Babilônia Denunciada - II

"[...] mostrar-te-ei o julgamento da grande meretriz que se acha sentada sobre muitas águas, com quem se prostituíram os reis da Terra; e, com o vinho de sua devassidão, foi que se embebedaram os que habitam na Terra.
[...] vi uma mulher montada numa besta escarlate, besta repleta de nomes de blasfêmia, com sete cabeças e dez chifres. Achava-se a mulher vestida de púrpura e de escarlata, adornada de ouro, de pedras preciosas e de pérolas, tendo na mão um cálice de ouro transbordante de abominações e com as imundícias da sua prostituição. Na sua fronte, achava-se escrito um nome, um mistério: 'Babilônia, a Grande, a Mãe das Meretrizes e das Abominações da Terra'. Então, vi a mulher embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus. [...] as sete cabeças são sete montes, nos quais a mulher está sentada. [...]" (Apocalipse capítulo 17 RA).

No livro de Apocalipse, "Babilônia" refere-se a todas as organizações religiosas e seus respectivos líderes que surgiram neste mundo e atuaram ou têm atuado contra os propósitos de Deus. A palavra "Babilônia" não representa especificamente os membros dessas organizações, os quais são chamados de "águas", e que em linguagem profética significa "povos, multidões, nações e línguas." (Apocalipse 17:1-2,15).

Mas dentro do sistema de "Babilônia" existe uma unidade organizacional de destaque conhecida por "Babilônia, a Grande", que representa a Igreja de Roma (Igreja Católica Apostólica Romana). Esta Igreja no fim dos tempos liderará a tríplice união(a) formada pelo: papado, protestantismo apostatado e espiritismo (Apocalipse 16:13-14 cf. Zacarias 11:8-10). Porém, em seu auge, essa união entrará em colapso e será exterminada quando Cristo retornar a este mundo(b). Consequentemente, aqueles que estiverem comprometidos com ela, também serão destruídos (Apocalipse 16:17-19; Apocalipse 20:10-15).

Peculiaridades e atuações de "Babilônia, a Grande"

A Igreja de Roma é adjetivada de "meretriz" por causa de sua promiscuidade doutrinária e espiritual, e caracterizada de "grande" devido ao alcance global(c) de seus domínios e ensinos; que são exercidos intensamente ao redor do mundo (Apocalipse 17:15).

Valendo-se desse domínio e dotada de um caráter sedutor, ela vem desde os seus primórdios persuadindo e conquistando os reis da Terra, com os quais mantém relações ilícitas (Apocalipse 17:2). Esse vínculo político-religioso entre os Estados e a Igreja Romana, marcante durante a Idade Média, alcançará novamente o seu apogeu antes do segundo advento de Cristo (Apocalipse capítulo 13). A propósito, é por meio de alianças entre o cristianismo apostatado e os poderes políticos que Satanás busca unir o mundo sob seu controle.

Ao longo dos séculos, a parte política desse relacionamento concedeu a sua autoridade e seus recursos à parte religiosa, tornando-se dessa maneira cúmplice de seus crimes (Apocalipse 17:13). Pode-se dizer ainda que, a intensidade com que as pessoas "se embebedaram" com as falsas doutrinas da Igreja Romana, sempre esteve relacionada com a extensão do apoio político concedido à ela.

De acordo com o livro de Apocalipse, "Babilônia, a Grande" encontra-se "vestida de púrpura e escarlata, adornada de ouro, pedras preciosas e pérolas" (Apocalipse 17:4 NVI). E a Igreja de Roma utiliza largamente essas cores em suas vestimentas sacerdotais, além disso, tanto o clero quanto as catedrais ostentam em suas ornamentações vultuosas riquezas (cf. Apocalipse 18:16), contrastando fortemente com a simplicidade da "noiva do Cordeiro" (Apocalipse 19:7-8). Essa Igreja utiliza ainda em suas liturgias um "cálice de ouro", que externamente ilude as multidões com sua beleza, enquanto de seu interior transborda abomináveis doutrinas e imundas relações com o mundo (Apocalipse 17:4).

O livro de Apocalipse descreve também a localização geográfica de "Babilônia, a Grande" ao dizer que ela está "sentada" sobre "sete montes"(d) (Apocalipse 17:9). E a cidade de Roma, na qual a sede da Igreja Romana se encontra, é conhecida como a "cidade das sete colinas", por estar situada entre sete montes(e).

Ademais, "Babilônia, a Grande" é indiciada por vários crimes, dentre eles: persuadir os reis (governantes) da Terra a se unirem à ela com o intuito de promover seus próprios desígnios (Apocalipse 18:2-3,7); instigar os habitantes da Terra a apoiar seus dogmas, tornando-os coparticipantes de seus delitos (Apocalipse 18:23); dominar por violência povos e reinos; e, assassinato (Apocalipse 18:24). Em relação a este último crime, a História retrata a Igreja de Roma como impiedosa e sanguinária. João quando presenciou o seu grau de perversidade a descreveu "embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus" (Apocalipse 17:6). São inúmeros os relatos de atrocidades e condenações à morte aplicadas sobre aqueles que rejeitaram seus ensinos e supremacia. O período da Inquisição(f) representa com propriedade as cruéis perseguições promovidas por ela.

Soma-se ainda aos crimes citados, a deturpação do evangelho de Cristo e de Seu ministério sumo sacerdotal(g). A confissão de pecados deve ser feita direta e somente a Deus, o único que pode perdoá-los (I João 1:9 cf. Lucas 5:21-24). E esta aproximação é possível exclusivamente pelos méritos do sacrifício expiatório de Jesus e de Sua intercessão (I João 2:1 cf. Jó 16:19; Hebreus 7:25). No entanto, a Igreja de Roma propaga a ideia de que agentes humanos possuem os mesmos atributos de Jesus para interceder entre Deus e o pecador, podendo até mesmo lhe perdoar(h).

Assim, diariamente, milhões de pessoas são orientadas a procurarem outros pecadores, inclusive pessoas falecidas, na esperança de obter os mais diversos tipos de ajuda. Esse procedimento inútil, vem ocultando o plano de salvação estabelecido por Deus ao desviar o pecador de buscar Jesus por auxílio. Todos os dias, milhares de orações que deveriam ser destinadas unicamente ao Criador estão sendo extraviadas (João 14:6; Colossenses 3:17); assim como tem sido desviada a devida atenção para o ministério de Jesus no santuário celestial (Hebreus 4:13-16; Hebreus 8:1-2). Em outras palavras: A Igreja Romana, "dEle tirou o sacrifício diário e o lugar do Seu santuário foi deitado abaixo." (Daniel 8:11 RA).

Considerações finais

Em essência, os pecados da Igreja de Roma foram motivados pelo orgulho e arrogância (Apocalipse 18:7), os mesmos sentimentos que conduziram Lúcifer à ruína (Isaías 14:11-14). As revelações bíblicas e os fatos históricos revelam o verdadeiro propósito do arqui-inimigo de Deus para humanidade, que atua de forma sorrateira através do próprio homem (II Tessalonicenses 2:3-4).

"A Escritura Sagrada declara que Satanás, antes da vinda do Senhor, operará 'com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça'; e 'os que não receberam o amor da verdade para se salvarem' serão deixados à mercê da 'operação do erro, para que creiam na mentira'." (II Tessalonicenses 2:9-11 KJV). A queda de Babilônia se completará quando esta condição for atingida, e a união da igreja com o mundo se tenha consumado em toda a cristandade.
[...] Apesar das trevas espirituais e afastamento de Deus prevalecentes nas igrejas que constituem Babilônia, a grande massa dos verdadeiros seguidores de Cristo encontra-se ainda em sua comunhão. Muitos deles há que nunca souberam das verdades especiais para este tempo. Não poucos se acham descontentes com sua atual condição e anelam mais clara luz. Em vão olham para a imagem de Cristo nas igrejas a que estão ligados. Afastando-se estas corporações mais e mais da verdade, e aliando-se mais intimamente com o mundo, a diferença entre as duas classes aumentará, resultando, por fim, em separação. Tempo virá em que os que amam a Deus acima de tudo, não mais poderão permanecer unidos aos que são 'mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela'. (II Timóteo 3:1-5 KJV cf. Tiago 4:4).
O capítulo 18 do Apocalipse indica o tempo em que, como resultado da rejeição da tríplice mensagem do capítulo 14:6-12, a igreja terá atingido completamente a condição predita pelo segundo anjo, e o povo de Deus, ainda em Babilônia, será chamado a separar-se de sua comunhão. Esta mensagem é a última que será dada ao mundo, e cumprirá a sua obra. Quando os que 'não creram na verdade, antes tiveram prazer na iniquidade' (II Tessalonicenses 2:12 KJV), forem abandonados para que recebam a operação do erro e creiam na mentira, a luz da verdade brilhará então sobre todos os corações que se acham abertos para recebê-la, e os filhos do Senhor que permanecem em Babilônia atenderão ao chamado: 'Sai dela, povo Meu'." (Apocalipse 18:4 KJV)."1



Vídeo relacionado: A Estratégia do Inimigo

a. Esforço final de Satanás para conquistar a lealdade da raça humana por meio da religião. O comportamento dessa união será semelhante ao proporcionado no passado pela Igreja de Roma. Por isso o livro de Apocalipse chama essa união de a "imagem da besta". Acesse: A Imagem do Mal.
b. Acesse: Finda-se o Tempo
c. A palavra "católica", utilizada para nomear a Igreja Católica Apostólica Romana, provém do grego "katholikós" que significa "universal".
d. A palavra "monte" também é utilizada para designar poder político ou político-religioso (Jeremias 51:24-25; Ezequiel 17:22-23).
e. Os sete monte (colinas) na qual a antiga cidade de Roma foi construída, são: Palatino, Capitolino, Quirinal, Viminal, Esquilino, Célio e Aventino. Fonte: "Seven Hills of Rome". (2010). Encyclopædia Britannica. Chicago: Encyclopædia Britannica.
h. Sobre essa questão, o catecismo da Igreja Católica (cap. II, art. IV), afirma: "A confissão ao sacerdote constitui uma parte essencial do sacramento da Penitência [...] Os que procedem de modo diverso, e conscientemente ocultam alguns [pecados], esses não apresentam à bondade divina nada que ela possa perdoar por intermédio do sacerdote." [1456]. "Uma vez que Cristo confiou aos apóstolos o ministério da reconciliação, os bispos, seus sucessores, e os presbíteros, colaboradores dos bispos, continuam a exercer tal ministério. Com efeito, os bispos e os presbíteros é que têm, em virtude do sacramento da Ordem, o poder de perdoar todos os pecados, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo." [1461]. "O perdão dos pecados reconcilia com Deus mas também com a Igreja. O bispo, chefe visível da Igreja particular, é justamente considerado, desde os tempos antigos, como o principal detentor do poder e ministério da reconciliação: é o moderador da disciplina penitencial. Os presbíteros, seus colaboradores, exercem-no na medida em que receberam o respectivo encargo, quer do seu bispo (ou dum superior religioso), quer do Papa, através do direito da Igreja." [1462]. Essas afirmativas, todavia, estão fundamentadas em interpretações equivocadas de alguns versos bíblicos, entre eles: "Se perdoarem os pecados de alguém, estarão perdoados; se não os perdoarem, não estarão perdoados." (João 20:23 NVI); "Muitos dos que creram vinham, e confessavam e declaravam abertamente suas más obras." (Atos 19:18 NVI). Nenhum texto escriturístico orienta o pecador a procurar um sacerdote ou clérigo com o intuito de lhe confessar os pecados para que o perdão de Deus seja concedido. Ao contrário, a Bíblia apresenta o seguinte princípio: se tivermos algo pendente para com o nosso próximo, devemos pessoalmente solicitar ou conceder o perdão; não há a necessidade de um intermediário (II Coríntios 2:10-11; Efésios 4:32; Colossenses 3:13; Tiago 5:16; I Pedro 4:8). Somente após esse procedimento, podemos nos direcionar a Deus e rogar pelo Seu perdão (Mateus 5:23-24 cf. Mateus 6:12, Mateus 18:23-35), por intermédio de Jesus (Isaías 53:5; João 17:19-21; Atos 13:38; I João 2:1; Hebreus 7:25). Portanto, o perdão possui duas dimensões ou dois direcionamentos: horizontal, que trata do reconciliamento proporcionado diretamente entre os pecadores; e, vertical, que trata do reconciliamento entre o pecador e Deus.
1. WHITE, E. G. Grande Conflito, O; 41.ª ed., São Paulo, SP: CPB, sec. III, cap. 21, p. 389-390.

Outros estudos:
Ċ
IASD On-line,
22 de dez de 2014 07:21