Atacama - Descrição da viagem 2010

Brasília - San Pedro de Atacama - Brasília, carnaval de 2010.

Fotos do Atacama.

Utilizamos os mapas de Tracksource (Brasil), Mapear (Argentina e Chile), Viajeros (Argentina e Chile) e ConoSur (Argentina e Chile).

Como previsto viajamos a San Pedro de Atacama no carnaval de 2010, com quase certeza de ida ao oceano pacifico e à cidade de Tocopilla no Chile.

Foram dois carros Hilux SW4, com troca de passageiros ocasionalmente para conversas diversas e para que não virasse rotina o que prejudica uma viagem longa como esta.

Com atraso na hora da saída inicialmente prevista para ao meio dia do dia xxx/2010, seguimos mesmo assim sem pressa. Numa viagem longa não adianta muito correr. O tempo ganho não vale a pena.

Dormimos na cidade de Prata (MG) em um hotel (ex motel) que fica logo na estrada. De acordo com o combinado antes, ficaríamos sempre que possível em hotéis na estrada pois facilitam chegada e saída com menor perda de tempo.

Logo cedo saímos no dia seguinte e dormida em Foz de Iguaçu, no Hotel Luz, já nosso conhecido e onde sempre fomos muito bem recebidos. Esse hotel tem uma boa localização, fica bem próximo a rodoviária e já no caminho. Também o preço é bom. À noite parte dos integrantes aproveitou para uma visita à cidade de Puerto Iguazu já na Argentina, para ter os primeiros contatos com nossos “hermanos”. E sem saber entraram na “fria” da parrillada.

No dia seguinte passamos a fronteira e compramos moeda argentina na fronteira mesmo. A viagem transcorreu normalmente dentro de território argentino com vários risos em relação aos carros que víamos na estrada. Alguns bem velhos e antigos. Em todas as barreiras policiais fomos parados como sempre. Nesse primeiro dia de Argentina dormimos na cidade de Presidencia Roque Saenz Pena no hotel Presidente, também já conhecido. A garagem estava lotada e os carros ficaram na rua, mas em frente ao hotel. Sem problemas.

Saímos cedo em direção à Salta onde chegamos ao final do dia. Mesmo com o uso do GPS erramos a entrada da cidade e terminamos em um bairro de aparência não muito amigável. Segundo um dos integrantes, esse tal de GPS e seu respectivo operador devem ter uma queda por guetos, pois na maioria das cidades sempre entrávamos pelos bairros.

Em Salta que também é conhecida como “La Linda”, depois de olharmos alguns hotéis, ficamos no hotel Victoria Plaza bem no centro, onde conseguimos bom preço e garagem. Passeamos um pouco à noite e conhecemos a agitação de Salta. No dia seguinte uma das integrantes ia chegar de avião e fomos no horário combinado ao aeroporto, que por sinal é bem pequeno. O vôo chegou no horário, final da tarde. Ficamos mais um dia em Salta, passeando ao teleférico e também fomos à autorizada Toyota para ver umas peças. Cidade boa, animada e ótimo comércio.

No dia seguinte com chuva e céu nublado, seguimos em direção ao nosso destino e prevendo as belezas da estrada e estrada de terra. Sem erros, poucos quilômetros da saída de Salta fomos parados por um guarda que nos avisou que devido às fortes chuvas a estrada por onde seguíamos estava interrompida e teríamos que voltar por uma outra rota. O GPS prontamente recalculou a outra rota que passa próximo a cidade de Cerrillos. Vimos mais umas 2 interrupções e a chuva realmente havia sido forte.


 Passamos por Campo Quijano quase sem notar com a tensão crescente de iniciar a subida dos Andes. A estrada inicialmente de cascalho, começava a mostrar os primeiros riachos e “costelas”. O visual foi ficando cada vez mais bonito à medida que entravamos na “Quebrada do Rio Toro”. Uma chuvinha fina complementava a paisagem e melhorava o ânimo dos participantes. As bocas começavam a se abrir com as belezas da “quebrada” e do caminho em direção à San Antonio de Los Cobres.
Com surpresa encontramos bem antes do que esperávamos o asfalto. Bom, porque assim não perderíamos muito tempo num percurso onde colegas demoraram 10 horas de viagem. O asfalto melhorou nosso ritmo, mas sem atrapalhar o visual que continuava a deixar os participantes de queixo caído. Várias pequenas cidades, algumas só com placa indicativa, foram se sucedendo. Algumas paradas em barreiras policiais continuavam. Policiais mais educados, entretanto. A sugestão para visitarmos as ruínas de Sta. Rosa de Tastil não foi aceita por causa do tempo que estava previsto para essa parte da viagem. Chegamos em San Antonio de Los  Cobres e seguimos logo ao posto de combustível, o único na cidade em fev10. Lá encontramos duas meninas que foram presenteadas com Polenghinhos e barras de cereais.  Fomos também a um pequeno restaurante para nosso primeiro chá de coca. Depois de San Antonio de Los Cobres fomos ao viaduto La Polvorilla, onde descemos e relaxamos um tempinho. Dizem que esse é o viaduto construído em local mais alto do mundo. A estrada para o viaduto saindo da ruta RN51 segue margeando um “rio” que na época de chuva ou degelo deve ser bem bonito.  A saída do viaduto é por outra estrada, que no Mapear utilizado está incorreta. Aqui os mapas de Viajeros e Conosur estão certos. Mas independente disto, não tem erro.

As paisagens e salares foram aparecendo cada vez mais, “lavando a vista”. A altitude já fazia seu efeitos. A cabeça fica “meio ruim”, o raciocínio lento, mas isso faz parte e já era previsto. Causou até alguns risos e brincadeiras.


Continuamos a viagem por estradas de terra. Próximo a Las Barrancas paramos algumas vezes na imensidão do nada para fotos. Las Barrancas é a aduana argentina na saída para o Paso Sico. Depois rodamos um bom pedaço em estradas ainda bem bonitas e sem chegar propriamente no Chile que tem sua aduana, somente alguns km depois da saída da Argentina.
 

A aduana do Chile já é vista de longe, pois fica numa reta e sem nada por perto.

 No caminho passamos ainda pelo acampamento El Laco, base de uma companhia mineradora e bom ponto de apoio. Chegando na entrada para as Lagunas Miscanti e Miniques, encontramos sinais de obras de terraplanagem. Será o asfalto avançando ?

Encontramos de novo o asfalto na cidade de Soccaire uns 90km de San Pedro de Atacama. Nessa estrada de terra cometemos dois erros. Poderíamos ter baixado a calibragem dos pneus (para melhorar a passagem pelas “costelas”) e usado a tração 4x4 para melhorar a dirigibilidade.

A chegada do asfalto MUITO liso, deu um descanso às tensões e aos corpos.

Em San Pedro de Atacama fomos direto à aduana, onde havia uma fila muito grande. Um dos funcionários gentilmente nos tirou da fila e rapidamente nos liberou para o hotel. Depois de umas olhadas resolvemos ficar na Pousada Chiloé. Bem razoável e próximo ao centro. Garagem e café da manhã.

Para o dia seguinte já marcamos a ida ao Oceano Pacífico, para um banho de mar. Saímos um pouco atrasados e já na saída de San Pedro, uma das Hilux começou a fazer um barulho diferente. Paramos: a bateria havia se deslocado de sua sede e batia no reservatório de óleo da direção hidráulica. Conserto rápido. E seguimos para a praia. Na subida logo depois de San Pedro os ponteiros de temperatura das Hilux subiram ! Paramos, conferimos tudo (óleo, água, etc...) e notamos um fio solto (fio terra) que saiu com a mudança de posição da bateria. Prendemos o fio, limpamos o filtro de ar (formou um monte de areia na estrada), esperamos um pouco e seguimos viagem sem problemas, mas com a certeza de procurar a autorizada Toyota em Calama. Entramos na cidade e depois de algumas informações achamos a dita cuja. Que decepção. Não podiam nos atender, só com agendamento. Explicamos que estávamos de viagem, etc, etc....Nada !. Pediram que a gente voltasse à tarde para ver o que poderia ser feito. E indicaram um mecânico perto que entendia de Hilux e Toyotas em geral. O mecânico disse que esse acontecido era normal. Sempre que se saía de San Pedro tarde do dia, os carros esquentam mesmo. Conferiu o nível de água, suspeita de ar no sistema, e disse que se desse mais problema ia tirar a válvula termóstatica. Detalhe: ele não sabia onde ela ficava. Nos passou o número do telefone e qualquer coisa lhe telefonaríamos. Ainda tínhamos muito a subir. 


Sem problemas subimos o resto da cordilheira e descemos até Tocopilla, nível do mar....um calor danado. Com auxílio do GPS procuramos um balneário (Balneário Covadonga) e fomos ao banho de mar felizes da vida. Nesse balneário tem lugar para guardar roupas, e banho de chuveiro com água "doce". Paga-se uma taxa para isso.
Que surpresa !!!! A água estava MAIS que gelada !!! Por questão de honra entramos assim mesmo !. Do lado de fora calor de uns 40 graus. E a água geladíssima ! Almoçamos em Tocopilla, com vinho e cervejas, pensando na viagem de volta com nova grande subida.
Chegamos de volta, à noitinha em San Pedro, e procuramos logo excursão para no dia seguinte irmos aos Geisers. Os preços são mais ou menos tabelados mas como deixamos para reservar no final da noite, quase que não conseguimos. Por fim: saída às 4 horas da madrugada, sem atrasos !! Levar calção de banho e toalha. Saímos quase no horário marcado na van de excursão. Dizem que é aconselhável ir sempre em excursão, pois as companhias não gostam que se vá em carros próprios. Em todo caso, concordamos com isto. A estrada é péssima e perigosa, à noite principalmente. E cá entre nós, sair às 4 da matina, numa estrada desconhecida, em seu carro que ainda vai ter que voltar ao Brasil, sabendo que só tem uma oficina mecânica em San Pedro, etc etc etc....Vale a pena pagar. Na chegada aos Geisers é servido um café da manhã, "meia boca" no nosso caso, e começa o espetáculo. Muita gente e muitos Geisers.  E por fim um banho em águas MUITO quentes. Só que do lado de fora a temperatura é de zero grau !! Alguns entraram na água. Não tive essa coragem ! Só pensava na hora que fosse sair ! Depois dos Geisers como parte da excursão, passamos num pequeno povoado (Machuca) para experimentar "churrasquinho de lhama". Estradas muito bonitas com vários oásis no caminho. Chega-se à tardinha em San Pedro.

O tempo estava acabando para alguns da turma e preparamos a saída para o dia seguinte. Acordamos cedo, mas na hora da saída um dos componentes descobriu que havia perdido o passaporte e não tinha carteira de identidade. Sufoco !! Saímos procurando nos hotéis onde estivemos, procuramos em alguns locais da cidade e fomos na delegacia para ver que providências tomar e se alguém tinha achado. Segundo informações tínhamos que ir a Santiago, no consulado, dar parte e tirar um documento provisório ! Também acessamos a internet e ligamos várias vezes ao consulado do Brasil. Não tem jeito ! Só indo à Santiago ou outro consulado brasileiro mais próximo. Talvez Antofagasta.....Sem solução prática, resolvemos arriscar e sair do Chile e entrar na Argentina com o documento que a pessoa tinha (carteira de motorista). Combinamos que se desse uma grande complicação, um dos carros voltaria ao Brasil e o outro ficaria para ver o que mais poderia ser feito. 
Na saída do Chile em San Pedro, na aduana, o agente que nos atendeu, disse que estávamos ilegais no país, pois não havíamos dado entrada na polícia e apenas na aduana !! Pronto !! Lascou de vez !! Ele nos explicou gentilmente que a solução seria nossa prisão, pois assim são tratados os ilegais em qualquer país. Conversa vai, conversa vem....ele soube que não eram só os 2 que conversavam  com ele e que tinham mais passageiros nos carros. Ele riu, chamou outros agentes e disse: pessoal ! Achei um monte de ilegais !!!. Continuamos as conversas, com medo de que ele pedisse os documentos de todos. E a pessoa que tinha perdido o passaporte e não tinha identidade ??!!!. Depois de muito tempo o agente pegou os passaportes dos motoristas e foi conversar com o supervisor. Terminamos sendo liberados, com a observação de que na entrada na Argentina, para todos os efeitos a gente não havia estado no Chile. Tem sentido: não havia registro de entrada no país, de nossa turma. E agora ??. Seguimos com a combinação anterior: se desse problema um carro seguiria viagem e o outro voltaria.
Pensa que acabou ??? Tem mais.
Como saímos muito tarde de San Pedro, o sol estava a pino, dia quente ! Resultado, no subidão da saída em direção à Argentina, as Hiluxes esquentaram de novo. Não é que tenha sido "aquela esquentada", mas como o ponteiro da temperatura começou a subir, paramos, tomamos um refrigerante e seguimos viagem de novo. Já depois dos atrasos, quase perdíamos os guardiões da Pakana e combinamos para dormir no hotel Pastos Chicos, uns 4km antes de Susques. Perdemos a ida à Bolívia e ao Salar de Tara. Vão ficar para a próxima. Também perdemos uma visita aos maiores telescópios do mundo. Ficam bem próximos a estrada e ja tínhamos até o "tracklog". Os mapas de Viajeros já mostram essa estrada.

Paso Jama, entrada na Argentina. Vamos lá. Dedos cruzados, etc, etc....
De cara o agente pediu a identidade de todos. Fui apresentando os documentos e do "perdido" apresentei a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) que continha o número da carteira de identidade. O agente pediu novamente a identidade. Aleguei que no Brasil estávamos mudando para documento único e que na CNH tinha o número da identidade. Tensão !! Ele olhou e disse: isso é no Brasil, aqui é Argentina. Sem outro argumento, apenas sorri. Mostrei a ele o local do número e por fim ele deixou passar. Não sem antes dizer algumas "piadas", sobre o carro, etc...No final até que fomos bem atendidos, o que é raro no Paso Jama. Tomamos outro chá de coca, agora já em saquinho, e vamos que vamos !. No Paso Jama agora tem posto de combustível do Automóvel Clube da Argentina (ACA) e hotel. Melhorou muito !.

Como não reservamos, o Hotel Pastos Chicos, próximo a Susques, estava lotado.  Nada de vagas. Passamos em um outro, também sem vagas e chegamos a Susques. Depois de circular um pouco na cidade, hotéis não aprovados. Tentamos também abastecer os carros, mas não apareceu ninguém no posto e como o tempo estava "curto" seguimos viagem para dormir em Purmamarca. Lá com certeza encontraríamos hotel. Resultado: perdemos o visual das Salinas Grandes e da Cuesta de Lipan. Chegamos tarde da noite em Purmamarca e logo um pouco antes da cidade achamos um ótimo hotel: Huaira Huasi - La Casa del Viento (outro link). Após darmos entrada fomos a um restaurante que a dona do hotel já telefonou e reservou mesa para os membros da expedição. O restaurante era bom, mas a música ao vivo, muito próxima, atrapalhou as conversas de final de dia. O combustível dos carros estava no fim. Afinal o último abastecimento havia sido próximo a Chuquicamata (Chile). 

Acordamos cedo, mas sem pressa, tínhamos duas opções para o abastecimento: ou seguiríamos em direção norte (contrária a viagem, mas posto YPF) ou rodaríamos no sentido da viagem para abastecimento em posto "bandeira branca". Preferimos a segunda opção, devido ao tempo que estava "curto".
 

Em San Salvador de Jujuy, temos duas opções para chegar à Salta. Uma pela estrada da Cornisa (mais curta) que não conhecíamos e outra por pista dupla. Optamos pela estrada da Cornisa. Vale muito a pena !! A estrada é perigosa, pista simples dividida em duas, com trânsito intenso. Em compensação, passa por uma floresta com visuais lindíssimos e várias paradas para fotos. Na entrada norte de Salta os carros se separaram. Um ia ao aeroporto e o outro seguiu viagem. Combinamos o encontro na estrada.
Seguimos pela estrada e a fome foi apertando, apertando.....paramos em um pedágio mas o atendente disse que não havia infraestrutura para o "almoço", embora tivesse uma placa indicando: cozinha. Continuamos até a fome falar mais alto. Paramos assim mesmo na beira da estrada e fizemos nosso "almoço", com a ajuda do fogareirinho da Nautika. Bicho bom esse: acendimento piezoelétrico, e muito rápido. Menu: "macarrão em copo" e sardinha em lata com Guarah de sobremesa. Quando terminávamos o "almoço" já ouvimos no rádio VHF o outro carro chegando. Arrumamos a tralha e vamos simbora !!!
Dormimos novamente no Hotel Presidente em Presidencia Roque Saenz Pena. 
Como de costume acordamos cedo e voltamos pela mesma estrada da ida. Em Corrientes, fomos abordados por guardas de motocicletas que nos pararam e ameaçaram multar-nos. Infração: passar em sinal vermelho. Era mentira. 
Também já sabíamos que isso poderia ocorrer.
Aí começamos a discussão. A multa seria de 200 litros de combustível. O guarda mostrou a norma. Passaram, não passamos, passaram, não passamos....Depois de certo tempo o guarda disse que nós poderíamos seguir viagem, pois não havíamos cometido nenhuma irregularidade, mas os carros tinham que ficar. A irregularidade tinha sido do carro e não dos passageiros !! Daria uma boa gargalhada !!! Claro, íamos deixar duas Hilux com eles !!! 
Depois de alguns minutos, perguntamos quanto seria para esquecer aquelas "infrações" ele pediu 200 pesos cada carro. Alegamos que estávamos voltando, o dinheiro estava pouco, ainda tinham pedágios à frente, etc, etc.....Final da história: 50 pesos cada carro.
Voltamos sem maiores sobressaltos mas perdemos uma visita que faríamos a Simon (bom mecânico, oficina Diesel Ligero) em Posadas, e de novo ficamos no Hotel Sol em Foz do Iguaçu, depois outra dormida no Hotel Termas do Rio Preto, próximo à cidade que lhe dá o nome e por fim, Brasília.
Total de quilômetros percorridos: 7.497.

 

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