Lourinhã Património Cultural


 

(Mapa com as etiquetas dos locais a visitar - a elaborar no próximo ano lectivo)

 

Igreja e Convento de Santo António

 

 

Painel da pregação aos peixes, capela-mor

 Na cidade de Rimini, em Itália, as pessoas mantinham-se indiferentes e até hostis à pregação de António. Então, deixando a cidade e  junto da foz do rio Marecchia, começou a chamar: “Vinde vós, peixes, ouvir a palavra de Deus” e deu-se o milagre, os peixes juntaram-se aos milhares para o ouvir. Curiosas, as pessoas começaram por se aproximar e, depois, maravilhadas e entusiasmadas acolheram a sua palavra.

Encimado por uma cruz com uma flor, este painel é muito interessante porque apresenta Santo António a pregar a peixes que apresentam cabeças monstruosas de cães, de porco, de pato …

 

  

Nome do monumento:

- Igreja e Convento de Santo António

 

Data da construção:

- As iniciativas para que a sua construção fosse possível iniciaram-se em 2 de Maio de 1598. Sabe–se que a sua edificação foi disputada pelos padres Marianos.

 

Localização:

- Lourinhã 

Túmulo do marido de D. Brites Brandoa

 

Mandado construir por: 

- Houveram várias doações que ajudaram a efectivar tal aspiração, sendo a primeira a doação duma terra de Manuel  Pereira Pedreiro e sua mulher.

- Em 1601 iniciou–se, junto à antiga Igreja e Convento de Santo António, a construção do novo mosteiro dos Frades Recolectores,  que avançava lentamente,

- Em 2 de Junho de 1609, por constituição do padroado a favor de D. Brites Brandôa, por ela é custeada a construção da capela-mor da Igreja do Convento, para aí sepultar os ossos do seu falecido marido (em 1601). D. Brites promete colocar nela um retábulo e ornamentos, para além de oferecer alimentos.

- Em 1619 terminou a construção da capela-mor e D. Brites de Brandoa recebeu autorização para transferir os ossos do marido da igreja velha para a igreja nova.

- Em  1623 os frades recebem ordem real para poderem alargar o muro da Cerca, mas o Convento ainda, em 1642, ainda não estava totalmente acabado.  

  

Finalidade a que se destinava a Igreja e Convento de Santo António :

- Fins religiosos.

Márcia, 6º ano, História e Geografia de Portugal - 2006/2007

 

 

 

 Origens da Azulejaria

 

Alunos do Clube de Azulejaria a trabalhar (2006/2007).

Depois terem produzido azulejos para aprender a técnica, os alunos deste clube estiveram a fazer os projectos de reprodução de azulejos antigos das igrejas do concelho, a partir das fotografias facultadas pelo Cube de História Local. No próximo ano lectivo irão cozer as peças, que depois serão postas à venda.

 

 Azulejo é uma palavra derivada do termo árabe “al zulaycha” ou “zuléija”que significa «pequena pedra lisa polida» e era utilizada para designar os mosaicos romano – bizantinos do Próximo Oriente e do Norte de África, onde eram reproduzidos em cerâmica esmaltada, nas chamadas técnicas mudéjares. Foram artistas islâmicos oriundos do Norte de África que introduziram essas técnicas em determinados centros de produção ibéricos como Málaga, Sevilha (Triana), Valência (Manises, Paterna) e Talavera de la Reina.

 

Azulejos policromos, capela das Matas

 

            O azulejo surgiu em Portugal no século XV e até meados do século XVI a sua origem é sobretudo espanhola. A partir dos finais do século XVI, na sequência das importações dos azulejos, começaram – se a fabricar em Portugal os azulejos de uma só cor, azuis ou verdes, alternados com branco. A técnica utilizada é a da “majólica” – pintura sobre a superfície lisa do azulejo – e é nesta técnica que se desenvolve a fabricação dos azulejos de padrão do século XVII (por “padrão” considera-se um conjunto mínimo de azulejos que permita a leitura de um esquema compositivo). Quanto à cor, o início do século XVII deu-nos azulejos policromos, tendo-se no final do mesmo século adoptado o azul e branco.

 

            Tanto na arquitectura religiosa como na civil, o azulejo português respondia às aspirações dos artistas - o de valorização dos espaços, dando-lhes um cunho de monumentalidade. De colocação fácil e rápida, acessível economicamente, o azulejo foi considerado funcional e plasticamente um material de revestimento quase imprescindível, sendo ainda hoje, uma das mais importantes artes decorativas.

 

 

Os azulejos da Igreja do convento de Santo António

 

Desde o final do século XVII até meados do século VIII a pintura em azulejo fez-se exclusivamente com azul sobre branco -  foi a moda do azul e branco. Os estudiosos apontam como causa principal a influência da porcelana chinesa, que tinha sido dada a conhecer pelos portugueses à Europa já desde os princípios do século XVI. Mas é só por volta de 1650 que a moda do azul e branco na azulejaria se impõe. Azul e branco passaram a ser sinal de bom gosto durante cerca de 60 anos.

Nos painéis de azulejo aparecem agora “cenas”, tal qual como nos quadros. É que a pintura dos azulejos passou a ser confiada a mestres pintores enquanto, antes eram os artesãos ou os seus aprendizes quem a fazia. Esses painéis figurativos são rodeados de complicadas molduras: pilastras, colunas, cordões, borlas, conchas, frutos, anjinhos, vasos, enrolamentos, etc. Por vezes os painéis (chamados silhares quando vão até meio da parede) são recortados em cima, numa preocupação de ocultar as linhas direitas tão ao gosto do Barroco e do Rocócó.

 

 Painel do milagre da mula, capela-mor

 Durante uma pregação, um homem levantou-se e fez um desafio a Santo António: acreditaria na presença real de Cristo no Sacramento, se a sua mula se ajoelhasse perante a custódia com a Eucaristia. A mula sem comer havia 3 dias, recusou a aveia que o dono lhe oferecia, e ajoelhou-se perante o Santíssimo Sacramento, o homem convenceu-se e converteu-se.

 

 

Paredes sob o coro

             Silhar de figura avulsa de tipo estrelinha, com flores e diversos barcos (elementos alusivos ao local) e com estrelinhas aos cantos – o mais vulgar da época.

 

Paredes da nave

Painel de Azulejos – Albarrada (cestos com flores)

 

Armanda Prioste, Mariana Aguiar e Sara Ferreira, 9º ano, Clube de História Local - 2005/2006

 

 

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Igreja de Santa Maria do Castelo  

 

 A igreja matriz da freguesia da Lourinhã é gótica e foi erguida no séc. XIV, tendo sido sagrada por D. Lourenço Vicente, arcebispo de Braga, natural e senhor da Lourinhã. Substitui uma anterior do séc.XII, construída por D.Jordão, o primeiro senhor da Lourinhã.
Situada junto das muralhas do desaparecido castelo e por isso também conhecida por Santa Maria do Castelo, a actual igreja matriz é um templo amplo e sumptuoso. É composta por três naves separadas por oito arcos ogivais, sustentados por colunas de calcário, monolíticas, encimadas por capitéis esculpidos com elementos vegetais todos diferentes.
Nas duas naves encontram-se dois túmulos, supondo-se ser o da esquerda de D.Jordão.

A capela-mor, tem forma octogonal e a abóbada assenta em grossas nervuras chanfradas, onde se observa escudos armoriados, sendo um já quase imperceptível e tendo o outro quatro flores de lis, um loureiro e dois pequenos escudos transversalmente opostos pelos vértices.

Na parede vê-se um nicho manuelino, emoldurado em cordas esculpidas, que serviam para guardar os santos óleos.

 O pórtico principal, virado para o mar, possui quatro arquivoltas com capitéis historiados, representando cenas da vida familiar rural e do Antigo Testamento, bem como animais mitológicos, já bastante gastos pela erosão dos ventos carregados de sal, vindos do mar. Esta porta é encimada por uma das mais belas rosáceas da época.

Caminhando para Sul, pode observar-se que a esquina assenta numa pedra romana. O pórtico sul é de três arquivoltas e gablete. No séc. XVI e devido a um desaterro, este baixou, vendo-se ainda as marcas da localização inicial. A torre sineira é também desse século.

Ao lado norte encontra-se uma porta ogival, de arestas chanfradas, decoradas com carrancas e vieiras esculpidas, estas últimas simbolizando os peregrinos que se dirigem a Santiago de Compostela, o que faz supor situar-se a Lourinhã nos caminhos de peregrinação.

A igreja de Santa Maria do Castelo foi classificada monumento nacional em 1922.

Sílvia, Marisa e Valter, 9º ano, Clube de História Local - 2005-2006

 

 

Simbologia Templária na Igreja do Castelo?

 

Significado dos símbolos:


Oito
– O oito é, universalmente, o número do equilíbrio cósmico. É o número das direcções cardeais, o qual se junta o das direcções intermédias; o número da rosa-dos-ventos, da torre dos ventos ateniense. É com frequência o número dos raios da rosa, desde a rodinha celta à roda da lei budista. É também o das pétalas do lótus e dos caminhos da vida.


Octógono – As pias baptismais têm com frequência uma forma octogonal na base, ou erguem-se sobre um pavilhão circular de oito pilares. A forma octogonal simboliza a ressurreição, evoca a vida eterna.

Cinco – É sinal de união, número nupcial, número também do centro, da harmonia e do equilíbrio, símbolo da vontade divina, da ordem e da perfeição.

A harmonia pentagonal dos pitagóricos deixa a sua marca na arquitectura das catedrais góticas. A estrela de cinco pontas, e a flor de cinco pétalas estão colocadas, no simbolismo hermético, no centro da cruz dos quatro elementos e a quinta – essência, ou o éter. Os cinco em relação aos seis são os microcosmos em relação aos macrocosmos, o homem individual em relação ao homem universal.

Serão estes símbolos sinais da presença dos Templários na Lourinhã?

Nota: Os Templários predominaram no tempo de D. Teresa, e esta deu - lhes  Fonte de Arcada em 1127. Um ano depois entregou – lhes o Castelo de Soure sob o compromisso de conquistarem  terras aos mouros. Em 1145 receberam o Castelo de Longroiva e nos dois anos seguintes ajudaram D. Afonso Henriques na conquista de Santarém e ficaram responsáveis pelo território entre o Mondego e o Tejo.

Mesmo após a sua aniquilação (séc. XIII), os Templários continuaram em Portugal como Ordem de Cristo, a qual teve  um  grão – mestre famoso,  o Infante D. Henrique. A Ordem de Cristo herdou todos os bens dos Templários portugueses e desempenhou um papel importante nos Descobrimentos.

 

Armanda, Mariana e Sara, 9º ano, Clube de História Local - 2005/2006

 

 

Lourinhã nos caminhos de Santiago:


A Lenda de Santiago


Segundo uma lenda muito antiga, após a dispersão dos apóstolos pelo mundo, São Tiago (Santiago) foi pregar a “boa nova” em regiões longínquas, passando algum tempo na Galiza, Extremo Oeste da Espanha, a que os romanos chamaram “Finis Terrae”, por ser o extremo mais ocidental do mundo então conhecido.
Ao regressar à Palestina, no ano 44, foi torturado e decapitado por Herodes Agripa e o seu corpo foi mandado para fora das muralhas de Jerusalém.
Dois de seus discípulos, Teodoro e Anastácio, recolheram os seus restos mortais e levaram-nos de volta ao ocidente. Aportaram na antiga cidade de Iria Flávia, a capital da Galiza Romana na costa oeste espanhola e sepultaram-no secretamente num bosque chamado Liberum Domum. O aparecimento da vieira ligado ao culto de Santiago, de difícil explicação na longínqua Idade Média, originou desde logo a lenda de que o barco, que trouxera o corpo do Apóstolo Santiago de Palestina até às costas da Galiza, chegara ali coberto destes moluscos. A concha da vieira tornou-se desde logo o símbolo do peregrino de Santiago e é usada também para marcar os lugares e sítios relacionados com os caminhos da peregrinação.


Entretanto, chamou-se ao lugar onde o santo foi sepultado "Campus Stellae" ou Campo de Estrelas devido à prodigiosa visão do ermitão de San Fiz, de nome Pelágio que vira em noites sucessivas uma estrela iluminando um alto carvalho que sobressaía do referido bosque. Daí deriva o actual nome de Compostela.


Avisado das luzes místicas, o bispo de Iria Flávia, Teodomiro, ordenou que fossem feitas escavações no local, encontrando, assim, uma arca de mármore com os ossos do santo.
A notícia espalhou-se e as pessoas começaram a deslocar-se, primeiro dos estados cristãos do norte peninsular, depois de toda a Europa, afim de conhecer o sepulcro, originando assim os Caminhos de Santiago de Compostela.

 

O Caminho de Lisboa a Santiago pelo Oeste


De Lisboa, além dos peregrinos nacionais oriundos da região do Alentejo e do Algarve, partiam os que vinham do Sul da Europa
Por sua vez e no tempo dos romanos, esta cidade estava ligada às cidades de Braga e Mérida, por uma via comum até Scalabis (arredores de Santarém) e que passava Jerabriga (Alenquer). Daqui partia uma via secundária em direcção a Torres Vedras e que seguia até Eborubritium, na proximidade de Óbidos.
Por onde seguiria o Caminho entre Torres Vedras e Óbidos? Há duas possibilidades - ou pelo Bombarral e S. Mamede, ou pela Lourinhã, Columbeira e S. Mamede. A presença de inúmeros vestígios romanos na Lourinhã leva-nos a colocar a hipótese de aqui ter existido uma via romana que ligava a Óbidos. Deste modo, é provável que um dos caminhos de peregrinação a Santiago passasse por esta vila, até porque a Lourinhã, na época medieval, possuía um porto de mar, ficando igualmente na rota marítima dos peregrinos que atingiam Compostela por mar. As conchas de vieira presentes na igreja de Santa Maria do Castelo também apontam nesse sentido.

Patrícia, 7º ano, Ana Patrícia, Igor e Marcelo, 9º ano, Clube de História Local - 2005/2006

 

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A Santa Casa da Misericórdia

As Misericórdias surgiram em Portugal a partir do ano 1498, por iniciativa da rainha D. Leonor, viúva de D. João II e irmã de D. Manuel I. A primeira a ser criada foi a de Lisboa, logo seguida de muitas outras por todo o país. Se as de maior importância se deveram à devoção de reis, rainhas e membros da nobreza e do alto clero, as misericórdias locais eram criadas não só por ordens militares e religiosas, como também pelos municípios e confrarias de artesãos ou por simples particulares.
Criadas à semelhança de outras instituições medievais de assistência, as Misericórdias propunham-se cumprir as 14 obras de misericórdia (7 espirituais e 7 corporais)*.

A Santa Casa da Misericórdia da Lourinhã foi fundada a 23 de Julho de 1586, por alvará de Filipe II, sendo-lhe anexada a Gafaria (Leprosaria) de Santo André e a capela e hospital/albergaria do Espírito Santo.


É constituída por três construções distintas que, apesar de serem de 3 épocas diferentes, não lhe retiram uma certa harmonia.


No centro do edifício situa-se a igreja, com a data de 1626, inscrita no tímpano. É uma igreja renascentista, constituída por 1 só nave, de tecto de madeira e paredes estucadas.

A nascente, encontra-se a parte mais antiga, que pertenceu à capela do Espírito Santo, com um belo portal manuelino. Do lado poente, temos o Hospital, do século XVIII, cuja porta principal é encimada com o escudo de D. Maria I.


* NOTA:
Eram Instituições Particulares de Solidariedade Social, numa época em que o Estado não assumia qualquer responsabilidade de protecção social, função que aparece apenas a partir da época industrial (século XIX). As 14 obras da Misericórdia eram as espirituais - ensinar os simples, dar bom conselho, consolar os tristes, perdoar a quem errou, sofrer injúrias com paciência e rogar a Deus pelos vivos e pelos mortos e as corporais – remir os cativos e visitar os presos, curar os enfermos, cobrir os nus, dar de comer aos famintos, dar de beber aos que têm sede, dar pousada aos peregrinos e pobres e enterrar os mortos.
De entre as missões das misericórdias há destacar o pagamento do resgate dos cativos dos mouros que atacavam as populações costeiras, a instituição de dotes para as donzelas pobres conseguirem encontrar marido, as deslocações periódicas às prisões para alimentar os presos, etc.

Os hospitais destas instituições serviam não só para cuidar dos doentes pobres, como também para albergar peregrinos, viajantes e mendigos.

 Ana Patrícia Costa, Marisa Antunes e Sílvia Antunes, 9º ano

Clube de História Local - 2005/2006

Tradições da Semana Santa

O culto ao Senhor dos Passos e ao Senhor Morto, de fortes tradições nas gentes da Lourinhã, remonta a meados do século XVII ou princípios do século XVIII e teve origem na Igreja da Santa Casa da Misericórdia desta vila.

 A Procissão do Enterro do Senhor é uma tradição centenária na Lourinhã. Sai da Igreja da Misericórdia e percorre as ruas da vila, na Sexta Feira Santa. Na sexta-feira anterior ocorre a Procissão do Senhor dos Passos, que também se insere nas celebrações que antecedem a Páscoa.

 

Na época da difusão destes cultos, a Santa Casa da Misericórdia mandou construir várias capelas-oratórios pelas ruas da Lourinhã, relacionadas com os Passos da Paixão de Cristo. Sobreviveram quatro dessas capelas e uma delas encontra-se no largo da antiga Câmara. Têm pinturas em tela, datadas do século XVIII.

 

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Capela de Nossa Senhora dos Anjos

À saída da Lourinhã para quem se dirige a Peniche, enquadrada num bonito jardim, encontramos a pequena capela da Nossa Senhora dos Anjos. Quando foi erguida estava localizada fora da vila, na várzea do Rio Grande. Porque razão foi construída naquele local?
Diz a lenda, passada de geração em geração, que “ Andando um dia um pastor apascentando o seu rebanho perto do local onde o rio dos Mouros se mete no rio Grande, próximo da margem daquele, viu uma imagem de Nossa Senhora com o Menino nos braços, em cima de um loureiro.*” Descoberta a imagem, esta foi levada para a Igreja de Santa Maria do Castelo, pelo povo que aí ocorreu.


Na manhã seguinte mais pessoas se reuniram para irem ver a imagem, mas para espanto de cada um, quando penetraram na igreja a imagem já lá não estava. De seguida foram procurar a imagem e encontraram-na de novo, no loureiro. Logo isso foi interpretado como sendo a vontade da senhora de ficar naquele sítio. Nesse local, começou então a construção da capela de Nossa Senhora dos Anjos, erguida pela Confraria do mesmo nome.

A Capela de Nossa Senhora dos Anjos foi construída em estilo renascentista, como são as construções dos fins do Século XVI. É um pequeno templo, de Galilé sustentando o coro alto sobre a entrada, com um arco de cantaria na parede frontal virada a poente, e outro mais pequeno na parede do lado sul. É de uma só nave, separada da capela-mor por um arco de cruzeiro em mármore rosa, com pedestais e capitéis, estes da ordem toscana, em mármore preto de azeviche, sendo o respectivo fecho arrematado em relevo, com uma coroa, de pedra muito branca, que nos parece ser alabastro. A capela-mor, é de abóbada de berço decorada com um símbolo mariano.

Fronteiro à porta axial, que se abre na fachada do lado sul, encontra-se o púlpito, cuja base é um belo exemplar do século XVII, de laje quadrada, em mármore vermelho, moldurado e com artísticos ornatos.


* Rui Marques Cipriano, «Senhora dos Anjos, sua Capela - sua Confraria», Vamos Falar da Lourinhã, Lourinhã, ed.ª Câmara Municipal da Lourinhã, [2001], p.179.

 

 Diana Jaleco e Rita Fonseca, 9º ano, Clube de História Local - 2006-2007

 

A Arte do Vitral

Os vitrais são constituídos por pedaços de vidro, geralmente coloridos, combinados para formar desenhos. Tal como o vidro, o vitral teve origem no Próximo Oriente e  floresceu na Europa durante a Idade Média. Amplamente utilizados na ornamentação de igrejas e catedrais do período gótico, o efeito da luz solar que por eles penetrava, conferia uma maior imponência e espiritualidade ao ambiente, efeito reforçado pelas imagens retratadas, na sua maioria, cenas religiosas. Adicionalmente, serviam como meio didáctico de instrução do catolicismo, frente a uma população inculta e analfabeta.


A técnica clássica de fabricação de vitrais utilizava chumbo nas junções e soldaduras. A cor nas peças de vidro era obtido pela adição de substâncias como o bismuto, o cádmio, o cobalto, o ouro, o cobre e outros, à massa de vidro em fusão. De peso elevado, os vitrais assim construídos apresentavam problemas de estrutura, fragilidade, deformação, corrosão electrónica, manutenção difícil, além do elevado custo.
Actualmente existem técnicas mais avançadas para a produção de vitrais, de grande valor estético, mais baratas e inócuas para a saúde e para o meio ambiente.

Os vitrais da capela de Nossa Senhora dos Anjos 

No ano de 1963, Mário Costa pintou para o janelão da frontaria uma Nossa Senhora dos Anjos e, para as janelas da parede sul, um São Francisco de Assis e uma Santa Clara; para as janelas pequenas da Capela Mor e do corredor que dá acesso ao coro, foram pintadas figuras de anjos.

Este pintor, responsável pelo restauro dos vitrais do mosteiro da Batalha, costumava passar férias na praia da Areia Branca e fez muitos amigos na Lourinhã, entre os quais o provedor da Confraria de N. S.ª dos Anjos. Estes vitrais são de uma grande beleza e de alto valor artístico, do melhor existente na região.

Entretanto, devido ao estado degradado em que se encontravam, a comissão administrativa da confraria, a que presidia José Artur Nobre, mandou restaurá-los, em 2001-2002. Os painéis tiveram de ser desmontados, foram restaurados e protegidos com vidro temperado à prova de choque, uma técnica muito moderna na protecção dos vitrais. A qualidade do trabalho de restauro, realizado por Ângela Antunes da Silveira, permitiu que os vitrais de Nossa Senhora dos Anjos recuperassem o seu aspecto inicial.

 David Serra, 9º ano, Clube de História Local - 2006-2007

 

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Sistemas de Vigilância e Defesa da Costao Forte de Paimogo

 


O Forte de Nossa Senhora dos Anjos de Paimogo foi construído em 1674, durante o reinado de D. Afonso VI (na regência de D.Pedro), para impedir o desembarque de tropas inimigas na praia, por esta ser de águas calmas e de fácil acesso a terra firme.
Estava integrado na segunda linha defensiva da costa, que ia de Peniche até à barra do Tejo e que foi construída no contexto das guerras da Restauração da Independência contra os espanhóis. Com efeito a maioria das fortificações existentes entre o cabo da Roca e Peniche foram construídas sob o impulso da coroa Portuguesa, após 1640 - os Fortes de Nossa Senhora da Consolação (1641), de Peniche (1641-1645), de Nossa Senhora da Graça da Vitória, no Cabo Carvoeira e de Nossa Senhora da Luz em Peniche de Cima (depois de 1642), de Santa Susana (1650), de S. João Baptista nas Berlengas (1654-1678), de Nossa Senhora da Graça de Porto Novo (1662), de Nossa Senhora da Boa Viagem ou da Natividade da Ericeira (1670), etc.


Estas fortalezas serviam também para defender as populações do litoral dos ataques da pirataria mourisca que assolava frequentemente a nossa costa.

Logo de início este forte tinha seis peças de artilharia, um cabo que o comandava, seis soldados e seis artilheiros. Em 1735 nele viviam 16 soldados e tinha 8 peças de artilharia.
Em 1796 o Forte de Paimogo encontrava-se em estado de abandono. Um relatório feito por o General Engenheiro José Matias de Oliveira Rego dizia que o forte se encontrava degradado, e a artilharia encontrava-se apodrecida.


Em 1804, a guarnição era composta por um Cabo, cinco artilheiros e cinco fuzileiros. Estes eram os homens que estavam no Forte a 20 de Agosto de 1808 aquando do desembarque dos soldados ingleses na praia da Areia Branca (1,5Km a sul do forte) e que combateram, no dia seguinte, na Batalha do Vimeiro.


Com o fim da Guerra Civil (1830-32) entre Liberais e Absolutistas o forte de Paimogo termina a sua missão como fortificação militar marítima. Este abandono deu início à degradação do edifício, que foi classificado de imóvel de interesse público em 1957.

 

Obras de recuperação

 Quando fomos visitar o Forte de Paimogo (18 de Maio 2006) ficámos agradavelmente surpreendidos com as obras de recuperação em curso. Iniciada no princípio deste mês, o prazo de execução da obra é de 240 dias e o seu custo está orçamentado em 119.962,50 Euros. O projecto é financiado pela Câmara Municipal da Lourinhã.

Através de um protocolo, a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais cedeu o imóvel à Câmara por um período de 25 anos. Depois da fase de recuperação da estrutura do forte, está previsto uma redefinição dos espaços para fins culturais (o forte está inserido na rota dos dinossauros), com sala de exposições, galeria e sala de leitura e ainda, uma cafetaria e uma esplanada.

A professora Lurdes Neto sugeriu que falássemos com os operários para lhes perguntar quais os materiais utilizados no restauro e eles responderam que estão a usar os materiais originais - calcário, areia branca, cal hidratada e saibro. Os processos de execução são os tradicionais. E acrescentaram que são uma empresa de Lisboa, que trabalha nas obras do Estado e por isso estão habituados a obras de restauro de edifícios históricos.

O aproveitamento dos monumentos para fins turísticos e culturais são uma boa forma de travar uma inevitável ruína. Desejamos que o projecto de recuperação e requalificação do Forte de Paimogo seja bem sucedido!

 

David Serra, 8º ano, Igor Alexandre, 9º ano, Clube de História Local - 2005/2006

Forte restaurado, Abril, 2007

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