A Resolução de Problemas e o Pensamento Crítico no Ensino da Física e da Química


 

Resumo:   

O estudo tem como finalidade compreender a relação entre o pensamento crítico e a resolução de problemas no ensino da Física e da Química e organiza-se em tomo das seguintes questões exploratórias: (1) das situações, actividades, questões e itens propostos aos alunos, quais podem ser considerados problemas, de acordo com a definição adoptada na investigação? (2) a que capacidades se apela nos problemas colocados aos alunos? (3) que capacidades os alunos usam ao resolver problemas? e (4) das capacidades usadas pelos alunos nas situações de resolução de problemas quais são capacidades de pensamento crítico, à luz da definição adoptada no estudo?

O estudo é exploratório e decorreu com professores e alunos do ensino básico, dos 8° e 9° anos de escolaridade. A metodologia adoptada é de natureza estudo de caso. Usaram-se como fontes de dados registos audio, registos de observação e materiais escritos.

A análise dos dados permite afirmar que as situações, actividades e questões colocadas aos alunos, em sala de aula, podem ser consideradas problemas. Por outro lado, independentemente do tipo de situações de resolução de problemas colocadas, verifica-se que as capacidades a que se apela e que os alunos usam são essencialmente procedimentais . As capacidades procedimentais diferem nas várias situações, pois têm a ver, sobretudo, com a natureza da própria situação ou actividade. As capacidades cognitivas a que se apela situam-se, particularmente, na área da clarificação. O apelo é maior e, principalmente, mais diversificado, quando os docentes procuram na concepção e planificação das actividades apelar de forma deliberada ao treino de capacidades de pensamento crítico.

As capacidades usadas pelos alunos estão relacionadas de forma estreita com as que são apeladas pelos docentes. Não existem, praticamente, capacidades usadas de forma espontânea. Inclusive, muitas vezes, os alunos nem sequer usam as capacidades que são apeladas. Apontam-se algumas razões para este facto. Uma delas reside no facto de alguns itens e, portanto, as capacidades a eles associadas, não serem considerados pertinentes pelos alunos e não terem sido suficientemente clarificados nem explicitados pelas professoras, a outra é que, em algumas situações, as próprias professoras não dão oportunidade aos alunos para usarem as capacidades a que apelam. Não dão tempo suficiente para os alunos experimentarem, nem criam oportunidades que permitam serem eles a chegar às soluções. Na verdade, em muitos casos, é a professora que resolve o problema e que dá as respostas.
Os resultados apontam também para uma clara dissonância entre as capacidades que a literatura considera como facilitadoras da resolução de problemas e as capacidades usadas pelos alunos em sala de aula, nas situações analisadas. As capacidades cognitivas usadas e também apeladas são apenas algumas capacidades que podem ser incluídas no nível mais básico da fundamentação.

A análise dos dados permitiu ainda identificar outros aspectos que merecem destaque, tais como, concepções alternativas ou erróneas, e ainda, dificuldades sentidas pelos alunos quer relacionadas com os conceitos a aprender, quer a nível procedimental e na interpretação das questões colocadas.

Indicam-se algumas implicações de estudo nas práticas de ensino, na formação de professores e na investigação em ensino das ciências. Sugerem-se algumas futuras investigações. 

Palavras-Chave

Resolução de Problemas;

Resolução de Problemas no Ensino das Ciências; Ensino da Resolução de Problemas; Pensamento Crítico;

Capacidades de Resolução de Problemas; Capacidades de Pensamento Crítico;  Ensino da Física

 

Capa 

Índice 

 Introdução 

 Revisão de Literatura 

Metodologia 

Resultados 

Conclusões 

Referências 

Anexos

Referência:

Santos-Faria, T. (1998, Outubro) A Resolução de Problemas e o Pensamento Crítico no Ensino da Física e da Química. Dissertação de mestrado não publicada, FCUL, Lisboa.