STÉPHANE BELMONDO
The Same As It Never Was Before
(Verve)


Leonel Santos


Paulo Barbosa


Rui Duarte













Sob o nome Belmondo existe um agrupamento francês em que Stéphane, trompetista, se associa a seu irmão Lionel – saxofonista e arranjador/compositor - e conjuntamente com outros músicos franceses criam uma forma muito original e interessante de música de cross-over entre o jazz e a música clássica francesa do início do século passado e do qual já resultaram dois trabalhos interessantíssimos: Hymne au Soleil e um encontro magnífico com Yuseff Lateef, entre outras obras, porventura, não tão conseguidas.

Em seu nome próprio, de Stéphane conhecia-se um trabalho anterior com versões em estilo neo-Bop de canções de Stevie Wonder - Wonderland - e surge agora este The Same As It Never Was Before editado por uma «major»- a Verve, e onde Stéphane se faz acompanhar por dois monstros jazzmen norte-americanos - o reconhecido baterista Billy Hart e o imerecidamente esquecido Kirk Lightsey no piano –, além de um jovem talento no contrabaixo: Sylvain Romano.

Belmondo tem um som quente e aveludado no seu trompete e é no fliscorne que mais sobressai, talvez por isso. Lembra um Art Farmer, por exemplo. O CD tem um ambiente totalmente descontraído e é absolutamente despretensioso. Magistralmente gravado no célebre estúdio La Buissone, o quarteto percorre em ambiente mainstream quatro temas escorreitos de Belmondo; uma piscadela de olho improvisada em trio: “Free for Three”; um bop clássico de Lightsey; uma versão de “You and I» de Stevie Wonder, aparentemente uma fortíssima influência musical para Stéphane; o standard “Everything Happens To Me” e um tema de Wayne Shorter: “United” onde Lightsey se solta. Além dos seus sopros habituais, Stéphane experimenta as conchas e a flauta no «florestal» “Godspeed” e um trompete baixo no belíssimo tema final: “Haunting By Now”. É, ainda, um prazer "re-ouvir" Kirk Lightsey e o seu trabalho de artesão ao longo dos oito temas em que está presente.

De vez em quando sabe bem ouvir um CD de um jazz mainstream, cool e swingante muito agradável, nada repetitivo, com um solista de som quente; bem-disposto e tocado com a elegância e a mestria em doses bem doseadas. Não cansa o cérebro e é um bálsamo para os ouvidos.

A conhecer.

Rui Duarte


Stéphane Belmondo (trompete, fliscórnio, conchas, flautas)
Kirk Lightsey (piano, flauta)
Sylvain Romano (contrabaixo)
Billy Hart (bateria)



Stéphane Belmondo é um músico bastante popular em França, onde costuma aparecer ao lado do irmão, saxofonista e autor, Lionel. The Same As It Never Was Before, editado já este ano, inscreve-se dentro da escola mainstream, aqui e ali salpicado de tonalidades étnicas, de resultados diferentes. É o caso de “Godspeed”, tocado em búzios, numa cópia bastante descarada de Steve Turre (que, não tendo o monopólio das conchas, o faz de forma bastante mais inspirada). Mas trata-se de um pormenor, já que o disco em nenhum momento desmente a filiação post-bop de Belmondo, confirmada até pela presença tutelar de Kirk Lightsey, também autor de duas peças, ou afinal das baquetas sem mácula de Billy Hart. Melodias bem construídas, com algo de pop, fazem de The Same As It Never Was Before um disco bastante agradável.  LS



The Same As It Never Was Before é álbum cheio de música excepcionalmente bem executada por quatro “profissionalões” (com particular destaque, como é hábito, para o baterista Billy Hart), no decurso do qual não nos deparamos, no entanto, com significativas surpresas. Trata-se de mais um disco como tantos outros que foram gravados nos últimos dez, vinte ou quarenta anos, de tal forma que, ironicamente, o seu título antes poderia ser “The Same As It Always Was Before”. Se há algumas ideias mais originais (ou, pelo menos, mais exóticas), estas estão confinadas aos dois temas em que são empregues flautas e conchas, os quais acabam por não resultar da melhor forma e, como tal, se encontram bem longe de constituir as melhores faixas de um álbum que se ouve com algum prazer, mas ao longo do qual se vai ficando à espera de mais, de descobrir qualquer coisa de diferente ou de especial que nunca se chega a encontrar.  PB