Babilônia Denunciada - I

A palavra "Babilônia" ou "Babel" significa "portal dos deuses" (bab-ilu), e está associada ao termo "balal" (confusão) devido ao caos ocorrido durante a construção da torre de Babel (Gênesis 11:1-9). Os antigos habitantes de Babilônia acreditavam que sua cidade tinha sido escolhida pelos deuses para se encontrarem com os homens, e que os reis babilônicos haviam sido nomeados para governar o mundo.

Desde a antiguidade, a cidade de Babilônia vem simbolizando o desafio contra Deus (Gênesis 9:1 cf. Gênesis 11:1-4). Sua torre era um monumento da apostasia e um centro de rebelião. Lúcifer (Satanás) era o seu rei invisível (Isaías 14:3-4, 12-14), e suas atitudes evidenciam que ele pretendia fazer de Babilônia a sede de governo da raça decaída, assim como Deus de forma antagônica planejou utilizar Jerusalém para conduzir o mundo à salvação (Jeremias 3:17; Jeremias 33:9). Ao longo de toda a Bíblia, a batalha entre a cidade de Deus (Jerusalém) e a cidade de Satanás (Babilônia) ilustra o conflito entre o bem e o mal.

Durante os primeiros séculos da era cristã, quando o império romano oprimia tanto os judeus quanto os cristãos, estes relataram à cidade de Roma como sendo Babilônia;1 muitos creem que Pedro usou Babilônia como pseudônimo para Roma (I Pedro 5:13). E, em virtude de sua grande apostasia e perseguição, a maioria dos protestantes da Reforma e Pós-Reforma vincularam a Igreja de Roma como sendo a Babilônia espiritual, a inimiga do povo de Deus (Apocalipse capítulo 17).2

Portanto, como a cidade de Babilônia caracterizava-se por sua descrença no Criador e pelo desafio à Sua vontade (Isaías 21:9 cf. Apocalipse 18:9-10), o livro de Apocalipse a utiliza para simbolizar todas as organizações religiosas(a) que contestam a Deus ao menosprezar a Sua lei, e perseguem o Seu povo (cf. Apocalipse 12:17; Apocalipse 14:12). E de maneira específica a designação, "Babilônia, a Grande"(b), é utilizada para representar a Igreja de Roma (Apocalipse 17:5).

A igreja em ruínas

A mensagem do segundo anjo expõe a natureza universal da apostasia de Babilônia e o seu poder repressor, denunciando que ela "tem dado a beber a todas as nações do vinho da fúria da sua prostituição." (Apocalipse 14:8 RA).

O "vinho" de Babilônia representa suas doutrinas contrárias às Sagradas Escrituras. Essas doutrinas foram disseminadas por meio da superstição e opressão, especialmente durante a Idade Média; e as profecias afirmam que nos eventos finais deste mundo ela pressionará novamente os Estados para que obriguem todos a obedecê-la (Apocalipse 13:11-17). Por sua vez, a "prostituição" representa o relacionamento ilícito entre Babilônia e as nações - entre a igreja apóstata e os poderes civis (Apocalipse 18:2-3). Essa igreja deveria ter sido a noiva do Cordeiro, mas, ao buscar apoio do Estado em vez de apoiar-se em Deus, ela deixou o seu Esposo e cometeu adultério espiritual (cf. Ezequiel 16:15; Tiago 4:4). Inevitavelmente esse relacionamento ilícito resultou em tragédia. João viu os habitantes da Terra "embriagados" com falsos ensinos, e a própria Babilônia "embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus", os quais negaram as doutrinas anti-bíblicas e o autoritarismo da "grande meretriz" (Apocalipse 17:1-6; Apocalipse 18:24).

Babilônia caiu porque recusou a mensagem do primeiro anjo - o evangelho da justificação pela fé em Jesus(c). Ao envolver-se com o paganismo, ela passou a adotar ensinos e liturgias que a distanciara de Deus; ela optou em seguir filosofias humanas e almejar às riquezas deste mundo (Colossenses 2:8; Apocalipse 18:7).

E assim como nos primeiros séculos da era cristã a Igreja de Roma apostatou, da mesma forma muitos protestantes da atualidade vem se desviando das verdades bíblicas defendidas pela Reforma Protestante. Desse modo, todo o sistema de Babilônia atingirá o máximo de sua queda quando o protestantismo tiver se desviado completamente da pureza e simplicidade do evangelho da justificação pela fé, que uma vez foi o seu principal fundamento.

A mensagem do segundo anjo tornar-se-á crescentemente relevante à medida que o fim se aproxima, encontrando o seu completo cumprimento após a aliança entre as várias organizações religiosas que rejeitaram a primeira mensagem angélica(d). A queda de Babilônia é detalhada no capítulo 18 de Apocalipse, onde também encontra-se o convite de Deus para que o Seu povo, que ainda se encontra nos vários grupos religiosos componentes de Babilônia, saia de suas congregações (Apocalipse 18:4).3

Ataque ao governo de Deus

No Céu, Lúcifer iniciou suas investidas contra Deus atacando os princípios de Sua lei, derrotado, trouxe para a Terra os mesmos intuitos de subjugar o Seu governo (Apocalipse 12:7-9, 17). Para cada propósito de Deus, Satanás apresenta uma contrafação; ele defende qualquer coisa que seja oposto ao que Deus determina.

Logo, é óbvio que as verdadeiras informações sobre a criação deste mundo estão sendo constantemente atacadas. Por milênios, Satanás vem obscurecendo o relato bíblico sobre a formação da Terra e a origem de todo ser vivo que nela se encontra (Gênesis capitulo 1; Êxodo 20:11; Apocalipse 4:11). E nos últimos séculos, o evolucionismo têm recebido especial atenção diabólica, pois suas teorias vem sendo aceitas até mesmo por professos cristãos.

Por milênios, Satanás vem deturpando também os desígnios da lei divina. Sem escrúpulos e auxiliado por homens prepotentes, arrogantes e orgulhosos (Gênesis 6:5; Marcos 7:21-22; II Timóteo 3:1-5), ele centraliza seus esforços para anular a lei de Deus, especialmente o quarto mandamento que reúne as informações sobre Autor da criação e os motivos pelas quais, a Ele, unicamente, devem ser destinadas a obediência e adoração de Suas criaturas. Aliás, obediência e adoração resumem tudo o que Satanás deseja para si mesmo (Isaías 14:12-14; Mateus 4:8-10).

"O Senhor fez o mundo em seis dias e descansou no sétimo, santificando este dia e separando-o de todos os outros como sagrado a Sua própria Pessoa para que fosse observado por Seu povo durante todas as suas gerações. Mas o homem do pecado, exaltando-se acima de Deus, assentando-se no templo de Deus e ostentando-se como se fosse o próprio Deus, cuidou em mudar(e) os tempos e a lei (Daniel 7:25). Este poder, tencionando provar que não somente era igual a Deus, mas estava acima de Deus, mudou o dia de repouso, colocando o primeiro dia da semana onde deveria estar o sétimo. E o mundo protestante tem admitido que este filho do papado [domingo] seja considerado sagrado. Na Palavra de Deus, isto é chamado de fornicação (Apocalipse 14:8)."4

"Durante a dispensação cristã, o grande inimigo da felicidade do homem fez do sábado do quarto mandamento um objeto de ataque especial. Satanás diz: 'Eu atravessarei os propósitos de Deus (Ezequiel 28:1-7; Ezequiel 28:13-19; Isaías 14:12-14). Capacitarei meus seguidores a porem de lado o memorial de Deus, o sábado do sétimo dia. Assim, mostrarei ao mundo que o dia abençoado e santificado por Deus foi mudado. Esse dia não perdurará na mente do povo. Apagarei a lembrança dele. Porei em seu lugar um dia que não leve as credenciais de Deus, um dia que não seja um sinal entre Deus e Seu povo. Levarei os que aceitarem este dia a porem sobre ele a santidade que Deus pôs sobre o sétimo dia.

Através de meu representante, engrandecerei a mim mesmo (II Tessalonicenses 2:3-4 cf. Ezequiel 28:2). O primeiro dia será exaltado, e o mundo protestante receberá este sábado espúrio como genuíno. Através da não observância do sábado que Deus instituiu, levarei Sua lei ao menosprezo (Tiago 2:10-13) [...]. Assim o mundo tornar-se-á meu. Eu serei o governador da Terra, o príncipe do mundo (Lucas 4:5-6; João 12:31; João 14:30-31). Controlarei assim as mentes sob meu poder para que o sábado de Deus seja um objeto especial de desprezo'."5

"Uma vez que o sábado desempenha papel vital na adoração a Deus como Criador e Redentor, não deveria constituir surpresa o fato de que Satanás tem levado adiante uma guerra sem tréguas na tentativa de subverter essa sagrada instituição. Em parte alguma, autoriza a Bíblia a mudança do dia de adoração que Deus instituiu no Éden e reafirmou no Sinai. Outros cristãos, eles próprios observadores do domingo, reconhecem isso(f)."6

Considerações finais

As investidas de Satanás contra o governo de Deus e Sua lei são representadas pela ação de uma Babilônia mística ou simbólica, pois a literal foi destruída nos tempos do Antigo Testamento e nunca mais será reerguida, e tampouco habitada (Isaías 13:19-21). A "Bíblia de Jerusalém", tradução católica com imprimatur, nos comentários sobre Apocalipse 17:5 afirma que Babilônia é o nome simbólico de Roma, que arrastou todas as nações à idolatria.

Assim como Apocalipse capítulo 12 apresenta uma mulher pura como símbolo da igreja fiel a Deus, em Apocalipse capítulo 17 tem-se uma meretriz representando uma igreja que se prostituiu, isto é, que corrompeu-se espiritualmente quanto abandonou a Deus (cf. Ezequiel 16:15-21).7 E a Igreja de Roma é a Igreja-Mãe descrita em Apocalipse 17:5; e esta possui várias filhas que, embora tenham a abandonado, conservam grande parte de seus vícios e da sua conduta religiosa equivocada; saíram da casa da "mãe meretriz", porém embriagadas com seu "vinho" de ensinos abomináveis (Apocalipse 17:4). E nesse estado de "embriaguez" não percebem as doutrinas herdadas.

Existem pessoas sinceras dentro dessas igrejas que ainda não descobriram estas revelações de Deus (João 10:16; Atos 17:30). Todavia, permanecer nelas após conhecer a vontade do Senhor, demonstra um ato de desobediência e rebelião que as identifica com os pecados de Babilônia. Por causa dessa atitude, Deus Se vê obrigado a castigá-las com os flagelos destinados a Babilônia. Mas antes, o Salvador lhes concede oportunidade de salvação dizendo: "Sai dela, povo Meu" (Apocalipse 18:4 cf. Ezequiel 18:23, Ezequiel 33:11).8



Texto baseado em: Nisto Cremos. (2003). 7.ª ed., São Paulo, SP: CPB, cap. 12 (A Segunda Mensagem Angélica).
Vídeo relacionado: A Estratégia do Inimigo

a. Sobretudo as organizações religiosas que participarão da grande aliança babilônica. Acesse: A Imagem do Mal.
1. Midrash Rabbah on Canticles I, 6:4; Tertullian, Against Marcion, book III, chap. XIII; Tertullian, Answer to the Jews, chap. IX.
2. FROOM, L. E. (1948). The Prophetic Faith of Our Fathers: The Historical Development of Prophetic Interpretation, vol. II, Washington, DC: Review and Herald Publishing Association, p. 531, 788.
3. SDA Bible Commentary, vol. 7, p. 828-831.
4. SDA Bible Commentary, vol. 7, p. 979.
5. WHITE, E. G. Profetas e Reis, 9.ª ed., São Paulo, SP: CPB, sec. II, cap. 14, p. 183-184.
6. Nisto Cremos. (2003). 7.ª ed., São Paulo, SP: CPB, cap. 19, p. 343.
7. Comentário extraído de: As Revelações do Apocalipse, cap. 21: "O Mistério de Babilônia, a Grande Meretriz".
8. Ibidem.

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IASD On-line,
11 de dez de 2014 07:03