S. Lourenço dos Francos História


 

História da freguesia de Miragaia 

 

Em 1555, os povos das povoações de Miragaia, Ribeira de Palheiros, Papagovas e Casais de Campainhas (que são as que formam a freguesia hoje em dia) e Marteleira, Vale de Lobos, Carrasqueira, Casais de Araújo e Cabeça Gorda (que agora formam a nova freguesia da Marteleira), – todas elas pertencentes à época à freguesia e Paróquia de Nossa Sª da Anunciação da Lourinhã – representados pela Confraria de S. Lourenço dos Francos, pediram ao Arcebispo de Lisboa, D. Fernando de Vasconcelos e Meneses, a criação de uma nova Freguesia.

      Como o pedido foi atendido, aquelas povoações foram desanexadas da Paróquia ou Freguesia da Nª Sª da Anunciação, passando a formar a Freguesia de São Lourenço dos Francos, com sede na igreja do velho convento dos Agostinhos, há muito tempo abandonado e em ruínas.

      A Freguesia de São Lourenço dos Francos passou a chamar-se Freguesia de Miragaia após a implantação da República, em 1910, por ser a povoação mais importante da freguesia e por a Junta de Paróquia se encontrar aí sedeada. 

 

A Cidade de Monardo dos Francos

  

            Teria mesmo existido uma cidade chamada Monardo dos Francos, num local próximo da Igreja de São Lourenço?

            Só no século XVII aparecem as primeiras referências a esta cidade na “Crónica da Antiquíssima Província de Portugal da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho” de Frei António da Purificação e na “Crónica da Fundação do Mosteiro de São Lourenço” de Frei João de Santo Estevão, que refere que a cidade de Monardo foi fundada pelos cartagineses.

            Henriques de Gama Barros, na “História da Administração Pública em Portugal”, refere que Monardo foi fundada pelos celtas.

            É possível que a cidade de Monardo tivesse sido fundada pelos cartagineses, povo de navegadores e comerciantes que criaram muitos postos de comércio e povoações na Península Ibérica. O local onde supostamente teria sido erguida a cidade de Monardo era próximo do Rio Grande, navegável nesses tempos muito para lá da sua foz, mas não existem quaisquer testemunhos que comprovem essa teoria.

 

  Nunca foram feitas escavações arqueológicas nesse local, mas há relatos de muitos vestígios terem sido encontrados, indicando ter ali existido alguma povoação importante, provavelmente uma vila romana. As lápides funerárias romanas colocadas na esquina das paredes da igreja de S. Lourenço dos Francos (ver imagem), testemunham a romanização da região. Traduzindo-as do latim, a do lado sul diz: “Aos deuses Manes. O pai, Caio Júlio Severo, e Paterna, sua mãe, Mandaram fazer (este monumento) A Júlia Máxima, Filha de Caio, de 30 anos”, a do lado norte: “ Aos deuses Manes. Júlia Máxuma Mandou fazer (este monumento) A Caio Júlio Lauro, Filho de Caio, Seu Pai piedosíssimo De 41 anos”.

                        Diz Fortunato José de Carvalho que Monardo desapareceu devido a catástrofes sísmicas e em consequência das invasões dos povos bárbaros e tanto uma como a outra podem bem ser verdade.

            O sítio de Monardo passou a chamar-se Monardo dos Francos porque, naquela zona, se espalharam muitos francos, depois da doação da Lourinhã a D. Jordão por D. Afonso Henriques.

 Rui Ferreira, 8º ano, Clube de História Local - 2006/2007

 

 

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