A Lei de Deus Adulterada

"Proferirá palavras contra o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo e cuidará em mudar os tempos e a lei. [...]" (Daniel 7:25 RA).

O desprezo contra a lei de Deus não é algo que Satanás busque esconder, e muitos demonstram o mesmo sentimento (I João 3:4-8 cf. I João 2:3-4; Apocalipse 12:17). Utilizando homens envolvidos com vãs filosofias e ávidos por prestígio e riquezas, o arqui-inimigo de Deus tem trabalhado incansavelmente para atingir os seus objetivos, sendo o principal evitar que a humanidade reconheça o Criador e dedique-Lhe lealdade e reverência (I Timóteo 1:17; Apocalipse 4:11).

Satanás não possui o direito de ser adorado, e como não conseguiu usurpar isso no Céu(a), na Terra, ele se esforça para conquistar honra e glória, ou desviá-las do Criador quando não obtém sucesso (Isaías 14:12-14; Ezequiel 28:14-16; Apocalipse 12:7-9). E para concretizar o seu plano, ele ataca a lei de Deus de todas as formas possíveis, especialmente o segundo e o quarto mandamento; visto que, enquanto o segundo proibi a idolatria, o quarto mandamento apresenta o verdadeiro Deus e os motivos(b) pelos quais toda a adoração deve ser direcionada a Ele (Êxodo 20:11 cf. Jeremias 10:11, Apocalipse 14:7).

No geral, a lei de Deus é combatida por meio de falsificação textual e sofisma. E o primeiro artifício é facilmente observado quando os Dez Mandamentos escritos por Jeová são comparados com os "dez mandamentos" apresentados pelo catecismo romano. Essa comparação revela, sem esforço algum, a intenção que permeia os pensamentos de Lúcifer: impedir que a lei de Deus seja conhecida e, consequentemente, praticada (Isaías 8:16; Hebreus 10:15-17; Apocalipse 14:12).

Os Dez Mandamentos - conforme Êxodo 20:3-17 (originais, de acordo como Deus escrevera. Êxodo 31:18; Êxodo 32:15-16; Êxodo 34:1):

1. Não terás outros deuses diante de Mim.
2. Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque Eu sou o Senhor, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que Me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que Me amam e guardam os Meus mandamentos.
3. Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o Seu nome em vão.
4. Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou.
5. Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor, teu Deus, te dá.
6. Não matarás.
7. Não adulterarás.
8. Não furtarás.
9. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.
10. Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo.

Os "Dez Mandamentos" - de acordo com a Igreja de Roma (modificados pelo homem, induzido por Satanás. João 8:44 cf. Efésios 2:1-3; I João 3:4,8):1

1. Amar a Deus sobre todas as coisas.
2. Não tomar Seu santo nome em vão.
3. Guardar domingos e festas.
4. Honrar pai e mãe.
5. Não matarás.
6. Não pecar contra a castidade.
7. Não furtarás.
8. Não levantar falso testemunho.
9. Não desejar a mulher do próximo.
10. Não cobiçar as coisas alheias.

A Igreja Romana excluiu o segundo mandamento que proíbe a confecção e adoração de imagens, e no seu lugar colocou o terceiro mandamento. Na sequência, o quarto mandamento totalmente alterado tornou-se o terceiro;2 o quinto mandamento ficou no lugar do quarto, e assim sucessivamente. E para manter o número total de 10 (dez) mandamentos, o décimo foi dividido em dois.

Pode-se observar ainda uma alteração sutil no primeiro mandamento. No texto original é dito: "Não terás outros deuses diante de Mim" (Êxodo 20:3 RA). Este preceito defende a supremacia e exclusividade de Deus no Universo. Porém, o texto reeditado por Roma, diz: "Amar a Deus sobre todas as coisas". Esta reedição não se opõem diretamente aos "deuses" idealizados pelo homem (Jeremias 16:20; Jeremias 25:6), e deixa implícito que não é necessariamente proibido adorá-los, desde que eles não sejam considerados superiores ao Deus onipresente, onisciente e onipotente descrito na Bíblia. Essa mudança, obviamente, auxilia a justificar à veneração direcionada aqueles que foram canonizados pela referida Igreja.

Assim, os quatro primeiro mandamentos do Decálogo que norteiam a relação entre Deus e os seres humanos foram falsificados e, por séculos, têm sido ensinados ao redor do mundo pela Igreja de Roma (Igreja Católica Apostólica Romana). E milhões de pessoas, ingenuamente, estão seguindo essas mentiras (Atos 17:29-31; I Pedro 1:14-16); outras, porém, aceitam-nas motivadas por orgulho ou conveniência (Efésios 4:17-19; II Tessalonicenses 2:9-12 cf. Jeremias 6:16).

A apostasia e o filho da perdição

"Não deixem que ninguém os engane de modo algum. Antes daquele dia virá a apostasia e, então, será revelado o homem do pecado, o filho da perdição. Este se opõe e se exalta acima de tudo o que se chama Deus ou é objeto de adoração, chegando até a assentar-se no santuário de Deus, proclamando que ele mesmo é Deus." (II Tessalonicenses 2:3-4 NVI).

Compare o alerta feito em II Tessalonicenses 2:3-4, com as seguintes declarações provenientes da Igreja de Roma:

"O papa é de tão grande dignidade e grandeza, que ele não é um simples homem, mas, como se fosse Deus e substituto de Deus. [...] Ele é chamado de santíssimo, porque subentende-se que ele seja. Por conta da excelência de sua suprema dignidade, ele é chamado bispo dos bispos, superior dos superiores, bispo universal da igreja, bispo ou diocesano do mundo inteiro, monarca divino, supremo imperador e rei dos reis. Por isso o papa está coroado com uma tríplice coroa, como o rei do céu, da terra e do inferno. Mais que isso, a excelência e o poder do papa não restringem-se sobre a temática celestial, terrestre e infernal, mas ele está também acima dos anjos, é o superior deles; de forma que, se fosse possível aos anjos errar na fé, ou cogitar sentimentos contrários à ela, o papa poderia julgar e excomungá-los.
O papa é de tamanha dignidade e poder, que ele ocupa um único e idêntico tribunal com Cristo; de modo que, tudo o que o papa faz, parece proceder da boca de Deus. O papa é, por assim dizer, Deus na Terra, o único príncipe dos fiéis de Cristo, o maior rei de todos os reis, tendo a plenitude do poder, a quem o governo do reino terrestre e celestial é confiado."3

"O papa é de tão grande autoridade e poder, que ele pode igualmente modificar, promulgar ou interpretar as leis divinas. [...] Por isso dizemos, que o papa pode, às vezes, contrariar a lei divina ao limitar, definir e etc. O papa pode modificar a lei divina, uma vez que o seu poder não provém do homem, mas de Deus; ele atua no lugar de Deus sobre a terra, com o direito máximo de atar e desgarrar as suas ovelhas; porque Deus, nosso Senhor e Redentor, afirmou que estabelece aquilo que o seu vigário estabelece; ele [o papa] nada realiza contrário à fé."4

"Além disso, declaramos, enunciamos e definimos que, para toda criatura humana, é necessário para a salvação submeter-se ao Romano Pontífice [ao papa]."5

Essas ilusórias e demoníacas afirmações de que o sistema papal possui poder e soberania de Deus (inclusive que seja Deus), são apresentadas pela Igreja de Roma como sendo fonte de autoridade para modificar os Dez Mandamentos; os mesmos que foram entregues no Éden e ratificados no Sinai(c). A atitude dessa Igreja além de confrontar a declaração de Jesus: "É mais fácil os céus e a terra desaparecerem do que cair da Lei o menor traço." (Lucas 16:17 NVI cf. Mateus 5:17-18), cumpri explicitamente as profecias de Daniel 7:25 e Apocalipse 13:5-6.

Deve-se destacar ainda que, as modificações nos Dez Mandamentos não ocorreram por intermédio de um único papa, ou, num momento específico do catolicismo. Elas aconteceram de forma gradual através de vários concílios coordenados pela Igreja Romana. Mas, independente disso, o que as demais igrejas cristãs dizem sobre a integridade da lei de Deus? Elas estão de acordo com tais adulterações ocasionadas na lei? Vejamos adiante através de suas respectivas literaturas oficiais.

Igreja Anglicana

Sequência de perguntas e respostas extraídas do catecismo anglicano:6

Pergunta: Disseste que os teus padrinhos prometeram a você, que você guardaria os mandamentos de Deus. Diga-me quantos são?
Resposta: Dez.
Pergunta: Quais são eles?
Resposta: Os mesmos que Deus anunciou no capítulo 20 de Êxodo, dizendo: "Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. I. Não terás outros deuses além de Mim. II. Não farás para ti imagem esculpida [...] III. Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão [...] IV. Lembra-te de santificar o dia de sábado. [...] V. Honra teu pai e tua mãe [...] VI. Não matarás. VII. Não adulterarás. VIII. Não furtarás. IX. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. X. Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo [...] nem coisa alguma que seja dele".
Pergunta: O que tu entendes principalmente por meio destes mandamentos?
Resposta: Eu entendo duas coisas: o meu dever para com Deus, e o meu dever para com o meu próximo.

"Os Dez Mandamentos. Mandamentos, conhecidos também como Decálogo ou Dez Palavras, entregues por Deus no Sinai em conexão com o estabelecimento da aliança (Ex 20:1-17). Outra versão ligeiramente diferente aparece na extensa homilia que Moisés comunicou pouco antes da entrada dos hebreus na Terra Prometida (Dt 5:6-21). A versão do Sinai antecede a ampla coleção de leis também associadas à aliança mosaica. Os Dez Mandamentos formam a lei fundamental de Deus para Israel, diz respeito ao culto (não aos deuses, sem imagens, não abuse do nome de Deus, observe o sábado), bem como para as relações sociais (honrar os pais, não matar, não adulterar, sem falso testemunho, não cobiçar). [...] No NT, tanto Jesus (Mc 10:17-22 e passagens paralelas) e Paulo (Rm 13:8-10) confirmam a sua validade permanente.7

Igreja Assembleia de Deus

"'Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos' [Tiago 2:10 ACF]. [...] Mas o que Tiago quer dizer é que a Lei não pode ser compreendida por partes mas deve ser interpretada como um conjunto íntegro. [...] Imagine que nós enchamos um balão e escrevamos cada um dos Dez Mandamentos em uma parte diferente de sua superfície. Por mais que tentemos, é impossível tomar um alfinete e romper somente aquela parte do balão. O balão é um todo. Qualquer que seja a parte que rompamos, estaremos rompendo o todo. [...] Como a Lei é um conjunto sem emendas, violar a Lei em um só ponto faz com que a pessoa torna-se uma transgressora."8

"Ao responder à pergunta do jovem sobre como alcançar a vida eterna, Jesus lhe disse que devia obedecer aos Dez Mandamentos de Deus. Em seguida, Jesus relacionou seis deles, todos referentes ao relacionamento com os semelhantes. [...]"9 "A salvação em Cristo não significa que a Lei perdeu o seu valor. Na realidade, a justificação pela fé confirma a Lei, quanto ao seu propósito e função original. Mediante sua reconciliação com Deus e a obra regeneradora do Espírito Santo, o crente é capacitado a honrar e obedecer à lei Moral de Deus."10

Igreja Batista

"A mesma lei que foi escrita no coração do homem, continuou a ser perfeita regra de justiça após a queda [o pecado]; e foi entregue por Deus no monte Sinai, em Dez Mandamentos escritos em duas tábuas; os quatros primeiros contendo nosso dever para com Deus, e os outros seis o nosso dever para com o homem. [...] A lei Moral requer para sempre total vínculo de obediência, tanto de pessoas justificadas quanto das demais. E isso não apenas por causa do assunto tratado por essa lei, mas, também, por respeito à autoridade de Deus, o Criador, que a entregou. Nem Cristo no evangelho de modo algum desfaz, mas fortalece muito essa obrigação."11

"Acreditamos que a lei de Deus é a regra eterna e imutável de Seu governo moral; que ela é santa, justa e boa; e que a incapacidade que as Escrituras atribuem aos homens caídos de cumprirem seus preceitos ocorre inteiramente de seu amor pelo pecado; libertá-los disso e restaurá-los através de um Mediador à obediência sincera à santa lei, é o grande objetivo do evangelho e do procedimento da graça ligada ao estabelecimento da Igreja visível."12

"A lei de Deus deve ser perpétua. Não há revogação, nem alteração da mesma. Ela não deve ser atenuada ou ajustada à nossa condição pecaminosa, mas cada um dos justos preceitos do Senhor permanece para sempre." [...] Nosso Senhor Jesus declara que Ele não veio para aboli-la. Suas palavras são bastante claras: 'Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; Eu não vim para destruir, mas cumprir'. E Paulo nos diz em relação ao evangelho: 'Anulamos então a lei pela fé? Deus nos proibi; estabeleçamos a lei' (Rom. 3:31)."13

Igreja Congregacional

"A lei de Deus reivindica perfeita obediência a todos os seus requisitos. [...] As exigências desta lei são duas: amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento; e amarás a teu próximo como a ti mesmo; [...] e isto tu farás durante toda a tua existência. A singular perfeição da obediência, aqui solicitada, é a universalidade da mesma. Outra lei não exige absoluta consagração de todas as nossas forças em obediência aos seus preceitos, ou estende às suas exigências a cada momento de nossa vida. [...] A lei de Deus é o fundamento de Seu Governo; e da felicidade conferida às Suas criaturas racionais; uma felicidade, em parte, subordinada pela própria natureza da obediência, e sob certo aspecto, pela recompensa de seu Legislador. Esta importância da lei, portanto, é imensurável."14

"E na mesma proporção que a inimizade de homens perversos ferve e enfurece-se contra o próprio Deus, assim será contra a Sua lei. [...] Porém, por mais que homens maus estejam descontentes com a lei, e por mais que a inimizade deles levante-se, intensifique-se e encolerize-se contra ela, eles ainda estão sob às suas obrigações. A lei ainda permanece em sua plena força, irrevogável e inabalável; e, consequentemente, é seu dever indispensável e inviolável, observar e cumpri-la perfeitamente. [...] A lei de Deus diz respeito à toda humanidade. Ela não foi entregue para qualquer seita em particular, classe ou grupo de homens, mas fora estabelecida como regra de obediência a ser observada por todos. [...] Quer sejam os homens piedosos ou ímpios, nesta questão não há diferença; é dever indispensável de todos viver em perfeita obediência para com a lei divina."15

Igreja Luterana

"Estas foram as razões pelas quais, na descrição do Pecado Original[d], também fizemos menção da concupiscência e negamos à força natural do homem para temer e confiar em Deus. Pois objetivamos indicar que o Pecado Original contém igualmente estas enfermidades, a saber: desconhecimento de Deus, desprezo de Deus, vida destituída de temor e confiança em Deus, incapacidade de amar a Deus. Estas são as principais falhas da natureza humana, conflitantes especialmente com a primeira tábua do Decálogo."16

"Por intermédio do profeta, está escrito (Jer. 31:33): 'Eu porei a Minha lei no interior deles, a escreverei em seus corações'. Em Rom. 3:31, Paulo afirma: 'Anulamos então a lei pela fé? Deus nos proibi; estabeleçamos a lei'. E Cristo declara (Mat. 19:17): 'Se tu queres entrar na vida [eterna], guarde os mandamentos'. Da mesma forma (I Cor. 13:3): 'Se não tiver bondade, nada disso me aproveitará'. Essas, e sentenças similares, testificam que a lei deve ser iniciada em nós e obedecida por nós cada vez mais. Além disso, não estamos falando de cerimônias, mas da lei que fornece mandamentos relativos ao comportamento do coração, a saber, o Decálogo."17

"Portanto, temos os Dez Mandamentos, um compêndio da doutrina divina quanto ao que devemos fazer, para que a nossa vida seja inteiramente agradável a Deus, a verdadeira fonte e canal de onde tudo deve proceder e venha a ser considerado boas obras; então, fora destes Dez Mandamentos nenhuma obra ou coisa alguma pode ser boa ou agradável a Deus, por maior ou preciosa que seja aos olhos do mundo."18

Igreja Metodista

"Mas a lei Moral, constituída por Dez Mandamentos e aplicada pelos profetas, Ele [Jesus] não eliminou. Não foi objetivo de Sua vinda, revogar qualquer parte dela. Esta é uma lei que jamais pode ser inutilizada, que 'permanece firme como uma testemunha fiel no Céu'[e]. A [lei] Moral encontra-se sobre uma base totalmente diferente da cerimonial, lei ritual, que foi estabelecida temporariamente para refrear um povo desobediente e inflexível; ao passo que essa [lei Moral] surgiu desde o princípio do mundo, sendo 'escrita não em tábuas de pedra', mas no coração de todos os filhos dos homens, quando saíram das mãos do Criador. Todavia, as letras outrora escritas pelo dedo de Deus, são hoje em grande proporção desfiguradas pelo pecado; e por ora, elas não podem ser completamente extintas enquanto tivermos alguma noção do bem e do mau. Cada parte da lei deve permanecer em vigor, à toda humanidade, em todas as épocas: independente de tempo ou lugar, ou quaisquer outras circunstâncias passíveis de transformações [...]"19

"[...] Encontramos a lei do sábado lado a lado com a lei sobre a idolatria, assassinato, adultério, roubo e equivalentes. Deus exige obediência universal. Permitir que qualquer um desses mandamentos seja transgredido, teremos em breve todo o conjunto do Decálogo extraviado. [...] Que toda a lei Moral está compreendida em Dez Mandamentos, denota-se a partir disto: nosso próprio Senhor declarou que nada acrescentou a eles [Deuteronômio 5:22]. Ele resumiu o conjunto em dois grandes preceitos, amor a Deus e à humanidade; e, 'apoiado nestes dois preceitos', Ele disse: 'dependem toda a Lei e os Profetas' [Mateus 22:34-40]. Ele ordenou ao jovem homem, que se dirigiu a Ele com a pergunta, "o que devo fazer de bom para conseguir a vida eterna?": Guarde os mandamentos! - apresentando, conforme o contexto revela, o Decálogo [Mateus 19:16-19]; realmente, todo o Seu ensinamento moral deve ser considerado como uma expansão e desenvolvimento dos princípios contidos no Decálogo."20

Igreja Presbiteriana

"Com respeito à doutrina, não devemos imaginar que a vinda de Cristo nos libertou da autoridade da lei, pois ela é a regra eterna de uma vida devota e santa, e deve, portanto, ser tão inalterável como a justiça de Deus, que é abrangente, uniforme e constante. [...] Cristo aqui fala expressamente dos mandamentos da vida, ou as Dez Palavras [Êxodo 34:28], que todos os filhos de Deus devem assumir como regra de suas vidas."21 "Ao mesmo tempo, esta verdade permanece para sempre inabalável: a lei não sofreu nenhuma diminuição de sua autoridade, mas deve sempre receber de nós a mesma consideração e obediência."22

A Confissão de Fé de Westminster, quanto ao assunto em pauta, traz o seguinte ensino:

I. Deus entregou a Adão uma lei, como um pacto de obras, pela qual Ele o submeteu e toda sua posteridade, a uma obediência pessoal, solícita, perfeita e perpétua; prometeu vida no cumprir e ameaçou de morte na transgressão dela; e o dotou com poder e habilidade para guardá-la.
II. Essa lei, após sua queda [pecado de Adão], continuou a ser perfeita regra de justiça; e, como tal, foi entregue por Deus no monte Sinai, em Dez Mandamentos, escritos em duas tábuas; os primeiros quatro mandamentos contendo o nosso dever para com Deus, e os outros seis, o nosso dever para com o homem.
V. A lei Moral estabelece sempre a todos, tanto as pessoas justificadas como as demais, a obedecê-la; e isso, não somente em consideração ao assunto contido nela, mas também em respeito à autoridade de Deus, o Criador, que a entregou. Nem Cristo no evangelho de modo algum desfaz, mas fortalece muito essa obrigação.23

Igrejas Reformadas

Em sua sequência de perguntas e respostas, o catecismo de Heidelberg apresenta o seguinte posicionamento:24

Pergunta: Mas, o que são boas obras?
Resposta: Somente aquelas realizadas através da verdadeira fé, de acordo com a lei de Deus, para a Sua glória; e não aquelas fundamentadas em nossa própria opinião ou em tradições dos homens.
Pergunta: Qual é a lei de Deus?
Resposta: [...] 1. Não terás outros deuses diante de Mim. 2. Não farás para ti imagem de escultura [...] 3. Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão [...] 4. Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo. [...] 5. Honra teu pai e tua mãe [...] 6. Não matarás. 7. Não cometerás adultério. 8. Não furtarás. 9. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. 10. Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo [...]
Pergunta: Como estão divididos esses mandamentos?
Resposta: Em duas tábuas. A primeira nos ensina, em quatro mandamentos, como devemos viver em relação a Deus; a outra, em seis mandamentos, o que devemos ao nosso próximo.

"Ensinamos que a vontade de Deus está expressa para nós na lei de Deus, aquilo que Ele deseja ou não que façamos, o que é bom e justo, ou o que é mau e injusto. Portanto, confessamos que a lei é boa e santa [Rm 7:12]. Essa lei, outrora escrita nos corações dos homens pelo dedo de Deus (Rm 2:15), e chamada de lei Natural, foi gravada pelo dedo de Deus nas duas tábuas de Moisés e eloquentemente explicada nos livros de Moisés (Êx 20:1 ss; Dt 5:6 ss). Em consideração ao esclarecimento, distinguimos: a lei Moral, que consisti no Decálogo ou nas Duas Tábuas disponíveis nos livros de Moisés; a lei Cerimonial, que prescreve as cerimônias e adoração de Deus; e, a lei Judicial, que diz respeito às questões políticas e domésticas.
Acreditamos que toda a vontade de Deus e todos os preceitos necessários para cada âmbito da vida são ensinados nessa lei. Pois, caso contrário, o Senhor não teria nos proibido de adicionar ou retirar algo dessa lei; Ele tampouco teria nos ordenado a andar num caminho reto perante essa lei, sem nos afastarmos dela desviando para a direita ou para a esquerda (Dt 4:2; 12:32)".25

Considerações finais

Embora as denominações protestantes reconheçam que unicamente Deus possui soberania universal, e que a Sua lei é inalterável, atuante e eterna, na prática isso não ocorre, pois a grande maioria não obedece os Dez Mandamentos em sua totalidade, uma vez que o sábado descrito no quarto mandamento continua sendo substituído pelo domingo; comportamento que contraria prontamente a lei de Deus e reverencia o "poder" da Igreja de Roma para manipula-la(f). E sobre essa questão, o reverendo católico John Anthony O'Brien pondera:

"Entretanto, visto que o sábado, não o domingo, é especificado na Bíblia, não é estranho que os não-católicos que professam obter sua religião diretamente da Bíblia e não da Igreja, observem o domingo em lugar do sábado? Sim, com certeza, isso é inconsistente; de qualquer forma, essa mudança foi realizada cerca de quinze séculos antes do protestantismo nascer, e através desse tempo o costume foi observado universalmente. Eles [não-católicos] têm mantido o costume, ainda que repouse sobre a autoridade da Igreja Católica e não de acordo com um texto na Bíblia. Essa observância [dominical] permanece como uma lembrança da Igreja Mãe da qual as seitas não-católicas se apartaram - semelhante a um garoto fugindo de casa mas ainda carregando em seu bolso uma fotografia de sua mãe ou uma mecha de seu cabelo."26

O livro de Apocalipse cita a "Igreja Mãe" e suas "Filhas", mencionadas por O'Brien, da seguinte maneira: "Na sua fronte, achava-se escrito um nome, um mistério: 'Babilônia, a Grande, a Mãe das Meretrizes e das Abominações da Terra'." (Apocalipse 17:5 RA). As "Igrejas Filhas" são adjetivadas de meretrizes por causa das falsas doutrinas (ensinos promíscuos) que elas herdaram de "Babilônia, a Grande", a Igreja Mãe(g).

E enquanto a segunda mensagem angélica denuncia a rebelião de Babilônia contra Deus, eis que paralelamente segue-se o alerta: "Retirai-vos dela, povo Meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos" (Apocalipse 18:4 RA); pois, para o Legislador dos Dez Mandamentos, "qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos" (Tiago 2:10-11 RA). Então, "falai de tal maneira e de tal maneira procedei como aqueles que hão de ser julgados pela lei da liberdade" (Tiago 2:12 cf. Romanos 2:13, Tiago 1:25).




a. Acesse: A Origem do Mal
b. Acesse: Memorial da Criação; O Selo de Deus (tópico: "Sábado: identificação de Deus").
d. Referindo-se ao artigo II da Confissão de Augsburgo.
e. Em referência a Salmos 119:89 (cf. Êxodo 34:28, Apocalipse 11:19).

1. PAIVA, R. (2004). Catecismo Católico Bíblico, 1ª ed., São Paulo, BR-SP: Edições Loyola, p. 129-130; AMARAL, E. G. (2004). Novo Catecismo da Igreja Católica, 15ª ed., São Paulo, BR-SP: Edições Loyola, p. 68-88; Catecismo da Igreja Católica. (2000). 1ª ed., São Paulo, BR-SP: Edições Loyola, p. 548-654 (traduzido da edição: Típica Vaticana, 1997); Catecismo de la Iglesia Católica. (2005). Città del Vaticano: Libreria Editrice Vaticana (fonte: www.vatican.va).
2. "Commandments of God". (1913). The Catholic Encyclopedia, special edition, vol. IV, New York, US-NY: The Encyclopedia Press, Inc., p. 153b; (nihil obstat: Remy Lafort. Imprimatur: John Cardinal Farley).
3. FERRARIS, F. L. (1861). Prompta Bibliotheca: canonica, juridica, moralis, theologica, tomo V, Paris, FR-J: Typography by Jacques-Paul Migne, col. 1823; ("Papa", art. II, 1-18). Too in: ELLIOTT, C. (1841). Delineation of Roman Catholicism, vol. II, New York, US-NY: George Lane, book III, chap. IV, p. 156-157.
4. FERRARIS, F. L. (1782). Prompta Bibliotheca: canonica, juridica, moralis, theologica, tomo VII, Rome, IT-RM: Gasparem Storti, p. 29; ("Papa", art. II, 30-32). Too in: ELLIOTT, C. op. cit., p. 304.
5. Bulla: "Unam Sanctam" (november 18, 1302). In: DENZINGER, H. (1911). Enchiridion Symbolorum Definitionum et Declarationum de Rebus Fidei et Morum, 11th ed., Freiburg im Breisgau, DE-BW: B. Herder, p. 206; (imprimatur: Thomas, archiepiscopus). Too in: DENZINGER, H. (2007). Compêndio dos Símbolos, Definições e Declarações de Fé e Moral, 1ª ed., São Paulo, BR-SP: Edições Loyola, p. 307; (título original: Kompendium der Glaubensbekenntnisse und kirchlichen Lehrentscheidungen, 1991. Traduzido por: José Marino e Johan Konings).
6. "A Catechism". (1853). The Book of Common Prayer, New York, US-NY: Appleton & Company, sec. 17, p. 268-269.
7. ARMENTROUT, D. S.; SLOCUM, R. B. (2000). An Episcopal Dictionary of the Church: a user-friendly reference for episcopalians, New-York, US-NY: Church Publishing, Inc., p. 514; (entry: "Ten Commandment, The").
8. RICHARDS, L. O. (2008). Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento, 3ª ed., Rio de Janeiro, BR-RJ: CPAD, p. 514; (título original: New Testament Life & Times. Tradução: Degmar Ribas Júnior).
9. Bíblia de Estudos Aplicação Pessoal. (2004). Rio de Janeiro, BR-RJ: CPAD, p. 1258; (comentários sobre Mateus 19:17 ss).
10. Bíblia de Estudo Pentecostal. (2002). Rio de Janeiro, BR-RJ: CPAD, comentários sobre Romanos 3:31.
11. The London Baptist Confession of Faith, 1689, chap. XIX ("Of the Law of God"), art. II, V; (referências utilizadas pela, Confissão de Fé Batista de Londres, para fundamentar os artigos II e V: Deuteronômio 10:4; Mateus 5:17-19; Romanos 2:14-15; Romanos 3:31; Romanos 13:8-10; Tiago 2:8-12).
12. The New Hampshire Baptist Confession, 1833, chap. XII (Of the Harmony of the Law and the Gospel). In: SCHAFF, P. (1877). The Creeds of Christendom: The Creeds of the Evangelical Protestant Churches, 4th ed., vol. III, New York, US-NY: Harper & Brothers, part III (Baptist Confessions), p. 746; (referências utilizadas pela, Confissão Batista de New Hampshire, para fundamentar o capítulo XII: Josué 24:19; Salmos capítulo 119; Jeremias 13:23; Mateus 5:17; Mateus 16:17-18; Lucas 16:17; João 5:44; João 6:44; Romanos 3:20,31; Romanos 4:15; Romanos 7:7,12,14,22; Romanos 8:2,4 Romanos 8:7-8 Romanos 10:4; Gálatas 3:21; Hebreus 8:10; Hebreus 12:14; I Coríntios 12:28; I Timóteo 1:5; Judas 1:20-21).
13. SPURGEON, C. H. (1882). Spurgeon's Sermons, vol. 28, sermon nº 1660 ("The Perpetuity of the Law of God", ref. Mt 5:17-18), Grand Rapids, US-MI: Christian Classics Ethereal Library, p. 294. Too in: PINK, A. W. (2005). Studies in the Scriptures, vol. 7, Mulberry, US-IN: Sovereign Grace Publishers, Inc., p. 41.
14. DWIGHT, T. (1846). Theology Explained and Defended: series of sermons, 20th ed., vol. I, New York, US-NY: Harper & Brothers, sermon XXXIV, p. 507-508.
15. EDWARDS, T. (1842). The Works of Jonathan Edwards, vol. II, Andover, US-MA: Allen, Morrill & Wardwell, ser. XXIII (Law not made void through faith), p. 372.
16. The Apology of the Augsburg Confession, chap. I, art. II (Of Original Sin). In: JACOBS, H. E. (1911). The Book of Concord: the symbolical books of the Evangelical Lutheran Church, Philadelphia, US-PA: The United Lutheran Publication House, p. 78.
17. The Apology of the Augsburg Confession, chap. III (Of Love and the Fulfilling of the Law). In: JACOBS, H. E. op. cit., p. 104.
18. The Large Catechism, part I (The Ten Commandments). In: JACOBS, H. E. op. cit., p. 435.
19. DREW, S. (1829). Sermons on Several Occasions by John Wesley, 10th ed., vol. I, London, UK: Thomas Tegg, ser. XXVII, disc. V (Fifth Discourse on the Mount), p. 277.
20. John Webster, "Divinity: an essay on the christian sabbath" (June, 1867). In: The Primitive Methodist Magazine, vol. V, London, UK: Willian Lister, p. 326.
21. PRINGLE, W. (1845). Commentary on a Harmony of the Evangelists: Matthew, Mark and Luke, by John Calvin, vol. I, Edinburgh, GB-EDH: The Calvin Translation Society, p. 277, 279; (comentários sobre Mateus 5:17-19).
22. ALLEN, J. (1844). Institutes of the Christian Religion by John Calvin, 15th ed., vol. I, Philadelphia, US-PA: Presbyterian Board of Publication, book II, chap. VII, sec. 15, p. 326.
23. Westminster Confession of Faith. (1646). chap. XIX (Of the Law of God), art. I, II and V. Too in: SHAW, R. (1845). An Exposition of the Confession of Faith of the Westminster Assembly of Divines, 2nd ed., Edinburgh, GB-EDH: Jonh Johnstone, p. 192-197; (referências utilizadas pela, Confissão de Fé de Westminster, para fundamentar o artigo I: Gênesis 1:26-27; Gênesis 2:17; Jó 18:28; Eclesiastes 7:29; Romanos 2:14-15; Romanos 5:12,19; Romanos 10:5; Gálatas 3:10,12. Artigo II: Êxodo 34:1; Deuteronômio 5:32; Deuteronômio 10:4; Mateus 22:37-40; Romanos 13:8-9; Tiago 1:25; Tiago 2:8,10-12. Artigo V: Mateus 5:17-19; Romanos 13:8-10; Romanos 3:31; Efésios 6:2; Tiago 2:8,10-11; I João 2:3-4,7-8).
24. The Heidelberg Catechism. (1563). part III (Thankfulness), Q.91-93. Too in: Book of Catechisms: reference edition, 1st ed., Louisville, US-KY: Geneva Press, p. 127-128; ERNST-HABIB, M. (2013). But Why Are You Called a Christian?: an introduction to the Heidelberg Catechism, Bristol, US-CT: Vandenhoeck & Ruprecht LLC., p. 122, 124; (referências utilizadas pelo, catecismo de Heidelberg, para fundamentar a resposta à Q.91: Levítico 18:4; Deuteronômio 12:32; I Samuel 15:22; Isaías 29:13-14; Ezequiel 20:18-19; Romanos 14:23; Mateus 15:7-9; I Coríntios 10:31; Efésios 2:10. Q.92: Êxodo 20.1-17; Deuteronômio 5:6-21. Q.93: Êxodo 31:18; Êxodo 34:28; Deuteronômio 4:13; Deuteronômio 10:3-4; Mateus 22:37-40).
25. The Second Helvetic Confession. (1566). chap. XII (Of the Law of God). Too in: COCHRANE. A. C. (2003). Reformed Confessions of the Sixteenth Century, 2nd ed., Louisville, US-KY: Westminster John Knox Press, chap. 12, p. 247-248; (originally published in London, UK: S.C.M. Press, 1966).
26. O'Brien, J. A. (1974). The Faith of Millions: The Credentials of the Catholic Religion, revised edition, Huntington, US-IN: Our Sunday Visitor Inc., p. 400-401; (nihil obstat: Rev. Lawrence Gollner. Imprimatur: Leo A. Pursley, bishop of Fort Wayne-South Bend).

Outros estudos:
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IASD On-line,
29 de jan de 2015 11:21