro.

Feliz bodas de ouro!!
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