S. Bartolomeu dos Galegos História


 

 

São Bartolomeu dos Galegos é a 2ª mais antiga freguesia do concelho da Lourinhã (a 1ª é a da vila) sendo constituída pelos lugares do Paço, Carqueja, Pena Seca, Feteira, Casal da Galharda, Reguengo Pequeno e Casal Caldeira.

 

A região foi habitada desde o período do neolítico.

Constitui-se paróquia nos finais do século XIV ou princípios do século XV, separando-se de Santa Maria de Óbidos. A freguesia de S. Bartolomeu dos Galegos incluiu o Reguengo Grande e o Moledo, até 1524 e 1594, respectivamente, datas da constituição dessas freguesias.

 

A povoação de São Bartolomeu foi buscar o seu nome ao do apóstolo, cuja imagem se venera na igreja matriz. O culto a São Bartolomeu (*1), na península, é anterior à reconquista cristã e, em Portugal, muitas paróquias instituídas nessa época têm São Bartolomeu como orago. O seu culto encontra-se espalhado por todo o país e as povoações que o têm por padroeiro são, na sua maioria, bastante antigas e, pelo menos sete delas, usam o seu nome como topónimo.  

 

 

Tem, no entanto como padroeiro São Lourenço (*2) dos Galegos. Mas este nunca conseguiu entrar na igreja paroquial, onde se venera S. Bartolomeu. S. Lourenço permanece no adro, frente à porta da igreja, numa capelinha construída para o efeito.

  

Para se tentar perceber a existência destes dois cultos, temos que recorrer à toponímia. A designação de Galegos em ambos os topónimos sugere a existência de uma colónia de gentes oriundas da Galiza que se teriam fixado nesta região. Segundo o senhor Rui Cipriano*3, estes colonos eram essencialmente canteiros, atraídos pela abundância de pedra calcária do planalto das Cesaredas, os quais trariam como patrono o hispânico S. Lourenço. Por terem uma posição económica e social superior à dos camponeses (reguengueiros por trabalharem as terras do rei) teriam imposto o seu orago aquando da criação da paróquia, apesar da população local venerar S. Bartolomeu. Para que a paróquia não se confundisse com a de S. Lourenço dos Francos (actual Miragaia), denominaram-na de S. Lourenço dos Galegos.  

 

  (*1) S. Bartolomeu foi um dos 12 Apóstolos, que depois da morte de Cristo percorreu a Índia e o Médio Oriente na sua missão evangelizadora, até ser esfolado vivo e depois decapitado. Na arte, este mártir é representado com uma faca de carniceiro na mão sobre um pequeno pedestal formado com a figura do diabo.

 

(*2) S. Lourenço, de origem hispânica, era um dos sete primeiros diáconos de Roma   (guardião do tesouro da Igreja). Durante a perseguição dos cristãos levado a cabo no ano de 259 d. C., o imperador romano daquela época mandou matar o Papa e obrigou a Igreja a entregar as suas riquezas no prazo de três dias. Passados três dias, S. Lourenço  conduziu as pessoas pobres, que tinham sido auxiliadas pela Igreja, perante o imperador,  exclamando: "Estes são a riqueza da Igreja". O imperador, furioso e indignado, mandou prendê-lo. Acabaria por ser queimado vivo sobre uma grelha colocada num braseiro ardente. Na arte, é representado com uma grelha, simbolizando o martírio que sofreu. 

*3 CIPRIANO, Rui Marques, «São Bartolomeu», Vamos Falar da Lourinhã, Lourinhã, ed,ª Câmara Municipal da Lourinhã, [2001], pp.267-281.

 

 

Símbolos do Brasão da freguesia 

 

 

Os símbolos que se encontram no  brasão de S. Bartolomeu dos Galegos, contêm referências históricas muito interessantes:

 

. Barca medieval: evoca a lenda da toponímia de S. Lourenço dos Galegos, padroeiro da paróquia e nome da freguesia anterior a 1910. Num manuscrito de 1767(*1), o padre Manuel Antunes de Carvalho refere que era tradição que o vocábulo “Galegos” vinha do tempo em que o mar chegava perto da igreja (*2). Segundo a lenda, uma embarcação vinda do norte ao passar em frente ao local apanhou uma forte tempestade e, no meio da aflição e perigo, os seus tripulantes prometeram e fizeram voto a S. Lourenço de que se ele os libertasse daquele perigo, trariam uma imagem do mártir para aquela terra. E, assim o fizeram. Este santo é o que se encontra no nicho em frente à porta da igreja e, segundo o mesmo padre, a freguesia ficou com o seu nome por este ser mais antigo que a origem da igreja e por sobrenome “galegos” por ter sido trazido por gentes do norte.

 

. Pico de pedreiro e o compasso: são os instrumentos usados ainda hoje na indústria de transformação da pedra e que existe na freguesia desde a sua fundação, na Idade Média.

 

. O monte de oito cômoros: simboliza as oito povoações que compõem a freguesia e a sua localização no planalto das Cesaredas.

 

*1  Na Idade Média e até ao século XVI, o mar cobria parte da zona costeira actual.

*2 Citado por Rui Marques Cipriano, «São Bartolomeu», Vamos Falar da Lourinhã, Lourinhã, ed,ª Câmara Municipal da Lourinhã, [2001], p.270.

 

   Melissa, Diana, Rita e Rúben, 9º ano, Clube de História Local - 2006/2007

          

  

    voltar à página anterior