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DEMIAN CABAUD
A TRAVE!

COM O MESMO ENTUSIASMO COM QUE COSTUMA APRESENTAR-SE EM PALCO, O CONTRABAIXISTA
ARGENTINO FALA DO SEU TRAJECTO,
DA MÚSICA QUE PREPAROU PARA O SEU NOVO ÁLBUM,
RUÍNAS, E DOS MÚSICOS QUE PARTICIPAM NESTA SUA MAIS RECENTE FORMAÇÃO.

Texto:
Paulo Barbosa | Fotografia:
Renato Nunes
 
Natural de Buenos Aires, o contrabaixista Demian Cabaud é, desde a sua chegada a Portugal, em 2004, um dos músicos mais activos no jazz produzido no nosso país. Há vários anos ao serviço da Orquestra Jazz de Matosinhos, tem contribuindo com a segurança inabalável do seu contrabaixo para vários outros projectos, sendo André Fernandes, André Matos, Francisco Pais, Gonçalo Prazeres, Gonçalo Marques, João Lencastre, Laurent Filipe, Ricardo Pinheiro ou Maria João apenas alguns dos nomes com quem trabalhado nos últimos tempos. Tem paralelamente mantido a sua ligação a alguns músicos norte-americanos, como Phil Grenadier, Ohad Talmor, Leo Génovese e Gerald Cleaver, com quem gravou o primeiro álbum em seu nome, "Naranja", para a Toneofapitch, em 2008. Ainda no âmbito internacional, há a destacar a sua participação na gravação de um DVD instrucional "Jazz Improvisation: A Personal Approach with Joe Lovano", uma publicação da Berklee Press.
 
Cabaud acaba de nos apresentar o seu segundo álbum – "Ruínas" –, mais uma edição da Toneofapitch, para a qual formou um quarteto com os saxofonistas Zé Pedro Coelho e João Guimarães e o baterista Marcos Cavaleiro, todos integrantes da Orquestra Jazz de Matosinhos, tendo ainda convidado o comparsa Leo Genovese para se sentar ao piano em quatro temas e, para uma faixa apenas, o guitarrista André Fernandes.
 
A música de Cabaud é agora, de acordo com a descrição do próprio, mais livre e aberta. Cabaud compôs vários dos temas, tendo juntado à lista um trabalho do compositor erudito checo Josef Suk e outro do compositor tradicional argentino Cuchi Leguizamon, mas o princípio que impera ao longo de todo o disco é o da abertura de amplo espaço para a improvisação, o que se reforça no facto de várias das suas faixas corresponderem a momentos livremente improvisados. Se o contexto tem raíz no quarteto sem piano de Gerry Mulligan com Chet Baker, é inevitável reconhecer também alguma proximidade, nomeadamente na articulada interacção entre Zé Pedro e João Guimarães, com o álbum "The Vastness of Space", obra incontornável do contrabaixista Reid Anderson. Mas Cabaud faz questão de frisar a sua inspiração no trabalho do actual quarteto de Wayne Shorter, Danilo Perez, John Pattituci e Brian Blade, quarteto no qual Cabaud admira a impossibilidade de se perceber exactamente qual é a parte que está escrita e qual a que é improvisada. A verdade é que é mais ou menos isso que se passa neste seu novo álbum.




Como nasceu a tua paixão pela música?
Foi por acaso: um grupo de amigos, para aí com onze ou doze anos, juntou-se para tocar música e faltava um baixista. Eu, na realidade, queria tocar bateria, mas a minha mãe achava que a bateria era muito cara e que seria muito barulho em casa, e então, como o que faltava era um baixista, fui tocar baixo. Comecei pelo baixo eléctrico. No começo, realmente, com doze anos, não estava muito naquilo, mas depois, com o passar do tempo, comecei a interessar-me cada vez mais, a ter aulas particulares e a levar tudo cada vez mais a sério.

E então quando é que decidiste que era isto que querias? Que querias ser músico a sério?
Quando decidi isso? Acho que ainda não decidi isso... [risos] Foi tudo muito natural, quero dizer, começou muito suavemente e foi gradualmente ficando mais profundo. E depois, não gostei nunca do liceu. Para mim era horrível, todos os dias o liceu... E eu queria era ficar em casa a curtir o baixo. Depois, nos últimos anos do secundário, um amigo emprestava-me CDs de jazz e comecei a ouvir isso e a curtir cada vez mais, de modo que nos dois últimos anos do secundário já sabia que queria fazer música.

Apesar de nunca teres sido grande aluno nas aulas do secundário, sempre foste aplicado no estudo da música, ou não? Como é que foi o teu percurso académico?
Começou com aulas particulares. O professor vinha a minha casa e dava-me as aulas, mas, depois de acabar o secundário, fui para uma escola de música, um instituto privado, em Buenos Aires, e era uma cena super intensa.

Mas era já uma escola de jazz, ou era uma escola de música que tinha várias vertentes?
Era uma escola de música privada que ensinava mais tipo "fusion" e jazz. Claro que para os baixistas eléctricos era mais "fusion" e para os pianistas era mais jazz...

E para os contrabaixistas também...
Não, não. Não havia contrabaixo. Ainda era baixo eléctrico que eu tocava.

Tocaste então o baixo eléctrico durante muitos anos...

Sim... Eu toco contrabaixo há pouco mais de dez anos. Comprei o meu primeiro contrabaixo em 1999, no dia 25 de Dezembro. Mandei fazer um contrabaixo e o gajo demorou quatro meses a construi-lo. Aluguei um contrabaixo para ir tocando entretanto e chateava o desgraçado quase todos os dias. Até que ele, já farto, me disse que lá fosse buscar o contrabaixo no dia de Natal, às 9 horas da manhã. Claro que às 9 horas em ponto estava a bater-lhe à porta...

E nunca mais largaste o contrabaixo... Puseste o baixo eléctrico de lado?
Claro! Foi logo! E, respondendo então à tua pergunta de há pouco, aí é que a dedicação foi enorme. Foram três anos muito intensivos: improvisação, leitura e todas essas coisas. Como gostava muito do que estava a fazer, passava horas naquilo.

Uma obsessão?
Sim: pelo menos seis horas por dia no contrabaixo.

Uma vez que estiveste muitos anos no baixo eléctrico, é provável que as tuas primeiras grandes inspirações para a música não tenham sido contrabaixistas, mas talvez baixistas eléctricos e outros instrumentistas, ou não?
Comecei a ouvir mais Chick Corea e esse tipo de coisas.

Fusão? Os anos do Return to Forever?
Nem tanto o Return to Forever, mas mais a Akoustic Band e essas coisas... O grupo com o John Pattituci e o Dave Weckl. Na verdade, a cena do contrabaixo começou para mim quando estava ainda nos últimos dois anos em que frequentei o tal instituto. Foi aí que comecei a ouvir cada vez mais coisas do jazz tradicional e dei comigo a tentar imitar o som do contrabaixo, a imitar a função do contrabaixo no jazz mais clássico.

A imitar no baixo eléctrico, portanto. A querer "swingar"...
Sim, a tentar fazer o "walking", a tentar um som mais parecido com o do contrabaixo. E foi aí que decidi poupar dinheiro durante algum tempo, vender o baixo eléctrico e comprar o contrabaixo. E a última vez que peguei num baixo eléctrico foi já para aí há dez anos.

Apesar de só mais tarde os contrabaixistas terem entrado mais directamente na tua vida musical, quais acabam por ser os teus ídolos no instrumento?
O primeiro que bateu logo assim muito forte foi o Scott LaFaro, até porque tinha um professor de piano e de improvisação que, como todos os pianistas, tinha uma grande "panca" pelo Bill Evans. E quando ele me mostrou o trio com o LaFaro, disse para mim próprio: "Quero isto!" O LaFaro revolucionou tudo.

E agora, sem querer ser indiscreto, gostava de te perguntar com é que, depois de uma passagem por Boston, vens bater a Portugal.
Primeiro, conhecia em Boston muitos portugueses: o André Matos, o Francisco Pais, o Gonçalo Marques... E então o Francisco organizou uma tournée com o seu grupo para vir cá durante um mês e viemos com o Ferenc Nemeth, o Leo Génovese e um saxofonista que se chama Nathan Blehar. Quando cá cheguei, não foi propriamente aquela cena de "amor à primeira vista", mas fui-me perguntando: «O que é isto?»... Fui directo para Sintra, fui comer os travesseiros. Ficámos durante um mês aqui e depois continuámos uma tournée pela Europa e depois voltámos para tocar com o André Matos e aí já fiquei a magicar ficar por cá...

Mas tinhas ainda nessa altura estudos para terminar em Boston?
Nessa altura, sim.

E voltaste a Boston?
Voltei a Boston, mas há aqui um "pequeno" pormenor: na segunda semana da minha estadia em Portugal conheci a minha namorada e foi assim uma paixão...

Por isso é que dizia há pouco que não queria ser indiscreto...
[risos] Mas na altura não se passou nada; depois voltei para Boston e fiquei por lá ainda um ano e tal e depois surgiram as complicações com os documentos... Iria ter de tentar obter um "artist visa", pelo qual teria de pagar para aí 2.000 dólares e para o qual teria de juntar um monte papéis. E a verdade é que, com a crise na Argentina, as coisas ficaram um bocado difíceis em termos económicos. Mas também estava um bocado farto de lá estar. E sempre tive a fantasia de experimentar viver na Europa.

E agora estás a ver-te com raízes já bem firmes aqui, não?
Daqui não me vou embora para sítio nenhum, pá! Cada ano que passa me sinto mais "tuga"!

Do ponto de vista estritamente musical, quais são os projectos em que te tens envolvido que mais te têm marcado na tua actividade como músico em Portugal?
O projecto que tenho de destacar é a Orquestra Jazz de Matosinhos. É uma organização e uma experiência fabulosa. É um projecto muito desafiante. Tens sempre compositores e solistas de primeira linha e então tens de tocar a música do compositor como ele quer e para isso tens de estar extremamente bem preparado. À pala da orquestra conheci e toquei com grandes músicos e foi por essa via que fui fazer a cena do noneto do Lee Konitz.

Aliás, acabas por gravar o teu último disco só com músicos da Orquestra Jazz de Matosinhos.
Sim. Desenvolvi uma amizade muito, muito grande com o Marcos [Cavaleiro]. A relação entre o baixista e o baterista é sempre uma relação muito forte e surgiu uma empatia muito grande logo desde o início. O Marcos toca muito, muito mesmo. Depois o Zé Pedro e o [João] Guimarães também... Houve sempre altas partilhas na orquestra e depois dos ensaios ficávamos a curtir. A malta ia-se embora e ficávamos aí a tocar standards. Então, um dia, decidi que queria fazer uma cena diferente e o desafio de tocar sem instrumento harmónico é sempre muito interessante.

Estás a ler-me o pensamento... Era exactamente sobre isso que queria que me falasses: a escolha de uma formação sem piano nem guitarra aconteceu por acaso ou terás sentido que a música que andavas a escrever pedia exactamente a ausência de instrumento harmónico?
Não, não. Foi um bocado pelo motivo de que estávamos a falar antes... Obviamente que tocar em big band é uma experiência incrível e muito enriquecedora, mas também é muito limitante, embora a Orquestra Jazz de Matosinhos seja alta cena porque há sempre muitas coisas contemporâneas e "free", mas sabes que tens sempre de preparar a cena para que entrem depois quinze gajos a tocar e o contrabaixo é nisso uma referência muito importante. E foi por isso que senti que tinha de fazer outra coisa, uma cena mais livre e aberta.

De qualquer das formas, a música deste novo disco poderia eventualmente soar de outra forma se a tivesses arranjado de outra forma, com piano, ou a própria música poderá preferir só estes músicos?

Não sei. Primeiro que tudo, o que escrevo é sentado ao piano, de modo que é música que se calhar até soaria bem se tocada em piano solo, ou, pelo menos, soaria diferente. Começámos a tocar e percebi que era aquilo que queria. É mais pela liberdade e nem tanto por ter pensado que queria tocar música para ser tocada sem piano. Isso veio depois... Aliás, na verdade, até há piano em alguns temas do disco.

Pois há. E, já agora, como surgiu a ideia e a oportunidade de para isso convidar o Leo Genovese, exactamente o pianista com quem, como há pouco disseste, vieste pela primeira vez a Portugal?

O Leo e eu temos uma relação muito próxima. Somos amigos há muito tempo. Começou por sermos colegas de quarto em Boston durante os 4 anos em que lá vivi, e partilhámos muitos momentos diferentes na vida. Musicalmente, partilhamos um momento de crescimento importante, gravámos vários discos juntos, entre os quais o seu primeiro álbum, "Haikus II", e o meu CD "Naranja". Acho que o Leo, de uma ou de outra forma, está sempre um bocado presente na minha música.

E também convidaste o André Fernandes para tocar num tema, não foi?

Sim, o André aparece num tema. Nestes últimos anos, também tenho partilhado muitos momentos com o André, uma tournée com o noneto do Lee Konitz, algumas com o grupo da Maria João, diferentes projectos com a Orquestra Jazz de Matosinhos, alguns concertos com o seu grupo, etc. Fazia todo o sentido que entrasse no disco, pois a música com ele toma diferentes direcções e é mais uma cor no álbum. Tanto com o Leo como com o André a música acontece...

Prevês algumas vantagens na apresentação deste projecto pelo facto de teres agora gravado um disco essencialmente com músicos de cá? Pergunto isto porque gravaste o teu primeiro álbum com músicos sem dúvida bastante reputados, mas que são músicos estrangeiros, com os quais não é fácil efectuar apresentações ao vivo da música do disco.

Sim, é muito difícil e muito caro. A viabilização não é nada fácil. Mas a verdade é que esse projecto foi como fechar uma etapa. Estava nos Estados Unidos e tocava com malta de lá e a própria música tinha sido escrita ainda lá. Mas a verdade é que eu moro cá, e se eu estou cá, tenho de fazer música cá. Se gravas com malta de fora, é altamente, mas é como estar com um pé lá e outro cá, o que não pode ser. Além disso, se toco todas as segundas-feiras com este novo grupo, começa a desenvolver-se uma linguagem, uma empatia e uma energia com eles.

Fala-me deles e da tua relação musical, que obviamente não se separa da pessoal, com cada um deles.
O João Guimarães é um músico extremamente melódico com um dos melhores sons de alto daqui de Portugal. Eu adoro o som do gajo. A música que faz é incrível. E também tem evoluído muito nos últimos tempos. É super criativo e, tal como o Marcos e o Zé Pedro, está sempre pronto a improvisar... Não se sabe bem o que se vai passar e a atitude é sempre "'bora aí". No disco há um menor número de músicas escritas do que de momentos completamente improvisados. É um bocado seguindo a linha do grupo The Fringe, do George Garzone. Quanto ao Zé Pedro, pá, o Zé Pedro é já um monstro do instrumento, um "tenorzão", que está a fazer as coisas muito, muito bem. Está a evoluir muito também e é outro que adora também a cena do espaço e de improvisar e de não saber o que é que se vai passar a seguir. Quando há que tocar tradicional, o gajo está lá; quando há que tocar aberto, também está. Está sempre aí. E o Marcos, pá, o Marcos é como meu irmão! É incrível. Musicalmente, o Marcos é super aberto e está sempre a absorver coisas e tem uma atitude incrível.

É talvez a grande revelação da bateria em Portugal nos últimos anos...
Não sei se já será reconhecido como tal, mas acho que vai dar muito que falar... Se continua assim, vai ser grande. Quer dizer, para mim, já é grande, mas acho que ele ainda tem muito caminho. Mas, em balanço, os três são grandes músicos, músicos incríveis.

Estás muito satisfeito, portanto...
Sim. É tudo muito fácil. São gajos que sabem... A leitura é tipo [estala um dedo]. Metes-lhes uma pauta à frente e lêem tudo à primeira. E a interpretação é muito boa. A big band é, nesse aspecto, uma óptima escola.

E como é que vês esta tua música? Como é que a caracterizarias?
Basicamente, eu escrevo para tocar. Muitas vezes o que antes me acontecia era escrever uma música que fosse bonita para depois improvisar sobre ela. Agora escrevo mais directamente em função da "performance". Tento escrever poucas coisas e com muitos espaços que prevêem liberdade para que nunca soe igual. E soa sempre diferente, havendo mesmo músicas com partes escritas que nunca chegam a ser tocadas ao vivo. Neste sentido, uma das coisas que mais me influenciou foi o grupo do Wayne Shorter com o Danilo Perez, John Pattituci e Brian Blade. Sempre que vejo o grupo, nunca percebo nada! Nunca percebes muito bem qual é a parte que está escrita e qual a que é improvisada, e quem é que está a solar... E isso é incrível. E gosto que no meu grupo a música soe sempre diferente; às vezes tocamos as coisas que estão escritas e improvisamos, mas noutros casos improvisamos e já não é preciso tocar a parte escrita, porque já apareceu qualquer coisa pelo meio que mudou a direcção. E não existe aquela cena de cortar o solo de alguém. Se entrou é porque há uma nova direcção... É uma conversa, basicamente. É como quando estás com quatro amigos e cada um tem a sua opinião... E assim se cria uma conversa, um espaço comum para o diálogo.
 

 
DISCOGRAFIA
  
Como líder:
Demian Cabaud: "Naranja" (Toneofapitch)
Demian Cabaud: "Ruínas" (Toneofapitch)
  
Como sideman:
Leo Genovese: "Haikus II" (Fresh Sound New Talent)
André Matos: "Small Worlds" (Fresh Sound New Talent)
André Matos: "Rosa Shock" (Toneofapitch)
Orquestra Jazz de Matosinhos "invites Chris Cheek" (Fresh Sound New Talent)
Lee Konitz/Ohad Talmor Big Band featuring OJM: "Portology" (Omnitone)
Carmen Marsico: "Sonho" (Beartones)
Gonzalo del Val-Miguel Fernandez Vallejo: "Symploke Quintet" (Ed. autor)
Joao Lencastre's Communion: "One" (Fresh Sound New Talent)
Francisco Pais: "School of Enlightenment" (POI)
Joana Rios: "Universos Paralelos" (MDE)
Alejandro Chiabrando: "Green Light" (Blueart)
Laurent Filipe: "Flick Music" (iPlay)
André Fernandes: "Imaginário" (Toneofapitch)
Ricardo Pinheiro: "Open Letter" (Fresh Sound New Talent)
Gonçalo Prazeres: "Depois de Alguma Coisa" (Ed. autor)
Gonçalo Marques: "Da Vida e da Morte dos Animais" (Toneofapitch)